O título englobava o governo doReino da Germânia e oReino Itálico.[1][2][3] Em teoria, o Imperador Romano-Germânico eraprimus inter pares ("primeiro entre iguais") entre todos os outros monarcas católico-romanos; na prática, o imperador era tão forte quanto o seu exército e as alianças políticas o faziam.
Várias casas reais europeias, em diferentes momentos da história, tornaram-se os detentores hereditários do título, em especial os membros daCasa de Habsburgo, também conhecida como Casa d'Áustria. Após aReforma Protestante, muitos dos estados vassalos do império e a maioria dos súditos germânicos eram protestantes, enquanto o imperador continuou católico.
No ocidente,o título de Imperador foi restaurado no ano 800, o que também renovou a ideia de cooperação entre o imperador e o papa. Com o crescimento do poder do Papado durante aIdade Média, papas e imperadores entraram várias vezes em conflito sobre a administração daIgreja Católica e do próprio império. O mais conhecido conflito ficou conhecido como aQuestão das Investiduras, uma disputa durante o século XI entre o imperadorHenrique IV e o papaGregório VII.
ApósCarlos Magno ter sido coroado "Imperador dos Romanos" (Imperator Romanorum) pelo papaLeão III, os seus sucessores mantiveram o título até a morte deBerengário I em 924, tendo o título permanecido vacante até à coroação deOtão I em 962. Sob o reinado de Otão e seus sucessores, a maior parte do antigo reinocarolíngio daFrância Oriental foi absorvido pelo Sacro Império. Os vários príncipes alemães elegiam entre si oRei dos Alemães, que seria então coroado "Imperador" pelo papa. Após a coroação deCarlos V, todos os imperadores que lhe sucederam foram intitulados deImperador Eleito, devido à ausência da coroação por parte do papa; mas, para todos os efeitos práticos, eram simplesmente chamados de "Imperador".
O termo "sacro" ("santo") para referir-se ao novoImpério Romano foi usado pela primeira vez em 1157 porFrederico I.[4]Carlos V foi o último Imperador Romano-Germânico a ser de facto coroado pelo papa (1530).
A designação padrão do imperador romano-germânico era "Augusto Imperador dos Romanos" (Imperator Romanorum Augustus). Quando Carlos Magno foi coroado em 800, este foi intitulado como "Sereníssimo Augusto, coroado por Deus, grande e pacífico Imperador, regente do Império Romano," constituindo assim, os elementos de "Sacro" e "Romano" no título imperial. A palavra "sacro" nunca foi usada como parte do título do imperador em documentos oficiais.[5]
A palavra "Romano" foi um reflexo do princípio datranslatio imperii (neste caso,restauratio imperii), que consagrava os imperadores romanos-germânicos como os herdeiros do título de imperador doImpério Romano do Ocidente, apesar da existência do Império Romano do Oriente.
Analogamente à historiografia de língua portuguesa; a historiografia de língua alemã usa o termoRömisch-deutscher Kaiser ("Imperador Romano-Germânico") para fazer a distinção entre o título deImperador Romano e o deImperador Alemão (Deutscher Kaiser).
Imperadores da dinastia de Habsburgo e suas famílias
As sucessões na realeza eram controladas por uma variedade de factores complicados. As eleições noReino da Germânia atribuíam à sua realeza uma sucessão apenas parcialmente hereditária, ao contrário da sucessão emPortugal, ainda que a soberania se mantivesse frequentemente dentro da mesma dinastia até à inexistência de sucessores varões. Alguns estudiosos sugerem que o objectivo das eleições era na prática para resolver conflitos apenas quando a sucessão dinástica não era clara. No entanto este processo significava que o principal candidato teria que fazer concessões, pelas quais os eleitores eram mantidos de lado, o que era conhecido comoWahlkapitulationen (capitulação electiva).
OColégio Eleitoral foi estabelecido com sete príncipes (três arcebispos e quatro príncipes seculares) pelaBula Dourada de 1356. Este sistema permaneceu até 1648, quando a resolução daGuerra dos Trinta Anos obrigou à adição de um novo eleitor para manter o equilíbrio entre as facçõesprotestantes ecatólicos no império. Um outro eleitor foi adicionado em 1690, sendo o colégio reorganizado em 1803, apenas três anos antes da dissolução do Império.
Após 1438, o título imperial manteve-se na casa deHabsburgo e deHabsburgo-Lorena, com a breve exceção deCarlos VII, da casa deWittelsbach.Maximiliano I (Imperador entre 1508-1519) e todos os seus sucessores deixaram de viajar a Roma para serem coroados imperadores pelo papa. Maximiliano intitulou-se assim Imperador Romano Eleito (Erwählter Römischer Kaiser) em 1508, com aprovação papal. Este título foi usado por todos os seus sucessores não coroados, com a excepção deCarlos V, seu sucessor imediato, que foi coroado pelo papa.