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Império colonial

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Impérios coloniais doocidente, de1492 até2008.
Parte de uma série sobre
Colonialismo
Colonização
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Descolonização

Impérios coloniais foram formações políticas caracterizadas pela dominação de territórios ultramarinos, frequentemente descontínuos em relação à metrópole, estabelecidos sobretudo a partir da expansão marítima europeia iniciada no século XV, no contexto daEra dos Descobrimentos. Diferenciaram-se de formas anteriores de império por se apoiarem em redes oceânicas, estruturas administrativas coloniais e sistemas econômicos voltados à exploração e integração das colônias em circuitos globais de comércio.[1][2]

A formação desses impérios esteve associada ao desenvolvimento da navegação oceânica, da cartografia moderna e do capitalismo mercantil europeu.Portugal eEspanha foram os primeiros Estados a estabelecer domínios coloniais de alcance transcontinental, seguidos, a partir dos séculos XVII e XVIII, por outras potências marítimas, como osPaíses Baixos, aFrança e oReino Unido. A competição entre esses Estados deu origem aos primeiros acordos internacionais de partilha colonial, entre eles oTratado das Alcáçovas (1479) e oTratado de Tordesilhas (1494).[3][4]

Entre os séculos XVII e XIX, os impérios coloniais integraram-se em um sistema global de rivalidades políticas, econômicas e militares, atingindo seu auge durante o período doimperialismo do século XIX, quando a expansão colonial se intensificou, particularmente na África e na Ásia.[5] OImpério Britânico destacou-se nesse contexto como o maior império colonial da história em extensão territorial e população submetida.[6]

O declínio dos impérios coloniais ocorreu principalmente ao longo do século XX, em especial após aSegunda Guerra Mundial, com o avanço dos processos dedescolonização e a formação de novos Estados independentes na Ásia, na África e no Caribe. Paralelamente aos impérios coloniais ultramarinos, existiram formas alternativas de expansão imperial, baseadas na incorporação territorial contínua, como no caso doImpério Russo, doImpério Otomano e doImpério do Japão.[7]

História

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Antecedentes históricos

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Embora a existência de grandes entidades políticas expansionistas seja um fenômeno recorrente na história humana, os impérios coloniais constituem uma forma específica de dominação imperial, distinta dos impérios da Antiguidade e da Idade Média. Impérios como oEgito Antigo, oImpério Romano, oImpério Chinês, oImpério Inca ou oImpério Asteca baseavam-se predominantemente na expansão territorial contígua e na incorporação direta de regiões vizinhas, limitadas pelas condições tecnológicas e logísticas de seu tempo.[1]

Os impérios coloniais, por sua vez, caracterizam-se pela dominação de territórios ultramarinos, frequentemente descontínuos em relação à metrópole, sustentados por redes marítimas, estruturas administrativas diferenciadas e sistemas econômicos orientados para a exploração e a integração em circuitos globais de comércio. Essa forma de império tornou-se historicamente viável apenas a partir do desenvolvimento da navegação oceânica, da cartografia moderna e das transformações econômicas associadas ao final da Idade Média europeia.[2]

Formação dos impérios coloniais europeus (séculos XV–XVI)

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A formação dos impérios coloniais europeus está diretamente associada àEra dos Descobrimentos, iniciada no século XV. Nesse contexto, a expansão marítima europeia combinou interesses comerciais, estratégicos, políticos e religiosos, permitindo a projeção do poder europeu sobre vastas áreas da África, da Ásia, das Américas e da Oceania.[4]

OImpério Português é geralmente considerado o primeiro império colonial de alcance global, estruturando-se inicialmente como um império marítimo-comercial. A partir da conquista deCeuta em 1415, Portugal estabeleceu uma rede de entrepostos e possessões ao longo da costa africana, no Atlântico Sul e no Oceano Índico, alcançando posteriormente oBrasil, aÁfrica Ocidental, aÁfrica Oriental, oSul da Ásia e oSudeste Asiático, além de domínios naChina e emTimor-Leste.[8][9]

OImpério Espanhol consolidou-se sobretudo a partir do século XVI, após a conquista de extensos territórios naAmérica e a incorporação dasFilipinas. Diferentemente do modelo português, a expansão espanhola baseou-se amplamente na conquista territorial, na exploração mineral e na implantação de estruturas administrativas complexas, como vice-reinos e audiências.[10]

A rivalidade entre as coroas ibéricas levou à formulação dos primeiros acordos internacionais de partilha colonial, como oTratado das Alcáçovas (1479) e oTratado de Tordesilhas (1494), que buscaram regular juridicamente a expansão ultramarina por meio de linhas de demarcação globais.[3]

Consolidação e competição imperial (séculos XVII–XVIII)

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A partir do século XVII, a primazia ibérica foi progressivamente contestada por novas potências marítimas europeias. OImpério Colonial Holandês destacou-se pelo controle de rotas comerciais estratégicas e pela atuação de companhias privadas, como aCompanhia Holandesa das Índias Orientais, sobretudo no Oceano Índico e no Sudeste Asiático.[11]

Em paralelo, desenvolveram-se os impérios coloniaisfrancês ebritânico, fortemente vinculados à expansão do comércio atlântico, à colonização de povoamento e à exploração de sistemas econômicos baseados na escravidão e na produção de gêneros tropicais.[12]

Nesse período, os impérios coloniais passaram a integrar-se em um sistema global de rivalidades, no qual conflitos europeus frequentemente se estendiam aos territórios ultramarinos, consolidando a dimensão mundial das disputas imperiais.[13]

Imperialismo e expansão colonial do século XIX

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O século XIX marcou uma nova fase da expansão colonial, frequentemente designada comoimperialismo, caracterizada pela intensificação da dominação territorial e econômica sobre regiões da África, da Ásia e da Oceania. Esse processo esteve estreitamente ligado àRevolução Industrial, ao avanço tecnológico e à busca por matérias-primas, mercados consumidores e áreas de investimento.[5]

Durante esse período, oImpério Britânico atingiu sua máxima extensão territorial, tornando-se o maior império colonial da história em termos de área e população submetida.[6] Paralelamente, potências de unificação tardia, como aAlemanha e aItália, bem como oImpério Belga, ingressaram na competição colonial, especialmente na África, processo formalizado diplomaticamente naConferência de Berlim (1884–1885).[14]

Declínio dos impérios coloniais e descolonização

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O declínio dos impérios coloniais intensificou-se ao longo do século XX, particularmente após aPrimeira Guerra Mundial e, de forma decisiva, após aSegunda Guerra Mundial. O enfraquecimento das metrópoles europeias, o fortalecimento de movimentos nacionalistas nas colônias e a pressão internacional por autodeterminação contribuíram para o avanço dos processos dedescolonização.[15]

Entre as décadas de 1940 e 1970, grande parte da Ásia, da África e do Caribe conquistou a independência formal, alterando profundamente a ordem internacional e conduzindo à formação de novos Estados soberanos. Esse processo marcou o colapso do sistema colonial europeu, ainda que persistam vínculos políticos, econômicos e culturais entre antigas metrópoles e ex-colônias.[16]

Impérios não europeus e formas alternativas de expansão imperial

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Paralelamente aos impérios coloniais ultramarinos, existiram formas de expansão imperial baseadas na incorporação territorial contígua. OImpério Russo, em expansão desde o século XVII, estendeu-se pela Eurásia, integrando vastas regiões daSibéria, doCáucaso e daÁsia Central. Esse império, sucedido pelaUnião Soviética e posteriormente pelaFederação Russa, diferiu dos impérios coloniais marítimos, embora também tenha exercido formas de dominação imperial sobre povos periféricos.[7]

Outros casos relevantes incluem oImpério Otomano e oImpério do Japão, cuja expansão combinou dominação territorial, controle político e integração econômica, evidenciando a diversidade histórica das formas de imperialismo além do modelo colonial europeu clássico.[17]

Lista de impérios coloniais

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Regiões que já pertenceram a um império colonial.
  Império Britânico, Influência
  Império Alemão, Influência
  Império Francês, Influência
  Império Russo, Influência
  1. PortugalImpério Português (1415–1999)
  2. EspanhaImpério Espanhol (1492–1975/presente)
  3. FrançaImpério Francês (1534–1980/presente)
  4. Czarado da Rússia,Império RussoImpério Russo, União Soviética eRússiaFederação Russa (1580–presente)
  5. Países BaixosImpério Neerlandês (1602–1975/presente)
  6. Reino da InglaterraPossessões ultramarinas inglesas (1583–1707)
  7. Reino da EscóciaColonização escocesa da América (1621–1707)
  8. Império BritânicoImpério Britânico (1707–1997/presente)
  9. AustráliaTerritórios e mandatos sob administração australiana (1901–presente)
    • Odomínio australiano, uma colônia que gradualmente aumentou sua independência em 1907, 1947 e 1986, foi encarregado do governo de várias outras colônias e territórios britânicos e o mandato deSamoa. Também foi co-administradora nominal do mandato deNauru. O território remanescente não autônomo da Nova Zelândia éTokelau.
  10. Nova ZelândiaReino da Nova Zelândia (1907–presente)
    • Odomínio neozelandês, uma colônia que gradualmente aumentou sua independência em 1907, 1947 e 1986, foi encarregado do governo de várias outras colônias e territórios britânicos e o mandato deSamoa. Também foi co-administradora nominal do mandato deNauru. O território remanescente não autônomo da Nova Zelândia éTokelau.
  11. União Sul-AfricanaMandatos sob administração sul-africana (1915–1990)
    • O mandato doSudoeste Africano O mandato foi governado pelo domínio domínio britânico daÁfrica do Sul, que era uma colônia que gradualmente aumentou sua independência em 1910, 1931 e 1961.
  12. DinamarcaImpério Dinamarquês (1620–1979/presente)
  13. SuéciaImpério Sueco (1638–1663 e 1784–1878)
  14. Cavaleiros Hospitalários (Malta, um vassalo doReino da Sicília; 1651–1665)
  15. Iniciativas colonias alemãs (1683–1721, 1883–1919)
  16. Colônias daMonarquia Habsburgo[20] eÁustria-Hungria (1719–1750, 1778–1783, 1901–1917)
  17. Ducado da Curlândia e Semigália
  18. Estados UnidosImpério Americano (1817–presente)
  19. Império do JapãoImpério do Japão (1868–1947)
  20. TailândiaReino de Rattanakosin
  21. BélgicaImpério Belga (1885–1962)
  22. ItáliaImpério Italiano (1885–1960)
  23. NoruegaImpério Norueguês (reinante e territorial 875-1397, apenas territorial 1397-1814)
  24. Império OtomanoImpério Otomano (1299–1922)
  25. MarrocosReino de Marrocos (1975–presente)
  26. Mascate e Omã (1652–1892)

Ver também

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Referências

  1. abPagden 1995, p. 7–10.
  2. abBayly 2004, p. 23–31.
  3. abRussell-Wood 1998, p. 33–52.
  4. abElliott 2006, p. 3–28.
  5. abDarwin 2009, p. 121–160.
  6. abFerguson 2003, p. 15–48.
  7. abLieven 2000, p. 1–22.
  8. Boxer 1969, p. 1–20.
  9. Subrahmanyam 1997, p. 45–78.
  10. Elliott 2006, p. 63–102.
  11. Israel 1995, p. 295–340.
  12. Bayly 2004, p. 91–130.
  13. Pagden 1995, p. 112–135.
  14. Darwin 2009, p. 235–260.
  15. Darwin 2009, p. 487–520.
  16. Bayly 2004, p. 451–470.
  17. Pagden 1995, p. 173–190.
  18. Milán, Jesús Martínez.«Sidi Ifni en el contexto del colonialismo español en el sur de Marruecos, 1912-1956».Hespéris-Tamuda, vol. XLVI (2011), pp. 39-64. Consultado em 25 de outubro de 2024 
  19. «El Rincón de Sidi Ifni - Un poco de historia...».www.sidi-ifni.com. Consultado em 25 de outubro de 2024 
  20. abParte doSacro Império Romano-Germânico antes de 1804.

Bibliografia

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  • Bayly, C. A. (2004).The Birth of the Modern World, 1780–1914. Oxford: Blackwell 
  • Bethencourt, Francisco (2013).Racisms: From the Crusades to the Twentieth Century. Princeton: Princeton University Press 
  • Boxer, C. R. (1969).The Portuguese Seaborne Empire, 1415–1825. London: Hutchinson 
  • Darwin, John (2009).The Empire Project: The Rise and Fall of the British World-System. Cambridge: Cambridge University Press 
  • Elliott, J. H. (2006).Empires of the Atlantic World: Britain and Spain in America, 1492–1830. New Haven: Yale University Press 
  • Ferguson, Niall (2003).Empire: How Britain Made the Modern World. London: Allen Lane 
  • Ferro, Marc (2004).O livro negro do colonialismo. Rio de Janeiro: Ediouro.ISBN 8500013613 
  • Israel, Jonathan I. (1995).Dutch Primacy in World Trade, 1585–1740. Oxford: Oxford University Press 
  • Lieven, Dominic (2000).Empire: The Russian Empire and Its Rivals. New Haven: Yale University Press 
  • Pagden, Anthony (1995).Lords of All the World: Ideologies of Empire in Spain, Britain and France. New Haven: Yale University Press 
  • Russell-Wood, A. J. R. (1998).The Portuguese Empire, 1415–1808. Baltimore: Johns Hopkins University Press 
  • Subrahmanyam, Sanjay (1997).The Portuguese Empire in Asia, 1500–1700. London: Longman 
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