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Idade das trevas

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 Nota: Para outros significados, vejaIdade das trevas (desambiguação).
Francesco Petrarca, que concebeu a ideia de uma "Idade das trevas" Europeia. Da pintura "Ciclo dos Homens e Mulheres Famosos",Andrea di Bartolo di Bargilla, c. 1450
O Triunfo do Cristianismo de Tommaso Laureti (1530-1602), pintura de teto das Salas de Rafael, no Palácio Apostólico daCidade do Vaticano. Imagens como esta celebram o triunfo docristianismo sobre opaganismo da Antiguidade.

AIdade das Trevas é umaperiodização histórica que enfatiza as deteriorações demográficas, culturais e econômicas que ocorreram naEuropa consequentes aodeclínio doImpério Romano do Ocidente.[1][2] O rótulo, muitas vezes aplicado, pejorativamente, como um sinônimo da Idade Média, emprega o tradicional embate entre luz versus escuridão, contrastando este período com os períodos anteriores, Antiguidade Clássica, resgatada pelos renascentistas humanistas da Idade Moderna, e posteriores,[3] o Século das Luzes, defendido pelos filósofos iluministas, conforme sugere o historiadorJacques Le Goff, visto que ele é caracterizado por uma escassez de escritos e registros históricos em algumas áreas da Europa, tornando-o, assim, obscuro para oshistoriadores. O termo "Era das Trevas" deriva dolatimsaeculum obscurum, originalmente aplicado porCaesar Baronius em 1602 sobre uma época tumultuada entre osséculos V eIX.[4]

Triunfo do Cristianismo de Tommaso Laureti (1530 – 1602), pintura do teto daSala di Constantino,Palácio do Vaticano. Imagens como esta celebram o triunfo do cristianismo sobre opaganismo da Antiguidade.

História

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A ideia de uma Idade das Trevas teve origem com o estudiosotoscanoPetrarca na década de 1330.[5][3] Escrevendo sobre o passado, relata: “Em meio aos erros brilharam homens de génio; não menos aguçados eram os seus olhos, embora estivessemcercados pela escuridão e pela densa penumbra”. Os escritores cristãos, incluindo o próprio Petrarca,[3] utilizaram durante muito tempometáforas tradicionais de "luz vs escuridão" para descrever 'bem vs mal'. Petrarca foi o primeiro a dar à metáfora um significadosecular, invertendo a sua aplicabilidade. Aantiguidade clássica, por tanto tempo considerada uma era obscura pela ausência docristianismo, passa a ser vista por Petrarca como iluminada para as suas conquistas culturais, enquanto a própria época de Petrarca, supostamente carente de tais conquistas, era vista como a era das trevas.[3]

Da sua perspectiva sobre apenínsula Itálica, Petrarca via operíodo romano e a antiguidade clássica como uma expressão de grandeza.[3] Petrarca passou grande parte do tempo viajando pela Europa, redescobrindo e republicando textos clássicos emlatim egrego. Queria restaurar a antiga pureza da língua latina. Oshumanistas do Renascimento viam os 900 anos anteriores como um período estagnado, com a história desenrolando-se não mais ao longo do esboço religioso dasSeis Eras do Mundo deSanto Agostinho, mas por meio do desenvolvimento progressivo deideais clássicos,cultura,literatura earte.


Referências

  1. Oxford English Dictionary 2 ed. Oxford, England: Oxford University Press. 1989.a term sometimes applied to the period of the Middle Ages to mark the intellectual darkness characteristic of the time; often restricted to the early period of the Middle Ages, between the time of the fall of Rome and the appearance of vernacular written documents. 
  2. "Dark age" inMerriam-Webster
  3. abcdeMommsen, Theodore (1942). «Petrarch's Conception of the 'Dark Ages'». Cambridge MA:Medieval Academy of America.Speculum.17 (2): 226–242.JSTOR 2856364.doi:10.2307/2856364 
  4. Dwyer, John C.,Church history: twenty centuries of Catholic Christianity, (1998) p. 155.
    Baronius, Caesar.Annales Ecclesiastici, Vol. X. Roma, 1602, p. 647
  5. Franklin, James (1982).«The Renaissance Myth».Quadrant.26 (11): 51–60. Consultado em 10 de dezembro de 2008.Cópia arquivada em 29 de novembro de 2020 

Bibliografia

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  • Rops, Daniel: História da Igreja, volumes II e III. Editora Quadrante, São Paulo.
  • LE GOFF, Jacques. A Idade Média. Tradução de Hortência Santos Lencastre. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ediouro Multimidia, 2009.
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