Jean-Henri Dunant nasceu em 8 de maio de 1828 emGenebra. Foi o primeiro filho de Antoinette Dunant-Colladon e seu marido, o comerciante Jean-Jacques Dunant; amboscalvinistas devotos. A casa da família ficava localizada na rua Verdaine, 12, em Genebra. Os pais de Henri possuíam grande influência na cidade e estavam engajados na vida política e social. Seu pai era membro doConseil Représentatif, um dos ex-ramos legislativos da cidade de Genebra, e cuidava de órfãos e ex-reclusos. Já sua mãe era filha de Henri Colladon, chefe do Hospital de Genebra e prefeito deAvully. Ela trabalhava no setor de caridade, especialmente com pobres e doentes. Um dos tios maternos de Henri foi o físicoJean-Daniel Colladon. As atividades de caridade dos pais foram refletidas na educação dos seus filhos: eles incentivaram a responsabilidade social desde cedo em Henry Dunant, e em suas duas irmãs e dois irmãos. Uma experiência marcante para Henry Dunant foi uma viagem com seu pai paraToulon, onde ele teve que testemunhar a tortura de prisioneiros numa cozinha.[1][3]
Inicialmente um homem de negócios,[1] foi representante de uma companhia de Genebra. Enfrentando alguns problemas no que diz respeito à exploração das terras e numa tentativa de solução desses mesmos problemas, decidiu dirigir-se pessoalmente ao imperador francêsNapoleão III, que na época se encontrava emItália a comandar oexército francês que juntamente com os italianos tentava expulsar os austríacos do território italiano.
Ao presenciar o sofrimento na frente de combate naBatalha de Solferino em1859, Dunant organizou de imediato um serviço de primeiros socorros. Desta sua experiência resultou o livroUn souvenir de Solferino, publicado em1862, onde sugeria a criação de grupos nacionais de ajuda para apoiar os feridos em situações de guerra, e propunha a criação de uma organização internacional que permitisse melhorar as condições de vida e prestar auxílio às vítimas da guerra.[3]
De personalidade altruísta, Dunant não teve sorte nos seus negócios, acabando por se isolar emHeiden, naSuíça. Após adoecer, esteve internado no hospital desta vila Suíça, onde veio a falecer em1910.[1]
Embora compartilhem uma causa em comum, a história opôs muitas vezes Dunant e Moynier. Aliados no princípio, os dois homens foram rapidamente confrontados sobre a orientação geral a dar à sua ação humanitária e, posteriormente, rivalizaram para obter diferentes marcas de reconhecimento. Motivado pelo seu pragmatismo e com vontade de dar estruturas sólidas à instituição, Moynier participa à anulação do idealista Dunant, após dificuldades financeiras que encontra, e impede que ele pudesse voltar para a direção dos negócios, a ponto de comprometer a sua própria subsistência. Esse conflito vai durar a vida inteira e não encontrar qualquer forma de reconciliação. Na verdade, ele manteve uma imagem bastante negativa de Moynier, que passa por um perseguidor de Dunant, erguido em figura de mártir, mas não impede o importante papel de presidente por mais de 40 anos do CICV que foi Moynier. Curiosamente ambos morrem no mesmo ano,1910.