Harry Potter é uma série de seteromances defantasia escrita pela autorabritânicaJ. K. Rowling. A série narra as aventuras de um jovem chamadoHarry James Potter (Harry Tiago Potter, noBrasil), que descobre aos 11 anos de idade que é umbruxo ao ser convidado para estudar naEscola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Oarco de história principal diz respeito às amizades de Harry com outros bruxos de sua idade, comoRon Weasley eHermione Granger, e também com o diretor de Hogwarts Albus Dumbledore, considerado o maior dos magos, e seus conflitos com o bruxo das trevas Lord Voldemort, que pretende se tornarimortal, conquistar o mundo dos bruxos, subjugar as pessoas não-mágicas e destruir todos aqueles que estão em seu caminho, especialmente Harry Potter, a quem ele considera seu maior rival.
Desde o lançamento do primeiro romance,Harry Potter e a Pedra Filosofal, em 26 de junho de 1997, os livros ganharam uma imensa popularidade, aclamação da crítica e foram um sucesso comercial em todo o mundo.[1] A série também recebeu algumas críticas, incluindo a preocupação com o tom cada vez mais sombrio conforme a história progredia. Até maio de 2015, já haviam sido vendidas 450 milhões de cópias em todo o mundo, tornando a série abest-seller da história, sendo traduzida para 73 idiomas.[2][3] Os últimos quatro livros consecutivamente foram considerados os mais vendidos da história, sendo que o últimolivro vendeu cerca de 11 milhões de cópias nosEstados Unidos nas primeiras 24 horas após o seu lançamento.
A série abrange váriosgêneros, como fantasia, vida escolar e passagem entre a infância e a juventude (com elementos demistério,suspense,aventura e romance), sendo que a história tem muitos significados e referências culturais.[4] De acordo com Rowling, o tema principal é amorte.[5] Há também muitas outras temáticas na série, comopreconceito ecorrupção.[6]
Os romances giram em torno deHarry James Potter, umórfão que descobre com 11 anos que é umbruxo, que vive no mundo comum de pessoas não-mágicas, conhecidas como "trouxas".[8] O mundo bruxo é mantido em segredo, presumivelmente para evitar aperseguição debruxas e bruxos. Tal habilidade é inata e essas crianças são convidadas a participar de uma escola de magia exclusiva, que ensina as habilidades necessárias para ter sucesso no mundo bruxo.[9] Harry torna-se um estudante daEscola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e é ali onde a maioria dos eventos da série acontecem. Enquanto Harry se desenvolve através daadolescência, ele aprende a superar os problemas que ele enfrenta: mágicos, sociais e emocionais, incluindo desafios adolescentes comuns, comoamizades, paixões e provas, e o grande teste de preparar a si mesmo para o confronto no mundo real que temos pela frente.[10]
Cada livro narra um ano na vida de Harry,[11] sendo que a narrativa principal se passa entre os anos de 1991 e 1998. Os livros também contêm muitosflashbacks, que são frequentemente vividos por Harry ao ver as lembranças de outros personagens em um dispositivo chamado penseira. O ambiente criado por Rowling é completamente separado da realidade mas também intimamente ligado a ela. Enquanto a terra da fantasia deNárnia é umuniverso alternativo e aTerra Média deO Senhor dos Anéis é um passado mítico, o mundo mágico de Harry Potter existe em paralelo dentro do mundo real e contém versões mágicas de elementos comuns da vida cotidiana. Muitas de suas instituições e locais são reconhecíveis, tais comoLondres.[12] O mundo bruxo é composto por uma coleção fragmentada de ruas escondidas, bares antigos, mansões e castelos solitários e isolados, que permanecem invisíveis para a população trouxa.[9]
Por ser uma série na qual cada livro equivale a cerca de um ano de vida do protagonista, seu conteúdo amadurece conforme Harry cresce. Os leitores que começaram a ler a saga ainda muito jovens também vão amadurecendo enquanto lêem. A estrutura da história, inclusive, torna-se mais complexa e sofisticada a cada volume. Os livros de Rowling se passam nosanos 1990, naInglaterra "trouxa" moderna, comcarros,telefones evideogames. Os problemas no mundo mágico são sólidos e reais como os do nosso mundo — preconceito, depressão, ódio, sacrifício, pobreza, morte.[13] "Harry vai para seu mundo mágico, e este é melhor que o mundo que ele deixou? "Só porque ele encontra pessoas melhores", explica Rowling.[14]
Um dos temas mais recorrentes ao longo da série é o amor, retratado como uma poderosa forma de magia. Dumbledore acredita que a capacidade de amar permitiu que Harry resistisse às tentações de poder de Voldemort em seu segundo encontro, não permitiu que o vilão se apossasse do corpo de Harry em seuquinto ano, e será responsável pela derrota final de Voldemort.[15][16]
Em contraste, outro tema importante é a morte. "Os meus livros abordam bastante a morte. Começam com a morte dos pais de Harry. Há a obsessão de Voldemort em derrotar a morte e conquistar a imortalidade a qualquer preço [...]. Eu percebo porque é que Voldemort quer conquistar a morte. Todos nós temos medo dela", disse Rowling. De fato, o nome de Voldemort significa "voo da morte" emLatim eFrancês, e "roubar a morte" em Francês eCatalão. Os livros colocam o bem contra o mal e o amor contra a morte. A perseguição de Voldemort para evitar a morte, que inclui episódios como beber sangue deunicórnio e separar a sua alma através do uso dehorcruxes, contrasta com o sacrifício de Lilian Potter, seu amor por Harry e a magia extraordinária que o seu gesto deixou nele, um sacrifício que Voldemort nunca poderá entender ou apreciar.[17]
Opreconceito e adiscriminação são também amplamente abordados ao longo dos livros. Harry aprende que existem feiticeiros sangue-puro (descendentes de famílias inteiramente bruxas) que abominam os sangue-ruim (bruxos que vieram de uma família inteiramente trouxa) e os consideram inferiores. O meio termo são os bruxosMestiços, ou seja, que tem um dos pais trouxa (ou de família trouxa), e o outro pertencente à comunidade bruxa. Os mais preconceituosos dentro da comunidade mágica levam estas designações mais longe, utilizando-as como um sistema de graduação para ilustrar o valor de um feiticeiro, considerando os de Sangue-Puro como sendo superiores. Fora os preconceitos em relação aos humanos, existe um afastamento dos não-humanos e até parcialmente-humanos. Outro importante tema decorre são sobre as escolhas. EmHarry Potter e a Câmara Secreta, Dumbledore faz, talvez, sua mais importante declaração sobre o assunto: — "São as nossas escolhas, Harry, que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades".[18] Dumbledore aborda esse tema novamente emHarry Potter e o Cálice de Fogo, quando diz aCornelius Fudge que mais importante do que como se nasce, é o que a pessoa se torna ao crescer.[19]
Assim como para muitas personagens ao longo dos livros, o que Dumbledore considera "uma escolha entre o que está certo e o que é fácil", tem sido um marco na carreira de Harry Potter emHogwarts e as suas escolhas estão entre as características que melhor o diferenciam de Voldemort. Tanto Harry como Voldemort foram órfãos criados em ambientes difíceis, fora o fato de partilharem características que incluem, como Dumbledore afirmou, "um raríssimo dom ofidioglota — sabedoria, determinação" e "um certo desapreço por regras".[18] Contudo, Harry, ao contrário de Voldemort, decidiu conscientemente adotar aamizade, abondade e o amor, enquanto que Voldemort escolheu propositalmente rejeitá-los. Porém um fato, até então desconhecido, é abordado no sexto livro da história. Uma possível explicação para o fato de Voldemort ser tão violento e desumano. Somos apresentados a história da família Gaunt: Marvolo, Morfin e Merope Gaunt (esta última que mais tarde descobrimos ser mãe de Voldemort). Mérope é a caçula da família Gaunt e também a única mulher da família. Maltratada pelo pai e irmão, ela aparentemente não possui magia. Ela é secretamente apaixonada pelo trouxa Tom Riddle (Sénior). Depois de algum tempo ela resolve dar-lhe uma poção do amor fazendo com ele se "apaixonasse" por ela. Com o tempo o efeito da poção do amor acabou e Tomás se viu com uma mulher que não amava e então a abandonou, já grávida. A explicação que temos então é que por ser fruto de uma poção do amor, e não de uma relação que envolvia amor verdadeiro, Voldemort jamais sentiria amor, compaixão ou empatia.[carece de fontes?]
Enquanto que tais ideias sobre amor, preconceito e escolha estão, como afirma J.K. Rowling, "profundamente cravadas em todo o enredo", a autora prefere deixar que os temas "cresçam organicamente", em vez de conscientemente tentar transmitir essas ideias ao leitor. Aamizade e alealdade são talvez os temas mais "orgânicos" de todos, aparecendo principalmente na relação entre Harry, Ron eHermione, relação essa que permite que estes assuntos se desenvolvam naturalmente à medida que os três personagens crescem, que a sua relação amadurece e que as suas experiências acumuladas em Hogwarts testem a fidelidade dos trêsamigos. Essas provas tornam-se progressivamente mais difíceis, acompanhando o tom cada vez mais escuro e misterioso dos livros e a natureza geral da adolescência.[20]
Estrutura
A série Harry Potter é traçada sob uma longa tradição na literatura infantil inglesa — o ambiente dos internatos, um gênero daEra Vitoriana, no qual se destacaTom Brown's Schooldays, deThomas Hughes.[21] Mais adiante, trabalhos similarmente influentes da Era Vitoriana incluem os livros deEdith Nesbit, da qual Rowling tem frequentemente dito ser fã, glorificando Nesbit pelos seus personagens muito realistas e inovadores.[22]
Há uma clara influência de elementos menos específicos a um autor, como amitologia e aslendas. Muitas dessas influências são mais notadas nas criaturas que habitam o universo de Rowling, como por exemplo, osdragões,fênix ehipogrifos. Além disso também nota-se a influência daastronomia,história,geografia, eidiomas (principalmenteLatim), freqüentemente vistos nos cuidadosos nomes depersonagens,lugares e feitiços no mundo bruxo. Do complexo '"Voldemort" ao onomatopéico "Grawp" (ou "Grope", o meio irmão gigante de Hagrid), Rowling cria nomes que geralmente contém muitos significados.[23]
Os livros também são, nas palavras deStephen King, uma "perspicaz história de mistério". Cada livro é construído em um estilo de aventura misteriosa como as deSherlock Holmes; os livros deixam um número de pistas escondidas na narrativa, enquanto os personagens perseguem suspeitos por locais exóticos, conduzindo a uma mudança repentina que muitas vezes reverte o que os personagens acreditavam. As histórias são contadas por umnarrador em terceira pessoa com consciência limitada, com pouquíssimas exceções (o capítulo inicial deHarry Potter e a Pedra Filosofal eHarry Potter e o Cálice de Fogo, os dois primeiros deHarry Potter e o Enigma do Príncipe e o primeiro deHarry Potter e as Relíquias da Morte); o leitor descobre os segredos da história quando Harry o faz. Os pensamentos e planos de outros personagens, mesmo os centrais como Ron e Hermione, são mantidos escondidos até serem revelados à Harry.[24]
Em1990,J.K. Rowling estava em um trem indo deManchester paraLondres quando a ideia para Harry simplesmente "apareceu" em sua cabeça. Rowling conta sobre a experiência em seuwebsite:
“
"Tenho escrito continuamente desde os seis anos de idade mas nunca estive tão excitada com uma ideia antes. [...] Eu simplesmente sentei e pensei, por quatro horas (trem atrasado), e todos os detalhes borbulharam em meu cérebro e este garoto de óculos e cabelos pretos que não sabia que era um bruxo tornou-se mais e mais real para mim.
”
Naquela noite, a autora começou a escrever seu primeiro romance,Harry Potter e a Pedra Filosofal, e um plano que incluía os enredos de cada uma dos sete livros, além de muita informação biográfica e histórica sobre seus personagens e universo.[26]
Nos seis anos seguintes, que incluíram o nascimento de sua primeira filha, o divórcio de seu primeiro marido e uma mudança paraPortugal, Rowling continuou a escreverPedra Filosofal.[27]
Publicação
Logo usado pelas edições americana e brasileira até 2010
Quando finalmente terminou o volume, em1996, ela enviou-o a um agente literário e, depois de oito editoras terem rejeitado o manuscrito, aBloomsbury ofereceu a Rowling£ 3 mil adiantadas, ePedra Filosofal foi publicado noano seguinte.[28]
Apesar de Rowling declarar que não tinha nenhuma faixa etária em particular quando começou a escrever os livros deHarry Potter, suas editoras inicialmente direcionaram-nos a crianças com idade entre nove e onze anos. Às vésperas da publicação, as editoras pediram a Joanne Rowling que adotasse umapseudônimo mais neutro em relação ao gênero, temendo que os meninos não se interessassem por um livro escrito por uma mulher. Ela escolheu usar J. K. Rowling (Joanne Kathleen Rowling), omitindo seu primeiro nome e usando o de sua avó com segundo nome.[29]
Após quase uma década da publicação do primeiro livro,Harry Potter alcançou muito sucesso em parte por causa de críticas positivas, estratégias de marketing de suas editoras, mas também pela propaganda boca-a-boca entre muitos leitores. As editoras de Rowling estiveram aptas a aumentar este fervor pelo lançamento rápido e sucessivo dos três primeiros livros, o que fez com que nem a excitação nem o interesse da audiência de Rowling caíssem.[30]A série também conquistou fãs adultos, fazendo com que, em muitos países, cada livro tivesse duas edições, assim como os audio-books,[31] com texto ou áudio idênticos, mas com capas diferentes, uma delas direcionada a crianças e a outra, a adultos.
Alguns dos tradutores contratados para trabalhar nos livros eram autores bem conhecidos antes de seu trabalho em Harry Potter, como Viktor Golyshev, que supervisionou a traduçãorussa do quinto livro da série. Por razões de sigilo, a tradução de um determinado livro da série só pode começar depois de ele ter sido lançado eminglês, o que levava a um atraso de vários meses antes das traduções estarem disponíveis. Isto levou que mais e mais cópias de edições em inglês fossem vendidas para fãs impacientes em países que não falam inglês; por exemplo, tal era o clamor para ler o quinto livro que a edição em Inglês tornou-se o primeiro livro anglófono no topo da lista debest-sellers naFrança.[36]
Astraduções dePortugal e doBrasil são distintas. Aqui deixa-se uma tabela de correspondência entre os principais nomes nas duas versões, para desfazer eventuais confusões. Na primeira coluna está o nome original em inglês, seguido da versão brasileira e, por fim, da portuguesa. De fato, a tradutora brasileira,Lia Wyler, criou vários termos para a tradução, comoQuadribol, por exemplo, usado apenas no Brasil. Por conta disso foi muito elogiada pela própria Rowling, que inclusive auxiliou na escolha do título do sexto livro para o Brasil,Harry Potter e o Enigma do Príncipe, embora, traduções de nome próprios sejam desaconselhadas e até mesmo condenadas por muitos escritores, tradutores, linguistas e leitores. Um destaque que mostra bem como as traduções podem mudar radicalmente o nome do personagem, apesar de ter lógica, fica para o personagem Gui Weasley, cujo nome original é "Bill Weasley", aparentemente completamente diferente, mas como "Bill" é apelido para "William", e William em português é "Guilherme", o nome final "Gui Weasley" tem sentido.[37]
Conclusão
Em dezembro de 2005, Rowling afirmou em seu web site, "2006 será o ano em que eu vou escrever o livro final da sérieHarry Potter".[38] O livro foi concluído em 11 de janeiro de 2007, no Balmoral Hotel,Edimburgo,Escócia, onde ela rabiscou uma mensagem na parte traseira de um busto deHermes, dizendo: "J. K. Rowling terminou de escreverHarry Potter e as Relíquias da Morte neste quarto (552) em 11 de janeiro de 2007".[39] A própria Rowling afirmou que o último capítulo do último livro (na verdade, oepílogo) foi concluído "em torno de 1990".[40][41]
Recepção
Críticas literárias
Cedo em sua história,Harry Potter recebeu muitas críticas positivas, que ajudaram a aumentar rapidamente o número de leitores da série. Seguindo o lançamento deOrdem da Fênix em2003, entretanto, os livros receberam fortes críticas de autores e acadêmicos reconhecidos. A crítica A. S. Byatt escreveu um editorial no jornalThe New York Times onde dizia que a série era "Uma colcha de retalhos inteligente de ideias recolhidas de todo o tipos de literatura infantil [...], escrita para pessoas cuja imaginação está confinada aos desenhos animados da TV, e aos exagerados [...] mundos-espelho das novelas,reality shows e fofoca de celebridades". Byatt afirma que a aceitação pelos leitores desta "manipulação derivativa de ideias anteriores" nos adultos provem do desejo de regressar aos seus "próprios desejos e esperanças infantis" e nos jovens, "o poderoso apelo da fantasia de escape e engrandecimento, combinados com o facto das histórias serem agradáveis, engraçadas, e assustadoras o bastante". O resultado final seriam "estudos culturais, que se interessam tanto com o êxito e popularidade como com o mérito literário".[42]
O crítico literárioHarold Bloom também atacou o valor literário de Potter, dizendo que a "Mente de Rowling é tão governada porclichês e metáforas mortas que ela não tem estilo de escrita" Além disso, Bloom discorda com a noção comum de queHarry Potter foi algo bom para a literatura por encorajar as crianças a ler.[43]
Charles Taylor, da revista eletrônicaSalon.com, rebate críticas como a de Byatt. Mesmo admitindo que Byatt pode ter "Uma opinião cultural válida — uma pequena opinião — sobre os impulsos que nos levam a reafirmar o lixo pop e nos afastam das incômodas complexidades da arte", ele rejeita sua afirmação que a série não apresenta méritos literários sérios, alcançando seu sucesso devido somente ao retorno à segurança da infância que ela oferece. Taylor enfatizou o progressivo tom negro dos livros, mostrado pelo assassinato de um colega e amigo próximo e resultando em feridas psicológicas e isolação social. Taylor também apontou queHarry Potter e a Pedra Filosofal, que muitos dizem ser o livro mais leve dos seis publicados, perturba a segurança da infância que, segundo Byatt, impulsiona o sucesso da série: o livro começa com um duplo assassinato, por exemplo. Taylor cita a "Cena devastadora na qual Harry encontra um espelho que revela o mais verdadeiro desejo do coração e, olhando para ele, vê a si próprio feliz e sorrindo com os pais que ele nunca conheceu, uma visão que dura somente enquanto ele olha para o espelho, e uma metáfora de o quão passageiros são os nossos momentos de verdadeira felicidade", então pergunta se "essa é a ideia de segurança de Byatt?". Taylor conclui que o sucesso de Rowling entre crianças e adultos é "porque J.K. Rowling é uma mestra da narrativa".[44]
Stephen King concordou com Taylor chamando a série de "Um feito do qual somente uma imaginação superior é capaz", e declarando que o humor de Rowling é "memorável". Porém, ele escreveu que, apesar de a história ser boa, ele está "Um pouco cansado em descobrir que Harry vive na casa com seus horríveis tios", a introdução de cada um dos seis livros publicados até então.[24] Ele prediz, ainda, que Harry Potter "Passará pelo teste de tempo e irá para uma prateleira onde somente os melhores são mantidos [...]. Essa é uma série não só para uma década, mas para eras".
Desde a publicação deHarry Potter e a Pedra Filosofal, algumas tendências sociais vêm sendo atribuídas à série. Em 2005, médicos do Hospital John Radcliffe, emOxford, relataram que uma pesquisa realizada nos finais de semana de21 de Junho de2003 e de16 de Julho de2005, as datas de lançamento dos dois livros mais recentes, descobriu que apenas 36 crianças necessitaram de assistência médica por acidentes, ao contrário de outros finais de semana pesquisados.[45]
Evidências anedóticas como essa sugerem um aumento do hábito de ler entre crianças por causa deHarry Potter, que foram confirmadas em 2006 quando uma pesquisa do Kids and Family Reading Report (Relatório da leitura infantil e familiar) e da editora americana da série, Scholastic, revelou que 51% dos leitores deHarry Potter com idade entre 5 e 17 anos disseram que não liam livros por diversão antes de começarem a lerHarry Potter, e que agora o fazem. O estudo relatou ainda que, de acordo com 65% dos filhos e 76% dos pais, o desempenho escolar das as crianças melhorou desde que começaram a ler a série.[46]
Os livros se tornaram importante ferramenta no estímulo à leitura, sendo usados em escolas e, inclusive, no ambiente familiar, para se discutir assuntos da atualidade ou da história mundial. Preconceito, censura e corrupção são alguns exemplos de temáticas que podem ser abordadas com as crianças a partir da série.[47] O poder de aprendizagem por Harry Potter é tamanho que, em 2008, os livros passaram a fazer parte das salas de leitura de 4 200 escolas de 5ª a 8ª do Ensino Fundamental e de Ensino Médio do estado de São Paulo, a fim de despertar o interesse pela leitura dos jovens estudantes.[48]
Também notável é o desenvolvimento de uma grande massa de seguidores. A ansiedade desse fãs pelo último lançamento da série fez com que livrarias em todo o mundo fizessem festas para coincidir com o lançamento à meia-noite dos livros, começando em 2000 com a publicação deHarry Potter e o Cálice de Fogo. Esses eventos, geralmente incluindo jogos, pintura facial, concurso de fantasias, etc., alcançaram grande popularidade entre os fãs de Potter e foram muito bem sucedidos ao atrair fãs e vender quase 9 milhões dos 10,8 milhões de livros da tiragem inicial deHarry Potter e o Enigma do Príncipe nas primeiras 24 horas após o lançamento.[49][50]
Outro impacto mais penetrante é a introdução da palavra "muggle" (trouxa) nalíngua inglesa. A palavra expandiu seu significado fora do contexto original, e foi aceita no Dicionário de InglêsOxford como "uma pessoa que carece de um conhecimento ou conhecimentos em particular, ou que é considerada inferior de alguma forma".[51]
Um estudo de 2004 descobriu que livros da série eram comumente lidos em voz alta em escolas deensino fundamental doCondado de São Diego naCalifórnia,Estados Unidos.[58] Com base em uma pesquisa on-line de 2007, a Associação Nacional de Educação dos Estados Unidos listou a série em sua lista de "100 Melhores Livros para Crianças".[59] Três dos livros (Pedra Filosofal,Prisioneiro de Azkaban eCálice de Fogo) estavam entre os melhores livros de todos os tempos em uma pesquisa 2012 doSchool Library Journal.[60]
Os livros têm sido alvo de uma série deprocessos judiciais, decorrentes de reivindicações de gruposcristãosestadunidenses que alegavam que amagia nos livros promove aWicca e abruxaria entre as crianças, ou por conta de vários conflitos sobre violações dedireitos autorais emarcas registradas. Ovalor de mercado e a elevada popularidade da série levaram Rowling, seus editores e distribuidora de filmesWarner Bros a tomar medidas legais para proteger seus direitos autorais, que incluíram a proibição da venda de imitações de Harry Potter, tendo como alvo os proprietários de sites com odomínio "Harry Potter" e processou o autor Nancy Stouffer por suas acusações de que Rowling teriaplagiado seu trabalho.[61][62][63] Vários religiosos conservadores afirmaram que os livros promovem bruxaria e religiões como o Wicca e são, portanto, inadequado para crianças,[64][65] enquanto críticos têm apontado que para a série promove diversas agendas políticas.[66][67]
Os livros também despertaram controvérsias no mundo literário. Em 1997 a 1998,Harry Potter e a Pedra Filosofal ganhou quase todos os prêmios doReino Unido julgados por crianças, mas nenhum dos prêmios livro infantil julgado por adultos;[68] a acadêmica Sandra Beckett sugeriu que o motivo disto era oesnobismo intelectual com livros que eram populares entre crianças.[69] Em 1999, o Costa Book Awards introduziu o livro pela primeira vez na sua lista para o prêmio principal e um juiz ameaçou pedir demissão seHarry Potter e o Prisioneiro de Azkaban fosse declarado o vencedor; ele terminou em segundo lugar, muito perto do vencedor do prêmio de poesia, tradução deSeamus Heaney doépicoanglo-saxãoBeowulf.[69]
Em 2000, pouco antes da publicação deHarry Potter e o Cálice de Fogo, os três livros anteriores da série superaram a lista debest-sellers de ficção doThe New York Times e um terço das obras listadas eram delivros infantis. O jornal criou uma nova seção infantil cobrindo livros infantis, incluindo ficção e não-ficção, e, inicialmente, considerou apenas as vendas de capa dura. O movimento foi apoiado por editores e livreiros.[70] Em 2004, oNew York Times dividiu ainda mais a lista infantil, que ainda era dominada por livros deHarry Potter em seções para séries e livros individuais, e removeu os livros da série da seção para livros individuais.[71] A divisão em 2000 atraiu condenação, louvor e alguns comentários que apresentaram ambos os benefícios e desvantagens de movimento.[72] OTimes sugeriu que, no mesmo princípio, aBillboard deveria então ter criado uma lista separada de "mop-tops" em 1964, quando osBeatles estavam nos cinco primeiros lugares da sua lista, e aNielsen deveria ter criado uma lista degame-shows separada quandoQuem Quer Ser um Milionário? dominou asavaliações.[73]
Adaptações
A enorme popularidade da sérieHarry Potter traduziu-se em um substancial sucesso financeiro para Rowling, suas editoras e outros proprietários de licenças relacionadas aHarry Potter. Os livros venderam mais de 450 milhões de cópias no mundo todo e também deram origem aadaptações cinematográficas muito populares, produzidas pelaWarner Bros, sendo a primeira,Harry Potter e a Pedra Filosofal, na décima-quarta posição no ranking de filmes de maior bilheteria de todos os tempos, eHarry Potter e as Relíquias da Morte — Parte 2 em quarto neste mesmo ranking, com os outros seis filmes entre os 40 primeiros lugares.[74]
Os livros foram transformados em cincovídeo games e, incluindo os jogos e filmes, deram origem a mais de 400 produtos adicionais deHarry Potter (incluindo umiPod), que fizeram, em Julho de2005, a marcaHarry Potter ser estimada em 4 bilhões dedólares e J. K. Rowling uma bilionária em termos de dólares americanos, tornando-a, segundo alguns, mais rica que aRainha Elizabeth II.[75][76]
Em 1999, Rowling vendeu os direitos de filmagem do primeiro livro deHarry Potter para aWarner Bros. por cerca de 1 milhão delibras esterlinas.[77] A maior exigência de Rowling foi que o elenco principal permanecesse estritamente britânico.[78] EmboraSteven Spielberg estivesse inicialmente nas negociações para dirigir o primeiro filme, ele se recusou. Ele queria o filme como uma animação, comHaley Joel Osment para a voz de Harry Potter. Por algum tempo, especulou-se que isto foi devido a um difícil relacionamento com Rowling e ao desgosto de Spielberg em relação a um elenco totalmente britânico. Contudo, Spielberg afirmou que, em sua opinião, seria "simples como retirar um bilhão de dólares e colocá-lo em um banco pessoal de contas. Não existe desafio".[79]
A primeira escolha de Rowling para diretor foiTerry Gilliam, mas o envolvimento de Columbus como roteirista no filme de1985Young Sherlock Holmes (O Enigma da Pirâmide) encorajou a Warner Bros. a selecioná-lo. Reminiscente da série Harry Potter,Young Sherlock Holmes inclui três protagonistas que têm a uma forte semelhança com Harry, Ron e Hermione da descrição de Rowling. Eles investigaram um mistério sobrenatural nos limites de um colégio interno gótico. Cenas do filme foram usadas na seleção do elenco do primeiro filme de Harry Potter.[82]
Os quatro primeiros filmes foram roteirizados porSteve Kloves, com a assistência direta de Rowling, apesar de ela ter dado muitas liberdades ao roteirista.[86]No quinto filme o enredo foi escrito por Michael Goldenberg,[87] mas Steve Kloves voltou para o sexto filme.[88]
Assim, o enredo e o tom de cada filme e seu livro correspondente são virtualmente os mesmos com algumas mudanças e omissões pelo propósito do estilo cinematográfico e tempo restrito. Apesar dessas mudanças, Rowling afirma que as adaptações de Kloves são "fiéis aos livros".[20]
As versões para cinema de Harry Potter encerraram-se com o livroHarry Potter e as Relíquias da Morte, que foi dividido em dois filmes de mais de 2 horas de duração cada um. O segundo,Harry Potter e as Relíquias da Morte — Parte II, foi lançado no dia 15 de julho de 2011, tornando-se a maior bilheteria da série e a 3ª maior bilheteria da história do cinema.[92]
Em Junho de2006, Rowling, anunciou notalk show britânicoRichard & Judy que o capítulo fora modificado, e que um personagem "teve uma segunda chance" e dois outros que anteriormente sobreviveriam foram, afinal, mortos. Ela também disse que podia ver a lógica em "matar" Harry para evitar que outros escritores escrevessem sobre a vida dele após Hogwarts.[93]
Quanto a existência de outros livros deHarry Potter além do sétimo, Rowling disse que iria escrever mais um livro, mas que ela não continuará a vida de Harry e seus amigos. O próximo livro seria uma espécie de enciclopédia sobre o mundo dos bruxos, contendo ideias e fragmentos de informação que não foram relevantes o suficiente para entrar na trama dos livros um epílogo,[94] ou um livro com outro protagonista no papel central, pois a autora acredita que já contou a história de Harry Potter.[95] Ela também disse que não irá escrever qualquer tipo deprequela para seus livros, já que, com o sétimo livro, toda a história anterior necessária já foi revelada.[96] Apesar disso, em uma entrevista concedida ao programa Oprah, a autora revela que, apesar de não ter intenção de continuar com novas histórias de Harry, não dirá que "nunca" escreverá uma nova sequência.[97]
Os filmes deHarry Potter se tornaram a maior franquia cinematográfica da história. Arrecadando em bilheterias aproximadamente 7,7 bilhões de dólares; deixando em segundo lugar, os 22 filmes do agenteJames Bond que arrecadaram cerca 5 bilhões de dólares. Em terceiro lugar, ficou a famosa sérieStar Wars, com arrecadação de cerca de 4,5 bilhões de dólares.[98]
Jogos
Há onzejogos eletrônicos deHarry Potter, oito dos quais correspondem aos filmes e livros e outros trêsspin-offs. Os jogos baseado nos filmes/livros são produzidos pelaElectronic Arts, como eraHarry Potter: Quidditch World Cup, com a versão do jogo da primeira entrada na série,Harry Potter and the Philosopher's Stone, lançado em novembro de 2001 e que se tornou um dos melhores jogos dePlayStation de todos os tempos.[99] Os jogos eram liberados para coincidir com os filmes, contendo paisagens e detalhes dos filmes, bem como o tom e o espírito dos livros. Os objetivos geralmente ocorrem em tornoHogwarts, juntamente com várias outras áreas mágicas. A história e odesign dos jogos segue a caracterização da série de filmes; aEA trabalhou em estreita colaboração com aWarner Bros para incluir as cenas dos filmes. O último jogo da série,Deathly Hallows, foi dividido entre aParte 1, lançada em novembro de 2010, e aParte 2, que estreou em consoles em julho de 2011. Os outros jogosspin-offs,Lego Harry Potter: Years 1–4 eLego Harry Potter: Years 5–7 são desenvolvidos pelaTraveller's Tales e publicados pelaWarner Bros Interactive Entertainment.[100][101] Em 25 de Abril de 2018 a desenvolvedora Jam City lançou o jogoHarry Potter: Hogwarts Mystery para dispositivosAndroid eiOS, trazendo uma novo proposta para o universo de jogos de Harry Potter, com uma mecânicaPoint and Click e uma história original que acompanha um jovem bruxo criado por você.[102][103]
Em 20 de dezembro de 2013, J. K. Rowling anunciou que estava trabalhando em umapeça de teatro baseada emHarry Potter para a qual ela seria uma das produtoras. Em seu depoimento, a autora disse que a peça vai "explorar a história anterior dos primeiros anos de Harry como um órfão". Os produtores teatrais britânicos Sonia Friedman e Colin Callender seriam os coprodutores.[106][107]
Em 26 de junho de 2015, no aniversário da estreia do primeiro livro, Rowling revelou viaTwitter que a peça de teatro de Harry Potter seria chamadaHarry Potter and the Cursed Child.[108] A produção abriu no verão de 2016 noPalace Theatre, emLondres.[109]
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Nancy Carpentier Brown (2007).«The Last Chapter»(PDF). Our Sunday Visitor. Consultado em 28 de abril de 2009. Arquivado dooriginal(PDF) em 13 de outubro de 2007
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Der Zauber des Harry Potter: Analyse eines literarischen Welterfolgs, Paul Bürvenich, Frankfurt 2001,ISBN 978-363-138-743-6 (alemão), Tóquio 2004,ISBN 978-488-059-307-4 (japonês).
J. K. Rowling: uma biografia do gênio por trás de Harry Potter, Sean Smith, 2006,ISBN 85-7542-088-7.
"O mundo mágico de Harry Potter: mitos, lendas e histórias facinantes, David Colbert, 2001,ISBN 85-86796-98-0.
O guia completo da saga Harry Potter, Gabriel Pillar Grossi, Karina Yamamoto e Fabiana Cavalheri, 2005,ISBN 85-364-0216-4.
O destino de Harry Potter: os segredos do sétimo e último volume da série, Ivan Finotti e Juliana Cacuette (org.), Editora Conrad, 2006,ISBN 8576161753.
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