Peru: 5 557 homens (exército), 4 navios de guerra com blindagem de metal, 7 navios de guerra de madeira, 2 barcos torpedeiros
1880:
25 000 – 35 000 homens
1880:
Exército Chileno: 30 000 soldados
Marinha Chilena: 21 navios de guerra (incluindo 3 com blindagem de metal)
Baixas
12 934 – 18 213 mortos 7 891 – 7 896 feridos
2 425 – 2 791 mortos 6 247 – 7 193 feridos
+ 30 000 mortos, incluindo civis (total)
AGuerra do Pacífico foi um conflito ocorrido entre 1879 e 1883, confrontando oChile às forças conjuntas daBolívia e doPeru. No final da guerra, o Chile anexou áreas ricas em recursos naturais de ambos os países derrotados. O Peru perdeu a província de Região deTarapacá, e a Bolívia teve de ceder a província deAntofagasta, ficando sem uma saída soberana para o mar, o que se tornou uma matéria de fricção naAmérica do Sul, chegando até os dias atuais, e que é para a Bolívia uma questão nacional (a recuperação do acesso aooceano Pacífico consta como um objetivo nacional boliviano na sua atual constituição).
A Guerra do Pacífico teve origem nas desavenças entreChile eBolívia quanto ao controle de uma parte dodeserto de Atacama, rico em recursos minerais. Este território controverso era explorado por empresas chilenas de capitalbritânico. O aumento de taxas sobre a exploração mineral logo se transformou numa disputa comercial, crise diplomática e por fim, guerra.
A geografia e o clima árido da região facilitaram a acumulação de grandes quantidades de nitratos (guano esalitre) por milhares de anos. A descoberta, durante a década de 1840, de que estes recursos serviam comofertilizantes para a agricultura e podiam ser usados na fabricação de explosivos tornou a área ainda mais disputada, uma vez que o guano e o nitrato dele extraído tinham bons preços no mercado internacional.
Há divergências entre historiadores bolivianos e chilenos sobre se o território da Audiência de Charcas estava sob jurisdição doVice-Reino do Peru ou doVice-Reino do Rio da Prata.
Com a descoberta, os olhos do mundo se voltaram para a região – e logo diversas potências se viram em conflito, rivalizando no controle desses recursos, direta ou indiretamente. AEspanha invadiu parte do território peruano, ávida das reservas de guano, mas foi expulsa por forças chilenas e peruanas na chamadaguerra hispano–sul-americana. Em seguida, por volta de 1870, oPeru nacionalizou a exploração de guano, aborrecendo os britânicos, que haviam investido maciçamente na região.
Fronteiras doChile,Bolívia ePeru antes e depois da Guerra do Pacífico
Existiam muitas controvérsias acerca dos reais limites entre os países depois da descolonização. Todas as novas nações herdaram os interesses imperialistas do já combalido império espanhol. Bolivianos e chilenos discordavam quanto à soberania da região, embora ela já estivesse sendo explorada por companhias chilenas dotadas de capital britânico. OChile tinha uma economia mais robusta e instituições mais fortes que a maioria dos outros países latino-americanos. No entanto, quando da proclamação da independência daBolívia porSimón Bolívar, este deixou claro que ela herdara dos espanhóis uma saída soberana para o mar.
Somente em 1866 foi assinado um tratado entre Chile e Bolívia estabelecendo limites territoriais, fixando o 24º paralelo sul como fronteira e determinando que ambos os países dividiriam os impostos sobre os recursos situados entre o 23º e o 24º paralelos. Um segundo tratado foi assinado em 1874, cedendo os impostos sobre os produtos entre os paralelos 23º e 24º inteiramente à Bolívia, mas fixando taxas para as companhias chilenas nos 25 anos seguintes. As companhias chilenas se expandiram rapidamente, controlando a indústria mineira e deixando a Bolívia temerosa da perda de seu território.
Em 1878, o presidente bolivianoHilarión Daza decretou um aumento de taxas sobre as companhias chilenas que exploravam o litoral boliviano, retroativo ao ano de 1874, sob protestos do governo chileno, do presidenteAníbal Pinto. Quando a empresaAntofagasta Nitrate & Railway Company se recusou a pagar a sobretaxa, o governo boliviano ameaçou confiscar todas suas propriedades. O Chile respondeu enviando um navio de guerra para o local em dezembro de 1878. A Bolívia então declarou o sequestro dos bens da empresa, anunciando o leilão para 14 de fevereiro de 1879. No dia do leilão, duzentos soldados chilenos desembarcaram e ocuparam a cidade portuária deAntofagasta, sem resistência.
Em 1 de março de 1879, a Bolívia declarou guerra ao Chile, invocando uma aliança secreta que mantinha com o Peru: o Tratado de Defesa de 1873. O governo peruano estava determinado a cumprir sua aliança com a Bolívia, também temeroso do crescente expansionismo chileno, porém receavam que as forças aliadas não eram páreo para oexército chileno; preferiam um acordo à guerra. Um diplomata peruano foi enviado para intermediar o desentendimento. O Chile requereu neutralidade por parte do governo peruano, mas a aliança entre Peru e Bolívia impedia a mesma. O Chile respondeu então com a quebra das relações diplomáticas e ulterior declaração de guerra aos dois aliados em 5 de abril de 1879. O Peru se viu então arrastado para uma guerra, em razão do tratado de aliança com a Bolívia.
AArgentina, que disputava com o Chile o controle da região daPatagônia, foi convidada pelas forças aliadas para entrar no conflito. No entanto, o governo argentino recusou o pedido, preferindo resolver sua divergência por vias diplomáticas.
O cenário era amplamente desfavorável para as forças aliadas: aBolívia, depois de uma série de governos transitórios, estava claramente despreparada, além de lhe carecer uma marinha de guerra; oPeru se via diante dum colapso econômico que deixara sua marinha e exército também despreparados. A maioria dos navios de guerra peruanos estava velha e precisando de reparos urgentes. Os únicos encouraçados disponíveis eram oHuáscar e oIndependencia.
OChile, ao contrário, dispunha de uma marinha de guerra moderna e de forças de combate preparadas para o conflito. Numa guerra que se desenrolava em pleno deserto, o controle do mar seria importantíssimo.
ABatalha de Topáter, ocorrida em 23 de março de 1879 foi a primeira contenda da guerra, 554 soldados chilenos mais a cavalaria marcharam rumo aCalama, encontrando a resistência boliviana, composta de 135 soldados e civis residentes na área. Liderados porLadislao Cabrera, entrincheirados em pontes destruídas. Pedidos de rendição não surtiram efeito, e a batalha teve início. Parte dos bolivianos bateu em retirada, exceto por alguns civis, que liderados pelo coronelEduardo Abaroa, lutaram até o fim.
Demais batalhas em solo só ocorreram depois que o conflito no mar se resolveu.
Sob a direção do contra-almiranteJuan Williams, a marinha chilena e seus poderosos navios –Almirante Cochrane eBlanco Encalada – começaram a operar na costa boliviana e peruana. O porto deIquique foi bloqueado, enquanto Huanillos, Mollendo, Pica e Pisagua foram bombardeados, tendo seus portos destruídos. A estratégia do contra-almirante Williams era de desativar os portos para interromper o comércio, principalmente as exportações de salitre e importações de armas para os aliados, enfraquecendo assim o inimigo.
A pequena mas eficaz marinha peruana não capitulou. Sob o comando do capitãoMiguel Grau a bordo doHuáscar, o Peru bloqueou os navios de guerra chilenos, arrastando-os para o sul, mas sempre evitando um confronto direto. Atrasando o esforço chileno, as forças aliadas poderiam se recompor, recebendo suprimentos pelo norte do Peru e reforçando suas tropas litorâneas.
A primeira batalha em alto-mar,Batalha de Chipana, se sucedeu em 12 de abril de 1879. Ascorvetas peruanasUnión ePilcomayo se depararam com a corveta chilenaMagallanes a caminho de Iquique. Depois de duas horas de duelo, aUnión sofreu problemas com o motor e a corvetaMagallanes conseguiu escapar sem grandes danos.
NaBatalha de Iquique, de 21 de maio de 1879, Os navios peruanosHuáscar eIndependencia furaram o bloqueio de Iquique, entrando em combate com os barcosEsmeralda eCovadonga, dois dos mais velhos barcos da frota chilena. OHuáscar afundou oEsmeralda, enquanto oCovadonga forçou oIndependencia a encalhar na praia de Punta Gruesa (alguns historiadores consideram esta uma batalha à parte).
O capitãoArturo Prat, da corvetaEsmeralda, foi elevado a mártir pela marinha chilena. A marinha peruana perdeu um importante encouraçado e viu a reputação do capitão Miguel Grau crescer entre amigos e mesmo inimigos: ele resgatou os sobreviventes daEsmeralda e escreveu condolências à viúva do capitão Prat. Agora só restava ao Peru oHuáscar para conter a invasão chilena.
Por seis meses, oHuáscar vagou pelos mares atrapalhando os planos chilenos, no que hoje é conhecido como "Correrías delHuáscar". Numa demonstração impressionante de maestria no comando do navio, o capitão Grau conseguiu conter toda a frota chilena, recuperar alguns barcos peruanos e causar estragos a diversos portos usados pela marinha chilena, sendo elevado ao posto de contra-almirante. Alguns de seus feitos foram:
Afundou 16 barcos chilenos
Capturou os barcosEmilia,Adelaida Rojas,E. Saucy Jack,Adriana Lucía,Rimac, eCoquimbo
Causou danos aos portos de Cobija, Tocopilla, Platillos and Mejillones, Huanillos, Punta de Lobo, Chanaral, Huasco, Caldera, Coquimbo & Tatal
Danificou os barcos chilenosBlanco Encalada,Abtao,Magallanes, eMatías Cousiño
Recuperou os barcos peruanosClorinda eCaquetá
Destruiu baterias de artilharia em Antofagasta
Destruiu cabos de comunicação entre Antofagasta eValparaíso
A marinha chilena levou um dia todo navegando com seis navios para conseguir encurralar oHuáscar, e depois, duas horas de combate sangrento para captura-lo, com seus barcosBlaco Encalada,Covadonga eCochrane, naCombate Naval de Angamos, em 8 de outubro de 1879. Junto com o navio, morreu o almirante Grau
Com a ruína doHuáscar, a campanha naval terminava, com o Chile controlando os mares dali em diante.
Tendo completo controle dos mares, oexército chileno iniciou a invasão do Peru. A Bolívia, incapaz de recuperar sua província do Litoral (Antofagasta), juntou-se à defesa peruana emTarapacá e Tacna.
Em 2 de novembro de 1879, bombardeios navais e ataques anfíbios foram direcionados ao porto de Pisagua e à enseada de Junín(cerca de quinhentos quilômetros ao norte de Antofagasta). Em Pisagua, 2 100 soldados desembarcaram e tomaram a cidade, enquanto o ataque a Junín fora menor mas bem sucedido. Ao fim do dia, o general Erasmo Escala e uma tropa de 10 mil sodados isolou a província de Tarapacá do resto do Peru.
O exército chileno marchou então ao sul, com cerca de 6 000 soldados, em direção à cidade deIquique. Os aliados contra-atacaram com 7 400 soldados, causando muitas baixas em ambos os lados, no que ficou conhecido comoBatalha de San Francisco (19 de novembro). Durante o confronto, as forças bolivianas bateram em retirada, forçando o exército peruano a recuar para a cidade de Tarapacá. Quatro dias depois, o exército chileno capturou Iquique, enfrentando pouca resistência.
O general Escala enviou então um destacamento de 3 600 soldados, cavalaria e artilharia para destruir o que sobrara do exército peruano, estimado em não mais do que 2 000 homens, mal treinados e desmoralizados. Em 27 de novembro aconteceu aBatalha de Tarapacá, quando forças chilenas atacaram a província peruana, encontrando dificuldades ao perceber que as forças inimigas continuavam com o moral rígido e em número superior ao anteriormente estimado. Liderados pelo CoronelAndrés Cáceres, o exército peruano afugentou o destacamento chileno, capturando quantias significativas de munição e suprimentos. A vitória peruana em Tarapacá teve pouco impacto no resultado da guerra, apesar de tudo. O general peruano Buendía e suas tropas tiveram de recuar para o norte (Arica), em 18 de dezembro.
Uma nova expedição chilena deixou Pisagua e no dia 24 de fevereiro de 1880 desembarcou com quase 12 000 homens nabaía de Pacocha. Comandados pelo generalManuel Baquedano, esta força isolou as províncias de Tacna e Arica, destruindo esperanças de novos reforços peruanos.
Em 7 de junho 7 000 soldados chilenos apoiados pela marinha atacaram com sucesso a guarnição de Arica, que estava sob o comando do coronelFrancisco Bolognesi. As tropas chilenas, dirigidas pelo coronelPedro Lagos, tiveram de subir oMorro de Arica, para enfrentar as tropas peruanas.
O ataque ficou conhecido como aBatalha de Arica, que veio a ser um dos mais trágicos e ao mesmo tempo emblemático evento da guerra: Morreram 474 chilenos, enquanto quase 1 000 peruanos perderam a vida, incluindo o coronel Bolognesi. Outros oficiais peruanos de alta patente que também morreram foram o coronelAlfonso Ugarte e o coronelMariano Bustamante.
Já que oMorro de Arica era o último reduto defensivo das tropas aliadas na cidade, sua ocupação pelo Chile se tornou uma data de relevância histórica para ambos os países. Um fato que acentua a importância desta batalha na memória coletiva do Peru e do Chile é que ambos os países têm o dia de 7 de junho como uma data especial para seus militares: No Chile é oDia da Infantaria, e no Peru é oDia do Juramento à Bandeira.
Em outubro de 1880, osEUA mediaram sem sucesso o conflito a bordo do navioUSS Lackawanna, nabaía de Arica, numa tentativa de por fim à guerra por meios diplomáticos. Representantes do Chile, Peru e Bolívia se encontraram para discutir as disputas territoriais, mas o Peru e a Bolívia rejeitaram a perda de seus territórios para o Chile, que abandonou a conferência. Em janeiro de 1881, oexército chileno marchou em direção aLima, capital peruana.
O que sobrara do exército e civis mal armados se prepararam para defender a capital. No entanto, foram derrotados nas batalhas de San Juan eMiraflores, e a cidade capitulou em janeiro de 1881 ante ainvasão das forças do general Baquedano. Os subúrbios ao sul de Lima foram saqueados e queimados.
As afastadashaciendas foram queimadas porboias-friaschineses, que haviam side trazidos do sul da China por volta de 1850 para trabalhar nashaciendas (historiadores chilenos clamam que as tropas chilenas entraram em Lima para prevenir a pilhagem e destruição após o colapso do governo; registros históricos atestam que estes mesmos chilenos foram responsáveis pelos saques e destruição).
Depois deLima, as forças chilenas continuaram avançando rumo ao norte do Peru, mas não conseguiram subjugar por completo o combalido país. Como espólio de guerra, o Chile confiscou bens da Biblioteca Nacional Peruana, levando-os paraSantiago.
A resistência peruana continuou por mais três anos, com aparente encorajamento estadunidense. O líder da resistência era o general Andrés Cáceres (apelidado deMago dos Andes), que seria mais tarde eleito presidente do Peru. Os soldados remanescentes do exército peruano, liderados por Cáceres, derrotaram oExército do Chile em diversas ocasiões, mas após a derrota naBatalha de Huamachuco, não houve mais resistência. Finalmente, em 20 de outubro de 1883, Peru e Chile assinaram oTratado de Ancón, em que a província de Tarapacá foi cedida ao Chile.
O cenário da guerra entre 1879 e 1881 foi um deserto, esparsamente povoado e demasiadamente longe de grandes cidades ou centros de reabastecimento; é um local, todavia, próximo aooceano Pacífico. Era evidente, desde o princípio, que o controle do espaço marítimo seria essencial para a vitória. O abastecimento de água, comida, munição, cavalos, ração e reforços seriam feitos muito mais facilmente por mar do que pelo deserto ou pelo alto planalto boliviano.
Enquanto a marinha chilena tratou de fazer um bloqueio econômico e militar sobre os portos inimigos, o Peru teve a iniciativa e utilizou sua pequena porém eficaz marinha como uma força surpresa. O Chile foi forçado a atrasar a invasão por terra em seis meses, e mudar sua estratégica naval: ao invés do bloqueio, priorizou a caça e captura do encouraçadoHuáscar.
Com a vantagem da supremacia naval, a estratégia chilena por terra foi a mobilidade: aportando forças terrestres para atacar possessões inimigas; desembarcando grandes tropas para dividir e expulsar as forças defensivas; deixando guarnições para proteger o território ganho enquanto se moviam para o norte. Peru e Bolívia lutaram uma guerra defensiva: deslocando-se por terra; confiando, onde possível, em fortificações costeiras para defesa, usando minas e baterias; utilizando linhas férreas costeiras onde se podia, no Peru, e linhas de telégrafo que ligavam os campos de batalha diretamente a Lima. Quando recuavam, as forças aliadas não deixavam nenhum suprimento para trás, para que nada que abandonassem pudesse ser usado pelos chilenos.
Forças móveis navais provaram ser, no fim, uma vantagem numa guerra em meio ao deserto e ao longo de um extenso litoral. Os defensores se encontraram a centenas de quilômetros de casa; enquanto as forças invasores estavam a alguns poucos quilômetros da costa, onde se abasteciam dos navios.
A ocupação do Peru, entre 1881 e 1884, foi outra história, um enredo diferente. O cenário agora era as cordilheiras peruanas, onde a resistência tinha fácil acesso à população, recursos e centros de suprimentos longe do mar; uma guerra de atrito poderia ser levada adiante indefinidamente. Oexército chileno, um exército de ocupação, foi dividido em pequenas guarnições pelo território e só podia devotar parte de seus esforços em caçar rebeldes, sem ter uma autoridade central.
Depois de uma ocupação dispendiosa e de uma longa campanha de anti-insurgência, o Chile procurou uma saída política para a guerra. Rusgas com a sociedade peruana proporcionaram uma oportunidade depois da Batalha de Huamachuco, e resultaram num tratado de paz que acabou com a ocupação e a guerra.
De acordo com o programa de televisãoHistórias dos longínquos chineses III, daHong Kong Asia Television, havia cerca de dois mil trabalhadores chineses participando da guerra pelo lado chileno. Eles deviam trabalhar como informantes do lado peruano e fornecer as informações aos chilenos.
Ambos os lados usaram novas tecnologias, recém incorporadas ao mundo militar, como minas terrestres com dispositivo de controle, rifles curtos de retrocarga, balas perfuradoras de armaduras, torpedos e barcos para desembarques de tropas em praias. Encouraçados de segunda geração travaram lutas pela primeira vez.
Observadores estadunidenses, franceses e britânicos acompanharam partes da guerra, analisando as novas tecnologias.
Alguns analistas peruanos acreditam que se oserviço secreto tivesse sido eficiente naquela época, o conflito poderia ter visto a introdução de umprotótipo desubmarino da marinha peruana, denominadoToro.[1]
Sob os termos doTratado de Ancón, oChile ocupou as províncias de Tacna eArica por dez anos, onde depois do tempo estipulado seria realizado umplebiscito que decidiria a nacionalidade da região. Os dois países nunca concordaram com os termos do plebiscito. Finalmente, em1929, sob o intermédio do presidente estadunidenseHerbert Hoover, um acordo foi feito no qual o Chile ficou com Arica; o Peru readquiriu Tacna e recebeu $6 milhões em indenizações.[necessário esclarecer]
Em 1884, aBolívia assinou uma trégua que deu total controle da costa pacífica aoChile, com suas valiosas reservas decobre enitratos. Um tratado de 1904 tornou este arranjo permanente. Em retorno, o Chile concordou em construir uma ferrovia ligandoLa Paz, capital boliviana, ao porto de Arica, garantindo liberdade de trânsito ao comércio boliviano pelos portos chilenos.
A Guerra do Pacífico deixou cicatrizes traumáticas nas sociedades boliviana e peruana.
Para os bolivianos, a perda de um acesso soberano aooceano Pacífico ainda é um assunto delicado, evidente durante ostumultos internos de 2004 acerca da nacionalização das reservas de gás e naeleição deEvo Morales para a presidência da república em 2005.
Muitos dos problemas do país ainda são atribuídos à falta de um acesso ao mar. Em 1932, este foi um fator determinante para aGuerra do Chaco, contra oParaguai, sobre territórios que davam acesso aorio Paraguai e, por consequência, aooceano Atlântico. Nas últimas décadas, todos os presidentes bolivianos têm feito de plataforma política pressionar oChile por um acesso soberano ao mar. Este acesso inclusive consta como objetivo nacional da Bolívia em sua constituição, tornado-se numa área de fricção daAmérica do Sul. Em 1976, o Chile fez uma proposta para a Bolívia cedendo-lhe um acesso ao oceano Pacífico em troca de uma área boliviana de 5 000 km² próximo à lagoa Colorada que forneceria água em abundância para a indústrias de cobre chilena. Porém, o Peru interveio nas negociações e o acordo não deu certo. O principal jornal boliviano,El Diario,[2] ainda dedica uma nota editorial por semana ao assunto. O presidente Evo Morales pretendia retomar as negociações com o Chile pela via diplomática.
Os peruanos desenvolveram um culto aos heroicos defensores da pátria, como o almirante Miguel Grau, o coronelFrancisco Bolognesi, ambos mortos em batalha, e o general Andrés Cáceres, que se tornou um figura política de destaque, depois de encerrado o conflito. A derrota engendrou uma forte vontade de vingança entre as classes dominantes, levando ao fortalecimento das forças armadas durante todo o século XX.
O Chile se deu melhor, anexando um lucrativo território com imensas reservas de cobre e nitratos. Mas a vitória também deixou um gosto amargo. Durante a guerra, o Chile desistiu de suas reivindicações sobre aPatagônia para assegurar a neutralidade daArgentina. Muitos vêem nisso uma grande perda de território. Após a guerra, o controle britânico sobre a economia do país cresceu, aumentando a interferência doReino Unido na política chilena. Os lucros dos nitratos duraram apenas algumas décadas e caíram significativamente depois daPrimeira Guerra Mundial. Atualmente, a região ainda é rica em cobre e seus portos movimentam cargas de vários países da região.
CoronelLeoncio Prado †, filho do presidente Prado, escolheu servir como soldado, executado por um esquadrão de fogo após aBatalha de Huamachuco.
CoronelAlfonso Ugarte †, morto durante a Batalha de Arica; acredita-se que pulou de um penhasco com seu cavalo para salvar a bandeira.
Outras nacionalidades
Contra-almiranteAbel Bergasse Dupetit-Thouars, comandante francês, depois daBatalha de Miraflores, preveniu a pilhagem e destruição deLima ao ameaçar destruir a marinha chilena com uma força internacional sob seu comando.
Lugar-tenente coronelRoque Saenz Peña, soldado argentino que serviu no exército peruano durante as batalhas deBatalha de Tarapaca eArica, mais tarde eleito presidente da Argentina.
Foster, John B. & Clark, Brett. (2003)"Ecological Imperialism: The Curse of Capitalism" (acessado em Set. 2, 2005).The Socialist Register 2004, p190-192. Também disponível em versão impressa em Merlin Press. (em inglês)
Latin America's Wars. The Age of the Caudillo, 1791-1899. Robert L. Scheina. V. 1. 2003.