Movatterモバイル変換


[0]ホーム

URL:


Ir para o conteúdo
Wikipédia
Busca

Governo Costa e Silva

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Governo Costa e Silva
Brasil
Ditadura militar
1967–1969
Início15 de março de1967
Fim31 de agosto de1969(de facto)
Duração2 anos e 5 meses
Organização e Composição
TipoGoverno federal
27.ºPresidente do BrasilArtur da Costa e Silva
16.ºVice-presidente do BrasilPedro Aleixo
PartidoARENA
OposiçãoMDB
Histórico
EleiçãoEleição presidencial no Brasil em 1966(Indireta)

OGovernoArtur da Costa e Silva corresponde ao período dahistória política do Brasil entre 15 de março de 1967 e 31 de agosto de 1969. Costa e Silva foi o27.º presidente da República, eleito de forma indireta peloCongresso Nacional, no contexto doregime militarinstaurado em 1964. Seu governo é amplamente reconhecido como o período de endurecimento do regime, marcado pela supressão de direitos civis, pelo aumento da repressão política e pela promulgação doAto Institucional nº 5 (AI-5), considerado o instrumento mais autoritário da ditadura militar brasileira.[1]

Contexto histórico e ascensão ao poder

[editar |editar código]

Artur da Costa e Silva assumiu a presidência após o governo do marechalHumberto de Alencar Castelo Branco, primeiro presidente do regime militar. Enquanto Castelo Branco defendia uma institucionalização jurídica do regime, Costa e Silva representava setores mais nacionalistas e autoritários das Forças Armadas, conhecidos como “linha-dura”, que criticavam qualquer possibilidade de abertura política.[2]

Sua posse ocorreu sob a vigência daConstituição de 1967, elaborada durante o regime militar, que ampliou os poderes do Executivo, restringiu direitos individuais e consolidou o caráter autoritário do Estado brasileiro.[2]

Projeto político e ideologia do governo

[editar |editar código]
Costa e Silva e seus ministros no dia de sua posse, 1967.

O governo Costa e Silva defendia a ideia de um Estado forte, centralizado e capaz de reprimir aquilo que o regime classificava como "subversão". O discurso oficial associava a oposição política, os movimentos sociais e estudantis e os grupos de esquerda à ameaça comunista, em consonância com a lógica daGuerra Fria.[3]

Embora inicialmente tenha sinalizado certa flexibilização política, a crescente mobilização social e a radicalização da oposição levaram o governo a adotar medidas cada vez mais repressivas.[3]

Política econômica

[editar |editar código]

Na área econômica, o governo Costa e Silva deu continuidade a políticas desenvolvimentistas, buscando retomar o crescimento após os ajustes realizados no governo Castelo Branco. O período registrou aumento do investimento estatal em infraestrutura e incentivo à indústria nacional, criando as bases para o chamado "milagre econômico"”, que se consolidaria no governo seguinte, deEmílio Garrastazu Médici.[4]

Apesar do crescimento inicial, a política econômica manteve a concentração de renda, o arrocho salarial e a redução do poder de compra dos trabalhadores, o que contribuiu para o aumento da insatisfação social.[4]

Movimentos sociais e oposição política

[editar |editar código]

O governo Costa e Silva enfrentou forte oposição de setores da sociedade civil. Destacaram-se as mobilizações estudantis, especialmente em 1968, ano marcado por protestos em diversas partes do mundo. No Brasil, a repressão a manifestações culminou na morte do estudanteEdson Luís, no Rio de Janeiro, episódio que intensificou os protestos contra o regime.[5]

Também houve crescimento da oposição armada, com o surgimento de grupos que defendiam a luta armada como forma de resistência ao regime militar, como aAção Libertadora Nacional e oMovimento Revolucionário Oito de Outubro.[5]

O Ato Institucional n.º 5 (AI-5)

[editar |editar código]
Ver artigo principal:Ato Institucional n.º 5
Página 01 doAto Institucional Número Cinco (AI-5).

O ponto central do governo Costa e Silva foi a promulgação doAto Institucional nº 5, em 13 de dezembro de 1968. O AI-5 concedeu poderes excepcionais ao presidente da República, incluindo o fechamento do Congresso Nacional, a suspensão de direitos políticos, a cassação de mandatos, a intervenção em estados e municípios e a suspensão do habeas corpus para crimes políticos.[6]

O AI-5 inaugurou o período mais repressivo da ditadura militar, intensificando a censura à imprensa, a perseguição política, as prisões arbitrárias e as práticas de tortura nos órgãos de repressão do Estado.

Repressão política e censura

[editar |editar código]

Após o AI-5, a repressão tornou-se sistemática. Órgãos como oDOPS e oDOI-CODI ampliaram sua atuação, perseguindo opositores, intelectuais, artistas, estudantes e sindicalistas. A censura passou a atingir jornais, livros, músicas, peças teatrais e produções audiovisuais.[5]

O período registrou inúmeras denúncias de violações de direitos humanos, incluindo prisões ilegais, torturas, desaparecimentos forçados e assassinatos de opositores do regime.[5]

Política externa

[editar |editar código]

Na política externa, o governo Costa e Silva manteve alinhamento com osEstados Unidos, seguindo a lógica anticomunista da Guerra Fria, mas também buscou ampliar relações com países em desenvolvimento, adotando uma postura pragmática voltada à defesa dos interesses nacionais.[7]

Crise política e afastamento do presidente

[editar |editar código]

Em agosto de 1969, Costa e Silva sofreu umacidente vascular cerebral (AVC) que o incapacitou de governar. Em vez de permitir a posse do vice-presidente civilPedro Aleixo, os militares instituíram umaJunta Militar, composta pelos ministros das Forças Armadas, aprofundando o caráter autoritário do regime.[1][3]

A Junta governou até a posse do generalEmílio Garrastazu Médici, em outubro de 1969.

Avaliação histórica e legado

[editar |editar código]

O governo Costa e Silva é amplamente considerado um dos períodos mais autoritários da história republicana brasileira. Seu legado está fortemente associado aoAI-5, ao aumento da repressão política e à suspensão das liberdades democráticas. Embora tenha contribuído para a retomada do crescimento econômico, esse avanço ocorreu à custa da supressão de direitos e do agravamento das desigualdades sociais.[8][3]

Ver também

[editar |editar código]

Referências

  1. abSKIDMORE, Thomas. Brasil: de Castelo a Tancredo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
  2. abSILVA, Hélio,Costa e Silva - 23.º Presidente do Brasil, Editora Três, 1983.
  3. abcdLemos, Renato.«Artur da Costa e Silva»(PDF).FGV CPDOC 
  4. abMacarini, José Pedro (2006).«A política econômica do governo Costa e Silva 1967-1969».Revista de Economia Contemporânea: 453–489.ISSN 1980-5527.doi:10.1590/S1415-98482006000300001. Consultado em 31 de janeiro de 2026 
  5. abcdVILLA, Marco Antonio (2014).Ditadura à Brasileira. Rio de Janeiro: Leya.ISBN978-85-8044-958-7.
  6. «O Processo Eleitoral - A Constituição de 1967 e os Atos Institucionais».www.al.sp.gov.br. Consultado em 31 de janeiro de 2026 
  7. Uebel, Roberto Rodolfo Georg; Silva, Antônio Ravazzolo Avila da (16 de novembro de 2023).«Tempos de Reorientação: Política Externa Brasileira e Comércio Exterior entre 1964 e 1979».InterAção (4): e83870–e83870.ISSN 2357-7975.doi:10.5902/2357797583870. Consultado em 31 de janeiro de 2026 
  8. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2015.
Presidentes do Brasil (1889–2026)
Lista de titulares
e períodos de governo
  1. Deodoro da Fonseca(1889–91)
  2. Floriano Peixoto(1891–94)
  3. Prudente de Morais(1894–98)
  4. Campos Sales(1898–02)
  5. Rodrigues Alves(1902–06)
  6. Afonso Pena(1906–09)
  7. Nilo Peçanha(1909–10)
  8. Hermes da Fonseca(1910–14)
  9. Venceslau Brás(1914–18)
  10. Delfim Moreira(1918–19)
  11. Epitácio Pessoa(1919–22)
  12. Artur Bernardes(1922–26)
  13. Washington Luís(1926–30)
  14. Getúlio Vargas(1930–45)
  15. José Linhares(1945–46)
  16. Eurico Gaspar Dutra(1946–51)
  17. Getúlio Vargas(1951–54)
  18. Café Filho(1954–55)
  19. Carlos Luz(1955)
  20. Nereu Ramos(1955–56)
  21. Juscelino Kubitschek(1956–61)
  22. Jânio Quadros(1961)
  23. Ranieri Mazzilli(1961)
  24. João Goulart(1961–64)
  25. Ranieri Mazzilli(1964)
  26. Castelo Branco(1964–67)
  27. Costa e Silva(1967–69)
  28. Emílio Garrastazu Médici(1969–74)
  29. Ernesto Geisel(1974–79)
  30. João Figueiredo(1979–85)
  31. José Sarney(1985–90)
  32. Fernando Collor(1990–92)
  33. Itamar Franco(1992–95)
  34. Fernando Henrique Cardoso(1995–03)
  35. Luiz Inácio Lula da Silva(2003–11)
  36. Dilma Rousseff(2011–16)
  37. Michel Temer(2016–19)
  38. Jair Bolsonaro(2019–23)
  39. Luiz Inácio Lula da Silva(2023–presente)

Bandeira do Presidente do Brasil.
Bandeira do Presidente do Brasil.
Sedes e residências
Temas gerais
Obtida de "https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Governo_Costa_e_Silva&oldid=71645900"
Categorias:

[8]ページ先頭

©2009-2026 Movatter.jp