Da década de 1970 até 1998, foram consideradas espécies separadas. Nesse ano, passaram a ser consideradas subespécies da mesma espécie.P. g. gangetica foi reconhecido pelo governo da Índia como "animal aquático nacional".[4]P. g. minor foi nomeado o mamífero nacional do Paquistão.[5]P. g. gangetica também é o animal oficial da cidade indiana deGuwahati.[6]
Em 2021, pesquisadores propuseram que as duas subespécies do golfinho do rio sul asiático (Platanista gangetica) - o golfinho do rio Indus (Platanista gangetica minor) e o golfinho do rio Ganges (Platanista gangetica gangetica) - deveriam ser reconhecidas como espécies completas distintas.[7]
Aespécie foi descrita por dois autores separadamente, Lebeck e Roxburgh, em 1801. Não se pode afirmar qual dos dois autores descreveu primeiro a espécie.[8] Até a década de 1970, havia uma única espécie. As duas subespécies sãoisoladas geograficamente e nãocruzaram entre si por séculos, talvez por milhares de anos. Baseados em diferenças na estrutura docrânio,vértebras e composiçãolipídica, cientistas declararam, no início da década de 1970, que as duaspopulações eram espécies separadas.[9]
Em 1998, os resultados desses estudos foram questionados e a classificação foi revertida para o consenso pré-1970 de uma única espécie com duas subespécies, até que a taxonomia fosse definida com técnicas modernas como osequenciamento de DNA. As mais recentes análises deDNA mitocondrial das duas populações não mostraram a variação necessária para justificar a classificação como espécies separadas.[10] Consequentemente, atualmente reconhece-se uma única espécie com duas subespécies no gêneroPlatanistaːP. g. gangetica (golfinho-do-ganges) eP. g. minor (golfinho-do-indo).
O golfinho-de-rio-do-sul-da-ásia tem o bico longo e pontudo característico de todos os golfinhos de rio. Seusdentes são visíveis tanto namandíbula superior quanto na mandíbula inferior, mesmo com a boca fechada. Os dentes dos indivíduos mais jovens têm o comprimento de quase umapolegada, e são finos e curvos. Conforme os indivíduos envelhecem, os dentes sofrem consideráveis mudanças e, em indivíduos maduros, se tornam discos achatados, ossudos e quadrados. Ofocinho se engrossa conforme avança para a ponta. A espécie não temcristalino, o que a torna efetivamentecega, embora ainda seja capaz de detectar a direção e a intensidade daluz. A navegação e a caça são efetuadas através deecolocalização.[11] São os únicoscetáceos que nadam de lado.[12]
O corpo é acastanhado e atarracado no meio. A espécie tem uma única e pequena protuberância triangular no lugar dabarbatana dorsal. As nadadeiras e cauda são finas e largas em relação ao tamanho do corpo, que mede de 2 a 2,2 metros nos machos e de 2,4 a 2,6 metros nas fêmeas. O mais velho animal registrado foi um macho de 28 anos de idade, com comprimento de 199 centímetros.[13] Fêmeas maduras são maiores do que machos.Dimorfismo sexual é expresso depois que fêmeas alcançam 150 centímetros. Orostro das fêmeas continua a crescer depois que o rostro dos machos para de crescer, eventualmente se tornando vinte centímetros maior.
O golfinho-de-rio-do-sul-da-ásia énativo dasbacias hidrográficas do Nepal, Índia, Bangladesh e Paquistão.[14] É encontrado mais comumente em águas com abundância de presas e reduzido fluxo de água.[11]
A subespécie do Ganges (P. g. gangetica) pode ser encontrada nos sistemas hidrográficos Ganges-Bramaputra-Meghna eKarnafuli-Sangu da Índia e Bangladesh. Antigamente, sua área de ocorrência abrangia o Nepal.[11] Uma pequena subpopulação ainda pode ser encontrada norio Gagara e, possivelmente, no rio Sapta Kosi. A maior parte da subespécie do Indo (P. g. minor) se localiza entre asbarragens deSucur e Guddu, na província doSind, no Paquistão.[11] Duas subpopulações menores também foram registradas nas províncias doPunjab eKhyber Pakhtunkhwa. Como estes dois sistemas hídricos (Indo e Ganges) não têm qualquer ligação, é um mistério como essas duas subespécies acabaram se localizando neles. É improvável que a subespécie de um rio tenha chegado ao outro através do oceano, pois seusestuários são bem distantes entre si. De acordo com o livro "Terra dos sete riosː uma breve história da geografia da Índia", de Sanjeev Sanyal, uma explicação provável é que vários rios donorte da Índia, como oSutle e oYamuna, alteraram seus cursos em tempos antigos e levaram os golfinhos com eles.[15]
Osnascimentos ocorrem no ano inteiro, mas parecem se concentrar entre dezembro e janeiro e entre março e maio.[16] Acredita-se que agestação dura de nove a dez meses. Depois de aproximadamente um ano, os jovensdesmamam. Eles alcançammaturidade sexual com aproximadamente dez anos de idade.[17] Durante amonção, os golfinhos-de-rio-do-sul-da-ásia tendem a migrar para osafluentes dos principais sistemas hídricos.[16] Ocasionalmente, indivíduos nadam deixando seus bicos emersos, podendo, ainda, saltar completa ou parcialmente fora da água e pousar de lado.[18] Se alimentam de vários tipos de peixes ecamarões, incluindocarpas ebagres. São usualmente encontrados sozinhos ou em grupos frouxos, pois não formam grupos coesos.
Ambas as subespécies são listadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza como "em perigo" na sua Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais.[21] O golfinho-do-indo é listado como "em perigo" pelo Serviço Nacional de Pesca Marinha doGoverno dos Estados Unidos, de acordo com oAto das Espécies em Perigo. Em compensação, em anos recentes, a população de golfinhos-do-indo cegos no Paquistão aumentou.[22]
O perigo imediato para a população residente deP. gangetica no Santuário Nacional do Chambal é a diminuição da profundidade do rio Chambal e o surgimento debancos de areia que dividem o rio em segmentos menores.[23] As medidas propostas de conservação incluem tanto a criação desantuários para a espécie como a criação dehabitat adicional.
O ministro do meio ambiente e floresta declarou o golfinho-do-ganges como o animal aquático nacional da Índia. Um trecho do rio Ganges entreSultanganj e Kahlgaon, emBihar, foi declarado santuário da espécie com o nome de Santuário Vikramshila do Golfinho-do-ganges. É o primeiro santuário criado para a espécie.
A espécie está listada nos apêndices I e II daConvenção de Bona. Está listada no apêndice I como espécie em perigo deextinção em toda ou em significativa parte de sua área de ocorrência. O apêndice ainda declara que os signatários da convenção almejam a proteção da espécie, conservando ou restaurando os locais onde ela vive, diminuindo os obstáculos a suamigração e controlando outros fatores que poderiam ameaçá-la. Está listada no apêndice II com umstatus desfavorável de conservação, ou que poderia se beneficiar de cooperação internacional através de acordos.
O governo deUttar Pradesh está divulgando antigos textoshindus com a esperança de aumentar o apoio da comunidade à salvação da espécie de seu desaparecimento. Um verso de um desses textos, oRamáiana, enfatiza a força com que o rio Ganges teria emergido dos cachos do cabelo deXiva, levando, junto, vários animais, entre eles oShishumaar (golfinho-do-ganges).[24]
Ambas as subespécies vêm sendo gravemente afetadas pelo uso humano dos rios do subcontinente indiano. Muitos golfinhos ficam presos nasredes de pesca. Alguns são capturados e têm suacarne eóleo usados comolinimento,afrodisíaco ouisca parabagre.
Airrigação diminuiu o nível da água nas regiões ocupadas pela espécie. Apoluição das águas causada pela indústria e pela agricultura também pode ter contribuído para o declínio da população da espécie. Talvez a principal causa, porém, tenha sido a construção de mais de cinquentarepresas, que causaram asegregação de populações e a diminuição dofundo genético. Atualmente, três subpopulações de golfinho-do-indo são consideradas capazes de sobrevivência a longo prazo se protegidas.[25]
Em 20 de maio de 2013, o ministro do meio ambiente e florestas da Índia declarou que os golfinhos eram "pessoas não humanas" e, como tal, passava a ser proibido o seucativeiro com a finalidade deentretenimento.[26] Alguns cientistas defendem que golfinhos ebaleias são suficientementeinteligentes para merecerem o mesmo tratamentoético que osseres humanos recebem.[27] Consequentemente, para se manter um golfinho em cativeiro, deveria ser necessária uma justificativa legal.
↑Pilleri, G.; G. Marcuzzi & O. Pilleri (1982). "Speciation in the Platanistoidea, systematic, zoogeographical and ecological observations on recent species". Investigations on Cetacea. 14: 15–46.
↑Braulik, G. T. (2006). "Status assessment of the Indus river dolphin, Platanista minor minor, March–April 2001". Biological Conservation. 129: 579–590.