Como marco simbólico, o governo estadual "muda" de sede periodicamente, como uma forma de homenagem ao município que recebe a capital. Exemplo desse movimento, aLei Estadual n° 22.813, de 27 de junho de 2024, indica que a sede simbólica da Capital do Estado de Goiás funciona no Município deTrindade, anualmente, na quinta-feira que antecede a data de encerramento daFesta do Divino Pai Eterno.[10] Já a cidade deGoiás recebe essa distinção anualmente no dia que se comemora sua fundação, 25 de junho, desde 1962.[11]
A história de Goiás remonta ao início do século XVIII, com a chegada dosbandeirantes vindos deSão Paulo, atraídos pela descoberta de minas de ouro.Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, liderou a primeira bandeira com a intenção de se fixar no território, que saiu de São Paulo em 3 de julho de 1722. A região doRio Vermelho foi a primeira a ser ocupada, onde fundou-se Vila Boa (mais tarde renomeada paraCidade de Goiás), que serviu como capital do território durante 200 anos. O processo de independência de Goiás se deu gradativamente, impulsionado pela formação de juntas administrativas. O desenvolvimento e povoamento do estado deu-se, de forma mais intensificada, a partir da mudança da capital paraGoiânia, na década de 1930, e com a construção deBrasília, em 1960.[12]
A origem do topônimo Goiás (anteriormente, Goyaz) é incerta e necessita de pesquisas mais aprofundadas. Usualmente, afirma-se que o termo viria da suposta tribo dos índios Goiases que teria habitado a região próxima a Cidade de Goiás e se extinguido rapidamente. Entretanto, não há qualquer vestígio físico ou imaterial da existência real de tal tribo.[13] Há apenas relatos distantes, esparsos e divergentes[14] que apontam que haveria um mito entre os indígenas e caboclos vicentinos, principais integrantes das bandeiras que iniciaram a ocupação de Goiás no século XVIII, dizendo que haveria no interior do continente um povo chamado “Goyá” ou “Guaiana” que possuía cerâmica e agricultura bem desenvolvidas e seriam parentes da Nação Tupi. Daí o termo “Guaiá”, forma composta de “Gua” e “iá”, que em Tupi significa, entre outras possibilidades, "indivíduo igual", "pessoas de mesma origem". Isto nos leva a supor que quando as bandeiras encontraram ouro na Serra Dourada, próximo à atual cidade de Goiás, o nome mítico "Guaiá" teria sido empregado para denominar a área pelos indígenas paulistas, que também pertenciam ao grupo Tupi. Como os únicos integrantes dos Tupis na região eram os Avá-Canoeiros, podemos concluir que eles tiveram na realidade contato com esta tribo. Outra conclusão possível e que seriam Kaiapós.[15]
Os vestígios mais antigos de presença humana no território goiano são datados de 11 mil anos atrás, como os fortes indícios de ocupação pré-histórica nos municípios deUruaçu eNiquelândia que, juntos, abrigam abundante material lítico do chamado "homem Paranaíba", tido como o representante humano de Goiás. Contemporâneos a essa sociedade, foram encontrados vestígios emSerranópolis,Caiapônia e na bacia dorio Paranã, em abrigos rochosos de arenito e quartzito e em grutas de maciços calcários.[16]
Por volta de dois mil anos atrás, quando o clima e a vegetação da região provavelmente eram bastante similares às condições atuais, o território de Goiás foi ocupado por tradições ceramistas, sendo a mais antiga a tradição Una, que habitavam abrigos e grutas naturais e tinham sua alimentação baseada em vegetais, cultivandomilho,cabaça,amendoim,abóbora ealgodão. Os Aratus, que chegaram posteriormente, habitavam grandes agrupamentos, situados em ambientes abertos, principalmente em matas próximas a rios ou riachos, sendo os primeiros aldeões conhecidos na região, e, assim como os Una, cultivavam milho,feijão e algodão.[16] A tradição Uru, que habitava orio Araguaia e seus afluentes, chegou à região no século XII. Pouco tempo depois, chegaram ospovos tupis.[16]
Na época da chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500, o que é hoje Goiás era habitado tanto por povos tupis quanto por povos jês, como osavás-canoeiros,xavantes,caiapós,apinajés ejavaés.[17]
O território que viria a ser Goiás começou a ser desbravado no início do século XVII pelosbandeirantespaulistas, à procura de metais preciosos e captura de indígenas para trabalhar como escravos na agricultura e minas, sendo as expedições pioneiras a alcançar essa região as deBelchior Dias Carneiro (1607) eAntônio Pedroso de Alvarenga (1615). Além destes exploradores, outras expedições saíam doPará, nas chamadas "descidas", com vistas à catequese e ao aldeamento dos indígenas da região. Todas essas expedições tinham como rota o território do atual estado, mas não se dava a criação de vilas permanentes e nem a manutenção de um notável número de população na região.[18][19][20]
Uma das bandeiras mais conhecidas e importantes recebidas pelo território goiano foi a deBartolomeu Bueno da Silva em 1682, pioneira em encontrar ouro nessas terras, em pequena quantidade. Essa expedição explorou uma área entre as margens do Rio Araguaia até a região do atual município deAnhanguera. Bueno da Silva se interessou pelo ouro que adornava algumas mulheres indígenas de uma tribo e, sem conseguir encontrar informações confiáveis sobre a localização das jazidas, ameaçou pôr fogo nas fontes d’água da região, utilizando-se de aguardente para convencer os indígenas de que tinha tal poder, assim recebendo o apelido Anhanguera (“diabo velho” ou “feiticeiro”).[18]
Devido à descoberta de ouro emMinas Gerais (próximo aOuro Preto) e emMato Grosso (próximo aCuiabá) entre 1698 e 1718, acreditava-se que a região também possuía abundância em minérios, ideia que ganhou força com a crença, de origem renascentista, de que o ouro era mais abundante quanto mais próximo daLinha do Equador e no sentido leste-oeste. Esse fator, somado à derrota dos paulistas naGuerra dos Emboabas, fez com que a busca do ouro pelos bandeirantes na região de Goiás se intensificasse cada vez mais, fazendo deste o foco das expedições paulistas.[18][21]
Em 1720,Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera II, junto com seus cunhadosJoão Leite Ortiz eDomingos Rodrigues do Prado, requereu licença aoReiJoão V de Portugal licença para explorar os sertões centrais daAmérica Portuguesa em busca de ouro e pedras preciosas. Em 3 de julho de 1722, a bandeira de Anhanguera II partiu deSão Paulo, com o objetivo de encontrar a Serra dos Martírios (um local místico, nunca encontrado, onde grandes cristais aflorariam, tendo formas semelhantes a coroas, lanças e cravos, referentes àPaixão de Cristo), alcançando a região dorio Vermelho, onde encontrou ouro em grande quantidade. Ao retornar à capital paulista em outubro de 1723, Bueno da Silva apresentou os seus achados ao governador da capitania, DomRodrigo César de Meneses, e foi nomeado capitão-mor das "minas das terras do povo Goiá". Em 1733, devido às acusações de sonegação de renda e disputas entre a metrópole e aCapitania de São Paulo, o filho de Anhanguera perdeu direitos obtidos junto ao rei, falecendo pobre e sem poder em 1740.[18][19][20]
Com a descoberta de ouro em Goiás, o governador Meneses comunicou ao rei de Portugal as descobertas e, consequentemente, em 1726, foram cedidas sesmarias ao longo do trajeto de Bueno e Ortiz. Com isso, o segundo Anhanguera retornou à região das minas, parando num local próximo àSerra Dourada, onde fundou a primeira povoação de Goiás, Barra (atualBuenolândia). Com a descoberta de minas mais abundantes próximas a Barra, os mineradores fundaram, no local dessas jazidas, em 26 de julho de 1727, a povoação de Sant’Ana, elevada à condição de vila em 1739, com o Vila Boa de Goiás (atual município deGoiás).[18][20]
Novas jazidas foram descobertas nos anos seguintes à fundação de Vila Boa, originando novas povoações, como Meia Ponte (atualPirenópolis), Ouro Fino, Santa Cruz (atualSanta Cruz de Goiás),Crixás e Traíras (atualTupiraçaba).[20] Com a mineração de ouro, vieram para o território goianoportugueses epaulistas, além de africanos escravizados para trabalhar nas jazidas. No norte daCapitania de Goiás (atualTocantins), os contingentes humanos eram majoritariamente oriundos doNorte eNordeste do Brasil, gerando diferenças culturais com o sul da capitania (atual Goiás).[20]
Depois da descoberta de ouro em Goiás, as autoridades portuguesas e coloniais procuraram aproximar-se dessa região produtora, para controlar a produção aurífera e evitar seu contrabando, uma resposta mais rápida aos ataques indígenas e controlar os conflitos e revoltas entre os mineradores. Com isso, um Alvará Régio de 1744 criou aCapitania de Goiás, desmembrada da deSão Paulo, com essa divisão efetivada em 1748 e tendo como primeiro governadorMarcos José de Noronha e Brito.[18]
Por volta de 1750, o ouro, que era antes encontrado quase à superfície, tornou-se de captação mais difícil, no subsolo e rios.[20] Nesta época, as principais regiões de Goiás exploradas eram o centro-sul (proximidades dos limites com São Paulo). o Alto Tocantins e o Norte da capitania, até os limites da cidade dePorto Nacional (hoje pertencente ao Tocantins). Estas regiões, entretanto, só viriam a receber ocupação humana intensamente a partir dos séculos XIX e XX, como resultado da ampliação da pecuária e agricultura.[18]
Expedição brasileira paraMato Grosso: Acampamento da divisão expedicionária nas matas virgens de Goiás, na altura doRio dos Bois.Município deGoiás em 1830.
Com o esgotamento das jazidas de ouro na Capitania de Goiás, no final do século XVIII, esta passou por um processo de ruralização e sua economia passou a ser baseada naagricultura de subsistência. Essa situação trouxe sérios problemas financeiros, já que não havia mais um produto básico que fosse lucrativo. Os portugueses tentaram de várias formas reverter esse quadro, incentivando e promovendo a agricultura na região, mas tais ações não tiveram o efeito desejado, pois os agricultores tinham medo de pagar taxas e, além disso, outros fatores também contribuíram para o fracasso da iniciativa: a falta de um mercado para vender os produtos, as dificuldades na exportação — especialmente pela ausência de uma infraestrutura viária adequada — e o desinteresse dos mineiros pelo trabalho agrícola, que era pouco rentável para eles.[22]
Em 1816, atendendo a um pedido de fazendeiros e políticos doSertão da Farinha Podre (atualTriângulo Mineiro), essa região, que até então pertencia a Goiás, foi incorporada a Minas Gerais, pelo fato de a povoação principal da área,Araxá, estar mais próxima de Ouro Preto (então capital mineira) do que a cidade de Goiás. Apesar de ter passado à hegemonia mineira, o Triângulo continuou sofrendo influência goiana nas suas mais variadas ações, sobretudo na questão política.[23]
No período entre atransferência da Corte Portuguesa e aindependência do Brasil (1808-1822), a principal preocupação das autoridades em relação a Goiás foi integrar a região ao restante do Brasil, por meio da navegação fluvial.[20] Em 1809, ocorreu a primeira tentativa de separação do norte de Goiás, quando este se desligou da ouvidoria sediada em Vila Boa e constituiu uma comarca independente, a deSão João das Duas Barras, que durou até 1821. Nos dois anos seguintes, houveram mais tentativas de separatismo dessa região do restante da província.[20]
Quando o Brasil conquistou a independência, em 1822, a Capitania de Goiás foi elevada à categoria deprovíncia, mas essa mudança pouco alterou a sua realidade socioeconômica, que ainda enfrentava um quadro de pobreza e isolamento geográfico. Poucas mudanças ocorreram, sendo a maioria de ordem política e administrativa. No entanto, o cenário começou a mudar, com o incentivo ao comércio fluvial e às atividades agrárias. A expansão da pecuária na província alcançou relativo êxito, trazendo para o seu território migrantes vindos deSão Paulo,Minas Gerais,Pará,Bahia,Maranhão,Pernambuco ePiauí. Com isso, surgiram novas localidades no sul, que logo se tornariam municípios, comoRio Verde,Jataí,Mineiros,Caiapônia (então Rio Bonito) eQuirinópolis (então Capelinha), enquanto no norte, além do crescimento populacional e surgimento de novas povoações, as já existentes, comoImperatriz,Palma,São José do Duro,São Domingos,Carolina eArraias, ganharam novo impulso.[20][22][24]
O poder central, apesar de distante, ainda exercia amplo poder sobre a região, pois detinham a livre escolha dos presidentes de província e outros cargos de importância política - todos de nacionalidade portuguesa - descontentando os grupos locais. Após aabdicação de D.Pedro I, Goiás experimentou um movimento nacionalista liderado pelo padre Luiz Bartolomeu Marquez, pelo bispo Dom Fernando Ferreira e pelo coronel Felipe Antônio. De imediato, o movimento recebeu o apoio das tropas, conseguindo depor todos os portugueses que ocupavam cargos públicos em Goiás, entre eles, o presidente da província.[22]
Vários partidos foram fundados na província por grupos locais insatisfeitos com a influência exercida pelo governo central. Nas últimas décadas do século XIX, surgiram os partidos O Liberal, em 1878, e o Conservador, em 1882. Jornais também foram fundados, usados principalmente como meio de difusão das ideias destes partidos, entre elesTribuna Livre,Publicador Goiano,Jornal do Comércio,Folha de Goyaz eO Libertador. Com isso, representantes próprios foram enviados à Câmara Alta, fortalecendo grupos políticos locais e lançando as bases para as futurasoligarquias.[22]
O jornalO Libertador havia sido fundado pelo poeta goianoAntônio Félix de Bulhões, e usado por este como meio de divulgação de seus ideais abolicionistas. Félix de Bulhões também promoveu festas para angariar fundos, com o objetivo de alforriar escravos, e compôs o Hino Abolicionista Goiano. Com a sua morte, em 1887, várias sociedades emancipadoras se uniram e fundaram a Confederação Abolicionista Félix de Bulhões. Aproximadamente 4 mil escravos viviam em Goiás, à época da promulgação da Lei Áurea, sancionada em 13 de maio de 1888.[22]
O ensino educacional em Goiás foi regulamentado em 1835, pelo presidente da província, José Rodrigues Jardim. Em 1846, foi criado na então capital, Cidade de Goiás, o Liceu, que contava com o ensino secundário. À época, jovens do interior de família classe média-alta e alta concluíam seus estudos em Minas Gerais e faziam curso superior em São Paulo, e os de família menos abastada, encaminhavam-se para a escola militar ou seminários. No entanto, a maioria da população permanecia analfabeta. Somente em 1882 foi criada a primeira Escola Normal de Goiás, na capital deste.[22]
Com aProclamação da República no Brasil em 15 de novembro de 1889, Goiás se tornou um estado. No entanto, pouco se modificou na unidade administrativa em termos socioeconômicos, em especial pelo isolamento resultante da falta de meios de comunicação, aliada à ausência de grandes centros urbanos e de um mercado interno, além de uma economia de subsistência. Apenas mudanças administrativas e políticas foram vistas.[25]
Historiadores argumentam que a transição para a República em Goiás se deu a partir da combinação de dois elementos como centro da ação política: ocaudilhismo das oligarquias locais e afamília como esteio estrutural de manutenção desse poder oligárquico.[26] Acultura política praticada ao longo da primeira metade do século XX seria, então, fruto dopersonalismo político e da autoridade do poder Executivo oriundos do século XIX.[27] E dessa estrutura de rivalidade local articulada aos interesses e desdobramentos político-econômicos de abrangência nacional se constituiria a realidade goiana até a década de 1980.[27]
Em 1890, a população goiana era de 225 mil pessoas, duplicando em 30 anos, devido ao desenvolvimento da agropecuária e às ferrovias, facilitando o intercâmbio com outros estados e contribuindo para o povoamento do sul, sudoeste e sudeste do estado. No entanto, a estrada de ferro não chegou até a então capital, Goiás, nem ao norte do estado, devido às limitações financeiras. Em 1891, chegou o telégrafo ao estado.[20][25]
Aprimeira fase da República no Brasil, que durou desde sua proclamação até 1930, acentuou a disputa entre as elites oligárquicas goianas, como as famílias Bulhões, Fleury, Jardim e Caiado, pelo poder político. Apolítica dos governadores dogovernoCampos Sales assentou o domínio oligárquico dessas famílias. Os Bulhões apresentaram forte influência sobre a política do estado até por volta de 1912, com sua liderança maior emLeopoldo de Bulhões, sucedidos pelos Caiado, liderada porAntônio Ramos Caiado, com seu poder exercido até 1930.[25][20]
Com aRevolução de 1930, que levouGetúlio Vargas àPresidência do Brasil, foram registradas alterações no cenário político estadual. A oligarquia dominante no período, afamília Caiado, liderada porTotó Caiado, fora derrotada pela insurreição revolucionária do centro-oeste brasileiro encabeçada porArthur Bernardes.[28] Com a deposição dos governos locais, assumiu umtriunvirato provisório, seguido da nomeação dePedro Ludovico Teixeira comointerventor federal, cargo que ocuparia até 1945, último ano de governo da ditadura varguista.[28] Outra iniciativa surgida como resultado da revolução foi um plano de ação adotado pelo governo federal, para impulsionar o desenvolvimento e modernização do interior do país.
Uma das iniciativas surgidas como resultado da revolução foi um plano de ação criado pelo governo federal para impulsionar o desenvolvimento e modernização do interior do país com forte investimento estatal. Uma das transformações que edificaram o plano federal foi a mudança da capital de Goiás para um novo local, deslocando o aparato administrativo da influência das oligarquias locais. Influenciada pelos ideaispositivistas de “progresso e desenvolvimento”, e pelo pragmatismo político da revolução, tal ideia já havia sido cogitada anteriormente, mas jamais executada.[29]
O local da nova capital, cujo projeto foi lançado em 24 de outubro de 1933, foi escolhida tendo como critérios melhores condições hidrográficas, topográficas, climáticas e pela proximidade da estrada de ferro.[29] Em 7 de novembro de 1935, a mudança provisória da nova capital goiana foi iniciada. A futura capital se chamariaGoiânia. Em 23 de março de 1937, o Decreto n° 1.816 transfere definitivamente a sede do governo estadual da cidade de Goiás para Goiânia, a qual, cinco anos depois, já registrava 15 mil habitantes, atraídos principalmente do norte de Goiás e de estados próximos, como Minas Gerais, Piauí, Bahia e Maranhão.[25]
Cartaz publicitário anunciando a venda de lotes emGoiânia, à época da construção da cidade.Pedro Ludovico assina, em 1937, o decreto que transfere da capital de Goiás.
Goiás experimentou um crescimento acelerado em vários setores a partir da década de 1940, resultado de políticas adotadas pelos governos estadual e federal, como o desbravamento do Mato Grosso Goiano e a campanha nacional de "Marcha para o Oeste" — com a finalidade de povoação de áreas do interior do Brasil —, esta última resultando na construção deBrasília, em território anteriormente goiano, na década de 1950. A imigração para o estado se intensificou, a urbanização e o êxodo rural foram estimuladas, e a agropecuária se espalhou para outras partes do território, que não fossem apenas o sul. Entretanto, assim como outras partes do país, a industrialização ainda era incipiente e a economia era quase que integralmente dependente do setor primário (agricultura e pecuária), com a vigência do setor latifundiário.[19][25]
O processo de urbanização nas regiões sudoeste e sudeste de Goiás caracterizou-se pela formação de centros urbanos com população superior a 50 mil habitantes e forte base agropecuária. Os municípios de Jataí e Rio Verde, que desde a década de 1960 apresentavam expressivas taxas de crescimento urbano, consolidaram-se como polos de uma rede urbana regional. Paralelamente à expansão dessas cidades, ocorreu a transformação de áreas de pecuária extensiva em zonas de cultivo temporário, fenômeno que demandou, a partir desse período, um intenso processo de tecnificação agrícola. Esse movimento integra o contexto mais amplo da modernização da agricultura, impulsionado pela incorporação de insumos e equipamentos agrícolas importados, o que provocou mudanças significativas na estrutura econômica e produtiva regional.[30] Na segunda metade do século XX e primeiras décadas do século XXI, Goiás passou a ter um processo dinâmico de desenvolvimento, com forte participação estatal. Houve uma modernização na agricultura, que transformou um estado no grande produtor decommodities agrícolas que é hoje, como a soja, milho e cana. Houve uma rápida industrialização, inicialmente focada na agroindústria e posteriormente na indústria farmacêutica, química, automobilística e sucroalcooleira. Esse desenvolvimento foi acompanhado de um forte êxodo rural.[19]
Em contrapartida, como meio de estimular o desenvolvimento de outras áreas econômicas no estado (principalmente a industrialização), foram criados o Banco do Estado e a Centrais Elétricas de Goiás (CELG), na década de 1950.[25] Durante o governo deMauro Borges Teixeira (1961-1964), houve uma tentativa de descentralizar a economia, elaborando o "Plano de Desenvolvimento Econômico de Goiás", que funcionou como uma diretriz onde se abrangia áreas de agricultura e pecuária, transportes e comunicações, energia elétrica, educação e cultura, saúde e assistência social, levantamento de recursos naturais e turismo.[25] Mauro Borges, herdeiro político do personalismo cultivado por Pedro Ludovico, assumiu o comando do Estado por eleições democráticas a partir de um discursodesenvolvimentista e apoio de movimentos de base e tecnocratas, como operários, estudantes e funcionários. Ao longo de seu governo, se afastou do governo federal e do apadrinhamento de Pedro Ludovico, se tornando um importante apoiador do movimento golpista culminado em 1º de abril de 1964, que levou os militares ao poder dando início aoRegime Militar brasileiro (1964–1985).[31] Entretanto, a chamada "linha dura" do regime militar, diretora dos planos nacionais de reordenação política e combate às reformas e movimentos sociais de base, aliada aos antigos oligarcas e rivais políticos do governador do estado de Goiás, vira em Mauro Borges uma figura de oposição aos interesses do regime.[32] Em 26 de novembro de 1964, Borges foi retirado do cargo a partir de uma intervenção federal e sob acusações de liderar um "complexo plano subversivo", "comunista nos seus métodos de atuação" e "na seleção dos seus auxiliares mais íntimos".[33]
Em 1988, o norte de Goiás foi desmembrado para a criação do estado doTocantins.[19] O movimento localista do norte do estado que almejava a separação se amparou em uma reivindicação de formação histórico-cultural diferente do sul goiano. Enquanto esse teria conexões culturais e étnicas mais íntimas da região dotriângulo mineiro eoeste paulista, o primeiro teria se constituído a partir da ocupação nortista oriunda do da região paraense.[34]
A maioria do território estadual caracteriza-se por ter um relevo suave dechapadas e chapadões, consistindo de grandes superfícies aplainadas e talhadas em rochas cristalinas e sedimentares, entre 300 e 900 m de altitude.[20] As maiores altitudes estão no leste, com aChapada dos Veadeiros (onde se encontra o ponto mais alto de Goiás, com 1691 m de altitude).[36]
O relevo goiano constitui-se de cinco unidades. O alto planalto cristalino, no leste do estado, possui mais de 1000 m de altitude em alguns pontos, sendo a unidade de relevo mais alta de todo o Centro-Oeste, formando o divisor de águas entre as bacias do Paranaíba e Tocantins.[20] O planalto cristalino do Araguaia-Tocantins, no norte do estado, possui altitudes reduzidas, geralmente entre 300 e 600 m acima do nível do mar.[20] O planalto sedimentar do São Francisco, representado peloEspigão Mestre, é um vasto chapadão arenítico, no nordeste goiano, na divisa com a Bahia.[20] O planalto sedimentar do Paraná, no extremo sudoeste da unidade federativa, constitui-se por camadas sedimentares e basálticas ligeiramente inclinadas, de que resulta um relevo de grandes planuras escalonadas.[20] A planície aluvial do Médio Araguaia, na divisa com Mato Grosso, é uma ampla área inundável, sujeita à deposição periódica de aluviões.[20]
Com exceção da região do "Mato Grosso Goiano", onde domina uma pequena área de floresta tropical em que existem árvores de grande porte aproveitadas pela indústria, como omogno,jequitibá eperoba, o território goiano apresenta a típica vegetação doCerrado. Arbustos altos e árvores de galhos retorcidos de folha e casca grossas com raízes profundas formam boa parte da vegetação. Municípios comoGoiânia,Anápolis, bem como diversos outros localizados no sul do estado possuem estreitas faixas defloresta Atlântica, as quais, na maioria das vezes, cobrem margens de rios e grandes serras. Ao contrário das áreas decaatinga doNordeste brasileiro, o subsolo do cerrado apresenta água em abundância, embora o solo seja ácido, com alto teor de alumínio, e pouco fértil. Por esse motivo, na estação seca, parte das árvores perde as folhas para que suas raízes possam buscar a água presente no subsolo. Exemplos de árvores do cerrado são:lobeira,mangabeira,pequizeiro, e de algumas plantas medicinais, como acaroba e a quineira.[38]
O clima predominante em Goiás é otropical com estação seca (Aw naclassificação de Köppen-Geiger), com as temperaturas médias anuais variando de 23°C a 24°C ao norte, e 20°C a 21°C ao sul. A precipitação média anual atinge 1800 mm no oeste e vai diminuindo conforme vai para o leste para 1500 mm/ano. As chuvas estão bastante concentradas entre outubro e abril.[20][39][40] O clima tropical de altitude é registrado em regiões mais elevadas do estado, sobretudo na região deAnápolis e doentorno do Distrito Federal. As temperaturas são mais amenas quando comparadas com o tropical com estação seca, mas o regime pluvial é muito parecido.[20]
A expansão da agropecuária tem causado graves prejuízos ao cerrado goiano. As matas ciliares estão sendo destruídas e as reservas permanentes sendo desmatadas, para ceder espaço para o gado bovino e as plantações. Na região de nascentes doRio Araguaia, a implantação de pastagens fez surgir inúmeros focos de erosão provocados pelo desmatamento, causando asvoçorocas (valetas profundas causadas pelaerosão), praticamente incontroláveis, que atingem olençol freático. Algumas dessas valas chegam a medir 1,5 km de extensão, por 100 m de largura e 30 m de profundidade.[41]
Segundo ocenso 2022 doInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado de Goiás possui uma população de7 056 495 pessoas, sendo o mais populoso daRegião Centro-Oeste, das quais3 589 554 (50,87%) são mulheres e3 466 941 (49,13%) são homens. Quanto à situação de domicílio,6 576 104 (93,19%) residem em zonas urbanas e480 391 (6,81%) em zonas rurais. A taxa de alfabetização da população de 15 anos ou mais era de 94,51%.[44]
O território goiano é marcado tanto por vazios demográficos quanto por regiões de alta concentração populacional. As áreas mais densamente povoadas do estado são aRegião Metropolitana de Goiânia, com cerca de 2 milhões de habitantes,[45]Microrregião de Anápolis, com mais de meio milhão de habitantes, e oEntorno do Distrito Federal, com um pouco mais de 1 milhão de habitantes.[46][47]
Segundo o censo 2022, da população da unidade federativa acima de 10 anos, 51,92% se declararamcatólicos, 32,57% comoevangélicos, 8,40% comoirreligiosos, 2,10% comoespíritas, 0,52% comoumbandistas ecandomblecistas, 0,13% não sabe ou não declarou sua fé e 4,35% como outras religiões.[49]
Em Goiás se localiza o único município do Brasil onde a maior religião é oespiritismo:Palmelo, no sudeste do estado, onde, em 2022, 42,6% da população se declarou como sendo de tal fé.[50]
Segundo a divisão daIgreja Católica no Brasil, Goiás pertence à Regional Centro-Oeste e seu território é dividido em uma província eclesiástica, com sede naArquidiocese de Goiânia.[51]
Segundo o censo de 2022, assim a população goiana declarou sua cor de pele: 54,18% pardos, 36,24% brancos, 9,19% pretos, 0,24% amarelos e 0,15% indígenas.[44] De acordo com estudo genético autossômico de 2008, a composição (ancestralidade) da população de Goiás como um todo encontrar-se-ia assim descrita: 83,70% europeia, 13,30% africana e 3,0% indígena.[53][54] Durante operíodo colonial, a população goiana foi formada porportugueses,paulistas e outrosbrasileiros,negros escravizados,indígenas e mestiços.[20] A partir daindependência (1822), seguindo pelos séculos XIX ao XX, com a expansão na frente agropastoril em diferentes momentos, a província e posteriormente estado de Goiás recebeu migrantes vindos de outras partes do país, predominantemente deMinas Gerais,São Paulo,Bahia,Maranhão,Piauí,Pernambuco ePará. Essas migrações aumentaram ainda mais a miscigenação que formou a população estadual.[20][24][55]
Segundo o censo 2022, da população de Goiás, 7,04 milhões eram brasileiros natos, dos quais 5 milhões (71%) nasceram no próprio estado, 341 mil (4,9%) noDistrito Federal, 287 mil (4,1%) em Minas Gerais, 263 mil (3,7%) no Maranhão, 243 mil (3,5%) na Bahia, 150 mil (2,1%) noTocantins, 113 mil (1,6%) no Pará, 110 mil (1,6%) no Piauí, 108 mil (1,5%) em São Paulo, 75 mil (1%) noCeará, 53 mil nos estados sulistas (0,8%) e 300 mil (4,2%) em outros estados.[56] A população ameríndia de Goiás é de quase 20 mil indivíduos, havendo nove localidades indígenas segundo o IBGE no estado, nos municípios deMinaçu,Niquelândia,Aruanã,Rubiataba,Nova América,Caturaí eCatalão.[57]
Goiás é um estado dafederação, sendo governado por três poderes, oexecutivo, representado pelogovernador, olegislativo, representado pela Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, e ojudiciário, representado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás e outros tribunais e juízes. Também é permitida a participação popular nas decisões do governo através de referendos e plebiscitos.[58]
Goiânia é o município com o maior número de eleitores, com 958,4 mil destes. Em seguida aparecem Aparecida de Goiânia, com 277,6 mil eleitores, Anápolis, com 260,2 mil eleitores, Luziânia (117,7 mil eleitores), Rio Verde (114,8 mil eleitores) e Águas Lindas de Goiás, Trindade e Itumbiara, com 85,9 mil, 77,2 mil e 65,1 mil eleitores, respectivamente. O município com menor número de eleitores é Anhanguera, com 1,1 mil.[59]
As regiões geográficas intermediárias foram apresentadas em 2017, com a atualização da divisão regional do Brasil, e correspondem a uma revisão das antigas mesorregiões, que estavam em vigor desde adivisão de 1989. As regiões geográficas imediatas, por sua vez, substituíram as microrregiões.[62] Na divisão vigente até 2017, os municípios do estado estavam distribuídos em18 microrregiões e cinco mesorregiões, segundo o IBGE.[63]
A composição da economia do estado de Goiás está baseada na produçãoagrícola, napecuária, no comércio e nas indústrias demineração, alimentícia, de confecções, mobiliária, metalurgia e madeireira.Agropecuária é a atividade mais explorada no estado. Estas tendências do estado pode ser exemplificada por sua pauta de exportações que, em 2012, se baseou em Soja (21,59%), Milho (12,17%), Farelo de Soja (9,65%), Minério de Cobre (8,51%) e Carne Bovina Congelada (7,90%).[65]
Aagropecuária é a atividade mais explorada no estado e umas das principais responsáveis pelo rápido processo de agro - industrialização que Goiás vem experimentando. Privilegiado com terras férteis, água abundante, clima favorável e um amplo domínio na tecnologia de produção, o estado é um dos grandes exportadores de grãos, além de possuir um dos maiores rebanhos do país.[66] O estado de Goiás destaca-se na produção decana-de-açúcar,milho,soja,tomate,sorgo,feijão,girassol,alho, além de também produziralgodão,arroz,café etrigo. Em 2019, Goiás foi o 4º estado brasileiro com maior produção de grãos, 10% da produção nacional.[67]
A criação pecuária compreende 22,87 milhões debovinos (sendo o 2º maior rebanho do Brasil[66][68]), 1,053 milhões desuínos (6º maior rebanho no brasileiro[66]), 49,5 mil bufalinos, além de equinos,asininos (jumentos, mulas e burros),ovinos eaves (cerca de 90 milhões de galináceos - galos, galinhas, frangos e pintos - sendo o maior rebanho de aves do Centro-Oeste e o 6º no Brasil[69]). Em janeiro de 2019, Goiás ocupou a sexta posição entre os estados brasileiros no que diz respeito ao Valor Bruto da Produção (VBP), com valor agregado de 45,14 bilhões de reais.[66] Em 2016, Goiás foi o quarto maior produtor de leite, respondendo por 10,1% da produção de leite do país. O número de galinhas no Estado foi de 64,2 milhões de cabeças em 2015. A produção de ovos de galinha neste ano foi de 188 milhões de dúzias. Goiás foi o 9º maior produtor de ovos, 5% da produção nacional.[70]
O estado é rico em reservas minerais. O subsolo goiano apresenta grandes variedades de minérios, que dá condições economicamente muito favoráveis. Sendo os principais minérios oníquel,cobre,ouro,nióbio,alumínio (bauxita),calcário e ofosfato, sendo os principais municípios mineradoresNiquelândia,Barro Alto eCatalão. Goiás tinha, em 2017, 4,58% da participação na mineração nacional (3º lugar no país, somente atrás de Minas Gerais e Pará, os grandes estados mineradores do país). Noníquel, Goiás foi o maior produtor, tendo obtido 154 mil toneladas a um valor de R$ 1,4 bilhão.[71]
Goiás tinha em 2017 um PIB industrial de R$ 37,1 bilhões, equivalente a 3,1% da indústria nacional. Emprega 302.952 trabalhadores na indústria. Os principais setores industriais são: Construção (25,6%), Alimentos (25,2%), Serviços Industriais de Utilidade Pública, como Energia Elétrica e Água (17,2%) e Derivados do Petróleo e Biocombustíveis (7,4%) e Químicos (3,7%). Estes 5 setores concentram 79,1% da indústria do estado.[72]
Na década de 1990, foi criado emAnápolis um polo farmaquímico, responsável pela produção de matérias-primas para a indústria de medicamentos, uma vez que o município já contava com um polo farmacêutico. A instalação dos novos laboratórios farmaquímicos noDistrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA) contribui para a expansão do setor, um reflexo direto da aprovação daLei dos Medicamentos Genéricos, que possibilitou aos laboratórios ampliarem sua participação no mercado interno.[73]
O estado tem se tornado um importante polo automotivo. Nos últimos anos o estado tem atraído a instalação de novas montadoras de automóveis no Brasil. Já possui duas montadoras instaladas - a japonesaMitsubishi (MMC) na cidade deCatalão e a doGrupo CAOA emAnápolis, com a sul-coreanaHyundai e a sino-brasileira CAOAChery.[74] Em maio de 2011 foi assinado protocolo de intenção para a construção e instalação de uma unidade da montadora de automóveis japonesaSuzuki Motors.[75]
O turismo em Goiás é muito cosmopolitano, como as belezas naturais, como águas termais, locais intocados pelo homem do cerrado, grutas, cachoeiras, e temos também o turismo histórico, como emPirenópolis eCidade de Goiás, com seus monumentos históricos, e temos as festas tradicionais como ocorre em Pirenópolis, que é o caso dascavalhadas de Pirenópolis e aFesta do Divino de Pirenópolis.[76][77]
As águas termais encantam os turistas que vão paraCaldas Novas, hoje considerada uma das cidades turísticas mais visitadas do Brasil, por abrigar grandes hotéis de classe superior e o maior parque hidrotermal do mundo com suas águas que chegam a 58 °C, recebendo cerca de 300 mil turistas em época de fim de ano e cerca de 1 milhão durante o ano inteiro.[76][77]
Conforme dados de 2009, existiam no estado 3 011estabelecimentos hospitalares, com 15 271leitos.[78] Destes estabelecimentos hospitalares, 1 577 eram públicos, sendo 1 547 de caráter municipais, 19 de caráter estadual e 11 de caráter federal.[78] 1 434 estabelecimentos eram privados, sendo 1.369 com fins lucrativos e 65 sem fins lucrativos. 52 unidades de saúde eram especializadas, com internação total, e 2 200 unidades eram providas de atendimento ambulatorial.[78] Em 2005, 77% da população goiana tinha acesso à rede de água, enquanto apenas 36,6% tinha acesso à rede de esgoto sanitário.[79] Em 2009, verificou-se que o estado tinha um total de 393,1 habitantes por leitos hospitalares e, em 2005, registrou-se 11,4 médicos para cada grupo de 10 mil habitantes. A mortalidade infantil é de 18,9 a cada mil nascimentos, de acordo com dados de 2008.[79]
Uma pesquisa promovida peloIBGE em 2008 revelou que 75,8% da população do estado avalia suasaúde como boa ou muito boa; 66,8% da população realiza consulta médica periodicamente; 40,6% dos habitantes consultam odentista regularmente e 9,7% da população esteve internada em leito hospitalar nos últimos doze meses.[80] Ainda conforme dados da pesquisa, 31,6% dos habitantes declararam ter algumadoença crônica e 24,8% possuíam plano de saúde. Pouco mais da metade dos domicílios particulares no estado são cadastrados no programa Unidade de Saúde da Família: 52,4%.[80]
Na questão da saúde feminina, 36,6% das mulheres com mais de 40 anos fizeram exame clínico das mamas nos últimos doze meses; 49,1% das mulheres entre 50 e 69 anos fizeramexame demamografia nos últimos dois anos; e 80% das mulheres entre 25 e 59 anos fizeram exame preventivo paracâncer do colo do útero nos últimos três anos.[80]
Goiás possui uma extensa malha viária. Conta com 2 094 km de rodovias federais, 21 212 quilômetros de rodovias estaduais e 64 690 quilômetros de rodovias municipais, o que totaliza 87 996 quilômetros de rodovias. São mais de 13.000 km de estradas pavimentadas e cerca de 1.200 km de vias duplicadas. ABR-060 tem mais de 520 km duplicados entreBrasília,Goiânia eJataí. ABR-050 (que passa porCatalão, e liga cidades comoBrasília,Uberlândia,Uberaba eSantos) é quase totalmente duplicada no estado, com mais de 200 km de rodovias entreCristalina e a divisa com Minas Gerais. ABR-153 (que corta o estado de Norte a Sul, ligandoItumbiara, na divisa comMinas Gerais, aPorangatu, na divisa comTocantins) também está duplicada entre Goiânia e a divisa com Minas Gerais, havendo também um projeto para duplicá-la entreAnápolis e a divisa comTocantins.[87] Também há duas rodovias duplicadas que ligam Goiânia àBR-070 (que ligaBrasília aAragarças e aoMato Grosso.). A duplicação de rodovias no estado começou na década de 2000 e vem evoluindo constantemente desde então. Outra rodovia de destaque é aBR-040 que ligaBrasília aBelo Horizonte e aoRio de Janeiro conecta também, por sua vez, diversos municípios goianos comoCristalina,Luziânia,Valparaíso de Goiás.[88][89][90]
O transporte ferroviário era pouco utilizado em Goiás: o Estado possuía um trecho de linha férrea que interliga parte de Minas Gerais ao Sudeste de Goiás e um outro trecho que interliga o Sudeste Goiano à capital Goiânia passando porSenador Canedo, cidade na qual possui grande distribuidoras petrolíferas e abatedouros de grande porte junto a margem dessa ferrovia. Posteriormente, o Governo Federal começou as obras daFerrovia Norte-Sul com grande parte já pronta em Goiás, despontando do recém criado Porto Seco deAnápolis em direção ao Tocantins lado norte e lado sul indo em direção a Minas Gerais. A Ferrovia Norte-Sul está em construção desde 1985. Em 4 de março de 2021, a Rumo iniciou a operação no trecho entreSão Simão (GO) eEstrela d'Oeste (SP), após investimentos de 711 milhões de reais. Em São Simão foi construído um terminal com capacidade estática de 42 mil toneladas e capacidade de movimentar por ano, 5,5 milhões de toneladas de soja, milho e farelo de soja.[91] Já no dia 29 de maio de 2021, partiu do Terminal Multimodal deRio Verde (GO) a primeira composição ferroviária carregada com soja, com destino ao Porto de Santos. Esta viagem marcou a inauguração do trecho entre Rio Verde e São Simão (GO) com pouco mais de 200 km.[92]
O Estado de Goiás produziu grandes nomes na âmbito literário ao longo das décadas, dentre os quais vários atingiram projeção e influência nacional. Entre os mais aclamados escritores está a poetisaCora Coralina. O contistaHugo de Carvalho Ramos, que influenciouGuimarães Rosa eMonteiro Lobato,[98] foi considerado o autor do melhor livro do cânone literário goiano,Tropas e Boiadas, eleito por um júri de críticos, jornalistas, escritores e outras sumidades escolhidas pelo jornalO Popular. Além dos dois, merece destaque também o imortalBernardo Élis que atingiu a proeza de ser o primeiro e único goiano, até hoje, a ser membro daAcademia Brasileira de Letras (ABL), ocupando a Cadeira 1.[99] Apesar de Bernardo Élis ter sido o único a ingressar na ABL, a entidade também consagrou dois outros autores goianos com a maior premiação literária brasileira, oPrêmio Machado de Assis; são elesGilberto Mendonça Teles (1989)[100] eJosé J. Veiga (1997).[101]
No âmbito dasartes plásticas há alguns nomes do cenário goiano que atingiram prestígio nacional e, em alguns casos, internacional. Doperíodo barroco, um dos únicos nomes conhecidos em Goiás mas que ganhou projeção nacional foiVeiga Valle (1806-1874), cuja obra está no acervo doMuseu da Boa Morte nacidade de Goiás.[106] Ainda no século XIX, podemos citarAndré Antonio da Conceição, sobre o qual pouco se sabe, mas sua obra mais importante foi a pintura do forro da capela-mor da Igreja de São Francisco de Paula também emGoiás Velho.[107]
Empadão goiano: um dos mais apreciados pratos da culinária goiana.
A culinária goiana é bem diversificada, tendo incorporado elementos de diferentes povos. Dentre os pratos típicos, estão opeixe na telha, apamonha, o arroz com pequi, arroz com suã (espinha dorsal de porco) e oempadãogoiano. Muitos dos pratos típicos do estado levam frutos tradicionais do cerrado, como opequi e aguariroba.[116][117][118]
As quitandas, como são tradicionalmente conhecidos os biscoitos caseiros, são outro diferencial da culinária de Goiás, como o biscoito de queijo, biscoito doce (quebrador), bolo de senzala, bolo de fubá de arroz, broa de fubá, mané pelado e melado de cana. Os queijos também são destaque na gastronomia estadual, assim como os doces, que possuem uma variedade rica, com rapaduras temperadas (com leite, sidra, casca de laranja ou amendoim), doces de marmelada em caixeta, doce-de-leite, doce-de-ovo (ambrosia), doces de frutas cristalizadas (bastante famosos na cidade de Goiás) e doce de sidra ralada.[118][119]
Os temperos são muito diversificados sendo uma culinária rica em temperos comoaçafrão,gengibre epimenta, sendo este último empregado em quase todos os pratos salgados. Opequi, por exemplo, nas antigas vilas de Meia Ponte (hojePirenópolis), e Vila Boa, ainda no início do século XVIII, começou a ser utilizado na culinária de Goiás. Na região que circunda a cidade industrial deCatalão, o pequi era empregado tão somente na fabricação do sabão de pequi, de propriedades terapêuticas. Hoje já é comercializado em compota. O fruto pode ser degustado das mais variadas formas: cozido, no arroz, no frango, com macarrão, com peixe, com carnes, ao leite e na forma de um dos mais apreciados licores de Goiás.[118]
Além das celebrações religiosas, o estado também se destaca por suas diversas manifestações culturais, dentre as quais estão oFestival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), que acontece na antiga capital; o Canto da Primavera, em Pirenópolis; e a Mostra Nacional de Teatro, emPorangatu. Essas festividades, entre outras, mostram toda a riqueza cultural do estado e a valorização das expressões artísticas locais.[116] A principal dança do estado é acatira, mais tradicional nas zonas rurais.[116]
Ovôlei também é muito praticado pela população goiana ocupando a 3ª colocação na preferência, sendo o segundo colocado ofutsal. Um local onde o vôlei e o futsal são muito praticados é na cidade deAnápolis, possuindo o Ginásio Internacional com capacidade de sediar jogos oficiais. Orugby é o quarto colocado na preferência dos goianos, é esporte que mais cresce no país, muito por causa dasOlimpíadas de 2016. Ainda com a conclusão no NovoEstádio Olímpico, o rugby em Goiás tem muito a crescer. O rugby em Goiás é representado pela Federação Goiana de Rugby (FGRu), e tem como principais clubes:Goianos Rugby Clube, UFG Rugby, Gigantes Itumbiara Rugby e o Anápolis Rugby.[carece de fontes?]
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