Girondinos (do francêsgirondin, por ter sido formado em torno de deputados do departamento daGironda), também conhecidos comobrissotinos, era a denominação de um grupopolítico relativamente moderado daAssembleia Nacional, onde, juntamente com osjacobinos, deRobespierre, e oscordeliers, deDanton, representavam oTerceiro Estado) e daConvenção Nacional, chefiado porJacques Pierre Brissot, durante aRevolução Francesa. Algo interessante de ser mencionado é que a denominação “girondinos”, contudo, foi feita posteriormente pela historiografia — em 1842 o historiador Lamartine denominando tal grupo como girondinos. O que se entende por girondinos eram jacobinos com predominância de brissotinos (nomenclatura derivada do nome de um se seus líderes, Brissot), pois ambos os grupos eram provenientes do Clube Jacobino.[4] Seus membros pertenciam, em sua maioria, à burguesia provincial. Seu violento enfrentamento com o grupo dosmontanheses (ou jacobinos) dominou os primeiros meses da Convenção Nacional.
Na Convenção (1792–1795), os girondinos foram instalados do lado direito do plenário junto ao grupo da Montanha, composto de 24 deputados de Paris e outros. Os girondinos dominavam a Assembleia e, imediatamente, começaram a atacar aComuna de Paris e os "montanheses" (mais conhecidos como jacobinos), por considerá-los responsáveis pelosmassacres de setembro de 1792.Marat foi o primeiro implicado. Por outro lado, durante o processo deLuis XVI, os girondinos, que se opunham à condenação do rei, foram considerados pouco republicanos. Se enfraqueceram politicamente com a tentativa de fuga deLuís XVI. Afinal, sua posição contrária à instituição de um tribunal revolucionário comprometeu definitivamente os girondinos. A maioria dos Girondinos passou a apoiar o republicanismo moderado após o inicio da revolução.
Após a formação da república, a Assembleia se dividiu em grupos: osmontagnards (montanheses) ocupavam o setor mais alto do plenário, denominadoLa Montagne ("A Montanha"); osbrissotins (girondinos) e outros grupos ocupavam as partes baixas, sendo por isso chamados depeuple du marais ('povo do pântano') oupeuple de La Plaine ('povo da planície').
Em um clima dominado pelaguerra civil, Robespierre, com a ajuda do grupo Montanha e com apoio dossans-culottes (proletários parisienses) instituiu o regime doTerror, período caracterizado por processos sumários que frequentemente resultavam na condenação à morte naguilhotina. Tais processos, na maioria das vezes, envolviam personalidades políticas opostas aosjacobinos, de modo que, em outubro de 1793, vários líderes girondinos haviam sido eliminados.
Os girondinos eram os deputados dodepartamento daGironda, área próspera da costa atlântica, tendendo a representar os interesses comerciais e avisão de mundo daburguesia e, em menor escala, da nobreza ilustrada, mas também de setores de classe média e profissionais liberais. Em geral republicanos, seu apoio, contudo, oscilava entre amonarquia constitucional e arepública. Essa posição, favorável à conciliação com a monarquia e contra a condenação à morte do rei, levou-os à perdição quando a França foi invadida e foram encontrados documentos comprometedores envolvendo ações do monarca. Os girondinos mais representativos eram o deputado Brissot e o ministro Roland, em cuja casa, o salão da Madame Roland, reunia-se a elite dos girondinos e dos jacobinos. Em geral, eram defensores de uma políticarepublicana,liberal,federalista,abolicionista eanticlerical.
↑Gaspar, David Barry; Geggus, David Patrick (1997).A Turbulent Time: The French Revolution and the Greater Caribbean. [S.l.]:Indiana University Press. 262 páginas