Originalmente aplicado a todo oImpério Franco, o nome "França" vem dolatimFrancia, ou "terra dosfrancos".[17] Existem várias teorias quanto à origem do nome francos. Seguindo os precedentes deEdward Gibbon eJacob Grimm,[18] o nome dos francos foi associado à palavrafrank (livre) eminglês.[c] Sugeriu-se que o significado de "livre" fosse adotado porque, após a conquista da Gália, apenas os francos estavam livres da tributação romana.[19] Outra teoria é que ela é derivada da palavraprotogermânicafrankon, que se traduz como "dardo" ou "lança", visto que o machado usado pelos francos era conhecido comofrancisca.[20] No entanto, determinou-se que essas armas foram nomeadas devido à sua utilização pelos francos, ao invés do contrário.[21]
Os vestígios mais antigos dehominídeos no território que é agora a França datam de aproximadamente 1,8 milhão de anos atrás. Tendo sido confrontados por um clima severo e variável, marcado por váriaseras glaciais, esses primeiros hominídeos levavam uma vidanômade decaçadores-coletores. A França tem um grande número de cavernas decoradas daera paleolítica, incluindo uma das mais famosas e melhor preservadas:Lascaux (aproximadamente18 000 a.C.).[22]
No final doúltimo período glacial (10 000 a.C.), o clima tornou-se mais suave.[22] Por volta de7 000 a.C., esta parte daEuropa Ocidental entrou naera neolítica e seus habitantes se tornaram sedentários, após um forte desenvolvimento demográfico e agrícola entre o quarto e o terceiro milênios. Ametalurgia apareceu no final do terceiro milênio, inicialmente com trabalhos emouro,cobre ebronze e, mais tarde,ferro.[23] A França possui inúmeros sítiosmegalíticos do período neolítico, incluindo o local excepcionalmente denso dasRochas de Carnac (aproximadamente3 300 a.C.).[24]
Em600 a.C., osgregosjônicos, originários deFoceia, fundaram acolônia de Massália (atualMarselha), nas margens doMar Mediterrâneo, o que a torna a cidade mais antiga da França.[25][26] Ao mesmo tempo, algumas tribosceltasgaulesas penetraram em partes do território da atual da França e esta ocupação se espalhou para o resto da França entre os séculos IV eIII a.C.[27]
Muitas cidades foram fundadas durante o período galo-romano, incluindoLugduno (atualLião), que é considerada a capital dos gauleses. Estas cidades foram construídas em estilo romano tradicional, com umfórum, umteatro, umcirco, umanfiteatro ebanhos termais.[30]
Desde os anos 250 até os anos 280, a Gália romana sofreu uma grave crise, com as fronteiras fortificadas atacadas em várias ocasiões porbárbaros.[32] No entanto, a situação melhorou na primeira metade doséculo IV, que foi um período de reavivamento e prosperidade para a Gália romana.[33]
No final do período daAntiguidade, a antiga Gália estava dividida em vários reinos germânicos e um território galo-romano restante, conhecido como oReino de Soissons. Simultaneamente, osceltasbritanos, ao fugirem da invasãoanglo-saxã daGrã-Bretanha, estabeleceram-se na parte ocidental deArmórica. Como resultado, a península armórica foi renomeada paraBretanha, a cultura celta foi revivida e vários reinos pequenos independentes surgiram nessa região. Osfrancospagãos, de quem derivou o nome antigo de "Francie", estabeleceram-se originalmente na parte norte da Gália, mas sob a liderança deClóvis conquistaram a maioria dos outros reinos no norte e no centro da região. Em 498, Clóvis se tornou o primeiro conquistador germânico após aqueda do Império Romano a converter-se aocristianismo católico, em vez doarianismo; assim, a França recebeu o título de "filha mais velha da Igreja" (emfrancês:la fille aînée de l'Église) pelopapado.[37]
Os francos abraçaram a cultura galo-romana cristã e a Gália antiga foi finalmente renomeada paraFrância ("Terra dos Francos"). Os francos germânicos adotaram aslínguas românicas, exceto no norte da Gália, onde os assentamentos romanos eram menos densos e onde surgiramlínguas germânicas. Clóvis fez deParis a sua capital e estabeleceu adinastia merovíngia, mas seu reino não sobreviveria à sua morte. Os francos tratavam a terra puramente como uma possessão privada e a dividiam entre seus herdeiros; então quatro reinos surgiram depois de Clóvis: Paris,Orléans,Soissons eReims. Osúltimos reis merovíngios perderam poder para seusmordomos do palácio. Um deles,Carlos Martel, derrotou uma invasãoislâmica da Gália naBatalha de Tours (732) e obteve respeito e poder dentro dos reinos francos. Seu filho,Pepino, o Breve, usurpou a coroa da Frância dos merovíngios enfraquecidos e fundou adinastia carolíngia. O filho de Pepino,Carlos Magno, reuniu os reinos francos e construiu um vasto império em toda a Europa ocidental e central.[38]
A dinastia carolíngia governou a França até 987, quandoHugo Capeto, Duque da França e Conde de Paris, foi coroado oRei dos Francos.[41] Os seus descendentes — oscapetianos, aCasa de Valois e aCasa de Bourbon — unificaram progressivamente o país através das guerras e da herança dinástica noReino da França, que foi totalmente declarado em 1190 porFilipe II. A nobreza francesa desempenhou um papel proeminente na maioria dasCruzadas, a fim de restaurar o acesso cristão àTerra Santa. Os cruzados franceses constituíam a maior parte do fluxo constante de reforços ao longo do período de 200 anos das Cruzadas, de tal forma que osárabes se referiam uniformemente aos cruzados comofranj, sendo que pouco se importavam se realmente vinham da França. Os cruzados franceses também importaram alíngua francesa para oLevante, que se tornou alíngua franca dosEstados cruzados.[42] Os cavaleiros franceses também eram maioria nas ordens doHospitalários e dosTemplários. Estes últimos, em particular, possuíam várias propriedades em toda a França e, noséculo XIII, eram os principais banqueiros da coroa francesa, até queFilipe IV aniquilasse a ordem em 1307. ACruzada Albigense foi lançada em 1209 para eliminar oscátaros, consideradoshereges, da região sudoeste da França moderna. No final, os cátaros foram exterminados e o autônomoCondado de Toulouse foi anexado às terras da coroa francesa.[43]
Carlos IV morreu sem um herdeiro em 1328. De acordo com as regras dalei sálica, a coroa da França não podia passar para uma mulher nem a linhagem real poderia passar pela linhagem feminina. Consequentemente, a coroa passou paraFilipe de Valois, um primo de Carlos, e não através da linha feminina para o sobrinho de Carlos, Eduardo, que logo se tornariaEduardo III de Inglaterra. Durante o reinado de Filipe de Valois, a monarquia francesa atingiu o auge de seu poder medieval.[44]
O assento de Filipe no trono foi contestado por Eduardo III e, em 1337, na véspera da primeira onda daPeste Negra,[45]Inglaterra e França entraram em guerra, conflito que posteriormente seria conhecido comoGuerra dos Cem Anos.[46] Os limites exatos mudaram muito ao longo tempo, mas as propriedades francesas dosreis ingleses permaneceram extensas por décadas. Com líderes carismáticos, comoJoana d'Arc eLa Hire, fortes contra-ataques franceses conquistaram territórios continentais dos ingleses. Como o resto da Europa, a França foi fortemente atingida pela Peste Negra; metade dos 17 milhões de habitantes da França morreu no período.[47][48]
Sob o governo deLuís XIII, o energéticoCardeal de Richelieu promoveu a centralização do Estado e reforçou o poder real ao desarmar os detentores de poder doméstico na década de 1620. Ele sistematicamente destruiu castelos de senhores que desafiaram o poder central e denunciou o uso da violência privada (duelos, transporte de armas e manutenção de um exército privado). No final de 1620, Richelieu estabeleceu o "monopólio real da força" como doutrina.[50]
Luís XIV, o "Rei Sol", foi omonarca absoluto da França e fez do país a principal potência europeia
A monarquia atingiu seu pico noséculo XVII e no reinado deLuís XIV. Ao transformar os poderosossenhores feudais emcortesãos noPalácio de Versalhes, o poder pessoal de Luís XIV se tornou incontestável. Lembrado por suas numerosas guerras, ele fez da França a principal potência europeia. O país tornou-se o mais populoso da Europa e teve uma tremenda influência sobre a política, a economia e a cultura do continente. O francês tornou-se a língua mais utilizada nadiplomacia,ciência,literatura erelações internacionais e permaneceu com tal estatuto até oséculo XX.[51]
SobLuís XV, o bisneto de Luís XIV, a França perdeu aNova França e a maioria daÍndia Francesa após a derrota naGuerra dos Sete Anos, que terminou em 1763. Seuterritório europeu continuou crescendo, no entanto, com aquisições notáveis, comoLorena (1766) eCórsega (1770). O fraco governo do impopular Luís XV, com suas decisões financeiras, políticas e militares mal planejadas — assim como a devastação de sua corte — desacreditaram a monarquia, o que indiscutivelmente abriu o caminho para aRevolução Francesa, que ocorreria 15 anos após sua morte.[52][53]
Diante de problemas financeiros, o rei Luís XVI convocou osEstados-Gerais (reunindo as trêsestamentos do reino) em maio de 1789 para propor soluções para o governo. Na sequência de um impasse, os representantes doterceiro estado formaram-se numa Assembleia Nacional, sinalizando o surgimento daRevolução Francesa. No início de agosto de 1789, aAssembleia Nacional Constituinte aboliu os privilégios danobreza,[54] como a servidão pessoal e os direitos exclusivos de caça. Através daDeclaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (26 de agosto de 1789), a França estabeleceudireitos fundamentais para oshomens. A Declaração afirma "os direitos naturais e imprescritíveis do homem à liberdade, propriedade, segurança e resistência à opressão". Aliberdade de expressão e deimprensa foram declaradas e as prisões arbitrárias foram proibidas. Ela solicitou a destruição de privilégios aristocráticos e proclamou a liberdade e a igualdade de direitos para todos os homens, bem como o acesso a cargos públicos com base em talentos e não nascimento.[55]
Em novembro de 1789, a Assembleia decidiu nacionalizar e vender todos os bens daIgreja Católica Romana, que era o maior proprietário do país. Em julho de 1790, umaConstituição Civil do Clero reorganizou a Igreja Católica Francesa, cancelando a autoridade da Igreja para cobrar impostos e assim por diante.[56] Isto provocou um grande descontentamento em partes da França, o que contribuiria para a guerra civil que acabou alguns anos depois. Apesar do rei Luís XVI ainda gozar de popularidade entre a população, sua desastrosafuga de Varennes (junho de 1791) parecia justificar rumores de que ele amarrava as suas esperanças de salvação política às perspectivas de invasão estrangeira. Sua credibilidade foi tão profundamente minada que a abolição da monarquia e o estabelecimento de umarepública tornaram-se uma possibilidade crescente.[57]
A França tinha possessões coloniais, em várias formas, desde o início doséculo XVII, mas nos séculos XIX e XX, seuimpério colonial global ultramarino se estendeu muito e se tornou osegundo maior do mundo, atrás apenas doImpério Britânico. Incluindo aFrança metropolitana, a área total de terra sob soberania francesa atingiu quase 13 milhões de quilômetros quadrados nas décadas de 1920 e 1930, ou 8,6% da área terrestre do planeta.[66] Conhecida comoBelle Époque, a virada do século foi um período caracterizado por otimismo, paz regional, prosperidade econômica e inovações tecnológicas, científicas e culturais. Em 1905, osecularismo estatal foi oficialmente estabelecido.[67]
A França era membro daTríplice Entente quando aPrimeira Guerra Mundial estourou. Uma pequena parte do norte da França estava ocupada, mas a França e seus aliados emergiram vitoriosos contra osImpérios Centrais com um tremendo custo humano e material. A Primeira Guerra Mundial deixou 1,4 milhão de soldados franceses mortos, ou 4% de sua população.[68] Entre 27% e 30% dos soldados recrutados de 1912 a 1915 foram mortos.[69] Os anos doEntreguerras foram marcados por intensas tensões internacionais e uma variedade de reformas sociais introduzidas pelo governo daFrente Popular (férias anuais, dias úteis de oito horas, mulheres no governo, etc.).[70]
O GPRF estabeleceu as bases para uma nova ordem constitucional que resultou naQuarta República Francesa, que passou por um crescimento econômico espetacular (les Trente Glorieuses). A França foi um dos membros fundadores daOrganização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 1949. O país tentou recuperar o controle daIndochina francesa, mas foi derrotada peloViet Minh em 1954 naBatalha de Dien Bien Phu. Apenas alguns meses depois, a França enfrentou outro conflitoanticolonialna Argélia.Tortura e execuções ilegais foram cometidas por ambos os lados e o debate sobre o controle daArgélia, então casa de mais de um milhão decolonos europeus,[77] dividiu o país e quase levou a um golpe e a uma guerra civil.[78] Em 1958, a fraca e instável Quarta República deu lugar àQuinta República Francesa, que incluiu uma Presidência fortalecida.[79]
A França permaneceu como uma daseconomias mais desenvolvidas do mundo, mas enfrentou várias crises econômicas que resultaram em altas taxas dedesemprego e aumento dadívida pública. No final doséculo XX e início do XXI, a França esteve na vanguarda do desenvolvimento de umaUnião Europeia (UE)supranacional ao assinar oTratado de Maastricht (que criou a UE) em 1992, ao estabelecer aZona do Euro em 1999 e ao assinar oTratado de Lisboa em 2007.[80] O país também gradualmente reintegrou-se à OTAN e desde então participou da maioria das guerras patrocinadas pela organização.[81]
A área total terrestre da França, com seus departamentos e territórios ultramarinos (excluindoTerra de Adélia), é de 674 843 quilômetros quadrados, 0,45% da área total daTerra. Contudo, a França possui a segunda maiorzona econômica exclusiva (ZEE) do mundo,[93] que abrange 11,035 km², cerca de 8% da superfície total de todos as ZEE do mundo, atrás apenas dosEstados Unidos (11 351 000 km²) e à frente daAustrália (8 232 000 km²).[e]
A França temtemperaturas amenas o ano todo. As chuvas são abundantes, o sol generoso. É mais fresco e úmido a norte e a oeste; mais quente e seco nas cidades do Mediterrâneo.[94]
O norte e o noroeste do país têm um clima temperado, enquanto uma combinação de influências marítimas, latitude e altitude produzem um clima variado no resto da França metropolitana.[95] No sudeste prevalece oclima mediterrâneo. No oeste, o clima é predominantementeoceânico, com um elevado nível depluviosidade,invernos suaves everões quentes. No interior o clima torna-se maiscontinental, com verões quentes e tempestuosos, invernos mais frios e menos chuva. O clima dosAlpes e de outras regiões montanhosas é principalmentealpino, com o número de dias com temperaturas abaixo de zero passando de 150 por ano e com uma cobertura de neve com duração de até seis meses.[94]
No inverno, aneve nas montanhas possibilita a prática de esportes de inverno. A neve é rara nas planícies, caindo essencialmente a norte do rio Loire e, esporadicamente, em Paris. Na primavera, as temperaturas são acima de 20graus Celsius (°C) no sul, como em Nice e Cannes. De junho em diante, pode-se andar pelas ruas sem agasalho. Os dias são mais longos, época para viagens ao campo, montanhas e para atividades ao ar livre. O verão é quente e calmo. O sol predomina em todo o país. A temperatura chega, muitas vezes, a 30 °C em Marselha e a 25 °C emBrest. No outono regressa a chuva, depois as temperaturas amenas no mês de dezembro. Nas ruas, as pessoas se agasalham e os dias vão ficando mais curtos.[94][96]
A população estimada da França em janeiro de 2025 era de aproximadamente 68,6 milhões de pessoas,[2] das quais 66 milhões habitavam aFrança Metropolitana,[97] com uma densidade de 118 habitantes por quilômetros quadrado,[98] 2,6 milhões habitam aFrança ultramarina,[99] incluindo uma comunidade de dois mil cientistas e investigadores destacados naAntártida.[d]
Aesperança de vida ao nascer é de 85,2 anos para as mulheres e 79,3 anos para os homens.[103] Os homens tendem a ter empregos a tempo completo, enquanto nas mulheres tende a ser parcial. Na França, as férias legais pagas somam cinco semanas para cada ano de trabalho. A França é considerada como um dos países com melhorqualidade de vida do planeta. Sua população desfruta de um alto grau de serviços e o índice desaúde é um dos melhores do mundo.[104]
A população é composta por descendentes de vários grupos étnicos, principalmente de origemcelta (mas tambémlígure eibero), fundamentalmentegauleses aglutinados com a população precedente, que deram à região o nome deGália (que hoje é a França), que incluía também o que é hoje aBélgica,Suíça eLuxemburgo. Cronologicamente, foram-se somando outros grupos étnicos: no processo histórico formativo da França atual, são também significativas as populações de origemgrega,romana,basca,germânica (principalmente defrancos, como também deburgúndios),viking (naNormandia) e, em menor medida, ossarracenos.[f][g]
A imigração em larga escala ao longo do último século e meio levou a uma sociedade mais multicultural; a partir da Revolução Francesa e posteriormente codificada na Constituição Francesa de 1958, o governo está proibido de coletar dados sobre etnia e ascendência; a maior parte das informações demográficas é obtida de organizações do setor privado ou instituições acadêmicas. Em 2004, oInstitut Montaigne estimou que, na França Metropolitana, 51 milhões de pessoas eramfranceses brancos (85% da população), 2,4 milhões erameuropeus (32% dos imigrantes na França e 3,64% da população em geral), seis milhões eram de origem africana noroeste (10% da população), dois milhões eram negras (3,3% da população) e um milhão eram asiáticas (1,7% da população).[107][108]
França é um país secular e aliberdade de religião é um direito constitucional. Desde 1905 o governo francês tem seguido o princípio dalaicidade, em que é proibido de reconhecer qualquer direito específico de uma comunidade religiosa. Em vez disso, o governo apenas reconhece as organizações religiosas, de acordo com critérios formais legais que não tratam a doutrina religiosa. Por outro lado, as organizações religiosas devem abster-se de intervir na elaboração de políticas.[116] Sendo assim, a França não mantém estatísticas oficiais sobre adesão religiosa, no entanto existem algumas estimativas não oficiais.
Ocatolicismo romano tem sido areligião predominante há mais de um milênio, embora não seja tão ativamente praticado hoje como era antes. Uma pesquisa realizada pelo jornal católicoLa Croix descobriu que, enquanto em 1965, 81% dos franceses se declaravam como católicos, em 2009 essa proporção era de 64%. Além disso, embora 27% dos franceses iam à missa uma vez por semana ou mais em 1952, apenas 4,5% o fizeram em 2006; 15,2% assistiam à missa pelo menos uma vez por mês.[117] O mesmo estudo constatou que osprotestantes responderam por 3% da população, um aumento em relação às pesquisas anteriores e 5% seguiam outras religiões, sendo que os restantes 28% declarando que não tinhamnenhuma religião.[117]
De acordo com pesquisa doEurobarômetro, de 2005,[119] 34% dos cidadãos franceses responderam que "acreditam que existe um deus", enquanto 27% responderam que "acreditam que existe algum tipo de espírito ou força vital e 33% que "não acredito que haja qualquer tipo de espírito, deus, ou força vital." Um outro estudo mostra 32% de pessoas na França se declaram como ateus e outros 32% declaram-se como "cético sobre a existência de Deus, mas não um ateu."[120] Segundo pesquisa de 2010, também do Eurobarômetro, a França é o país mais ateu da Europa, com 40% da sua população não acreditando na existência de um deus; 27% dos franceses disseram crer em algum deus, ao passo que 27% acreditavam em algum tipo de espírito ou força vital.[121]
Em uma sondagem de janeiro de 2007 realizada pelaCatholic World News,[122] apenas 5% da população francesa frequentava a igreja regularmente (ou 10% frequentam os serviços da igreja regularmente entre os entrevistados que se identificaram como católicos). A pesquisa mostrou que 51% dos entrevistados se identificou comocatólicos, 31% se identificou comoagnósticos ouateus (outra pesquisa[123] define a proporção deateus como igual a 27%), 10% se identificou como sendo de outras religiões ou sem opinião, 4% identificados comomuçulmanos, 3% se identificaram comoprotestantes, 1% se identificaram comobudistas e 1% se identificaram comojudeus.[124] Enquanto isso, uma estimativa independente do politologista Pierre Bréchon, em 2009, concluiu que a proporção de católicos havia caído para 42% enquanto o número de ateus e agnósticos havia subido para 50%.[125]
Valores mais recentes da World Christian Database datados de 2010 e divulgados pelosite The ARDA mostram que 68,23% dos franceses são seguidores docristianismo, 16,41% são agnósticos, 8,55% são muçulmanos, os ateus são 4,13%, os judeus 1% e outras religiões são seguidas por 1,67% da população.[126] De acordo com oFórum Pew, "na França, os defensores de uma lei de 2004 que proíbe o uso de símbolos religiosos nas escolas dizem que protegem as meninas muçulmanas de serem forçadas a usar um lenço na cabeça, mas a lei também restringe aqueles que querem usar o véu — ou qualquer outro símbolo "conspícuo" religioso, incluindo grandes cruzes cristãs e turbantes dosiquismo — como expressão de sua fé."[127]
As estimativas do número demuçulmanos na França variam amplamente. De acordo com o censo francês de 1999, havia 3,7 milhões de pessoas "provavelmente de fé muçulmana" na França (6,3% da população total). Em 2003, o Ministério do Interior francês estimou que o número total de muçulmanos estava entre cinco e seis milhões (8–10%).[128][129]
Apesar disto, esta imposição do francês tem sido fruto de decisões políticas tomadas ao longo da história, com o objetivo de criar um Estado uniformizado linguisticamente. Feito isto, o artigo segundo da constituição francesa de 1958 disse textualmente que «La langue de la République est le français».[133]
A Assembleia tem o poder de demitir o gabinete e, assim, a maioria na Assembleia determina a escolha do governo. Ossenadores são escolhidos por umcolégio eleitoral para mandatos de seis anos (inicialmente nove termos homólogos), e metade dos assentos são submetidos à eleição três cada três anos.[143] Os poderes legislativos do Senado são limitados; em caso de desacordo entre as duas câmaras, a Assembleia Nacional tem a palavra final, exceto para as leis constitucionais elois organiques (leis que são diretamente previstas pela Constituição), em alguns casos.[144]
Na França usa-se osistema romano-germânico,[89] isto é, a lei surge principalmente a partir de estatutos escritos. Os juízes não fazem leis, mas apenas as interpretam, embora a quantidade de interpretação judicial em determinadas áreas faça com que seja equivalente àjurisprudência. Os princípios básicos doEstado de direito foram estabelecidas noCódigo de Napoleão, que era, por sua vez, em grande parte, baseado na lei real codificada no reinado deLuís XIV. De acordo com os princípios daDeclaração dos Direitos do Homem e do Cidadão a lei só deve proibir as ações prejudiciais à sociedade.[146]
A lei francesa é dividida em duas áreas principais: odireito privado e odireito público. O direito privado inclui, na lei, nomeadamente o direito penal e civil. O direito público inclui, na lei, designadamente o direitos administrativo e constitucional. No entanto, em termos práticos, a lei francesa compreende três principais áreas do direito: direito civil, direito penal e direito administrativo.[147]
A França não reconhece alei religiosa, nem reconhece crenças religiosas ou a moralidade como uma motivação para a promulgação de proibições. Como consequência, a França há muito tempo não tem qualquer lei deblasfêmia nem leis contra asodomia (a última sendo abolida em 1791). No entanto, "os crimes contra a decência pública" (moeurs contraires aux bonnes) ou perturbação daordem pública (rouble à l'ordre public) foram usados para reprimir manifestações públicas dehomossexualidade ou a prostituição de rua. Leis penais só podem abordar o futuro e não o passado criminal (leisex post facto são proibidas), e para serem aplicáveis, as leis devem ser oficialmente publicadas noJournal Officiel de la République française. Em 2010, a França aprovou uma lei que proíbe véus de rosto em público, incluindo aqueles usados pelas mulheresmuçulmanas. AAnistia Internacional condenou a lei como uma violação daliberdade de expressão.[148] Em setembro de 2011, duas mulheres muçulmanas foram multadas por usar onicabe, mas elas recorreram das multas.[149]
A dissuasãonuclear francesa conta com total independência. A corrente de força nuclear francesa é composta por quatro submarinos da classeTriomphant equipados commísseis balísticos. Além da frota de submarinos, estima-se que a França tenha cerca de sessentamísseis ar-superfícieASMP de médio alcance equipados com ogivas nucleares, dos quais cerca de 50 são usados pela Força Aérea em caçasDassault Mirage 2000N, de longo alcance e com capacidade nuclear, enquanto cerca de dez estão implantados em aeronaves de ataqueDassault-Breguet Super Étendard da Marinha, que operam a partir doporta-aviões de propulsão nuclearCharles de Gaulle. A nova aeronaveRafale F3 irá substituir gradualmente todos os Mirage 2000N e SEM no uso nuclear com a melhoria do míssilASMP-A com uma ogiva nuclear.[167]
Destas 18 divisões administrativas, 13 regiões estão naFrança metropolitana (incluindo a coletividadeCorsica),[172] e cinco regiões estão localizadas naFrança ultramarina. As regiões são subdivididas em 101 departamentos,[173] que são, em sua maioria, numeradas alfabeticamente. Esse número é usado em códigos postais e já foi usado em números de placas de veículos. Entre os 101 departamentos da França, cinco (Guiana Francesa,Guadalupe,Martinica,Mayotte eReunião) estão em regiões de ultramar (ROMs) que estão, simultaneamente, em departamentos de ultramar (DOMs).
As regiões, departamentos e comunas são todas conhecidas comocoletividades territoriais, o que significa que eles possuem assembleias locais, bem como um executivo. Arrondissements e cantões são meramente divisões administrativas. Porém, esse nem sempre foi o caso. Até 1940, osarrondissements eram coletividades territoriais com uma assembleia eleita, mas esses foram suspendidos peloRegime de Vichy e definitivamente abolidos pelaQuarta República Francesa em 1946.
Desde as leis de descentralização de 1982, cada região comporta um Conselho Regional (eleito por 6 anos). Na Córsega, é uma Assembleia Territorial. Quanto ao Presidente (Préfet) de Região, ele coordena a ação do Governo nos diferentes departamentos.
Um membroG8, grupo líder dos principais países industrializados, o país é classificado como asétima maior economia do mundo e segunda maior da Europa é porPIB nominal;[176] com 39 das 500 maiores empresas do mundo em 2010, a França ocupava o quarto lugar no mundo e o primeiro naEuropa na listaFortune Global 500, à frente daAlemanha e doReino Unido. A França se juntou aos onze outros membros daUnião Europeia para criar oeuro em 1 de janeiro de 1999, substituindo completamente ofranco francês no início de 2002.[177]
A França tem umaeconomia mista que combina a iniciativa privada extensa (cerca de 2,5 milhões de empresas registradas)[178][179] com substanciais (embora em declínio[180]) empresas estatais e intervenção do governo. O governo mantém considerável influência sobre segmentos-chave dos setores de infraestrutura, com participação majoritária emestradas de ferro,eletricidade,aviões,usinas nucleares etelecomunicações.[180]
O país vem relaxando gradualmente o controle sobre estes setores desde o início dos anos 1990.[180] O governo está lentamente corporatizando o setor estatal e vendendo participações naOrange S.A.,Air France, assim como ações, seguros e indústrias de defesa.[180] A França tem uma importante indústria aeroespacial liderada pelo consórcio europeuAirbus e tem o seu próprioespaçoporto nacional, oCentro Espacial de Kourou.[181][182] Em 2019, a França tinha a 8.ª indústria mais valiosa do mundo (266,6 bilhões de dólares), de acordo com oBanco Mundial.[183]
Segundo aOrganização Mundial do Comércio (OMC), em 2020, a França foi sexto maiorexportador do mundo e o sétimo maiorimportador de produtos manufaturados.[184][185][186] Em 2008, o país foi o terceiro maior destinatário de investimentos estrangeiros diretos nos países daOCDE em 117,9 bilhões dedólares, atrás deLuxemburgo (onde o investimento estrangeiro direto foi de transferências essencialmente monetárias aos bancos localizados no país) e dosEstados Unidos (316,1 bilhões de dólares), mas acima doReino Unido (96,9 bilhões de dólares),Alemanha (24,9 bilhões de dólares) eJapão (24,4 bilhões de dólares).[187][188] No mesmo ano, as empresas francesas investiram 220 000 milhões de dólares fora do país, classificando-o como o segundo mais importante investidor externo direto no âmbito daOCDE, atrás dos Estados Unidos (311,8 bilhões de dólares) e à frente do Reino Unido (111,4 bilhões de dólares), Japão (128 bilhões de dólares) e Alemanha (156,5 bilhões de dólares).[187][188]
As empresas francesas mantiveram posições-chave na indústria de seguros e bancária: aAXA é a maior empresa do mundo seguro e está classificada pela revistaFortune como a nona empresa mais lucrativa do mundo. Os principais bancos franceses sãoBNP Paribas e oCrédit Agricole, classificados como primeiro e sexto maiores bancos do mundo em 2010.[191]
Com 81,9 milhões de turistas estrangeiros em 2007, a França é classificada como o maior destino turístico do mundo, à frente daEspanha (58,5 milhões em 2006) eEstados Unidos (51,1 milhões em 2006). Este valor de 81,9 milhões de pessoas exclui aquelas que ficam menos de 24 horas na França, como europeus do norte cruzando a França a caminho de Espanha ou da Itália durante o verão.[192]
A França tem 41 locais classificados comoPatrimônio Mundial da UNESCO e apresenta cidades de interesse cultural elevado (principalmenteParis, além deToulouse,Estrasburgo,Bordéus,Lyon e outros), praias e balneários, estâncias de esqui e regiões rurais. O país e, especialmente a sua capital, tem alguns dos maiores e mais renomados museus do mundo, incluindo oLouvre, que é o museu de arte mais visitado no mundo, além doMusée d'Orsay, principalmente dedicado aoimpressionismo, e oBeaubourg, dedicado àarte contemporânea. ADisneyland Paris é oparque temático mais popular da França e de toda a Europa, com mais 15 405 000 visitantes em 2009.[193]
Com mais de 10 milhões de turistas por ano, aRiviera Francesa (ouCôte d'Azur), no sudeste da França, é o segundo principal destino turístico no país, após aregião parisiense.[194] De acordo com a Agência de Desenvolvimento EconômicoCôte d'Azur, a região é beneficiada por 300 dias de sol por ano, 115 quilômetros de litoral, 18 campos de golfe, 14 estações de esqui e três mil restaurantes.[195] Todos os anos aCôte d'Azur hospeda 50% da frota mundial deiates luxuosos, sendo que 90% desses iates visitam costa da região pelo menos uma vez na vida.[195]
A França é o menor emissor dedióxido de carbono entre os sete países mais industrializados do mundo, devido ao seu forte investimento emenergia nuclear.[198] Como resultado de grandes investimentos em tecnologia nuclear, a maior parte da eletricidade produzida no país é gerada por 59usinas nucleares (78% em 2006, a partir de apenas 8% em 1973, 24% em 1980, e 75% em 1990).[199] Em 2021, a França tinha, em energia elétrica renovável instalada, 25 712 MW emenergia hidroelétrica (10.º maior do mundo), 18 676 MW emenergia eólica (8.º maior do mundo), 14 718 MW emenergia solar (11.º maior do mundo), e 1 362 MW embiomassa.[200]
A redeferroviária da França, que se estende por 29.213 quilômetros, é a mais extensa daEuropa Ocidental. É operada pelaSNCF, e ostrens de alta velocidade incluem oThalys,Eurostar eTGV, que viaja a 320 quilômetros por hora em uso comercial. O Eurostar, juntamente com o Serviço de Transferência do Eurotúnel, conecta-se com oReino Unido através doTúnel da Mancha. As ligações ferroviárias estendem-se para todos os outros países vizinhos naEuropa, com exceção deAndorra. Ligações intraurbanas também são bem desenvolvidas, com os serviços demetrô ebondes complementando os serviços deônibus.[201]
Há aproximadamente 893 300 quilômetros derodovias utilizáveis na França. A região de Paris está envolvida com uma rede densa deestradas e rodovias que a ligam com praticamente todas as partes do país. Estradas francesas também lidam com um importante tráfego internacional, conectando-se com cidades da vizinhaBélgica,Espanha, Andorra,Mônaco,Suíça,Alemanha eItália. Não há taxa de matrícula anual ou estrada fiscal, entretanto, o uso daautoestrada é através depedágios, exceto nas imediações dos municípios de grandes dimensões. O mercado de carros novos é dominado por marcas domésticas como aRenault (27% dos carros vendidos na França, em 2003),Peugeot (20,1%) eCitroën (13,5%).[202] Mais de 70% dos carros novos vendidos em 2004, tinhammotores a diesel, muito mais do que continhagasolina ou aGPL.[203] A França também possui a ponte mais alta estrada do mundo: oViaduto de Millau, e construiu muitas pontes importantes, como aPonte da Normandia.[204][205]
Há cerca de 478aeroportos na França, incluindo campos de pouso. OAeroporto de Paris-Charles de Gaulle, situado nos arredores deParis, é o maior e mais movimentado aeroporto do país, e manipula grande maioria do tráfego popular e comercial do país e liga Paris com praticamente todas as grandescidades em todo o mundo. AAir France é a companhia aérea nacional, apesar de numerosas companhias aéreas privadas que fornecem serviços de viagens domésticas e internacionais. Há dez principaisportos na França, a maior das quais é, emMarselha, que também é a maior fronteira com oMar Mediterrâneo. 14 932 quilômetros de canais atravessam a França, incluindo oCanal du Midi, que liga o Mar Mediterrâneo aoOceano Atlântico através dorio Garona.[206]
Em 1802,Napoleão Bonaparte criou olycée.[207] No entanto, éJules Ferry que é considerado o pai da moderna escola francesa, que é gratuita, laica e obrigatória até aos 13 anos de idade desde 1882[208] (o comparecimento escolar na França agora é obrigatório até os 16 anos de idade[209]).
A educação primária e secundária são predominantemente públicas, administradas pelo Ministério da Educação Nacional. Osistema educacional francês é subdividido em cinco diferentes níveis:École Maternelle (pré-escola, de 2 a 5 anos);École Primaire ou Élementaire (5 primeiros anos doensino fundamental, de 6 a 10 anos);Collège (4 últimos anos do ensino fundamental, entre 11 e 15 anos);Lycée (Ensino médio, entre 16 e 18 anos) eUniversité (Universidade).[211]
O período doIluminismo foi marcado pelo trabalho do biólogoBuffon e do químicoLavoisier, que descobriu o papel dooxigênio nacombustão, enquantoDiderot eD'Alembert publicaram aEncyclopédie, que tinha como objetivo dar acesso ao "conhecimento útil" para o povo, um conhecimento que possam aplicar à sua vida cotidiana.[215]
O sistema de saúde francês ficou em primeiro lugar a nível mundial de acordo com aOrganização Mundial de Saúde em 1997[219] e depois novamente em 2000.[104] O sistema de saúde é geralmente livre para as pessoas afetadas pordoenças crônicas (Affections de longues durées), tais comocâncer,AIDS oufibrose cística. Aexpectativa de vida média ao nascer é de 77 anos para homens e 84 anos para as mulheres, uma das mais altas daUnião Europeia.[220] Existem 3,22 médicos para cada 1 000 habitantes na França,[221] enquanto que o gasto médioper capita de saúde foi de 4 719 de dólares em 2008.[222] Em 2007 existiam cerca de 140 mil habitantes (0,4%) da França que viviam comHIV/AIDS.[180]
Apesar de osfranceses terem a reputação de ser um dos povos mais magros entre ospaíses desenvolvidos,[223][224][225][226][227][228] a França, como outros países ricos, enfrenta umaepidemia crescente e recente deobesidade, principalmente devido à substituição daculinária tradicional francesa saudável porjunk food nos hábitos alimentares franceses.[223][224][229] No entanto, a taxa de obesidade francesa é muito inferior a dosEstados Unidos (por exemplo, taxa de obesidade na França é a mesma que a estadunidense era na década de 1970[224]) e ainda é a mais baixa daEuropa,[226][229] mas agora é considerada pelas autoridades como um dos principais problemas de saúde pública[230] e é ferozmente combatida; taxas de obesidade infantil estão a abrandar na França, enquanto continua a crescer em outros países.[231]
A França tem sido um centro de criação cultural por séculos. Muitos artistas franceses estiveram entre os mais famosos de seu tempo e a França ainda é reconhecida no mundo pela sua rica tradição cultural. Os sucessivos regimes políticos que sempre promoveram a criação artística e a criação do Ministério da Cultura em 1959 ajudaram a preservar o patrimônio cultural do país e torná-lo disponível ao público. O Ministério da Cultura tem sido muito ativo desde a sua criação na concessão de subsídios aos artistas, promovendo acultura francesa no mundo, apoiando festivais e eventos culturais, além de proteger monumentos históricos. O governo francês também conseguiu manter uma exceção cultural para defender produtos audiovisuais feitos no país.[232]
A França recebe o maior número de turistas por ano, em grande parte graças aos inúmeros estabelecimentos culturais e edifícios históricos implantados em todo o seu território. Dispõe de 1 200 museus que recebem mais de 50 milhões de pessoas anualmente.[233]
Os locais culturais mais importantes são mantidos pelo governo, por exemplo, através da agência pública do Centro Nacional de Monumentos, que tem cerca de uma centena de monumentos históricos nacionais sob seu cuidado. Os 43 180 edifícios protegidos como monumentos históricos incluem principalmente residências (muitos castelos) e edifícios religiosos (catedrais, basílicas, igrejas, etc.), mas também estátuas, memoriais e jardins. AUNESCO inscreveu 37 locais na França comoPatrimônios Mundiais.[234]
As primeiras manifestações artísticas vêm doperíodo pré-histórico, em estilo franco-cantábrico. A épocacarolíngia marca o nascimento de uma escola de iluminadores que se prolongará ao longo de toda a Idade Média, culminando nas ilustrações do livroAs Horas Muito Ricas do duque de Berry. Os pintores clássicos doséculo XVII francês são:Poussin eLorrain.[235]
Muitos museus na França são inteiramente ou parcialmente dedicados a esculturas e obras de pintura. Uma enorme coleção de obras antigas criadas antes ou durante oséculo XVIII são exibidas noMuseu do Louvre, como aMona Lisa, também conhecido comoLa Joconde. Enquanto oPalácio do Louvre tem sido durante muito tempo um museu, oMuseu d'Orsay foi inaugurado em 1986 na antiga estação ferroviária Gare d'Orsay, em uma grande reorganização de coleções de arte nacionais, para reunir pinturas francesas da segunda parte de oséculo XIX (principalmente movimentos de impressionismo e fauvismo).[240][241]. Outro grande museu impressionista é oMusée de l'Orangerie, que contém várias obras de Claude Monet e outrosimpressionistas franceses.[242] Asobras modernas são apresentadas noMusée National d'Art Moderne, que se mudou em 1976 para oCentro Georges Pompidou. Esses três museus estatais recebem cerca de 17 milhões de pessoas por ano. Outros museus nacionais que hospedam pinturas incluem oGrand Palais (1,3 milhão de visitantes em 2008), mas também há muitos museus pertencentes a cidades, sendo o mais visitado oMusée d'Art Moderne de la Ville de Paris (800 mil visitantes em 2008), que hospedaobras contemporâneas.[243]
A literatura francesa mais antiga data daIdade Média, quando o que agora é conhecido como a França moderna ainda não tinha uma linguagem única e uniforme.[244] Um importante escritor doséculo XVI foiFrançois Rabelais, cujo romanceGargantua e Pantagruel permaneceu famoso e apreciado até os dias atuais.Michel de Montaigne foi a outra grande figura da literatura francesa durante esse século. O seu trabalho mais famoso,Ensaios, criou o gênero literário do ensaio.[245]
Durante oséculo XVII,Madame de La Fayette publicou anonimamenteLa Princesse de Clèves, uma novela que é considerada um dos primeirosromances psicológicos de todos os tempos.[246]Jean de La Fontaine é um dosfabulistas mais famosos da época, autor de obras comoA Cigarra e a Formiga. Gerações dos alunos franceses tiveram que aprender suas fábulas, que eram vistas como ajudando a ensinar sabedoria e senso comum aos jovens. Alguns de seus versos entraram no idioma popular para se tornarem provérbios, como "À l'oeuvre, on connaît l'artisan". [No trabalho, conhecemos o artesão].[247]
No que se refere à arquitetura, os celtas deixaram seus rastros também na construção de grandesmonólitos oumegálitos, e a presença grega desde oséculo VI a.C. que hoje é recordada na herança clássica deMarselha. O estilo românico tem exemplos naMaison Carrée, templo romano edificado entre 161 e138 a.C., ou noPont du Gard construído entre os anos 40 e 60, emNimes e declarado patrimônio universal em 1985. Na França se inventou o estilo gótico, plasmado em Catedrais como as deChartres,Amiens,Notre-Dame ou Estrasburgo.[260]
Omodernismo ou arte moderna na arquitetura engloba todo oséculo XIX e a primeira metade do XX, eGustave Eiffel revolucionou a teoria e prática arquitetônica de seu tempo na construção de gigantescas pontes e no emprego de materiais como o aço. Sua obra mais famosa é a chamadaTorre Eiffel. Outro grande ícone da arquitetura universal éLe Corbusier, um inovador e funcionalista celebrado especialmente por seus aportes urbanísticos nas edificações de vivendas e conjuntos habitacionais.[260]
Os jornais mais vendidos no país são oLe Parisien (com 460 mil vendidos diariamente), oLe Monde e oLe Figaro, com cerca de 300 mil cópias por dia, assim como oL'Équipe, dedicado à cobertura esportiva.[261] Nos últimos anos, jornais gratuitos, com oMetro, o20 minutes e oDirect Plus, distribuíram mais de 650 mil cópias, respectivamente.[262] No entanto, as maiores taxa de vendas são alcançadas pelo jornal regionalOuest-France, com mais de 750 mil exemplares vendidos, sendo que outros 50 jornais regionais também têm vendas elevadas.[263][264] O setor de revistas semanais é mais forte e mais variado do que as 400 revistas especializadas publicadas no país.[265]
As revistas semanais mais influentes são aLe Nouvel Observateur, aL'Express e aLe Point (mais de 400 mil cópias),[266] mas a maior circulação entre os semanários é alcançada por revistas de TV e por revistas femininas, comoMarie Claire eElle, que possuem versões estrangeiras. Semanais influentes também incluem jornais investigativos e satíricos, comoLe Canard enchaîné eCharlie Hebdo, bem comoParis Match. Como na maioria das nações industrializadas, a mídia impressa foi afetada por uma grave crise na última década. Em 2008, o governo lançou uma iniciativa importante para ajudar a reformar o setor e a deixá-lo financeiramente independente,[267][268] mas em 2009 teve que dar 600 mil euros para ajudar a mídia impressa a lidar com a crise econômica, além dos subsídios já existentes.[269]
Em 1974, após anos de monopólio centralizado na rádio e televisão, a agência governamentalOffice de Radiodiffusion Télévision Française (ORTF) foi dividida em várias instituições nacionais, mas os três canais de TV já existentes e quatro estações de rádio nacionais[270][271] permaneceram sob controle estatal. Foi apenas em 1981 que o governo permitiu a transmissão gratuita no território, acabando com o monopólio estatal no rádio.[271]
A França tem ligações históricas e fortes com ocinema, sendo que foram dois franceses,Auguste e Louis Lumière (conhecidos como Irmãos Lumière) que criaram o cinema em 1895.[272] Vários movimentos cinematográficos importantes, incluindo aNouvelle vague dos anos 1950 e 1960, começaram no país. A França é conhecida por ter uma indústria cinematográfica forte, devido em parte às proteções oferecidas pelo governo francês. Em 2015, produziu mais filmes do que qualquer outro país europeu.[273][274] A nação também acolhe oFestival de Cannes, um dos festivais de cinema mais importantes e famosos do mundo.[275][276]
Embora o mercado cinematográfico francês seja dominado porHollywood, a França é a única nação no mundo onde os filmes estadunidenses representam a menor parcela da receita total do filme, em 50%, contra 77% naAlemanha e 69% noJapão.[277] Os filmes franceses representam 35% do total das receitas cinematográficas da França, que é a maior porcentagem de receitas cinematográficas nacionais nomundo desenvolvido fora dosEstados Unidos, contra 14% naEspanha e 8% noReino Unido.[277] Em 2013, o país era o segundo maior exportador de filmes no mundo, depois dos Estados Unidos.[278]
Até recentemente, a França havia sido, durante séculos, o centro cultural do mundo,[134] embora sua posição dominante tenha sido superada pelosEstados Unidos. Posteriormente, o país tomou medidas para proteger e promover a sua cultura, tornando-se um dos principais defensores da exceção cultural.[279] A nação conseguiu convencer todos os membros daUnião Europeia a se recusarem a incluir a cultura e o audiovisual na lista de setores liberalizados daOrganização Mundial do Comércio (OMC) em 1993.[280] Além disso, esta decisão foi confirmada em uma votação naUNESCO em 2005 e o princípio da "exceção cultural" ganhou uma vitória irresistível: 198 países votaram a favor, apenas dois países, os Estados Unidos eIsrael, votaram contra.[281]
A culinária francesa também é considerada um elemento-chave daqualidade de vida e da atratividade da França. Uma publicação francesa, oguia Michelin, premia comestrelas alguns estabelecimentos selecionados pela excelência.[288][289] A aquisição ou perda de uma estrela pode ter efeitos dramáticos no sucesso de um restaurante. Em 2006, o guia Michelin concedeu 620 estrelas aos restaurantes franceses, naquela época mais do que qualquer outro país, embora o guia também inspecione mais restaurantes na França do que em qualquer outro país (até 2010, oJapão recebeu várias estrelas Michelin como a França, apesar de ter metade do número de inspetores Michelin trabalhando lá).[290][291]
Além da tradição do vinho, a França também é um importante produtor decerveja erum. As três principais regiões francesas de cerveja são a Alsácia (60% da produção nacional), Nord-Pas-de-Calais e Lorraine. Uma refeição geralmente consiste em três pratos:hors d'oeuvre ou 'entrée (entrada, às vezes sopa),plat principal (prato principal) efromage (queijo) oudessert (sobremesa), às vezes com uma salada oferecida antes do queijo ou da sobremesa.[292]
A França também tem forte tradição notênis. Sedia o Grand Slam deRoland Garros e já foi nove vezes campeã daCopa Davis.[299]René Lacoste, no entanto, foi o único tenista francês a ser n.º 1 do mundo. Na atualidade o melhor tenista francês éJo-Wilfried Tsonga, ex-n.º 5 do mundo. Um dos maiores esportistas da história da França foiAlain Prost, quatro vezes campeão do Mundial de Pilotos da Fórmula 1, considerado um dos mais bem sucedidos pilotos da categoria de todos os tempos.[300][301]
↑De acordo com um cálculo diferente citado peloPew Research Center, a ZEE da França seria de 10 084 201 km², ainda atrás da dos Estados Unidos (12 174 629 km²), mas à frente daquelas da Austrália (8 980 568 km²) e da Rússia (7 566 673 km²).
↑"Les Gaulois figurent seulement parmi d'autres dans la multitude de couches de peuplement fort divers (Ligures, Ibères, Latins, Francs et Alamans, Nordiques, Sarrasins[…]) qui aboutissent à la population du pays à un moment donné", Jean-Louis Brunaux.[105]
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