A palavra "filosofia" (dogrego) é uma composição de duas palavras:philos (φίλος) esophia (σοφία). A primeira é uma derivação dephilia (φιλία) que significa amizade, amor fraterno e respeito entre os iguais; a segunda significasabedoria ou simplesmente saber. Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber; e o filósofo, por sua vez, seria aquele que ama e busca a sabedoria, tem amizade pelo saber, deseja saber.[16]
A tradição atribui ao filósofoPitágoras de Samos (c. 570-495 a.C.) a criação da palavra. Conforme essa tradição, Pitágoras teria criado o termo para modestamente ressaltar que a sabedoria plena e perfeita seria atributo apenas dos deuses; os homens, no entanto, poderiam venerá-la e amá-la na qualidade de filósofos.
A palavraphilosophía não é uma invenção moderna a partir de palavras gregas,[17] mas um empréstimo tomado da própria língua grega; os termos φιλοσοφος (philosophos) e φιλοσοφειν (philosophein) já teriam sido empregados por algunspré-socráticos[18] (Heráclito,Pitágoras eGórgias) e pelos historiadoresHeródoto eTucídides. No períodoclássico daGrécia antiga, em que viveramSócrates ePlatão, é enfatizada a diferença entre σοφία (sofia) e φιλοσοφία (filosofia), sendo que o último termo expressa uma certa modéstia eceticismo em relação ao conhecimento humano.
Em um sentido geral, a filosofia é associada à sabedoria, cultura intelectual e à busca de conhecimento. Nesse sentido, todas as culturas e sociedades letradas fazem perguntas filosóficas como "como viver" e "qual é a natureza da realidade". Como uma concepção ampla e imparcial, a filosofia serve de investigação fundamentada em assuntos como realidade, moralidade e vida em todas as civilizações do mundo.[19]
Outras investigações intimamente relacionadas à arte, ciência, política ou outras atividades continuaram parte da filosofia. Por exemplo, abeleza é objetiva ou subjetiva?[24][25] Existem muitosmétodos científicos ou apenas um?[26] Autopia política é um sonho esperançoso ou apenas fantasia?[27][28][29] Os principais subcampos da filosofia acadêmica incluem ametafísica ("preocupa-se com a natureza fundamental da realidade e do ser"),[30]epistemologia (sobre a "natureza e bases do conhecimento [e] ... seus limites e validade"[31]),ética,estética,filosofia política,lógica efilosofia da ciência.
Cópias romanas das obras originais gregas,Neues Museum
A Filosofia ocidental é a tradição filosófica domundo ocidental e data de pensadorespré-socráticos que eram ativos naGrécia Antiga no século VI a.C., comoTales (c. 624-546 a.C.) ePitágoras (c. 570-495 a.C.) que praticavam um "amor à sabedoria" (philosophia)[32] e também foram denominadosphysiologoi (estudantes dephysis, ou natureza).Sócrates era um filósofo muito influente, que insistia em dizer que não possuía "sabedoria", mas sim que era um "perseguidor da" sabedoria.[33]
O início da filosofia ocidental moderna começa com pensadores comoThomas Hobbes eRené Descartes (1596-1650).[35] Após o surgimento das ciências naturais, afilosofia moderna se preocupou em desenvolver uma base secular e racional para o conhecimento e afastou-se das estruturas tradicionais de autoridade como a religião, o pensamento escolástico e a Igreja. Os principais filósofos modernos incluemSpinoza,Leibniz,Locke,Berkeley,Hume eKant.[36][37][38]
A filosofia grega antiga teve início no século VI a.C. e se estendeu até a decadência doImpério Romano no século V d.C. Pode-se dividi-la em quatro períodos: (1) o período dospré-socráticos; (2) um período humanista, em queSócrates e ossofistas trouxeram as questões morais para o centro do debate filosófico; (3) o período áureo da filosofia emAtenas, em que despontaram Platão e Aristóteles; (4) e o períodohelenístico. Às vezes, se distingue um quinto período, que compreende os primeiros filósofos cristãos e os neoplatonistas.[39]
Os primeiros filósofos gregos, geralmente chamados de pré-socráticos, dedicaram-se a especulações sobre a constituição e a origem do mundo. O principal intuito desses filósofos era descobrir um elemento primordial, eterno e imutável que fosse a matéria básica de todas as coisas. Essa substância imutável era chamada dephysis (palavra grega cuja tradução literal seria natureza, mas que na concepção dos primeiros filósofos compreendia a totalidade dos seres, inclusive entidades divinas),[40] e, por essa razão, os primeiros filósofos também foram conhecidos como osphysiologoi (literalmente “fisiólogos”, isto é, os filósofos que se dedicavam ao estudo daphysis).[41]
Na transição doséculo IV para oséculo III a.C., durante o período helenístico, formam-se duas escolas filosóficas cujos ensinamentos representam uma clara mudança de ênfase em relação àAcademia de Platão e àescola peripatética de Aristóteles. Sua preocupação é principalmente a redenção pessoal. Tanto paraEpicuro (ca. 341-270 a.C.) e seus seguidores como paraZenão deCítio e demais estoicos o principal objetivo da filosofia deveria ser a obtenção da serenidade de espírito. As duas escolas também se assemelham na crença de que esse objetivo passa por uma espécie de harmonização entre o indivíduo e a natureza, mas divergem quanto à forma de se realizar essa harmonização. Para Epicuro, a sintonia com a natureza supõe a aceitação das necessidades e desejos naturais e dos prazeres sensoriais. Dessa forma, ele preconiza a fruição moderada dos prazeres e a comedida gratificação dos desejos.[42]:214 Os estoicos, por outro lado, sustentavam a crença de que o cosmos e os seres humanos partilhavam do mesmologos divino. O ideal filosófico de vida seria, na concepção dos estoicos, a adesão à necessidade racional da natureza e o desenvolvimento de uma absoluta imperturbabilidade (ataraxia) em relação aos fatos e eventos do mundo.[42]:361
Originalmente, a palavra gregamythos significava simplesmente palavra ou fala;[43] mas o termo remetia também à noção de uma palavra proferida com autoridade.[44] As histórias épicas deHomero, permeadas de intervenções sobrenaturais, ou a teogonia deHesíodo erammythos no sentido de serem anúncios revestidos de autoridade, dignos de crédito e reverência.
Gradualmente, o termo foi assumindo outro sentido e já à época de Platão e Aristóteles omythos era empregado para caracterizar histórias fictícias ou absurdas que se afastariam dologos — isto é, do discurso racional.[45] Aristóteles, por exemplo, considerava a filosofia como um empreendimento intelectual completamente distinto das elaborações mitológicas. NaMetafísica, ao tratar do problema da incorruptibilidade, Aristóteles menciona Hesíodo e, logo em seguida, descarta suas opiniões, pois, segundo ele, “não precisamos perder tempo investigando seriamente as sutilezas dos criadores de mitos.”[46]
Os mitos dePrometeu emito de Pandora narram não só a descoberta do fogo e seu manuseio pelo homens mas demonstra como no período pré-socrático todos os eventos terrenos decorrem das intenções dos deuses, incluindo todos os males, felizmente, o mito de Pandora é reescrito pela filosofia socrática/platônica, essa revolução permitiu reconstruir a estória e tornou possível fazer do homem o sujeito de sua própria História.[47]
Roma conheceu e assimilou a literatura, a filosofia e o teatro da Grécia mas logo desenvolveu o próprio estilo; os romanos adotaram o hábito da leitura e da escrita influenciados pelos gregos, assim, a arte de ler, escrever e falar em público (oratória) se tornou essencial naeducação dos cidadãos.[48]
A transição da Idade Média para aIdade Moderna foi marcada peloRenascimento e peloHumanismo.[62] Nesse período de transição, a redescoberta de textos da Antiguidade[63] contribuiu para que o interesse filosófico saísse dos estudos técnicos delógica,metafísica eteologia e se voltasse para estudos ecléticos nas áreas dafilologia, damoralidade e domisticismo. Os estudos dos clássicos e das letras receberam uma ênfase inédita e desenvolveram-se de modo independente daescolástica tradicional. A produção e disseminação do conhecimento e das artes deixam de ser uma exclusividade das universidades e dos acadêmicos profissionais, e isso contribui para que a filosofia vá aos poucos se desvencilhando da teologia. Em lugar de Deus e da religião, o conceito de homem assume o centro das ocupações artísticas, literárias e filosóficas.[64]
O renascimento revigorou a concepção da natureza como um todo orgânico, sujeito à compreensão e influência humanas. De uma forma ou de outra, essa concepção está presente nos trabalhos deNicolau de Cusa,Giordano Bruno,Bernardino Telesio eGalileu Galilei. Essa reinterpretação da natureza é acompanhada, em muitos casos, de um intenso interesse pormagia,hermetismo eastrologia — considerados então como instrumentos de compreensão e manipulação da natureza.
À medida que a autoridade eclesial cedia lugar à autoridade secular e que o foco dos interesses voltava-se para a política em detrimento da religião, as rivalidades entre os Estados nacionais e as crises internas demandavam não apenas soluções práticas emergenciais, mas também uma profunda reflexão sobre questões pertinentes àfilosofia política. Desse modo, a filosofia política, que por vários séculos esteve dormente, recebeu um novo impulso durante o Renascimento. Nessa área, destacam-se as obras deNicolau Maquiavel eJean Bodin.[65]
A Filosofia indiana (emsânscrito:darśana; 'visão de mundo', 'ensinamentos')[66] refere-se às diversas tradições filosóficas que surgiram desde os tempos antigos no subcontinente indiano. O jainismo e o budismo se originaram no final do período védico, enquanto o hinduísmo emergiu como uma fusão de diversas tradições, começando após o final do período védico.
Os hindus geralmente classificam essas tradições como ortodoxas ou heterodoxas —āstika ou nāstika — dependendo se aceitam a autoridade dosVedas e as teorias deBrâman (absoluto) eAtman (alma, eu) contida nelas.[67][68] As escolas ortodoxas incluem as tradições hindus do pensamento, enquanto as escolas heterodoxas incluem as tradições budista e jainista.[69] Outras escolas incluem oAjñana,Ajivika eCārvāka que se extinguiu ao longo de sua história.[70][71]
Os importantes conceitos filosóficos indianos compartilhados pelas filosofias indianas incluemDharma,Karma,Artha,Kama,Dukkha (Duhkha, sofrimento),Anicca (Anitya, impermanência),Dhyana (Jhana, meditação), renúncia (com ou sem monasticismo ou ascetismo), váriosSamsara com ciclos de renascimento,Moksha (Nirvana, kivali, libertação de renascimento) e virtudes comoAhimsa.[72][73]
A filosofia budista começa com o pensamento deGautama Buda (fl. entre o sexto e o quarto séculos a.C.) e é preservada nosprimeiros textos budistas. Originou-se na Índia e depois se espalhou para o Leste Asiático, o Tibete, a Ásia Central e o Sudeste Asiático, desenvolvendo tradições sincréticas nessas regiões. Os ramosMahayana de pensamento budista são as tradições filosóficas dominantes nas regiões do Leste Asiático, como China, Coréia do Sul e Japão. As formasTheravada são dominantes em países do Sudeste Asiático, como Sri Lanka, Birmânia e Tailândia.
Aavidyā (ignorância) à verdadeira natureza das coisas é considerada uma das raízes do sofrimento (dukkha), A filosofia budista preocupa-se com a epistemologia, a metafísica, a ética e a psicologia. Os textos filosóficos budistas também devem ser entendidos no contexto depráticas meditativas que supostamente devem causar certas mudanças cognitivas.[74]:8 Os principais conceitos inovadores incluem asQuatro Nobres Verdades como uma análise do sofrimento,anicca (impermanência) eanatta (não-eu).[75][76]
Após a morte de Buda, vários grupos começaram a sistematizar seus principais ensinamentos, eventualmente desenvolvendo sistemas filosóficos abrangentes denominados 'Abhidharma'.[74]:37 Seguindo as escolas de Abhidharma, filósofosMahayana comoNagarjuna eVasubandhu desenvolveu as teorias deshunyata (vazio de todos os fenômenos) evijñapti-matra (apenas aparência), uma forma de fenomenologia ouidealismo transcendental. A escolaDignāga dopramaṇa (literalmente. meios de conhecimento) promoveu uma forma sofisticada delógica budista.Havia inúmeras escolas, sub-escolas e tradições da filosofia budista na Índia. Segundo o professor de filosofia budista de OxfordJan Westerhoff, as principais escolas indianas de 300 a.C. a 1000 d.C. foram:[74]:xxiv
As escolas ortodoxas baseadas nos Vedas fazem parte das tradiçõeshindus e são tradicionalmente classificadas em seisdarsanas:Nyaya,Vaisheshika,Samkhya,Yoga,Mimāṃsā eVedanta.[77][78] Os Vedas como fonte de conhecimento foram interpretados de maneira diferente por essas seis escolas de filosofia hindu, com graus variados de sobreposição. Eles representam uma "coleção de visões filosóficas que compartilham uma conexão textual", segundo Chadha.[79] Eles também refletem uma tolerância a uma diversidade de interpretações filosóficas dentro do hinduísmo, compartilhando o mesmo fundamento.[80]
Alguns dos primeiros textos místicos e filosóficos hindus sobreviventes são osUpanishads deperíodo védico tardio (1000–500 a.C.). Filósofos hindus das seis escolas desenvolveram sistemas de epistemologia (pramana) e investigaram tópicos como metafísica, ética, psicologia (guna),hermenêutica esoteriologia dentro da estrutura do conhecimento védico, apresentando uma diversificada coleção de interpretações.[81][82][83] Essas escolas de filosofia aceitavam os Vedas e o conceito védico deAtman e Brahman,[78] diferente das seguintes religiões indianas que rejeitavam a autoridade dos Vedas:[71]
Cārvāka, uma escola de materialismo que aceita a existência do livre arbítrio.[84][85]
Jainismo, uma filosofia que aceita a existência do ātman (alma, Eu), mas é baseada nos ensinamentos de vinte e quatro professores ascéticos conhecidos comotirthankaras, comRishabha como o primeiro eMahavira como o vigésimo quarto.[92]
As seis escolas ortodoxas comumente nomeadas ao longo do tempo levaram ao que foi chamado de "síntese hindu", como exemplificado por suas escrituras:Bhagavad Gita.[93][94][95]
A filosofia jainista aceita o conceito de alma permanente (jiva) como uma das cincoastikayas, ou infinitas categorias eternas que compõem a substância da existência. As outras quatro sendodharma,adharma,akasha (espaço) epudgala (matéria). O pensamento jainista separa completamente a matéria da alma.[96] Possui duas subtradições principais: Digambara (vestido de céu, nu) e Svetambara (vestido de branco), juntamente com várias outras tradições menores, como Terapanthis.[97] Oasceticismo é uma grande virtude monástica no jainismo.[98]
Os textos jainistas como oTattvartha Sutra declare que a fé correta, o conhecimento correto e a conduta correta são o caminho para a libertação.[99]
O pensamento jainista sustenta que toda a existência é cíclica, eterna e não criada.[100][101]
OTattvartha Sutra é a primeira compilação conhecida, mais abrangente e autorizada da filosofia Jain.[102][103]
O pensamento filosófico do leste asiático começou naChina antiga e afilosofia chinesa começou durante a dinastiaZhou ocidental e nos seguintes períodos após sua queda, quando a "cem escolas de pensamento" floresceram (século VI a 221 a.C.).[104][105] Esse período foi caracterizado por importantes desenvolvimentos intelectuais e culturais e viu o surgimento das principais escolas filosóficas da China, oConfucionismo, oLegalismo e oDaoísmo, além de numerosos outras escolas menos influentes. Essas tradições filosóficas desenvolveram teorias metafísicas, políticas e éticas, como oTao, oYin e yang,Ren eLi que, juntamente com oBudismo chinês, influenciaram diretamente afilosofia coreana, afilosofia vietnamita e afilosofia japonesa (que também inclui a tradição nativaxintoísta). O budismo começou a chegar à China durante adinastia Han (206 a.C. – 220 d.C.), através daRota da Seda e por influências nativas desenvolveram formas chinesas distintas (como Chan/Zen) que se espalharam por toda a esfera cultural do Leste Asiático. Durante as dinastias chinesas posteriores como aDinastia Ming (1368-1644), bem como na Coréia do Norte (dinastia Joseon) (1392-1897), um ressurgenteNeo-Confucionismo liderado por pensadores comoWang Yangming (1472-1529) tornou-se a escola dominante de pensamento e era promovida pelo estado imperial.[carece de fontes?]
Na era moderna, os pensadores chineses incorporaram ideias da filosofia ocidental. Afilosofia marxista chinesa se desenvolveu sob a influência deMao Zedong, enquanto um pragmatismo chinês sob a ascensão deHu Shih e oneoconfucionismo foi influenciado por Xiong Shili. Enquanto isso, o pensamento japonês moderno se desenvolveu sob fortes influências ocidentais, como o estudo das ciências ocidentais (Rangaku) e a sociedade intelectual modernista (Meirokusha) que se inspirou no pensamento iluminista europeu. O século XX viu a ascensão doXintoísmo estatal e também doFascismojaponês e do nacionalismo japonês. AEscola de Kyoto, a escola filosófica japonesa influente e única, desenvolvida a partir da fenomenologia ocidental e da filosofia budista medieval japonesa, como a deDogen.[carece de fontes?]
A filosofia africana é aquela produzida pelo povo africano, filosofia que apresenta visões de mundo, ideias e temas africanos, ou filosofia que usa métodos filosóficos africanos distintos. O pensamento africano moderno foi ocupado com Etnofilosofia, definindo o próprio significado da filosofia africana e suas características únicas e o que significa serafricano.[106] Durante o século XVII, afilosofia etíope desenvolveu uma tradição literária robusta, como exemplificado porZera Yacob. Outro filósofo africano antigo foiAnton Wilhelm Amo (c. 1703-1759), que se tornou um respeitado filósofo na Alemanha. Acadêmicos consideram que Yacob e Amo investigaram questionamentos filosóficos similares a alguns encontrados noIluminismo, antecedendoDescartes eKant.[107][108][109] Ideias filosóficas africanas distintas incluemUjamaa, a ideia Bantu deForça, aNegritude, oPan-Africanismo e oUbuntu. O pensamento africano contemporâneo também viu o desenvolvimento da filosofia profissional e da filosofia africana, a literatura filosófica da diáspora africana, que inclui correntes como o existencialismo negro dos afro-americanos. Os pensadores africanos modernos são influenciados pelomarxismo,literatura afro-americana,teoria crítica,teoria crítica da raça,pós-colonialismo efeminismo.[carece de fontes?]
A Filosofia moderna é a filosofia desenvolvida naera moderna e associada àmodernidade. Não é uma doutrina ou escola específica (e, portanto, não deve ser confundida comModernismo), embora existam certas suposições comuns a grande parte dela, o que ajuda a distingui-la da filosofia anterior;[110] é caracterizada pela preponderância daepistemologia sobre ametafísica. A justificativa dos filósofos modernos para essa alteração estava, em parte, na ideia de que, antes de querer conhecer tudo o que existe, seria conveniente conhecer o que se pode conhecer.[111]
Filosofia moderna ocidental
Geralmente considerado como o fundador da filosofia moderna,[112] o cientista, matemático e filósofo francêsRené Descartes (1596-1650) redirecionou o foco da discussão filosófica para o sujeito pensante; Descartes acreditava ser necessário um procedimento prévio de avaliação crítica e severa de todas as fontes do conhecimento disponível, num procedimento que ficou conhecido comodúvida metódica. Segundo Descartes, ao adotar essa orientação, constatamos que resta como certeza inabalável a ideia de um eu pensante: mesmo que o sujeito ponha tudo em dúvida, se ele duvida, é porque pensa; e, se pensa, é porque existe. Essa linha de raciocínio foi celebrizada pela fórmula “penso, logo existo” (cogito ergo sum).[113][114]
O Renascimento foi um período dahistória europeia que marca a transição daIdade Média para aModernidade e abrange os séculos XV e XVI. Além da periodização padrão, os defensores de umaRenascença longa colocam seu início no século XIV e seu fim no século XVII. A visão tradicional concentra-se mais nos aspectos da Renascença e argumenta que foi uma ruptura com o passado, mas muitos historiadores hoje se concentram mais em seus aspectos medievais e argumentam que foi uma extensão da Idade Média.[116][117] Ainda se discute quando da história intelectual da Renascença faz parte de fato da filosofia moderna.[118] Estimulada por novos textos disponíveis, uma das características mais importantes da filosofia renascentista é o crescente interesse nas fontes primárias do pensamento grego e romano que antes eram desconhecidas ou pouco lidas; o estudo renovado doneoplatonismo,estoicismo,epicurismo e oceticismo corroeu a fé na verdade universal dafilosofia aristotélica e ampliou o horizonte filosófico, fornecendo um rico solo a partir do qual a ciência moderna e a filosofia moderna emergiram gradualmente. As principais filosofias da época são oAristotelismo, oHumanismo, oPlatonismo e as Filosofias helenísticas como o Estoicismo, o Epicurismo e o Ceticismo.[119]
Há certa dificuldade em mapear os assuntos de interesse dos filósofos do Renascimento em relação aos interesses dos filósofos contemporâneos, especialmente porque a principal forma de escrita da época permaneceu sendo o comentário, seja sobre Aristóteles ouTomás de Aquino. Entre alguns do temas comentados nessa época pode-se citar a lógica e a linguagem que eram a base das instituições educacionais, a metafísica e afilosofia da mente, aimortalidade, olivre arbítrio, a ciência e afilosofia da natureza, a filosofia moral e afilosofia política e o ser humano incluindo a distinção entremicrocosmo e macrocosmo.[120]
O Renascimento não usava a apalavra "humanismo", em vez disso, usava a frase latinastudia humanitatis (literalmente "os estudos da humanidade") frase emprestada da antiguidade clássica. Os humanistas renascentistas entendiam pelostudia humanitatis um ciclo de cinco assuntos: gramática,retórica, poesia, história e filosofia moral, todas baseadas nos clássicos gregos e latinos. Um humanista era um especialista nosstudia humanitatis. A disciplina dominante era a retórica, a eloquência era a mais alta realização profissional dos humanistas renascentistas e os interesses retóricos coloriram a abordagem dos humanistas em relação às outras partes dostudia humanitatis, os humanistas renascentistas foram os sucessores da tradição retórica medieval e os ressuscitadores da tradição retórica clássica.[121]
David Hume, oempiricista dizia que a memória é uma faculdade que evoca ideias baseadas em experiências à medida que elas acontecem.[123] Retrato porAllan Ramsay, 1754
Para o racionalistaRené Descartes, todas as ideias que representam “essências verdadeiras, imutáveis e eternas” sãoinatas.[122] Retrato porFrans Hals, c. 1649-1700
O racionalismo é a visão de que arazão, em oposição a por exemplo,experiência sensorial, arevelação divina ou confiança na autoridade institucional, desempenha um papel dominante na nossa tentativa de obter conhecimento; é o oposto aoempirismo, que é a visão de que aexperiência sensorial é suficiente para se ter o conhecimento.[124]
O "racionalismo continental" é uma categoria retrospectiva usada para agrupar certos filósofos da Europa continental nos séculos XVII e XVIII, em particularDescartes,Spinoza eLeibniz porque afirmavam o contrário do “empirismo britânico”, notavelmente deLocke,Berkeley eHume; os empiristas britânicos sustentavam que todo conhecimento tem sua origem e são limitados pela experiência, já os racionalistas continentais diziam que o conhecimento tem sua base no escrutínio e na implantação ordenada de ideias e princípios próprios da mente; os racionalistas não rejeitaram a experiência, como às vezes é erradamente afirmado; eles estavam completamente imersos nos rápidos desenvolvimentos da nova ciência e, em alguns casos, lideraram esses desenvolvimentos, eles apenas reforçavam que só a experiência, embora útil em questões práticas, não era o suficiente para o conhecimento genuíno.[122]
No projeto cartesiano de Descartes estão presentes três pressupostos básicos: (1) amatemática, ou ométodo dedutivo adotado pela matemática, é o modelo a ser seguido pelos filósofos; (2) existem ideias inatas, absolutamente verdadeiras, que de alguma forma estão desde sempre inscritas no espírito humano; (3) a descoberta dessas ideias inatas não depende da experiência — elas são alcançadas exclusivamente pela razão. Esses três pressupostos também estão presentes nas filosofias deGottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716),Christian Wolff (1679-1754) eBaruch Spinoza (1632-1677), e constituem a base do movimento filosófico denominadoracionalismo.[125]
Se os racionalistas priorizavam o modelo matemático, a filosofia antagônica — oempirismo — enfatizava osmétodos indutivos das ciências experimentais. O filósofoJohn Locke (1632-1704) propôs a aplicação desses métodos na investigação da própria mente humana. Em patente confronto com os racionalistas, Locke argumentou que a mente chega ao mundo completamente vazia de conteúdo — é uma espécie de lousa em branco outabula rasa; e todas as ideias com que ela trabalha são necessariamente originárias da experiência.[126] Esse pressuposto também é adotado pelos outros dois grandes filósofos do empirismo britânico,George Berkeley (1685-1753) eDavid Hume (1711-1776).John Locke influenciou também a filosofia política, sendo um dos principais teóricos na base do conceito moderno de democracia liberal.[carece de fontes?]
A filosofia política é um ramo da filosofia que se preocupa, no nível mais abstrato, com os conceitos e argumentos envolvidos na opinião política, o significado do termopolítico é, em si, um dos principais problemas da filosofia política; de maneira geral, pode-se caracterizar como política todas as práticas e instituições que se preocupam com o governo, o problema central da filosofia política é como implantar ou limitar o poder público, a fim de manter a sobrevivência e melhorar a qualidade da vida humana.[129] A filosofia política é a tentativa de se saber verdadeiramente tanto a natureza das coisas políticas quanto a boa ou correta ordem política; hoje, a filosofia política está em um estado de decadência, não só há desacordo completo sobre o seu tema, seus métodos e sua função: sua própria existência, em quaisquer de suas formas, tornou-se questionável.[130]
O primeiro trabalho elaborado sobre filosofia política europeia é aA República de Platão, uma obra-prima em forma de diálogo provavelmente destinado à recitação. Um maior desenvolvimento dessas ideias é realizado em seuPolítico eLeis, este último prescrevendo os métodos cruéis pelos quais elas podem ser impostas; Platão cresceu durante a grandeguerra do Peloponeso entre Atenas e Esparta e, como muitos filósofos políticos, tentou encontrar remédios para a injustiça e o declínio políticos prevalecentes.[129]
Na Idade Média, depois deAgostinho de Hipona, nenhum trabalho especulativo completo de filosofia política apareceu no Ocidente até oPolicraticus (1159), deJoão de Salisbury, com base na ampla leitura clássica de João, ele se concentra no governante ideal, que representa um "poder público"; aSuma Teológica de sãoTomás de Aquino pretende responder a todas as principais questões da existência, incluindo as da filosofia política que para ele deve ter um propósito ético; em sua obraDe Monarchia,Dante cria a mais completa teoria política do império universal e secular formulada no Ocidente medieval e insiste que somente através da paz universal as faculdades humanas podem atingir sua plena capacidade.[131]
No século XIX, outilitarismo foi uma força importante no pensamento político e social, a doutrina de que as ações dos governos deveriam ser julgadas simplesmente pela extensão em que promovam “mais felicidade ao maior número de pessoas”, o fundador da escola utilitarista foiJeremy Bentham, um excêntrico inglês formado em Direito. Enquanto isso,Alexis de Tocqueville se preocupava em como se manteriam os padrões e a criatividade da civilização diante da democracia de massa.[132]
Marx e Engels pensavam que o dinamismo da história era gerado por inevitáveis conflitos de classe economicamente determinados, essa era uma ideia ainda mais dinâmica que a de Hegel e mais relevante para as revoltas sociais que foram uma consequência daRevolução Industrial, Marx era um humanista profundamente instruído, e seu ideal era o desenvolvimento completo da personalidade humana, enquanto Platão se preocupava com uma elite, Marx se importava apaixonadamente com a elevação de povos inteiros.[133] A primeira e de longe a mais significativa interpretação da doutrina de Marx foi realizada naUnião Soviética porLenin e desenvolvida porJosef Stalin e era totalmenteautoritária e adotou a ideia deLeon Trotsky de uma "revolução permanente" por uma pequena elite revolucionária.[133]
Hegel representou o auge do idealismo alemão, muitos dos intelectuais depois de 1830 definiram seus projetos a partir de suas ideias[134]
Idealismo alemão é o nome de um movimento nafilosofia alemã que começou na década de 1780 e durou até a década de 1840; os representantes mais famosos desse movimento sãoKant,Fichte,Schelling eHegel; embora existam diferenças importantes entre eles, todos compartilham um compromisso com o idealismo; o idealismo transcendental de Kant era uma doutrina filosófica modesta sobre a diferença entre aparências e as coisas em si, que alegava que os objetos da cognição humana são aparências e não coisas em si. Fichte, Schelling e Hegel radicalizaram essa visão, transformando o idealismo transcendental de Kant em idealismo absoluto, que sustenta que as coisas em si mesmas são uma contradição em termos, porque uma coisa deve ser um objeto de nossa consciência para que seja um objeto.[135]
Embora o sentido exato em que Hegel era um idealista seja problemático, sua influência no idealismo absoluto ou monístico subsequente foi enorme. Nos EUA e no Reino Unido, o idealismo, especialmente do tipo absoluto, foi a filosofia dominante do final do século XIX e início do século XX, recebendo sua expressão mais vigorosa emFrancis Herbert Bradley. Declinou, sem morrer, sob a influência deGeorge Edward Moore eBertrand Russell, e mais tarde dospositivistas lógicos.[136]
Geralmente se considera que depois da filosofia de Kant tem início uma nova etapa da filosofia, que se caracterizaria por ser uma continuação e, simultaneamente, uma reação à filosofia kantiana. Nesse período desenvolve-se oidealismo alemão (Fichte,Schelling eHegel), que leva as ideias kantianas às últimas consequências. A noção de que há um universo inteiro (a realidade em si mesma) inalcançável ao conhecimento humano, levou os idealistas alemães a assimilar a realidade objetiva ao próprio sujeito no intuito de resolver o problema da separação fundamental entre sujeito e objeto. Assim, por exemplo, Hegel postulou que o universo é espírito. O conjunto dos seres humanos, sua história, sua arte, sua ciência e sua religião são apenas manifestações desse espírito absoluto em sua marcha dinâmica rumo ao autoconhecimento.[137] Enquanto naAlemanha, o idealismo apoderava-se do debate filosófico, na França,Auguste Comte retomava uma orientação mais próxima das ciências e inaugurava opositivismo e asociologia. Na visão de Comte, a humanidade progride portrês estágios: o estágio teológico, o estágio metafísico e, por fim, o estágio positivo. No primeiro estágio, as explicações são dadas em termos mitológicos ou religiosos; no segundo, as explicações tornam-se abstratas, mas ainda carecem de cientificidade; no terceiro estágio, a compreensão da realidade se dá em termos de leis empíricas de “sucessão e semelhança” entre os fenômenos.[138] Para Comte, a plena realização desse terceiro estágio histórico, em que o pensamento científico suplantaria todos os demais, representaria a aquisição da felicidade e da perfeição.[139]
Existencialismo é um termo genérico para os filósofos que consideram a natureza da condição humana como um problema filosófico essencial e que compartilham da visão de que esse problema é melhor abordado por meio daontologia; essa definição engloba temas-chave que os pensadores existencialistas abordam como aexistência, oabsurdo e airracionalidade, afacticidade, aansiedade e aautenticidade e outros temas.[140]
O termo "existencialismo" foi explicitamente adotado como autodescrição por Jean-Paul Sartre e através da ampla divulgação da produção literária e filosófica pós-guerra de Sartre e seus associados - notavelmente Simone de Beauvoir,Maurice Merleau-Ponty e Albert Camus - o existencialismo tornou-se identificado com um movimento cultural que floresceu na Europa nas décadas de 1940 e 1950.[141]
Fora dos países de língua inglesa, floresceram diferentes movimentos filosóficos. Entre esses destacam-se a fenomenologia, ahermenêutica, oexistencialismo e versões modernas domarxismo. ParaEdmund Husserl, o traço fundamental dos fenômenos mentais é aintencionalidade. A estrutura da intencionalidade é constituída por dois elementos:noesis enoema. O primeiro elemento é o ato intencional; e o segundo é o objeto do ato intencional. A ciência da fenomenologia trata do significado ou da essência dos objetos da consciência. A fim de revelar a estrutura da consciência, o fenomenólogo deve pôr entre parêntesis a realidade empírica. Segundo Husserl, os procedimentos fenomenológicos desvelam o ego transcendental — que é a própria base e fonte de unidade do eu empírico.[142]
O pragmatismo é uma tradição filosófica que começou nos Estados Unidos por volta de 1870[143] suas origens são frequentemente atribuídas aos filósofosCharles Sanders Peirce,William James eJohn Dewey. Mais tarde, Peirce a descreveu em sua máxima pragmática: "Considere os efeitos práticos dos objetos de sua concepção. Então, sua concepção desses efeitos é a totalidade de sua concepção do objeto".[144]
O pragmatismo tentou encontrar um conceito científico de verdade que não dependa doinsight pessoal (revelação) ou referência a algum domínio metafísico e interpretava o significado de uma declaração pelo efeito que sua aceitação teria na prática. A investigação levada longe o suficiente é, portanto, o único caminho para a verdade.[144]
Premiado,Bertrand Russell fez contribuições significativas para uma ampla gama de assuntos, incluindo ética, política, teoria educacional, história das ideias e estudos religiosos. Retrato de Bassano (1936)
Ludwig Wittgenstein é um dos filósofos mais influentes do século XX e considerado por alguns como o mais importante desde Immanuel Kant.[145] Retrato de Moriz Nähr (1930)
A filosofia analítica, também chamada filosofia linguística, é um conjunto de abordagens vagamente relacionadas aos problemas filosóficos dominantes na filosofia anglo-americana do início doséculo XX que enfatiza o estudo da linguagem e a análise lógica de conceitos. Embora a maior parte do trabalho em filosofia analítica tenha sido realizado naGrã-Bretanha e nosEstados Unidos, também há contribuições significativas de outros países, principalmenteAustrália,Nova Zelândia e nos países daEscandinávia.[146]
A filosofia analítica originou-se por volta da virada do século XX, quandoG. E. Moore eBertrand Russell se separaram do que era a escola dominante nas universidades britânicas, oIdealismo absoluto; muitos também incluemGottlob Frege como fundador da filosofia analítica; quando Moore e Russell articularam sua alternativa ao Idealismo, eles usaram um idioma linguístico, frequentemente baseando seus argumentos nos "significados" de termos e proposições. Além disso, Russell acreditava que a gramática da linguagem natural é frequentemente filosoficamente enganosa, e que a maneira de dissipar a ilusão é re-exprimir proposições na linguagem formal ideal da lógica simbólica, revelando assim sua verdadeira forma lógica.[147]
ParaLudwig Wittgenstein, discípulo de Russell, os recursos da lógica matemática serviriam para revelar as formas lógicas que se escondem por trás da linguagem comum, a lógica é a própria condição de sentido de qualquer sistema linguístico.[148] Sob a inspiração dos trabalhos de Russell e de Wittgenstein, oCírculo de Viena passou a defender uma forma de empirismo que assimilasse os avanços realizados nas ciências formais, especialmente na lógica. Essa versão atualizada do empirismo tornou-se universalmente conhecida como neopositivismo oupositivismo lógico. OCírculo de Viena consistia numa reunião de intelectuais oriundos de diversas áreas (filosofia, física, matemática, sociologia, etc.) que tinham em comum uma profunda desconfiança em relação a temas de teor metafísico. Para esses filósofos e cientistas, caberia à filosofia elaborar ferramentas teóricas aptas a esclarecer os conceitos fundamentais das ciências e revelar os pontos de contatos entre os diversos ramos do conhecimento científico. Nessa tarefa, seria importante mostrar, entre outras coisas, como enunciados altamente abstratos das ciências poderiam ser rigorosamente reduzidos a frases sobre a nossa experiência imediata.[149]
Kitaro Nishida se concentrou nos fundamentos experimentais e lógicos do julgamento e da ação, que ele chamou deNada (mu)[150]
Historicamente, a filosofia chinesa passou por quatro períodos: o clássico, o neotaoísta ebudista, oneoconfucionista e o moderno. O período moderno começa no século XX e passa da ocidentalização, através de uma reconstrução da filosofia tradicional, para o triunfo domarxismo. Na segunda e terceira décadas, as obras deDarwin,Spencer e outras foram traduzidas, e as doutrinas deHaeckel,Kropotkin,Nietzsche,Schopenhauer,Bergson,Rudolf Eucken, Descartes e James, além de Platão, Kant e Hegel, foram apresentados, cada um com seus advogados especiais. Mais tarde,Whitehead,Josiah Royce,Carnap e outros foram promovidos por pequenos e sinceros grupos. Esse movimento revelou às novas perspectivas filosóficas chinesas em metafísica, lógica e epistemologia; o tom geral era científico, positivista e pragmático. De todos os sistemas ocidentais, o mais influente foi o pragmatismo, introduzido e promovido porHu Shi (1891-1962), líder da revolução intelectual de 1917.[138]:399–400 Na “polêmica da ciênciaversus vida” na década de 1920, os principais intelectuais chineses debateram a questão se a ciência pode ou não formar a base de uma filosofia de vida, o debate serviu para questionar a supremacia da filosofia ocidental, que, como entendida pelos chineses, era considerada essencialmente científica por oposição à metafísica. Na China contemporânea, omarxismo é a filosofia oficial, o pensamento marxista vinha crescendo na China desde meados da década de 1920 e, na época do estabelecimento daRepública Popular em 1949, havia passado peloleninismo aomaoísmo.[151]
No século XIX, a Índia não foi marcada por conquistas filosóficas notáveis, mas foi um período marcado por grandes movimentos de reforma social e religiosa, as universidades recém-fundadas introduziram os intelectuais indianos no pensamento ocidental, particularmente nas filosofias empirista, utilitária e agnóstica da Inglaterra, eJohn Stuart Mill,Jeremy Bentham eHerbert Spencer se tornaram os pensadores mais influentes das universidades indianas até o final do século. As ideias do Ocidente serviram para gerar um ponto de vista secular e racional além de estimular movimentos sociais e religiosos, dentre os quais o mais notável é o movimentoBrahmo Samaj fundado porRam Mohan Roy. Nas últimas décadas do século, sãoRamakrishna Paramahamsa de Calcutá renovou o interesse pelo misticismo, e muitos jovens racionalistas e céticos foram convertidos na fé exemplificada em sua pessoa. Ramakrishna ensinou, entre outras coisas, uma diversidade essencial de caminhos religiosos que levam ao mesmo objetivo, e esse ensino recebeu uma forma intelectual deSwami Vivekananda, seu famoso discípulo.[152]
O período moderno da filosofia japonesa começou com aRestauração Meiji em 1868[153] e a subsequente abertura do Japão às influências ocidentais, incluindo a filosofia ocidental. De fato, uma nova palavra,tetsugaku "sabedoria" (tetsu) e "aprendizado" (gaku) foi inventada para traduzir o termo ocidentalfilosofia. Embora otetsugaku tenha sido inicialmente se limitado à reflexão acadêmica sobre a filosofia ocidental, com exclusão da filosofia japonesa, logo abarcou uma gama mais ampla de estudos. Uma investigação sobre o bem (1911), deKitaro Nishida (1870-1945), foi a primeira grande obra a construir um novo sistema filosófico no estilo ocidental. À medida que seu pensamento evoluiu em trabalhos posteriores, Nishida se concentrou nos fundamentos experimentais e lógicos do julgamento e da ação, que ele chamou deNada (mu). A filosofia de Nishida se baseou nas ideias da Ásia Ocidental e Oriental (especialmenteZen). Por exemplo, sua preocupação com a "experiência pura" veio do pensamento ocidental do filósofo pragmatista americanoWilliam James, enquanto o termoNada veio do budismo. Após aSegunda Guerra Mundial, enquanto alguns filósofos permaneceram dentro dos parâmetros demarcados pela filosofia ocidental, outros desenvolveram filosofias a partir das ideias asiáticas tradicionais. O último grupo inclui filósofos budistas modernos, comoKoshiro Tamaki (1915–99) eHajime Nakamura (1911–99). Outros ainda continuam engajando outras tradições - ocidentais e asiáticas - na esperança de desenvolverinsights filosóficos adequados a uma perspectiva global, e não apenas monocultural. Esses filósofos incluemYasuo Yuasa (1925–2005) eShizuteru Ueda (1926-2019), um pensador que defendia a tradição da escola de Quioto.[150]
Categorias
Ainda queAdam Smith não tenha apresentado uma teoria do valor com a devida coerência, não se pode negar que ele apresentou as bases da teoria do valor-trabalho. Busto de Adam Smith (1845), de Patric Parc.[154]
As questões filosóficas podem ser agrupadas em categorias. Esses agrupamentos permitem que os filósofos se concentrem em um conjunto de tópicos semelhantes e interajam com outros pensadores interessados nas mesmas perguntas. Os agrupamentos também facilitam a filosofia para a abordagem dos alunos. Os alunos podem aprender os princípios básicos envolvidos em um aspecto do campo sem ficarem sobrecarregados com todo o conjunto de teorias filosóficas.
Várias fontes apresentam esquemas categóricos diferentes. As categorias adotadas neste artigo visam amplitude e simplicidade. Esses cinco ramos principais podem ser separados em sub-ramos e cada sub-ramo contém muitos campos específicos de estudo.[155]
Essas divisões não são exaustivas nem mutuamente exclusivas. (Um filósofo pode se especializar em epistemologia kantiana, estética platônica ou filosofia política moderna). Além disso, essas investigações filosóficas às vezes se sobrepõem umas às outras e a outras, como ciência, religião ou matemática.[156]
Metafísica (dogrego antigo μετα (metà), depois de, além de tudo; e Φυσις [physis], natureza ou física) é o estudo darealidade, doser, da natureza real do que quer que seja, dos primeiros princípios, às vezes chamadoontologia (embora alguns filósofos definam ontologia como um ramo da metafísica).[157]
Um ponto importante de debate é entrerealismo, que sustenta que existem entidades que existem independentemente de sua percepção mental e oidealismo, que sustenta que a realidade é mentalmente construída ou imaterial. A metafísica lida com o tópico daidentidade. Aessência é o conjunto de atributos que tornam um objeto o que é fundamentalmente e sem o qual perde sua identidade, enquanto que oacidente é uma propriedade que o objeto possui, sem a qual o objeto ainda pode reter sua identidade. Osparticulares são objetos que se diz existir no espaço e no tempo, em oposição aosobjetos abstratos, como números euniversais, que são propriedades mantidas por vários detalhes.
Epistemologia é o estudo do conhecimento (do gregoepisteme, conhecimento elogos, teoria).[158][159] Os epistemólogos se preocupam com uma série de tarefas, que podemos classificar em duas categorias; primeiro, devemos determinar a natureza do conhecimento; isto é, o que significa dizer que alguém sabe ou deixa de saber algo? Segundo, devemos determinar a extensão do conhecimento humano; isto é, quanto sabemos, ou podemos saber?[160]
A teoria da beleza pura de Kant reunia quatro aspectos: a liberdade dos conceitos, a objetividade, o desinteresse do espectador e sua obrigatoriedade.[167] Retrato de Johann Gottlieb Becker (1768)
O filósofo britânicoThomas Hobbes sustentou que muitas, se não todas, nossas ações são motivadas por desejos egoístas.[168] Retrato porJohn Michael Wright (c. 1669-1670)
Teoria dos valores é usado de pelo menos de três maneiras diferentes na filosofia, em seu sentido mais amplo, é um rótulo genérico usado para abranger todos os ramos da filosofia moral, da filosofia social e política, da estética e, às vezes, da filosofia feminista e da filosofia da religião — quaisquer que sejam as áreas da filosofia que abrangem algum Aspecto "avaliativo"; em seu sentido mais restrito, teoria do valor é usada para uma área relativamente estreita da teoria ética normativa, particularmente, mas não exclusivamente, que preocupa osconsequencialistas. Nesse sentido restrito, "teoria do valor" é aproximadamente sinônimo de "axiologia" que pode ser pensada como uma área da filosofia que se preocupa principalmente em classificar o que é bom e o quão bom é. Por exemplo, uma questão tradicional de axiologia diz respeito a se os objetos de valor são estados psicológicos subjetivos ou estados objetivos do mundo.[169]
A ética (ou filosofia moral) consiste em sistematizar, defender e recomendar conceitos de comportamento certo e errado; atualmente os filósofos geralmente dividem as teorias éticas em três áreas gerais: a metaética, aética normativa e aética aplicada, a metaética investiga de onde vêm nossos princípios éticos e o que eles significam; se são apenas invenções sociais ou não, se envolvem mais do que expressões de nossas emoções individuais. As respostas metéticas a essas dúvidas se concentram nas questões das verdades universais, na vontade de Deus, no papel da razão nos julgamentos éticos e no significado dos próprios termos éticos; a ética normativa assume uma tarefa mais prática, que é chegar a padrões morais que regulam a conduta certa e errada; isso pode envolver a articulação dos bons hábitos que devemos adquirir, dos deveres que devemos seguir ou das consequências de nosso comportamento para os outros; por fim, a ética aplicada envolve o exame de questões controversas específicas, comoaborto,infanticídio, direitos dos animais, preocupações ambientais, homossexualidade, pena de morte ou guerras.[168]
A estética é o estudo filosófico dabeleza e dogosto, é relacionada à filosofia da arte, que se preocupa com a natureza daarte e com os conceitos nos quais as obras de arte individuais são interpretadas e avaliadas.[170] É mais precisamente definida como o estudo sensório ou valores senso-emocionais, às vezes chamados dejulgamento desentimento e gosto.[171] Suas principais divisões são a teoria da arte,teoria literária,teoria do cinema eteoria da música. Um exemplo da teoria da arte é discernir o conjunto de princípios subjacentes ao trabalho de um determinado artista ou movimento artístico, como a estéticacubista.[172]
O mais completo e influente dos primeiros teóricos da estética foiImmanuel Kant, no final do século XVIII; Kant às vezes é considerado um formalista na teoria da arte; isto é, alguém que pensa que o conteúdo de uma obra de arte não é de interesse estético.[167]
Sociedade
Alguns dos que estudam filosofia tornam-se filósofos profissionais, normalmente trabalhando como professores que ensinam, pesquisam e escrevem em instituições acadêmicas.[173] No entanto, a maioria dos estudantes de filosofia acadêmica contribui mais tarde para direito, jornalismo, religião, ciências, política, negócios ou artes.[174][175] Por exemplo, figuras públicas com formação em filosofia incluem comediantesSteve Martin eRicky Gervais, cineastaTerrence Malick,Papa João Paulo II, cofundador daWikipediaLarry Sanger, empreendedor de tecnologiaPeter Thiele candidato a vice-presidenteCarly Fiorina.[176][177]
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