Fernanda Ribeiro | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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campeã olímpica | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na Maratona de Hamburgo em 2006 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Atletismo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Nome completo | Maria Fernanda Moreira Ribeiro | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Modalidade | Fundo | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Nascimento | 23 de junho de1969 (55 anos) Penafiel,Portugal | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Nacionalidade | portuguesa | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Compleição | Peso: 48 kg[1] • Altura: 1,61 m | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Clube | Valongo Susão (1980) Kolossal (1980–1983) FC Porto (1983–1992) Maratona CM (1993–1994) FC Porto (1995–2004) Valencia Terra i Mar (2004–2008) Individual (2008–2011) | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Período em atividade | 1980–2011 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Maria Fernanda Moreira RibeiroOIH •GCIH (Penafiel,23 de Junho de1969) é umaatletaportuguesa, especialista em corridas defundo e meio fundo. Uma das maiores referênciasportuguesas namodalidade, sagrou-se em 1996,campeã Olímpica, dos10000 metros emAtlanta, tornando-se na terceiraatleta nacional a conseguir oouroolímpico, depois deCarlos Lopes eRosa Mota. Sendo aatletaportuguesa mais medalhada de sempre, alcançou, entre outros feitos, amedalha de bronze nosJogos Olímpicos de Sydney 2000 e os títulos decampeã do Mundo,campeã da Europa ebicampeã europeia de pista coberta. Teve a honra de receber aMedalha Olímpica Nobre Guedes[2] e foi convidada a ser a porta-estandarte da comitiva portuguesa, na abertura dosJogos Olímpicos de Atlanta, que terminariam com Fernanda Ribeiro a bater orecord olímpico dos10000 metros.
Desde muito nova Fernanda Ribeiro demonstrou interesse pelo atletismo. Com capacidades únicas para a sua idade, despertou a cobiça de vários clubes logo aos 10 anos de idade. Depois de uma breve passagem pelo Valongo, de Susão, foi no Kolossal que a jovem dePenafiel começou a competir a nível oficial. No escalão de iniciada, logo dá provas do seu invulgar talento, ao classificar-se em 2.º lugar atrás deRosa Mota, nameia-maratona daNazaré.[3] Em 1982, sagra-se campeã nacional de iniciados e juvenis, em1500 metros e é naturalmente contratada por um dos melhores clubes nacionais deatletismo, oFutebol Clube do Porto. A aposta demonstrou-se totalmente justificada e em 1983, Fernanda era já a recordista nacional de iniciados, juvenis e juniores, tanto em1500 metros, como nos3000 metros.
Na antecâmara dos sucessos futuros a nível sénior, a atleta dosDragões consegue os seus primeiros grandes resultados a nível internacional, nos anos de 1986 e 1987, conquistando o 4.º lugar noMundial Júnior, deAtenas, em3000 metros. Na mesma distância e apenas um ano depois, sagra-se campeãeuropeia do escalão, na cidade inglesa deBirmingham, com um tempo de 8.56,33, estabelecendo um novo record nacional de juniores. Esta impressionante vitória valeu àatleta, a convocatória para osMundiais de Roma, do mesmo ano, com apenas 18 anos de idade. Esta foi a segunda experiência de grandes competições internacionais, a nível sénior, depois de não ter passado das qualificações nos Europeus de Estugarda. Valeu sobretudo pela experiência adquirida, já que a jovem nortenha não foi além do penúltimo lugar da meia final, apenas à frente da vice-campeã europeia de juniores, aromena Calenic, que tinha sido derrotada por Fernanda, emBirmingham.[4]
Com a motivação resultante de ter conseguido os mínimos olímpicos para osJogos de Seul, as suas primeirasOlimpíadas com apenas 19 anos de idade, Fernanda Ribeiro sagrou-se vice-campeã mundial de juniores, em3000 metros. Amedalha de prata foi conseguida na cidade canadiana deSudbury, de forma surpreendente, depois de ter sido apenas quinta classificada na meia final do dia anterior. NosJogos Olímpicos, melhorou o seu tempo da final do mundial de juniores em quase 10 segundos, mas tal não foi suficiente para fazer melhor que o 13.º lugar da sua meia final. A diferença entre os atletas do seu escalão e a fina nata mundial sénior provava ser ainda muito grande, mas a atleta doFutebol Clube do Porto deixava boas indicações para o futuro.
No caminho paraBarcelona 1992, as coisas não saíram da forma que Fernanda Ribeiro esperava, com resultados muito aquém do esperado. NosEuropeus de Split, em1990, não passou das qualificações dos3000 metros e em10000 metros desistiu a meio da prova. Nos seus segundoscampeonatos do mundo, emTóquio, as coisas não correram melhor e a jovem penafidelense ficou-se pelas meias finais, repetindo o resultado de 4 anos antes. Foi sem espanto, que os resultados não diferiram muito emBarcelona, 1992, com um 9.º lugar na sua meia-final e consequente eliminação. Com 23 anos, a campeã europeia e vice-campeã mundial de juniores estava a sentir claras dificuldades de transição para a competição sénior e os fracos resultados levaram-na a ponderar mesmo o abandono doatletismo.
É em 1993 que tudo muda. Já com novo treinador,João Campos, alcança o 10º lugar nosMundiais de Estugarda, já uma marca de muito respeito e que provava que Fernanda Ribeiro tinha qualidade para bem mais do que estava a render. No ano seguinte, em pista coberta, aatleta alcança a sua primeira medalha em grandes competições seniores, e logo oouro. EmParis, a atletaportista não só se sagrou campeã da Europa indoor, como bateu o recorde nacional dos3000 metros, que pertencia aAlbertina Dias. Estava a iniciar-se uma brilhante carreira a nível de conquistas internacionais, e no mesmo ano, Fernanda Ribeiro tornou-se também campeã da Europa em10000 metros, desta feita ao ar livre, emHelsínquia. Num evento fabuloso para ascores nacionais (Manuela Machado sagrou-se campeãeuropeia damaratona), Fernanda Ribeiro dominou a corrida e melhorou o seu recorde nacional para 31.04,25, à frente deConceição Ferreira, que trouxe aprata paraPortugal. Em 1995, mais medalhas para a fundista, com os títulos decampeã mundial nos10000 metros evice-campeã mundial nos5000 metros. Na prova mais longa, Fernanda Ribeiro ficou 4 segundos à frente deDerartu Tulu,campeã olímpica em Barcelona, quatro anos antes, e bateu o recorde dos campeonatos. Esta vitória valeu-lhe também umMercedes, apesar de à época não tercarta de condução.[3] Ao conseguir amedalha de prata nos5000 metros, 3 dias depois, ficando apenas atrás da irlandesa O´Sullivan, a atleta portuguesa fez história, tornando-se na primeira a fazer a chamada "dobradinha" emCampeonatos do Mundo.[4] Antes dosJogos Olímpicos de 1996, ainda houve tempo para revalidar, emEstocolmo, o seu título decampeã europeia de pista coberta nos3000 metros.
Os dados paraAtlanta estavam lançados. Fernanda Ribeiro chegava às suas terceirasOlimpíadas, mas ao contrário deSeul 1988 eBarcelona 1992, desta feita com aspirações legítimas a uma medalhaolímpica, defendendo o seu estatuto decampeã mundial ebicampeã europeia. Isso contribuiu em parte, para que fosse convidada a ser a porta-estandarte da comitivaportuguesa, tendo a atleta tido a honra de transportar abandeira nacional na cerimónia de abertura dosJogos Olímpicos de Atlanta.[5] A 9 de Junho de 1995 foi feita Oficial daOrdem do Infante D. Henrique.[6] A2 de agosto de 1996, com amedalha de prata mais que assegurada, Fernanda Ribeiro proporcionou um dos momentos mais brilhantes dodesportoportuguês e uma das finais de10000 metros mais espetaculares de sempre. Na última volta, a atleta chinesaWang Junxia, recordista mundial da distância e já sagradacampeã olímpica dos5000 metros, acelerou violentamente o ritmo, mas nunca conseguiu mais do que 4 metros de vantagem sobre Fernanda Ribeiro que protagonizou uma espectacular recuperação.[7] Com um final de prova demolidor, a fundista nacional surpreendeu tudo e todos, incluindo a super-favorita chinesa e fez uma ultrapassagem impensável, disparando para um novorecorde olímpico de 31.01,63 e sagrando-secampeã olímpica dos10000 metros, a terceiramedalha de ouro na históriaolímpica dePortugal.[8][9] Fernanda Ribeiro era a partir dessa alturacampeã olímpica,campeã do mundo ecampeã europeia, um feito só ao alcance dos melhores desportistas mundiais.
Tendo já conquistado tudo o que havia para ganhar, a ambição da nortenha não esmoreceu e 1997 foi mais um ano de vitórias, com mais trêsmedalhas conquistadas. A nível indoor, conquistou a sua única medalha emcampeonatos do mundo, com o bronze emParis 1997, alcançado na prova dos3000 metros, com o tempo de 8.49,79. Ao ar livre garantiu obronze nos5000 metros e aprata nos10000, repetindo o score de duas medalhas ganhas dois anos antes, nesta mesmacompetição. No ano seguinte, Fernanda conseguiu mais 2 segundos lugares, desta vez emcampeonatos europeus, de pista coberta e ar livre. EmValência, nos3000 metros, a corredora doFC Porto fez um tempo de 8.51,42, enquanto que emBudapeste realizou os10000 metros em 31.32,42. No final do ano, tinha mais 2medalhas de prata para juntar ao seu já longo palmarés. A 6 de Outubro de 1998 foi elevada a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.[6] No entanto, 1999 seria um ano negro na sua carreira. À partida para osMundiais de Sevilha, a expectativa era naturalmente de conquistar mais umamedalha, depois dos quatrolugares de pódio nos últimos doiscampeonatos mundiais. A atleta portuguesa ia em 4.º Lugar, quando se sentiu sem forças e desistiu, saindo da corrida visivelmente abalada.[10] O ano mau seria agravado com a sua primeira experiência naMaratona, que terminou também em desistência, emLondres. Esta tentativa falhada terá dado força à manutenção da portuguesa de 30 anos, no atletismo de pista, mais concretamente nos10000 metros, numa altura em que havia alguma incerteza sobre que rumo dar à sua carreira.[11]
Na chegada àcapital australiana, Fernanda Ribeiro não estava tão confiante como quatro anos antes. O ano anterior tinha sido terrível a nível de resultados, mas conforme os dias na aldeia olímpica iam passando, a confiança ia aumentando. Durante a final da prova, a inglesaPaula Radcliffe tomou o controlo da corrida logo desde o início, com uma passada terrível. As etíopesDerartu Tulu eGete Wami, e a quenianaTegla Laroupe eram, a par da inglesa, as maiores ameaças, mas a corredora nacional não perdeu contacto com a frente da corrida. As cinco destacaram-se do pelotão e aos 4 quilómetros já tinham 50 metros de avanço para as restantes. Aos 7 quilómetros a passada deRadcliffe aumenta e Laroupe perde terreno definitivamente, deixando quatro lugares em disputa para apenas três medalhas. Ao tocar da sineta para a última volta, logo asetíopes atacam e deixam as europeias surpreendidas e sem espaço de reação, decidindo entre si a vitória. Derartu Tulu, que havia sidomedalha de ouro emBarcelona, recuperou o título perdido para a portuguesa e bateu também o seurecorde olímpico, deixando a medalha de prata para a sua colega, Gete Wami. Para Fernando Ribeiro restava a luta pelo último lugar do pódio, e uma volta final de sacrifício garantiu-lhe o record nacional, com 30:22.88, e mais importante, o bronze em detrimento dainglesaPaula Radcliffe, que acabou a prova num sempre ingrato 4º Lugar, depois de ter passado a corrida inteira na liderança.[12] Desta forma a fundista de 31 anos conseguia mais um feito histórico, ao tornar-se a4ª desportista nacional a garantir 2 medalhas em Jogos Olímpicos, igualando o feito deLuís Mena e Silva,Carlos Lopes eRosa Mota.
Depois dosjogos de Sydney, não mais a atleta nortenha conseguiu medalhar em grandes competições internacionais. OsEuropeus de Munique, em 2002 e osMundiais de Paris, em 2003, acabaram em desistência nos10000 metros. Nacapital alemã, as lesões acabaram por impedir um desfecho melhor, com o abandono à passagem da meia légua, devido a problemas gástricos.[13] No dia seguinte, não recuperada do problema, aatleta também desistiu de participar nos5000 metros.[14] Um ano depois, foi otendão de Aquiles a condicionar a prova da fundista, que desistiu à passagem da 11.ª volta da prova.[15] Em 2004 deu-se a quinta participação de Fernanda Ribeiro nosJogos Olímpicos. Não houve desta vez espaço para um brilharete e a possibilidade de conquista de umamedalha era já pouco mais que um sonho distante. Foi sem surpresa que se deu a desistência nos10000 metros emAtenas, quando ia completamente afastada dos lugares da frente (16º Lugar a sete voltas do final), naquela que foi a despedida da campeã olímpica das provas de pista, ao mais alto nível.[16] Pouco tempo depois da despedida olímpica, Fernanda Ribeiro transferiu-se para o Valencia Terra i Mar.[17][18] Esta que foi a sua primeira aventura no estrangeiro, durou até 2008, ano em que a equipa espanhola se sagrou campeã da Europa de corta-mato, por clubes, no sector feminino.[19] Como individual, e já com 39 anos, a portuguesa apostou namaratona, depois de falhar o acesso à sua sexta participação nasOlimpíadas.[20] A aposta não deu os frutos pretendidos, pois nosEuropeus de Barcelona, em 2010, a campeã portuguesa não aguentou o elevado ritmo da prova e foi forçada a abandonar.
No seu currículo fica o título decampeã olímpica,campeã mundial,bicampeã da Europa e umamedalha de bronze nosJogos Olímpicos, no conjunto de 12medalhas em grandes competições internacionais, o que é até hoje recorde absoluto no atletismo português.
Campeonatos Ibero-americanos:
Jogos da Lusofonia:
Campeonatos Nacionais:
Mundiais de juniores:
Europeus de juniores: