Filho do banqueiro Abraham Mendelssohn e de Lea Salomon, e neto do filósofojudaico-alemãoMoses Mendelssohn, membro de uma famíliajudia notável, mais tarde convertida aoluteranismo. Começou a compor aos nove anos (mais tarde mudou seu sobrenome para Mendelssohn Bartholdy).[2]
Felix cresceu num ambiente de intensa efervescência intelectual. As maiores mentes da Alemanha foram visitas frequentes da sua família na casa em Berlim, incluindo aWilhelm von Humboldt eAlexander von Humboldt. Sua irmã Rebecca casou com o grande matemático belgaLejeune Dirichlet.[3]
Abraham renunciou a religiãojudaica,[4] A família mudou-se paraBerlim em 1811. Abraham e Lea tentam dar a Felix, ao seu irmão Paul, e às suas irmãs, Fanny e Rebeca, a melhor educação possível. Sua irmãFanny Mendelssohn (mais tarde, Fanny Hensel), se tornou conhecida pianista e compositora.[5]
Mendelssohn era considerado umacriança prodígio. Começou a ter lições de piano com a sua mãe aos seis anos, acompanhados por Marie Bigot. A partir de 1817, estudou composição com Carl Friedrich Zelter, emBerlim. Escreveu e publicou o seu primeiro trabalho, um quarteto com piano, aos treze anos. Mais tarde teve aulas de piano do compositor e virtuosoIgnaz Moscheles, confessou em seu diário que ele tinha muito a ensinar-lhe. Moscheles foi grande colega eamigo ao longo da vida.[6]
Em 1818, com apenas nove anos, Felix fez sua primeira apresentação em público, emBerlim, iniciando sua carreira como instrumentista, maestro e compositor. Considerado um novo gênio da música, causava assombro e despertava elogios em todos os lugares onde se apresentava. Por volta dos quinze anos de idade, já havia finalizado diversas obras.[7]
Em 1821, Zelter apresentou Mendelssohn a seu amigo e correspondenteJohann Wolfgang von Goethe, que ficou muito impressionado o pequenoprodígio:
"Os prodígios musicais ... provavelmente não são mais tão raros; mas o que este homenzinho pode fazer extemporaneamente e tocando à vista beira o milagroso, e eu não poderia ter acreditado que fosse possível em uma idade tão jovem." "E ainda assim você ouviu Mozart em seu sétimo ano em Frankfurt?" disse Zelter. "Sim", respondeu Goethe, "... mas o que o seu aluno já realiza, guarda a mesma relação com o Mozart daquela época que a fala culta de um adulto tem para a tagarelice de uma criança".[8]
Em 1824, aos quinze anos de idade, seu professor, Zelter, declara a Mendelssohn que não havia mais nada a lhe ensinar.
Em 1826, aos dezessete anos, escreveu a abertura do "Concerto Op. 21 (Sonho de uma Noite de Verão)" e estreou-a em 20 de fevereiro de 1827, emSzczecin, revelando seus enormes talentos para a composição.Robert Schumann definiu a abertura como “um derramamento de juventude” Quinze anos mais tarde, em 1843, Mendelssohn acrescentaria à abertura que escrevera anos antes treze peças, incluindo uma importante música de cena, muito conhecida como a famosa “Marcha Nupcial”.[9]
No dia 11 de março de 1829, Mendelssohn arranjou e regeu aPaixão segundo Mateus emBerlim. Quatro anos antes, sua avó lhe havia dado uma cópia do manuscrito da obra-prima deBach, que estava, na época, quase esquecida.[10] A orquestra e o coro foram providenciados pelaSingakademie deBerlim. O sucesso dessa apresentação - a primeira desde a morte de Bach, em 1750 – foi de grande importância para que a música deJ. S. Bach voltasse a ser tocada naAlemanha e, depois, em toda aEuropa,[11] além de render a Mendelssohn o reconhecimento geral do seu talento, aos 20 anos de idade.
Após reger "Paixão segundo São Mateus", Mendelssohn partiu para uma série de viagens. Em1829, em uma primeira viagem àInglaterra e àEscócia, surgiram novas obras, como a conhecida comoSinfonia nº 5 (“Reforma”), o esboço daSinfonia “Escocesa” (nº 3) e a abertura "As hébridas", também chamada de "A gruta de Fingal". Em seguida, uma grande viagem para aItália lhe deu material e inspiração para a cintilante "Sinfonia italiana" (nº 4), talvez a mais famosa de todas as suas obras do gênero. EmRoma, Mendelssohn estabeleceu amizade comBerlioz; em Paris, encontrouChopin eLiszt. Retornou àAlemanha no início dosanos 1830.[9]
No dia 15 de maio de 1832, seu professor, Carl Friedrich Zelter morreu, emBerlim. Com a morte de Zelter, Mendelssohn tinha esperanças de sucedê-lo como regente do Singakademie, sociedade musical fundada emBerlim em 1791 por Carl Friedrich Christian Fasch. Porém, após uma votação, em janeiro de 1833, Carl Friedrich Rungenhagen é escolhido para o cargo.[12] Após a perda do cargo, passou os anos seguintes entre aGrã-Bretanha eDüsseldorf, onde, em 1833, foi nomeado diretor musical, seu primeiro posto remunerado como músico.[13]
Entre 1833 e 1835, envolveu-se em atividades musicais emDüsseldorf. Em 1835, tornou-se diretor daOrquestra da Gewandhaus, contribuindo muito para a excelência do conjunto, desempenho que é visto até os dias de hoje.[8]
Além de um excelente regente, Mendelssohn também mostrou-se um programador ousado. Recuperou osconcertos para piano deMozart e programou obras deBeethoven eWeber. Seu interesse pelo oratório fez com que fossem redescobertas grandes obras deHändel eHaydn no gênero. Mais tarde, ele próprio comporia dois grandes oratórios: "Paulus" (1836) e "Elias" (1844). Mendelssohn ainda apresentou mais uma vez "Paixão segundo São Mateus", dessa vez na igreja São Tomás emLeipzig, na mesma onde se deu a primeira audição. Dedicou, ainda, recitais paraórgão à obra deBach, atuando como intérprete. Em várias ocasiões, interpretou o "Concerto para três cravos" (numa das vezes, ao lado deLiszt eHiller).[9]
EmLeipzig, trabalhou com a orquestra a ópera "O Thomanerchor" e outras instituições corais e musicais da cidade. Mendelssohn também reviveu o interesse pela música deFranz Schubert.Robert Schumann descobriu o manuscrito da Nona Sinfonia de Schubert e o enviou a Mendelssohn, que, prontamente, a estreou emLeipzig, em 21 de março de 1839.[15]
Em 1841, aceitou o cargo de mestre de capela do rei da Prússia, tendo que se dividir, a partir de então, entreLeipzig eBerlim.[16]
Noverão de 1844, em uma visita àGrã-Bretanha, conduziu cinco dos concertos daFilarmônica de Londres. Em uma carta para Rebecka Mendelssohn Bartholdy, datada de 22 de julho de 1844, escreveu: "Nunca antes foi qualquer coisa como esta temporada - nunca fomos para a cama antes da uma e meia, a cada hora de todos os dias eram preenchidos com compromissos três semanas antes, e eu consegui ouvir mais música em dois meses do que em todo o resto do ano".[17]
O último grande trabalho sinfônico de Mendelssohn foi a sinfonia Lobgesang, de 1840. Sua produção demúsica de câmara (na qual se destacam quartetos e quintetos de cordas), porém, continuou ativa até pouco antes de sua morte.[9]
Em 14 de maio de 1847,Berlim,Alemanha, a irmãFanny de Mendelssohn morre, após um ataque deapoplexia. Seus pais haviam morrido alguns anos antes, em1835 e em1842, e a morte deFanny causou um grande impacto no compositor. Mendelssohn morreu no dia4 de novembro de1847, seis meses após a morte da irmã, devido a umderrame cerebral.[16]
Uma paixão não correspondida pela soprano suecaJenny Lind pode ter contribuído para a morte de Felix Mendelssohn. Essa é a tese levantada por uma jornalista doThe Independent, Jessica Duchen. A tese tem por base um documento depositado nos arquivos daRoyal Academy of Music, emLondres: uma declaração do marido de Jenny Lind, Otto Goldschmidt, confessando ter destruído uma carta de Mendelssohn para Jenny, que teria o poder de macular profundamente as reputações de sua mulher e de Mendelssohn. Na carta o compositor teria declarado amor ardente por ela, implorando que ela fugisse com ele para osEstados Unidos e ameaçando suicídio caso ela recusasse. Supõe-se que Jenny, efetivamente, recusou. Meses depois, Mendelssohn estava morto.[18]
Charles Rosen, em seu livroA Geração Romântica deprecia Mendelssohn como "kitsch religioso".[19] Essa opinião reflete um contínuo desprezo pela estética musical por parte deRichard Wagner e seu seguidores. NaInglaterra, a reputação de Mendelssohn manteve-se elevada durante muito tempo. ARainha Victoria demonstrou o seu entusiasmo, quando noCrystal Palace foi construída, em 1854, uma estátua de Mendelssohn.[20]
Nas suas apresentações, Mendelssohn utilizava instrumentos do fabricante de pianos vienenseConrad Graf. Em 1832 pediu a Aloys Fuchs que lhe comprasse um piano de Graf e o entregasse na casa dos seus pais, em Berlim.[22] Mendelshohn ficou tão satisfeito com este instrumento que decidiu encomendar mais dois pianos a Graf: um para ele e o outro para a noiva do seu irmão.[22]
Sergei Istomin,Viviana Sofronitsky. Felix Mendelssohn.Complete Works for Cello and Pianoforte. Conrad Graf da década de 1819 (Paul McNulty)
Riko Fukuda,Tobias Koch. Chopin, Mendelssohn, Moscheles, Hiller, Liszt.Grand duo Œuvres pour duo de pianofortes. Fortepianos Graf das décadas de 1830, 1845
↑A grande maioria das fontes impressas (por exemplo, as fontes mencionadas nas referências e listas de gravações em lojas), adotam a forma 'Mendelssohn' e não 'Mendelssohn Bartholdy'. OGrove Dictionary of Music and Musicians usa "(Jakob Ludwig) Felix Mendelssohn(-Bartholdy)" como entrada, como entrada, e "Mendelssohn" ao longo do texto.
↑Todd, R. Larry (2001).Mendelssohn - A Life in Music. Nova York: Oxford University Press. p. 285
↑Todd, R. Larry (2001).Mendelssohn - A Life in Music. Nova York: Oxford University Press. p. 285
Hensel, Sebastian (1884).The Mendelssohn Family 4ª edição revisada ed. London: [s.n.] Editado pelo sobrinho de Felix, uma importante coleção de cartas e documentos sobre a família.
Mendelssohn, Felix, ed. F. Moscheles,Letters of Felix Mendelssohn to Ignaz and Charlotte Moscheles, Londres e Boston, 1888
Mendelssohn, Felix, ed. R. Elvers, tr. C. Tomlinson,Felix Mendelssohn, A Life in Letters, New York 1986ISBN 0-88064-060-X
Mercer-Taylor, Peter (2000).The Life of Mendelssohn. Cambridge: Cambridge University Press.ISBN0521639727
Mercer-Taylor, Peter (ed.),The Cambridge Companion to Mendelssohn, Cambridge 2004ISBN 0-521-53342-2
Moscheles, Charlotte (1873).Life of Moscheles, with selections from his Diaries and Correspondence. London: [s.n.]
Todd, R. Larry (ed.),Mendelssohn and his World, Princeton 1991ISBN 0-691-02715-3
Todd, R. Larry (2003).Mendelssohn - A Life in Music. Oxford; New York: Oxford University Press.ISBN0195110439
Werner, Eric (1963).Mendelssohn, A New Image of the Composer and his Age. New York; London: [s.n.] Uma reavaliação pioneira quando publicada pela primeira vez, agora objeto de controvérsia por causa da interpretação excessivamente entusiasmada de Werner de alguns documentos na tentativa de estabelecer as simpatias judaicas de Felix. Veja Musical Quarterly, vols. 82-83, artigos de Sposato, Leon Botstein e outros.
Existem inúmeras edições publicadas e seleções de cartas de Felix Mendelssohn. Uma edição completa estava sendo preparada em 2006 mas deve levar vinte anos para ser completada.