Fantasia é um gênero da ficção em que geralmente se utilizam fenômenossobrenaturais, mágicos e outros como elementos primários do enredo, tema ou configuração. Muitas obras dentro do gênero ocorrem em mundos imaginários, onde há criaturas mágicas e itens mágicos. Geralmente, a fantasia distingue-se dos gênerosficção científica ehorror pela expectativa de que ele dirige claramente de temas científicos e macabros, respetivamente, embora haja uma grande sobreposição entre os três, todos os quais são subgêneros daficção especulativa.[1] Muitas vezes sendo acompanhada peloromance.
Uma vantagem do gênero fantástico é que o mesmo não se prende apenas à literatura, mas também ao cinema e música (Blind Guardian, por exemplo, possui um álbum inspirado emO Silmarillion).[2] Também pode-se misturar fantasia com realidade, um exemplo claro que se vê em Harry Potter, que se passa emLondres, mesmo tendo todo um universo mágico por trás.
Como noutras formas de ficção, os acontecimentos e ações na literatura fantástica muitas vezes diferem daqueles possíveis na realidade, embora não seja regra. Em muitos casos, especialmente em trabalhos mais antigos, mas também em muitos modernos, isto é explicado por uma intervenção divina, mágica, ou de outras forças sobrenaturais. Noutros casos, como na chamadahigh fantasy, a história pode acontecer num mundo completamente fantástico, diferente do nosso, onde nele existe a magia, e as leis do mundo real nem sempre regem o mundo imaginário.
The Enchanted Garden of Messer Ansaldo, de Marie Spartali Stillman.
Como a fantasia não se limita a um só mundo e ao material, como em outros gêneros, há muito que pode ser trabalhado. As características que definem a ficção fantástica é tema de debate entre escritores e leitores, uma vez que é um assunto extremamente amplo. Mas, em opinião geral, uma característica delineadora é a independência daciência outecnologia tais como conhecemos. Muitos mundos têm sua própria ciência, suas próprias tecnologias, ou não as possuem, ou não se prendem tanto aos conceitos reais. A magia é um exemplo disso. A ciência diz que a magia não existe, entretanto, na fantasia podemos vê-la se manifestar livremente. Como dito acima, as histórias podem conter apenas criaturas humanas e seres do mundo real, quanto podem reunir criaturas como dragões,centauros eelfos. Não é regra, então são vistos como elementos. São comuns: jovens guerreiros, magos, profecias, maldições demoníacas, lendas de dragões.
Como gênero, a fantasia está tanto associada quanto distinguida daficção científica e doterror. Todos os três gêneros podem conter elementos de fantasia, assim como se distanciar radicalmente da realidade, ou especular radicalmente sobre a natureza da realidade. Se aficção científica é considerada o gênero do quepodia ser/poderá ser, a fantasia é o gênero do quenão é/não foi. Alguns escritores e críticos preferem, por isso, o termoficção especulativa, devido às frequentes sobreposições entre gêneros.[1] O termofantasia científica é também por vezes utilizado para descrever histórias de ficção científica que incorporam elementos de fantasia, ou histórias de fantasia que ocorrem em cenários mais comumente associados com ficção científica.[3]
Para complicar ainda mais a distinção, alguns sugerem que há uma distinção entre o gênero fantástico e outros gêneros fantásticos mais gerais, os quais usam elementos fantásticos em outros gêneros de ficção. Essa confusão só existe por causa da versatilidade do gênero, que pode ter elementos aplicados em todos os outros.
Apesar de o gênero, no seu sentido moderno, ter menos de dois séculos, os seus antecedentes têm uma história longa. Começam talvez com os documentos mais antigos conhecidos pela humanidade. Mitos e outros elementos que surgiriam para definir a fantasia e os seus subgêneros foram parte de alguns dos mais grandiosos e celebrados trabalhos de literatura. Desde aOdisseia, asLendas Arturianas, dos romances medievais àpoesia épica daDivina Comédia, das aventuras fantásticas de bravos heróis e heroínas, monstros e reinos secretos, inspiraram muitas audiências. Neste sentido, a história da fantasia e a história da literatura estão intimamente interligadas.
A história do mundo moderno da fantasia começa comWilliam Morris, membro dairmandade pré-rafaelita, que, nos fins do século XIX, se tornou o pioneiro do género com a obra "The Well at the World’s End" (o Poço no Fim do Mundo) e outras obras, e Edward Plunkett, Lord Dunsany, que continuou a tradição até ao século XX.
A fantasia foi um gênero comum derevistas pulp publicados no Ocidente. Em 1923, foi criada a primeira revista totalmente dedicada a fantasia, aWeird Tales. Muitas outras revistas semelhantes surgiram, mais notadamenteThe Magazine of Fantasy & Science Fiction. O formato de revista pulp estava no auge de sua popularidade neste momento e foi instrumental em trazer a fantasia para um público amplo, tanto nosEstados Unidos, quanto noReino Unido. Essas revistas também foram determinantes para o surgimento da ficção científica, e foi nessa época que os dois gêneros começaram a ser associado um com o outro.
Um outro subgénero da fantasia tornou-se muito popular: a chamadaHigh Fantasy, ou Alta Fantasia. Dentro dele,O Hobbit eO Senhor dos Anéis, lançados originalmente entre1937 e1955, do escritor e filólogobritânicoJ. R. R. Tolkien são marcos, considerados os "pontapés iniciais" do gênero, que o difundiu e o catapultou para se torná-lo um fenômeno de público e mídia ao longos das décadas seguintes;[5] outros trabalhos importantes sãoAs Crônicas de Nárnia do tambémbritânicoC. S. Lewis (composta de sete volumes, publicados entre1950 e1956), e a sérieEarthsea daescritoraamericanaUrsula K. Le Guin (tendo sido o primeiro dos seis volumes da série, intituladoA Wizard of Earthsea, publicado em1968, que deu continuidade ao trabalho de escritores anteriores, Tolkien e Lewis principalmente, no gênero). Em suma, a literatura fantástica viu a sua popularidade renovada no fim do século XX, muitas vezes influenciada por estes trabalhos e, tal como eles, influenciada por mitos e romances épicos e medievais.
No brasil, a fantasia sempre esteve presente na literatura, como explicitado no livro Fantástico Brasileiro: O Insólito Literário do Romantismo ao Fantasismo, de Bruno Anselmi Matangrano eEnéias Tavares. A partir do século XXI, a fantasia ganhou ainda mais popularidade através de livros como Os Sete, deAndré Vianco, A Batalha do Apocalipse, deEduardo Spohr, e A Era do Abismo, de Bernardo Stamato.
A popularidade do género fantástico continuou a aumentar no século seguinte, como é demonstrado pelobest sellerHarry Potter, deJ.K. Rowling, um dos maiores fenômenos literários da história, que foi um recorde bombástico de vendas[6] e foi igualmente bem-sucedido no cinema, com 8 grandiosos filmes aclamados por público e crítica e sucessos estrondosos de bilheteria. Nos cinemas, a adaptação da grande trilogia de Tolkien,O Senhor dos Anéis, é considerado um clássico da historia cinematográfica faturando mais de uma dezena de Oscar em toda a trilogia.[7]
A fantasia é um gênero muito popular, encontrando lugar em quase todas as mídias. Enquanto que a arte fantástica e os filmes de fantasia foram altamente sucedidos, é na literatura e nos jogos eletrônicos que o gênero se expandiu mais e se diversificou.
Os jogos de fantasia cruzam medias diferentes. ORPG de mesa, mais precisamente o famosoDungeons & Dragons, foi o principal percursor da fantasia fora da literatura, mas que a usava de certo modo.[8] No mundo dos games eletrônicos, ficou em evidência o japonêsFinal Fantasy, nome de peso, se tornando um ícone dosRPG eletrônicos. Devido a estes, muita nova arte, literatura, e mesmo música surgiu. As companhias de jogos publicavam romances fantásticos com base no universo dos seus jogos. Do mesmo modo, filmes baseados em livros de fantasia e séries de TV com essas temáticas também se tornaram populares.
A fantasia moderna, incluindo a mais recente, também criou muitos subgêneros sem ligação clara com ofolclore oumitologia, embora a inspiração nestes temas continue. Há mais liberdade para se desenvolver algo nesse gênero. Autores gostam de fantasia principalmente por poderem usar sua imaginação ao extremo para causar as mais diversas emoções em seus leitores.
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