A Europa é o segundo menor continente em superfície do mundo, cobrindo cerca de 10 180 000 km² ou 2% da superfície daTerra e cerca de 6,8% da área acima do nível do mar. Dos cerca de 50 países da Europa, aRússia é o maior tanto em área quanto em população (sendo que a Rússia se estende por dois continentes, a Europa e a Ásia) e oVaticano é o menor. A Europa é o quarto continente mais populoso do mundo, após aÁsia, aÁfrica e a(s)América(s), com 740 milhões de habitantes em 2015, cerca de 11% dapopulação mundial naqueleano,[3] isto é, a cada 100 pessoas no mundo neste período, 11 viviam no continente. No entanto, de acordo com aOrganização das Nações Unidas (estimativa média), o peso europeu pode cair para cerca de 7% em 2050.[4] Em 1900, por exemplo, a população europeia representava 25% da população mundial (ou seja, a cada 4 habitantes do mundo naquele ano, 1 vivia dentro dos limites do continente).[5]
O mapamedievalT e O, de 1472, mostrando a divisão do mundo em 3 continentes, atribuídos aos três filhos deNoé
O uso do termo "Europa" desenvolveu-se gradualmente ao longo da história.[8][9] Naantiguidade, o historiador gregoHeródoto provavelmente em referência a mapas deHecateu de Mileto embora sem o nomear explicitamente, descreve o mundo como tendo sido dividido em três continentes, sendo eles a Europa, a Ásia e aLíbia (África), com oNilo e orio Fásis formando de suas fronteiras, embora também afirme que alguns consideravam orio Don, em vez do Fásis, como a fronteira entre Europa e Ásia.[10]Flávio Josefo e oLivro dos Jubileus descrevem os continentes como as terras dadas porNoé aos seus três filhos, sendo a Europa definida entre asColunas de Hércules noEstreito de Gibraltar, separando-a da África, e o rio Don, separando-o da Ásia.[11]
A definição cultural da Europa como terras dacristandade latina consolidou-se noséculo VIII, significando um novo local cultural criado através da confluência de tradições germânicas e da cultura cristã-latina, definidas em parte, em contraste com oIslão eImpério Bizantino, e limitado a norte pelaIbéria (noCáucaso),Ilhas Britânicas,França,Alemanha ocidentalcristianizada, e as regiões alpinas do norte e no centro daItália.[12] Esta divisão, tanto geográfica como cultural, foi utilizada até aBaixa Idade Média, quando foi desafiada pelaEra dos descobrimentos.[13][14] O problema da redefinição da Europa, finalmente foi resolvido em 1730 quando, em vez de canais, ogeógrafo ecartógrafosuecovon Strahlenberg propôs osMontes Urais como a fronteira mais importante do leste, uma sugestão que foi aceita na Rússia e em toda a Europa.[15]
A Europa está agora em geral, definida pelos geógrafos, como apenínsula ocidental daEurásia, com seus limites marcados por grandes massas de água para o norte, oeste e sul; limites da Europa para oExtremo Oriente são normalmente tomadas para osUrais, orio Ural, e oMar Cáspio, a sudeste, as montanhas doCáucaso, oMar Negro e nas vias que ligam o Mar Negro aoMar Mediterrâneo.[16]
Namitologia grega,Europa era uma princesafenícia queZeus sequestrou depois de assumir a forma de um touro branco deslumbrante. Ele a levou para a ilha deCreta, onde ela deu à luzMinos,Radamanto eSarpedão. ParaHomero, Europa (emgrego:Εὐρώπη,Eurṓpē) era uma rainha mitológica de Creta e não uma designação geográfica. Mais tarde, o termoEuropa foi usado para se referir aocentro-norte da Grécia, e em500 a.C., seu significado foi estendido para as terras ao norte.
O nomeEuropa é de etimologia incerta.[21] Uma teoria sugere que a palavra é derivada do grego εὐρύς (eurus), que significa "largo, amplo"[22] e ὤψ/ὠπ-/ὀπτ- (ōps/ōp-/opt-) significa "olho, rosto, semblante",[23] portantoEurṓpē seria algo como "ampla contemplação".Amplo era umepíteto da própriaTerra nareligião protoindo-europeia.[24] Outra teoria sugere que o termo é baseado em uma palavrasemita como o mesmo significado doacadianoerebu, algo como "para ir para baixo, pôr-se" (cf.Ocidente),[25] um cognato dofenícioereb "noite; oeste" e doárabe doMagrebe, dohebraicoma'ariv (verÉrebo,PIE*h1regʷos, "escuridão"). No entanto, M. L. West afirma que "fonologicamente, a correspondência entre o nome de Europa e qualquer forma da palavra semítica é muito pobre".[26]
As principais línguas do mundo usam palavras derivadas de "Europa" para se referir ao "continente" (península). Ochinês, por exemplo, usa a palavraŌuzhōu (歐洲); este termo também é usado para se referir àUnião Europeia nas relações diplomáticas emlíngua japonesa, apesar do termokatakanaYōroppa (ヨーロッパ) ser mais comumente usado. No entanto, em algumas línguas turcas, o nome originalmentepersaFrangistan (terra dosfrancos) é usado casualmente para se referir à grande parte da Europa, além de nomes oficiais, comoAvrupa ouEvropa.[27]
OsHomo erectus e osNeanderthalis habitavam a Europa bem antes do surgimento dos humanos modernos, osHomo sapiens.[28] Os ossos dos primeiros europeus foram achados emDmanisi,Geórgia, e datados de 1,8 milhões de anos.[29] O primeiro aparecimento do povo anatomicamente moderno na Europa é datado de35 000 a.C.[30] Evidências de assentamentos permanentes datam do7º milénio a.C. naBulgária,Roménia eGrécia.[30] O períodoneolítico chegou naEuropa central no6º milénio a.C. e em partes daEuropa Setentrional no 5º e4º milénio a.C.. Acivilização Tripiliana (5 508-2 750 a.C.) foi a primeira grande civilização da Europa e uma das primeiras do mundo; era localizada naUcrânia moderna e também naMoldávia eRoménia. Foi provavelmente mais antiga que osSumérios noOriente Próximo, e tinha cidades com 15 000 habitantes que cobriam 450 hectares.[31]
Também conhecido comoIdade do Cobre, oCalcolítico europeu foi um tempo de mudanças e confusão. O fato mais relevante foi a infiltração e invasão de imensas partes do território por povos originários daÁsia Central, considerado pelos principais historiadores como sendo os originaisindo-europeus, mas há ainda diversas teorias em debate. Outro fenómeno foi a expansão doMegalitismo e o aparecimento da primeira significante estratificação económica e, relacionado a isso, as primeiras monarquias conhecidas da região dosBalcãs.[28] A primeira civilização bem conhecida da Europa foi as dosMinoicos da ilha deCreta e depois osMicenas em adjacentes partes daGrécia, no começo do2º milénio a.C..[28]
Embora o uso doferro fosse de conhecimento dos povosegeus por volta de1 100 a.C., não chegou àEuropa Central antes de800 a.C., levando ao início daCultura de Hallstatt, uma evolução daIdade do Ferro (que até então se encontrava naCultura dos Campos de Urnas). Provavelmente como subproduto desta superioridade tecnológica, pouco depois os indo-europeus consolidam claramente suas posições naItália e naPenínsula Ibérica, penetrando profundamente naquelaspenínsulas (Roma foi fundada em753 a.C.).
Osgregos eromanos deixaram um legado na Europa que é evidente nos pensamentos, leis, mentes e línguas actuais. A Grécia Antiga foi uma união decidades-estado, na qual uma primitiva forma dedemocracia se desenvolveu.Atenas foi sua cidade mais poderosa e desenvolvida, e um berço de ensinamento nos tempos dePéricles. Fóruns de cidadãos aconteciam e o policiamento do estado deu ordem ao aparecimento dos mais notáveis filósofos clássicos, comoSócrates,Platão eAristóteles. Como rei doReino Grego da Macedónia, as campanhas militares deAlexandre o Grande espalharam acultura helénica até às nascentes dorio Indo.
Mas aRepública Romana, alicerçada pela vitória sobreCartago nasGuerras Púnicas, estava crescendo na região. A sabedoria grega passada às instituições romanas, assim como a própriaAtenas foi absorvida sob a bandeira do senado e do povo de Roma. Os romanos expandiram seu império desde aArábia até aBretanha. Em44 a.C. quando atingiu o seu ápice, seu líder,Júlio César foi morto sob suspeitas de estar corrompendo a república para se tornar umditador. Na sucessão,Otaviano usurpou as raízes do poder e dissolveu osenado romano. Quando proclamou o renascimento da república ele, de facto, transferiu o poder do senado romano quando república para um império, oImpério Romano.
Quando o ImperadorConstantino reconquistou Roma sob a bandeira da Cruz em 312, ele rapidamente editou oÉdito de Milão em 313, declarando legal ocristianismo noImpério Romano. Além disso, Constantino mudou oficialmente a capital do império,Roma, para a colónia grega deBizâncio, que ele renomeou paraConstantinopla ("Cidade de Constantino"). Em 395,Teodósio, que tornou o cristianismo religião oficial do Império Romano, iria ser o último imperador a comandar o Império Romano em toda a sua unidade, sendo depois o império dividido em duas partes: OImpério Romano do Ocidente, centrado emRavena, e oImpério Romano do Oriente (depois referido comoImpério Bizantino) centrado em Constantinopla. A parte ocidental foi seguidamente atacada portribos nómadas germânicas, e em 476 finalmente caiu sob a invasão dosHérulos comandados porOdoacro.
Papa Adriano I pede ajuda aCarlos Magno, rei dosFrancos, contra a invasão de 772
NaEuropa Ocidental, uma estrutura política surgia: no vácuo do poder deixado pelo colapso de Roma, hierarquias locais foram construídas sob a união das pessoas nas terras que eram trabalhadas.Dízimos eram pagos ao senhor da terra e este senhor devia tributos ao príncipe regional. Os dízimos eram usados para financiar oestado e asguerras. Esse foi osistema feudal, no qual novospríncipes ereis apareceram, no qual o maior deles foi o líderFrancoCarlos Magno. Em 800, Carlos Magno, após as suas grandes conquistas territoriais, foi coroado Imperador dos Romanos ("Imperator Romanorum") peloPapa Leão III, afirmando efectivamente o seu poder na Europa Ocidental. O reinado de Carlos Magno marcou o começo dum novo império germânico no oeste, oSacro Império Romano. Para além das suas fronteiras novas forças estavam crescendo. ARússia de Quieve estava delimitando o seu território, aGrande Morávia estava crescendo, enquanto osanglos e ossaxões estavam confirmando as suas fronteiras.
O italianoFrancesco Petrarca (Francesco di Petracco), suposto primeiro legítimohumanista, escreveu na década de 1330:"Estou vivo agora, ainda que eu prefira ter nascido noutro tempo". Ele era um entusiasta daantiguidade romana e grega. Nos séculos XV e XVI, o contínuo entusiasmo pela antiguidade clássica foi reforçado pela ideia de que a cultura herdada estava se dissipando e de que havia um conjunto de ideias e atitudes com que seria possível reconstruí-la.Matteo Palmieri escreveu em 1430:"Agora, com certeza, todo espírito pensante deve agradecer a Deus, porque a ele foi permitido nascer numa nova era". ORenascimento fez nascer uma nova era em que aprender era muito importante.
Importantes precedentes políticos aconteceram neste período. O políticoNicolau Maquiavel escreveu "O Príncipe" que influenciou o posteriorabsolutismo e a política pragmática. Também foram importantes os diversos líderes que governaram estados e usaram a arte da Renascença como sinal de seus poderes.
Durante esse período, a corrupção daIgreja Católica levou a uma dura reação, naReforma Protestante.[28] E ela ganhou muitos seguidores, especialmente entre príncipes e reis buscando um estado forte para acabar com a influência daigreja católica. Figuras comoMartinho Lutero começaram a surgir, assim também comoJoão Calvino com o seuCalvinismo que teve influência em muitos países e o reiHenrique VIII da Inglaterra que rompeu com a igreja católica e fundou aIgreja Anglicana. Essas divisões religiosas trouxeram uma onda de guerras inspiradas e conduzidas religiosamente, mas também pela ambição dosmonarcas naEuropa Ocidental que se tornavam cada vez mais centralizadas e poderosas.
Areforma protestante também levou a um forte movimento reformista na igreja católica chamadoContrarreforma, que tinha como objectivo reduzir a corrupção, assim como aumentar e fortalecer o dogma católico. Um importante grupo da igreja católica que surgiu nessa época foram osJesuítas, que ajudaram a manter aEuropa Oriental na linha católica de pensamento. Mesmo assim, a igreja católica foi fortemente enfraquecida pela reforma e, grande parte do continente não estava mais sob sua influência e os reis nos países que continuaram no catolicismo começaram a anexar as terras da igreja para os seus próprios domínios.
Essa expansão ajudou a economia dos países que a fizeram. Ocomércio prosperou, por causa da menor estabilidade entre os impérios. No final doséculo XVI, aprata americana era responsável por 1/5 de todo o comércio daEspanha.[37] Os países europeus travaram guerras que foram pagas através do dinheiro conseguido com a exploração das colónias. No entanto, os lucros com otráfico de escravos e as plantações dasÍndias Ocidentais, a mais rentável das colônias britânicas naquele momento, representavam apenas 5% de toda a economia doImpério Britânico no final doséculo XVIII, tempo daRevolução Industrial.
A partir do início deste período, ocapitalismo substituía ofeudalismo como principal forma de organização económica, ao menos no oeste da Europa. A expansão das fronteiras coloniais resultou numaRevolução Comercial. Nota-se no período o crescimento daciência moderna e a aplicação de suas descobertas em melhorias tecnológicas, que culminaram com arevolução Industrial. Descobertas ibéricas doNovo Mundo, que começaram com a jornada deCristóvão Colombo ao oeste com a busca de uma rota fácil para asÍndias Orientais em 1492, foram logo adaptadas por exploraçõesinglesas efrancesas naAmérica do Norte. Novas formas de comércio e a expansão dos horizontes fizeram necessária uma mudança nodireito internacional.
Areforma protestante produziu efeitos profundos na unidade europeia. Não apenas dividindo as nações uma das outras pela sua orientação religiosa, mas alguns estados foram afectados internamente por lutas religiosas, fortemente encorajadas por seus inimigos externos. A França viveu essa situação noséculo XVI com uma série de conflitos, como asguerras religiosas na França, que culminaram no triunfo daDinastia Bourbon. A Inglaterra preveniu-se desse facto/fato com a consolidação sob aRainha Elizabeth do moderadoAnglicanismo. Quase toda a parte da atual Alemanha estava dividida em inúmeros estados sob o comando teórico doSacro Império Romano Germânico, que também estava dividido dentro do próprio governo. A única exceção a isso era aComunidade Polaco-Lituana, uma união criada pelaUnião de Lublin, expressando uma grandetolerância religiosa. Esse embate religioso aconteceu até àGuerra dos Trinta Anos quando onacionalismo substituiu a religião como principal motor dos conflitos na Europa.[38]
A Guerra dos Trinta Anos aconteceu entre 1618 e 1648,[39] principalmente no território da atual Alemanha, e envolveu as principais potências europeias. Começou como um conflito religioso entreProtestantes eCatólicos no Sacro Império Romano Germânico, e gradualmente desenvolveu-se numa guerra geral, envolvendo boa parte da Europa, por razões não necessariamente ligadas à religião.[40] O maior impacto da guerra, na qual exércitos demercenários foram largamente utilizados, foi a devastação de regiões inteiras na busca do exército inimigo. Episódios como a disseminação dafome e dasdoenças devastaram a população dos estados germânicos e, em menor grau, dosPaíses Baixos e daItália, onde levaram à falência muito dos poderes regionais envolvidos. Entre um quarto e um terço da população alemã pereceu por causas diretamente ligadas à guerra ou ainda de doenças e miséria causadas pelo conflito armado.[41] A guerra durou trinta anos, mas os conflitos que ela deu início ainda continuaram sem solução por muito tempo.
Depois daPaz de Vestfália, que permitiu aos países que eles escolhessem a sua orientação religiosa, oAbsolutismo tornou-se o padrão do continente, enquanto aInglaterra caminhava rumo aoliberalismo com aGuerra Civil Inglesa e aRevolução Gloriosa.[42] Os conflitos militares na Europa não acabaram, mas tiveram menos impacto na vida dos seus cidadãos. No noroeste, oIluminismo deu a base filosófica para um novo ponto de vista nasociedade, e a contínua difusão daliteratura foi possível com a invenção daprensa, criando novas formas de avanço do pensamento humano. Ainda, nesse segmento, aComunidade Polaco-Lituana foi uma exceção, com a sua quase democrática "liberdade dourada".
AEuropa Oriental era uma arena de conflito disputada pelaSuécia, Comunidade Polaco-Lituana eImpério Otomano. Nesse período observou-se um gradual declínio destes três poderes que foram eventualmente substituídos pelas novas monarquias absolutistas, Rússia,Prússia eÁustria.[43] Na virada para oséculo XIX, eles tornaram-se as novas potências, dividindo aPolónia entre si, com Suécia eTurquia perdendo territórios substanciais para a Rússia e a Áustria respetivamente/respectivamente. Uma grande parte dejudeus polacos/poloneses emigrou para aEuropa Ocidental, fundando comunidades judaicas em lugares de onde foram expulsos durante aIdade Média.
Nesse tempo, a assembleia criou umamonarquia constitucional, e nos dois anos que se passaram várias leis foram criadas como aDeclaração dos direitos do Homem e do Cidadão, a abolição do feudalismo e umamudança fundamental das relações entre a França e Roma.[44] No início, o rei continuou no trono ao longo dessas mudanças e gozou de uma popularidade razoável com o povo, mas a anti-realeza crescia com o perigo de uma invasão estrangeira. Então o rei, sem poderes, decidiu fugir com a sua família, mas ele foi reconhecido de volta a Paris. Em 12 de janeiro de 1793, sendo condenada a sua traição, ele foi executado.
Em 20 de setembro de 1792, a convenção nacional aboliu amonarquia e declarou a França umarepública.[44] Devido à iminência das guerras, a convenção nacional criou oComitê de Salvação Pública controlado porMaximilien Robespierre do Partido dosJacobinos, para atuar comoexecutivo do país. Sob Robespierre o comitê iniciava oReino do Terror, no qual cerca de 40 000 pessoas foram executadas em Paris, na maioria nobres, apesar de, frequentemente, faltarem evidências. Por todo o país,insurreições contrarrevolução foram brutalmente reprimidas. O regime foi posto abaixo no golpe de9 Termidor (27 de julho de 1794) e Robespierre foi executado. O regime que se seguiu acabou com o Terror e afrouxou a maioria das regras extremas de Robespierre.[44]
Napoleão Bonaparte foi o general francês que mais obteve sucesso nas guerras da Revolução, tendo conquistado grandes porções dapenínsula Itálica e forçado osaustríacos à paz. Em 1799, retornou doEgito e em18 de Brumário (9 de Novembro) subjugou o governo, substituindo-o pelo seuConsulado, do qual tornou-se o primeiro Cônsul. Em 2 de dezembro de 1804, depois duma tentativa de assassinato, ele coroou-seimperador. Em 1805, Napoleão planeou invadir aGrã-Bretanha, mas a recém-criada aliança entre britânicos, russos e austríacos (Terceira Coalizão) forçou-o a direcionar a atenção para o continente, quando ao mesmo tempo ele tinha falhado em desviar a Armada Superior Britânica para longe doCanal da Mancha, ocasionando uma decisiva derrota francesa nabatalha de Trafalgar em 21 de outubro, e colocando um fim às suas esperanças de invadir a Grã-Bretanha. Em 2 de dezembro de 1805, Napoleão derrotou o exército austro-russo, numericamente superior, emAusterlitz, forçando aÁustria desistir da coalizão e levando à fragmentação doSacro Império Romano Germânico. Em 1806, aQuarta coalizão foi formada; em14 de outubro Napoleão derrotou osprussianos naBatalha de Jena-Auerstedt, marchando através da Alemanha e derrotando os russos em 14 de junho de 1807 emFriedland. OsTratados de Tilsit dividiram a Europa entre França eRússia e criaram oDucado de Varsóvia.[carece de fontes?]
Em 12 de junho de 1812, Napoleãoinvadiu a Rússia com a suaGrande Armée de aproximadamente 700 000 soldados. Após as vitórias emSmolensk eBorodino, Napoleão ocupouMoscovo, apenas para encontrá-la queimada pelo exército russo em retirada. Assim, ele foi forçado a bater com seu exército em retirada. Na volta o seu exército foi arrasado peloscossacos e sofreu de doenças, fome e com o rigoroso inverno russo. Apenas 20 000 soldados sobreviveram a essa campanha. Em 1813, começou o declínio de Napoleão, sendo derrotado peloExército das Sete Nações naBatalha de Leipzig em outubro de 1813. Ele foi forçado a abdicar depois daCampanha dos Seis Dias e a ocupação de Paris. Sob oTratado de Fontainebleau ele foi exilado naIlha de Elba. Retornou à França em 1 de março de 1815 e convocou um exército leal, mas foi compreensivelmente derrotado por forças britânicas e prussianas naBatalha de Waterloo em 18 de junho de 1815.[carece de fontes?]
Depois da derrota daFrança revolucionária, outras grandes forças tentaram restaurar a situação existente antes de 1789. Em 1815, noCongresso de Viena, as maiores forças da Europa organizaram-se para produzir um pacíficoequilíbrio de poder entre os impérios depois dasGuerrras Napoleónicas (embora estivessem ocorrendo movimentos internos revolucionários) sob o sistema deMatternich.[carece de fontes?] Entretanto, os seus esforços foram incapazes de parar a propagação de movimentos revolucionários: aclasse média foi profundamente influenciada pelos ideais de democracia da Revolução Francesa, arevolução Industrial trouxe importantes mudanças sócio-económicas, as classes baixas começaram a ser influenciadas pelas ideiassocialistas,comunistas eanarquistas (especialmente unidas porKarl Marx noManifesto Comunista),[45] e a preferência dos novos capitalistas era oliberalismo.
Em 1815, as fronteiras da Europa foram refeitas, quando as suas raízes já haviam sido sacudidas pelos exércitos deNapoleão
Uma nova onda de instabilidade veio da formação de diversos movimentosnacionalistas (na Alemanha,Itália,Polônia, etc.), buscando uma unidade nacional e/ou liberação do domínio estrangeiro. Como resultado, o período entre 1815 e 1871 foi palco de um grande número de conflitos e guerras de independência.Napoleão III, sobrinho de Napoleão I, retornou do exílio na Inglaterra em 1848 para ser eleito pelo parlamento francês, como o então "Presidente-Príncipe" e num golpe de estado eleger-se imperador, aprovado depois pela grande maioria do eleitorado francês. Ele ajudou na unificação da Itália lutando contra oImpério Austríaco[carece de fontes?] e lutou aGuerra da Crimeia com a Inglaterra e oImpério Otomano contra a Rússia. Seu império ruiu depois duma infame derrota para a Prússia, na qual ele foi capturado. A França então se tornou uma fraca república que recusava-se a negociar e foi derrotada pela Prússia em poucos meses. EmVersalhes, o ReiGuilherme I da Prússia foi proclamadoImperador da Alemanha e a Alemanha moderna nasceu.[46] Mesmo que a maioria dos revolucionários tenha sido derrotada, muitos estados europeus tornaram-semonarquias constitucionais, e em 1871 Alemanha e Itália se desenvolveram em estados-nação. Foi noséculo XIX também que se observou oImpério Britânico emergir como o primeiro poder global do mundo devido, em grande parte, àRevolução Industrial e a vitória nasGuerras Napoleónicas.[47]
A paz iria apenas durar até que oImpério Otomano declinasse suficientemente para se tornar alvo de outros.[48] Isso incitou a Guerra da Crimeia em 1854,[carece de fontes?] e começou um tenso período de pequenos conflitos entre as nações dominantes da Europa que deram o primeiro passo para a posteriorPrimeira Guerra Mundial. Isso mudou uma terceira vez com o fim de várias guerras que transformaram oReino da Sardenha e oReino da Prússia nas nações da Itália e da Alemanha, mudando significativamente o balanço do poder na Europa. A partir de 1870, a hegemoniaBismarquiana na Europa pôs a França em uma situação crítica.[49] Ela devagar reconstruiu suas relações internacionais, buscando alianças com a Grã-Bretanha e Rússia, para controlar o crescente poder da Alemanha sobre a Europa. Desse modo, dois lados opostos se formaram na Europa, incrementando suas forças militares e suas alianças ano a ano.[carece de fontes?]
ARevolução Industrial foi um período compreendido entre o fim doséculo XVIII e o começo doséculo XIX, no qual ocorreram grandes mudanças naagricultura,manufatura etransporte e foi produzido um profundo efeito socioeconómico e cultural naGrã-Bretanha, que posteriormente se espalhou por toda a Europa,América do Norte, e depois para todo o mundo, num processo que ainda continua: aIndustrialização. Na parte final dos anos de 1700 a economia baseada na força manual no Reino da Grã-Bretanha começou a ser substituída por outra dominada pelaindústria e pelasmáquinas. Começou com amecanização dasindústrias têxteis, o desenvolvimento de técnicas avançadas de produção deferro e o aumento do uso decarvão refinado.
A expansão docomércio foi possibilitada com a introdução decanais,rodovias eautoestradas. A introdução dasmáquinas a vapor (abastecidas primeiramente com carvão) e maquinaria bruta (principalmente na manufatura têxtil) deram a base para grandes aumentos na capacidade produtiva inglesa.[50] O desenvolvimento de máquinas deferramentas nas duas primeiras décadas doséculo XIX facilitou a produção de mais máquinas para serem utilizadas noutras indústrias. Durante oséculo XIX, a industrialização se alastrou pelo resto daEuropa Ocidental eAmérica do Norte, afetando posteriormente grande parte do mundo.
Depois da relativa paz na maior parte doséculo XIX, a rivalidade entre as potências europeias explodiu em 1914, quando a Primeira Guerra Mundial começou. Mais de 60 milhões de soldados europeus foram mobilizados entre 1914 e 1918.[51] De um lado estavamAlemanha,Áustria-Hungria, oImpério Otomano e aBulgária (Poderes Centrais/Tríplice Aliança), enquanto que no outro lado estavam aSérvia e aTríplice Entente — a elástica coligação entreFrança,Reino Unido e Rússia, que ganhou a participação daItália em 1915 e dosEstados Unidos em 1917. Embora a Rússia tenha sido derrotada em 1917 (a guerra foi uma das maiores causas da Revolução Russa, levando à formação da comunistaUnião Soviética), a Entente finalmente prevaleceu no outono de 1918.
No Tratado de Versalhes (1919) os vencedores impuseram severas condições à Alemanha e aos novos estados reconhecidos (tais comoPolónia,Checoslováquia,Hungria,Áustria,Jugoslávia,Finlândia,Estónia,Letónia,Lituânia) criados naEuropa Central a partir dos extintos impériosAlemão, Austro-Húngaro eRusso, supostamente na base da auto-definição. A maioria desses países entraria em guerras locais, sendo a maior delas aGuerra Polaco-Soviética(1919–1921). Nas décadas seguintes, o medo docomunismo e aGrande Depressão(1929–1943) levaram grupos extremistas nacionalistas — sob a categoria dofascismo — na Itália (1922), Alemanha (1933),Espanha (depois daguerra civil, terminada em 1939) e em outros países como a Hungria.
Depois de aliar-se com a Itália de Mussolini noPacto de Aço e assinar opacto de não agressão com aUnião Soviética, o ditador alemãoAdolf Hitler começou aSegunda Guerra Mundial em 1 de setembro de 1939 invadindo aPolónia, depois de uma expansão militar ocorrida no final da década de 1930. Após sucessos iniciais (principalmente a conquista do oeste da Polónia, grande parte daEscandinávia,França e osBalcãs antes de 1941), as forças doEixo começaram a enfraquecer-se em 1941. Os principais oponentes ideológicos de Hitler eram oscomunistas da União Soviética, mas por causa da falha alemã em derrotar oReino Unido e das falhas italianas nonorte da África e noMediterrâneo, as forças do Eixo se resumiram àEuropa Ocidental, Escandinávia, além de ataques a África. O ataque feito posteriormente à União Soviética (que junto com a Alemanha dividiu aEuropa central em 1939–1940) não foi feito com a força necessária. Apesar de um sucesso inicial, o exército alemão foi parado perto deMoscovo em dezembro de 1941.
Apenas no ano seguinte é que o avanço alemão seria parado e eles começariam a sofrer uma série de derrotas, como por exemplo, nas batalhas deStalingrado eKursk. Nesse ínterim, oJapão (aliado de Alemanha eItália desde setembro de 1940) atacou os britânicos noSudeste Asiático e osEstados Unidos noHavaí em 7 de dezembro de 1941; a Alemanha e a Itália declararam guerra aos Estados Unidos em união com seu aliado. A guerra aumentou a tensão entre o Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e osAliados (Reino Unido, União Soviética e os Estados Unidos). As forças Aliadas venceram no norte da África e invadiram a Itália em 1943, e a ocupada França em 1944. Naprimavera de 1945, a Alemanha foi invadida pelo leste pela União Soviética e pelo oeste pelos Aliados;Hitler cometeu suicídio e a Alemanha se rendeu no começo de maio acabando com a guerra na Europa.
O período foi marcado também por um industrializado e planeadogenocídio de mais de 11 milhões de pessoas, incluindo amaioria dos judeus da Europa eciganos, assim como milhões depolacos e eslavossoviéticos. O sistema soviético detrabalho forçado, as expulsões da população da União Soviética e agrande fome da Ucrânia tiveram semelhante carga de mortes. Durante e depois da guerra, milhões de civis foram afetados pelas forçadas transferências da população.
Na mesma época, aEuropa Ocidental lentamente começou um processo de integração política e económica,[carece de fontes?] desejando um continente unido e integrado para prevenir outra guerra. Esse processo resultou naturalmente no desenvolvimento de organizações como aUnião Europeia[53] e oConselho da Europa.[54] O movimentoSolidarność que aconteceu na década de 1980 enfraqueceu o governo comunista naPolônia, foi o começo do fim do domínio comunista naEuropa Oriental e o declínio daUnião Soviética.[55] O líder soviéticoMikhail Gorbachev instituiu aPerestroika e aGlasnost, que enfraqueceram oficialmente a influência soviética naEuropa Oriental.[55] Os governos que davam suporte aos soviéticos entraram em colapso e aAlemanha Ocidental anexou aOriental em 1990. Em 1991, a própriaUnião Soviética ruiu, dividindo-se em 15 estados, com a Rússia tomando o lugar da União Soviética noConselho de Segurança da ONU. Entretanto, a separação mais violenta aconteceu naJugoslávia, nosBálcãs. Quatro (Eslovénia,Croácia,Bósnia e Herzegovina e a então designadaMacedónia) das seis repúblicas jugoslavas declararam independência e para a maioria delas uma violenta guerra se seguiu, em algumas partes até 1995. Em 2006,Montenegro se separou e declarou independência, seguido porKosovo, formalmente uma província autónoma daSérvia, em 2008, e descaracterizando completamente o antigo mapa da Jugoslávia/Iugoslávia. Na era pós-guerra fria,OTAN e aUnião Europeia foram gradualmente admitindo a maioria dos antigos estados membros doPacto de Varsóvia.[53]
Umamoeda comum para a maioria dos estados membros daUnião Europeia, o euro, foi estabelecida eletronicamente em 1999,[carece de fontes?] oficialmente partilhando todas asmoedas de cada participante com os outros. A nova moeda foi posta em circulação em 2002 e as velhas foram retiradas dos mercados.[57] Apenas três países dos quinze estados membros decidiram não aderir ao euro (Reino Unido,Dinamarca eSuécia). Em 2004, aUE deu ordem à sua maior expansão, admitindo 10 novos membros (oito dos quais antigos estadoscomunistas). Outros dois ingressaram no grupo em 2007, num total de 27 nações.
Um tratado estabelecendo umaconstituição para a UE foi assinado emRoma em 2004, com a intenção de substituir todos os antigos tratados com apenas um só documento. Entretanto, a sua ratificação nunca foi feita devido à rejeição defranceses eholandeses, viareferendo. Em 2007, concordou-se em substituir aquela proposta com um novo tratado reformado, oTratado de Lisboa, que iria entrar como uma emenda em vez de substituir ostratados existentes.[58] Esse tratado foi assinado em 13 de dezembro de 2007 e entraria em vigor em janeiro de 2009, se ratificado até essa data. Isso daria àUnião Europeia seu primeiro presidente e ministro de relações exteriores.[58]
Fisiograficamente, a Europa é o componente noroeste da maior massa de terra do planeta, conhecida como aEurásia, ouEurafrásia: a Ásia ocupa a maior parte leste dessa porção de terra contínua e todos partilham uma plataforma continental comum. A fronteira oriental da Europa agora é comumente definida pelosmontes Urais, na Rússia.[16] O geógrafo doséculo I d.C.Estrabão, considerava orio Dom (Tánais) como o limite para omar Negro,[61] como diziam as primeiras fontesjudaicas.
Por causa das diferenças sócio-políticas e culturais, existem várias descrições de fronteira da Europa, sendo que em algumas fontes alguns territórios não estão incluídos na Europa, enquanto outras fontes incluem-nos. Por exemplo, os geógrafos daRússia e de outros países pós-soviéticos geralmente incluem os Urais na Europa, incluindo o Cáucaso na Ásia. Da mesma forma, oChipre é mais próximo daAnatólia (ouÁsia Menor), mas é muitas vezes considerado parte da Europa e atualmente é um estado membro daUE. Além disso,Malta já foi considerado uma ilha da África ao longo de vários séculos.[62]
O relevo europeu mostra grande variação dentro de áreas relativamente pequenas. As regiões do sul são mais montanhosas, e enquanto se move a norte o terreno desce dos altosAlpes,Pirenéus eCárpatos, através de planaltos montanhosos e baixas planícies do norte, que são vastas a leste.[63] Esta planície estendida é conhecida como aGrande Planície Europeia, e em seu coração encontra-se a Planície do Norte daAlemanha.[carece de fontes?] Um arco de terras altas, também existe ao longo da costa norte-ocidental, que começa na parte ocidental da ilha daGrã-Bretanha e daIrlanda, e continua ao longo da montanhosa coluna, comfiordes cortados, daNoruega.[64]
Esta descrição é simplificada. Sub-regiões como aPenínsula Ibérica e apenínsula Itálica contêm suas próprias características complexas, como faz a própria Europa Central continental, onde o relevo contém muitosplanaltos, vales de rios e bacias que complicam a tendência geral. Sub-regiões como aIslândia, aGrã-Bretanha e aIrlanda são casos especiais. A primeira é uma terra independente no oceano do norte, que é considerada como parte da Europa, enquanto as outras duas são zonas de montanha que outrora foram parte do continente até o nível do mar cortá-las da massa de terra principal.
Entre os lagos europeus destacam-se omar Cáspio, localizado na divisa com a Ásia e que possui 371 mil km²; e olago Ládoga, naFederação Russa, este último o maior localizado totalmente no continente, com 17 700 km² de área. Outros lagos extensos são oOnega, oVener, oSaimaa, oVeter, entre outros.[66]
A Europa encontra-se principalmente nas zonas declima temperado, sendo submetido a correntes deventos do oeste. O clima é mais ameno em comparação com outras áreas da mesma latitude de todo o mundo devido à influência daCorrente do Golfo.[67] A Corrente do Golfo é o apelido de "aquecimento central da Europa", porque torna o clima da Europa mais quente e mais húmido do que seria de outra maneira. A Corrente do Golfo não só leva água quente à costa da Europa, mas também aquece os ventos que sopram de oeste em todo o continente doOceano Atlântico.
Portanto, a temperatura média durante todo o ano deNápoles, é de 16°C (60,8°F), enquanto ela fica a apenas 12 °C (53,6 °F), emNova Iorque, que é quase na mesmalatitude.Berlim, naAlemanha;Calgary, noCanadá, eIrkutsk, na parte asiática da Rússia, estão em torno da mesma latitude, as temperaturas de janeiro, em Berlim, são em média em torno de 8 °C (15 °F), mais elevadas do que aquelas registradas em Calgary, e são quase 22 °C (40 °F) mais elevadas do que as temperaturas médias em Irkutsk.[67]
Em 2005, a população da Europa era estimada em 731 milhões de acordo com asNações Unidas,[4] que é um pouco mais do que um nono dapopulação mundial. Um século antes, a Europa tinha quase um quarto da população mundial. A população da Europa cresceu noséculo XX passado, mas nas outras regiões do mundo (especialmente na África e na Ásia), a população tem crescido muito mais rapidamente.[4] Dentre oscontinentes, a Europa tem uma densidade populacional relativamente alta, perdendo apenas para a Ásia. O país mais densamente povoado da Europa são osPaíses Baixos, terceiro no ranking mundial após aCoreia do Sul eBangladesh. Pan e Pfeil (2004) contam 87 distintos "povos da Europa", dos quais 33 formam a maioria da população em pelo menos umEstado soberano, enquanto os 54 restantes constituemminorias étnicas.[72]
Segundo a projeção de população da ONU, a população da Europa pode cair para cerca de 7% da população mundial até 2050, ou 653 milhões de pessoas (variante média, 556 a 777 milhões em baixa e alta variante, respetivamente/respectivamente).[4] Neste contexto, existem disparidades significativas entre regiões em relação àstaxas de fertilidade. O número médio de filhos por mulher em idade reprodutiva é de 1,52.[73] De acordo com algumas fontes,[74] essa taxa é maior entre oseuropeus muçulmanos. A ONU prevê o declínio contínuo da população de vastas áreas daEuropa Oriental.[75] A população da Rússia está a diminuir em pelo menos 700 mil pessoas a cada ano.[76] O país tem hoje 13 mil aldeias desabitadas.[77]
A Europa do Sul e a Europa Ocidental são as regiões com o maior número médio de pessoas idosas no mundo, compreendendo actualmente 21% da população, com mais de 65 anos.[78] Prevê-se que a Europa atinja 30% em 2050.[79] Isto deve-se ao facto de a populaçãoter tido filhos abaixo do nível de substituição desde a década de 1970. AsNações Unidas preveem que a Europa diminua a sua população entre 2022 e 2050 em -7%, sem alterações nos movimentos de imigração.[80]
A Europa é o lar do maior número demigrantes de todas as regiões do mundo, em 70,6 milhões de pessoas, segundo um relatório daOIM.[81] Em 2005, aUE teve um ganho líquido global deimigração de 1,8 milhão de pessoas, apesar de ter uma das maioresdensidades populacionais do mundo. Isso representou quase 85% docrescimento populacional total da Europa.[82] A União Europeia pretende abrir centros de emprego para trabalhadores migrantes legais da África.[83][84]
Emigração da Europa começou com os colonosespanhóis eportugueses noséculo XVI, e com colonosfranceses eingleses noséculo XVII.[85] Mas os números mantiveram-se relativamente pequenas até ondas de emigração em massa noséculo XIX, quando milhões de famílias pobres, deixaram a Europa.[86]
Hoje, uma grande população de ascendência europeia é encontrada em todos os continentes. A ascendência europeia predomina naAmérica do Norte e, em menor grau, naAmérica do Sul (principalmente naArgentina,Chile,Uruguai eCentro-Sul do Brasil). Além disso, aAustrália e aNova Zelândia têm grandes populações de descendentes europeus. A África não tem países de maioria de descendentes de europeus, mas há minorias significativas, como a dosbrancos sul-africanos. Na Ásia, as populações descendentes de europeus (mais especificamenterussos) predominam noÁsia Setentrional.
As línguas românicas são faladas principalmente no sudoeste da Europa, bem como naRoménia e naMoldávia. As línguas germânicas são faladas no noroeste da Europa e algumas partes daEuropa Central. As línguas eslavas são faladas na Europa Central,Oriental e sudeste da Europa.[87]
O território continental dos Estados-membros da União Europeia (Comunidades Europeias pré-1993), animados por ordem de adesão.
Uma união constituída por mais de uma dezena depaíses, que fazem transações comerciais utilizando uma moeda única —Euro — e cujos interesses são representados por instituições comuns. Essa nova Europa começou a ganhar corpo em dezembro de 1991, quando os 12 países-membros daUnião Europeia concluíram oTratado de Maastricht, que objetivava a união política, económica e monetária dos participantes, sem fechar espaço para novas adesões.[89]
A reunião na cidade neerlandensa deMaastricht — que, em dezembro de 1991, consolidou a formação da União Europeia — representou um capítulo de várias etapas, cujas iniciativas pioneiras surgiram logo após aSegunda Guerra Mundial.[90]
Quando de sua formação, em 1957, a entidade era constituída apenas por Alemanha, Bélgica, França, Itália, Luxemburgo e Países Baixos. Em 1973, ingressaram a Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido; em 1981, a Grécia, e em 1986, Espanha e Portugal. Em 1995, a chamada Europa dos Doze cresceu ainda mais, ganhando a adesão de Áustria, Finlândia e Suécia.[91]
A partir de 1994, os países-membros daComunidade Económica Europeia, que adotou então o nome de União Europeia, se integrariam para formar um mercado único, em que seriam abolidos os sistemasalfandegários e as diferentes taxas deimpostos, além das restrições aocomércio,serviços e à circulação decapitais. Isso significaria, entre outras coisas, que os habitantes da União Europeia teriam trânsito livre em todos os países-membros, inclusive paratrabalho; os impostos seriam aos poucos unificados e haveria livre acesso àsmercadorias e serviços de todos os países-membros dentro dacomunidade.[91]
Desde 1995, para facilitar a circulação depessoas por alguns países da União Europeia, entrou em vigor um acordo entre Portugal, Espanha, França, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo e Alemanha para eliminar as barreiras alfandegárias e a obrigação da apresentação dopassaporte entre essespaíses. Essa área recebeu o nome deEspaço Schengen, tirado da cidade luxemburguesa onde o acordo foi assinado.[91]
No sentido da integração económica, outro passo importante seria a utilização de uma moeda comum. O ECU (European Currency Unity ouUnidade Monetária Europeia) circula, desde 1993, como padrão em operações financeiras e, apesar da discordância de alguns membros, pretendeu-se que, gradualmente, ele fosse adotado nas operações cotidianas até 1999, quando oeuro entrou em vigor comomoeda escritural e comomoeda oficial desde 2002.[91]
Todos ospaíses que integram aUnião Europeia apresentam economia desenvolvida, ainda que existam diferenças extraordinárias entre eles, como entreIrlanda eAlemanha, por exemplo, ouGrécia eDinamarca. A meta, no entanto, é reduzir esses contrastes, tornando a comunidade cada vez mais homogênea.[92]
Apesar das metas em comum, há divergências entre os países-membros da União Europeia e são frequentes os atritos e necessários os ajustes para garantir a execução de tais metas. O ano de 1994 foi de provas para a integridade da União Europeia, já que ocorreram, nos países, plebiscitos para ratificar seus objetivos e confirmar ou não a adesão à União.
Na Dinamarca e noReino Unido, as opiniões estavam muito divididas, mas o apoio à comunidade prevaleceu. NaNoruega, entretanto, sua população decidiu não ingressar na União Europeia, apesar da solicitação de adesão feita anteriormente.[92]
Com o fim daGuerra Fria, o papel da OTAN tem estado em segundo plano. A aliança assumiu um caráter preponderantemente político em 1990, desenvolvendo o papel de resolver crises localizadas. Vários países doLeste Europeu solicitaram o ingresso à OTAN.[93]
A Europa, de acordo com a definição mais aceita, é mostrada em verde (países, por vezes associados com a cultura europeia, em azul escuro, partes de estadosasiáticos e europeus em azul claro)Divisão política da EuropaDivisão contemporânea da Europa por regiões de acordo com asNações Unidas (a definição da ONU para Europa Ocidental está marcada em azul claro):
De acordo com definições diferentes, os territórios podem ser sujeitos a várias categorizações. Os 27Estados Membros da União Europeia são altamente integrados economicamente e politicamente, a própria União Europeia faz parte da geografia política da Europa. A tabela abaixo mostra o esquema de sub-regiões geográficas utilizado pelaOrganização das Nações Unidas,[94] ao lado do grupo regional publicado noCIA World Factbook.
Dentro dos referidos Estados existem várias regiões, desfrutando de ampla autonomia, bem como de vários países independentesde facto com reconhecimento internacional limitado ou reconhecido, nenhum deles é membro daONU:
As nações europeias segundo o seuPIB (nominal)per capita em 2002
Como um continente, aeconomia da Europa é atualmente a maior do planeta e é a região mais rica como medido por ativos sob gestão, com mais de 32,7 trilhões de dólares em relação ao 27,1 trilhões de dólares da América do Norte.[96] Tal como acontece com outros continentes, a Europa tem uma grande variação da riqueza entre os seus países. Os países mais ricos tendem a estar noOcidente, enquanto algumas das economias doLeste ainda estão emergindo do colapso daUnião Soviética e daIugoslávia.
Os estados que mantiveram um sistema delivre mercado foram agraciados com uma grande quantidade de ajuda dosEstados Unidos ao abrigo doPlano Marshall.[106] Os Estados ocidentais mudaram para ligar as suas economias em conjunto, fornecendo a base para aUE e o aumento do comércio transfronteiriço. Isso ajudou-os a desfrutar de uma rápida melhora de suas economias, enquanto os estados da COMECON estavam lutando em grande parte devido ao custo daGuerra Fria. Até 1990, aComunidade Europeia foi ampliado de 6 para 12 membros fundadores. A ênfase na ressurreição da economia daAlemanha Ocidental levou a ultrapassagem do Reino Unido como a maior economia da Europa.
Com a queda docomunismo naEuropa Oriental, em 1991, os estados do Leste tiveram de se adaptar a um sistema demercado livre. Havia vários graus de sucesso com os países centro-europeus, comoPolónia,Hungria eEslovénia, que se adaptaram razoavelmente rápido, enquanto estados do Leste como aUcrânia e a Rússia, estão levando muito mais tempo. A Europa Ocidental ajudou a Europa Oriental, formando laços ao nível da economia.
Após oLeste e oOeste daAlemanha se reunirem em 1990, a economia da Alemanha Ocidental, apoiou a reconstrução da infraestrutura da Alemanha Oriental. AJugoslávia mostrou um atraso maior, sendo devastada pela guerra e em 2003 ainda havia muitas tropas de paz da e da OTAN noKosovo, naMacedónia do Norte, naBósnia e Herzegovina, sendo apenas a Eslovénia que conseguiu fazer algum progresso real.
Na mudança do milênio, aUnião Europeia dominou a economia da Europa, que inclui as cinco maiores economias europeias da época a Alemanha,Reino Unido,França,Itália eEspanha. Em 1999, 12 dos 15 membros da UE aderiram àZona Euro substituindo suas antigas moedas nacionais peloeuro comum. Os três que optaram por permanecer fora da zona euro foram Reino Unido Dinamarca e Suécia.
A Zona Euro entrou em sua primeira recessão oficial no terceiro trimestre de 2008, os números oficiais confirmados em janeiro de 2009.[107] Acrise econômica do final dos anos 2000, que teve início nosEstados Unidos, propagou-se de forma rápida para a Europa e afetou grande parte da região.[108] A taxa dedesemprego oficial nos 16 países que usam o euro subiu para 9,5% em maio de 2009.[109] Os jovens trabalhadores da Europa têm sido especialmente atingidos.[110] No primeiro trimestre de 2009, a taxa de desemprego naUE-27 para pessoas entre 15–24 anos foi de 18,3%.[111]
Acultura europeia pode ser melhor descrita como uma série de culturas sobrepostas e que envolve questões de Ocidente contra Oriente eCristianismo contraIslão. Existem várias linhas de ruptura culturais através do continente e movimentos culturaisinovadores discordam uns dos outros. De acordo com Andreas Kaplan, o continente Europeu pode ser definido como "diversidade cultural máxima a uma distância geográfica mínima".[112] Assim, uma "cultura comum europeia" ou "valores comuns europeus", é algo cuja definição é mais complexa do que parece.
↑Encyclopædia Britannica Online Encyclopaedia 2009.«"Europe"». Consultado em 21 de agosto de 2009
↑National Geographic Atlas of the World 7th ed. Washington, DC:National Geographic. 1999.ISBN0-7922-7528-4 "Europe" (pp. 68-9); "Asia" (pp. 90-1): "A commonly accepted division between Asia and Europe ... is formed by the Ural Mountains, Ural River, Caspian Sea, Caucasus Mountains, and the Black Sea with its outlets, the Bosporus and Dardanelles."
↑Franxman, Thomas W. (1979).Genesis and the Jewish antiquities of Flavius Josephus. [S.l.]: Pontificium Institutum Biblicum. pp. 101–102.ISBN88-7653-335-4
↑Norman F. Cantor,The Civilization of the Middle Ages, 1993, ""Culture and Society in the First Europe", pp185ff.
↑The map shows one of the most commonly accepted delineations of the geographical boundaries of Europe, as used byNational Geographic andEncyclopedia Britannica. Whether countries are considered in Europe or Asia can vary in sources, for example in the classification of theWorld Factbook or that of theBBC.
↑Teorias menores, tais como a de queEuropa é decorrente de εὐρώς (gen:Εὐρῶτος), ou "molde", não são discutidas na seção
↑Falconer, William; Falconer, Thomas (1872).Dissertation on St. Paul's Voyage. [S.l.]: BiblioLife (BiblioBazaar). p. 50.ISBN1-113-68809-2.Estas ilhas Plínio, assim como Estrabão e Ptolomeu, incluídas no mar africano:
↑«Relevo da Europa». Núcleo UE Minerva. Consultado em 25 de julho de 2010. Arquivado dooriginal em 29 de junho de 2010
↑Dogan, Mattei (1998). «The Decline of Traditional Values in Western Europe». Sage.International Journal of Comparative Sociology.39: 77–90.doi:10.1177/002071529803900106
↑abANTUNES, Celso (1996).Geografia e participação: Europa, Ásia, África e Oceania. São Paulo: Scipione. p. 47
↑abcdefgANTUNES, Celso (1996).Geografia e participação: Europa, Ásia, África e Oceania. São Paulo: Scipione. p. 48
↑abcdANTUNES, Celso (1996).Geografia e participação: Europa, Ásia, África e Oceania. São Paulo: Scipione. p. 49
↑abANTUNES, Celso (1996).Geografia e participação: Europa, Ásia, África e Oceania. São Paulo: Scipione. p. 50
↑abcdANTUNES, Celso (1996).Geografia e participação: Europa, Ásia, África e Oceania. São Paulo: Scipione. p. 51
↑Dornbusch, Rudiger; Nölling, Wilhelm P.; Layard, Richard G.Postwar Economic Reconstruction and Lessons for the East Today, pg. 117
↑Emadi-Coffin, Barbara (2002).Rethinking International Organisation: Deregulation and Global Governance. [S.l.]: Routledge. 64 páginas.ISBN0-415-19540-3
↑Dornbusch, Rudiger; Nölling, Wilhelm P.; Layard, Richard G.Postwar Economic Reconstruction and Lessons for the East Today, pg. 29
↑Harrop, Martin.Power and Policy in Liberal Democracies, pg. 23