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Eunice Paiva

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Eunice Paiva
Nome completoMaria Lucrécia Eunice Facciolla Paiva
Nascimento
Morte
13 de dezembro de2018 (89 anos)

São Paulo, SP
Nacionalidadebrasileira
CônjugeRubens Paiva (c. 1952; v. 1971)[1]
Filho(a)(s)
EducaçãoUniversidade Presbiteriana Mackenzie
Ocupaçãoadvogada
Religiãocatólica[2]

Maria Lucrécia Eunice Facciolla PaivaComRB (São Paulo,7 de novembro de1929 – São Paulo,13 de dezembro de2018) foi umaadvogada e símbolo da luta contra aditadura militar no Brasil. Trabalhou ativamente pelosdireitos humanos dos desaparecidos durante a ditadura civil militar e seus familiares e pela causaindígena.[3][4][5]

Biografia

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A família deRubens Paiva nos anos 1970

Eunice passou a infância no bairro doBrás, onde residia em uma comunidade deitalianos que vieram para o Brasil no começo doséculo XX, e mais tarde se mudou com a família para o bairro deHigienópolis. Desde cedo, cultivou o gosto pela leitura. Aos dezoito anos, se formou no curso de Letras daUniversidade Mackenzie e falava fluentemente ofrancês e oinglês. Aos 23 anos, casou-se com o engenheiroRubens Beyrodt Paiva, com quem teve cinco filhos: Vera Sílvia Facciolla Paiva (1953), Maria Eliana Facciolla Paiva (1955), Ana Lúcia Facciolla Paiva (1957),Marcelo Rubens Paiva (1959) e Maria Beatriz Facciolla Paiva (1960).[3] Foi amiga de grandes escritores, comoLygia Fagundes Telles,Antônio Calado eHaroldo de Campos.[6]

Em janeiro de 1971, seu marido foi sequestrado, torturado e assassinado nos porões doDOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna) noRio de Janeiro pela ditadura militar brasileira.[7] A família morava no Rio de Janeiro quando os militares foram até sua casa e levaram ela, o marido e a filha Eliana ao DOI-CODI, localizado naRua Barão de Mesquita nº 425, no bairro daTijuca. Eliana ficou presa por 24 horas, enquanto Eunice permaneceu por 12 dias, submetida a interrogatório.[8] A família se mudou paraSantos (SP) nesse mesmo ano e Eunice deixou o papel de dona de casa para iniciar um processo de transformação como ativista social.[9] Em 1973, Eunice ingressou novamente na Universidade Mackenzie e iniciou o curso de direito, formando-se aos 47 anos.[6]

Morreu no dia 13 de dezembro de 2018, aos 89 anos, emSão Paulo, depois de 15 anos vivendo comAlzheimer.[10]

Atuação profissional

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Tendo papel central na busca por informações sobre o paradeiro de seu marido, Eunice Paiva liderou campanhas pela abertura de arquivos sobre vítimas do regime militar e tornou-se símbolo da luta contra a ditadura militar.[11] Com sua militância e crítica ao regime ditatorial arriscou a própria vida, como mostrou documentos doServiço Nacional de Informações que vieram a público em 2013, pois tanto ela quanto seus filhos foram vigiados por agentes militares de 1971 até 1984.[5] Foi uma das principais forças de pressão que culminou com a promulgação da Lei 9.140/95, que reconhece como mortas as pessoas desaparecidas em razão de participação em atividades políticas durante a ditadura militar. Eunice foi a única parente de desaparecido convidada a assistir à solenidade em queFernando Henrique Cardoso assinou a lei.[12] Em 23 de fevereiro de 1996, após 25 anos de luta por memória, verdade e justiça, Eunice conseguiu que o Estado brasileiro emitisse oficialmente o atestado de óbito de Rubens Paiva.[6][13]

Em sua atuação como advogada, Eunice Paiva foi ganhando cada vez mais notoriedade por conta da sua seriedade e comprometimento. Dedicou-se à causa indígena, atuando profissionalmente contra a violência e expropriação indevidas de terras sofridas pela populaçãoindígena.[5] Especialmente na década de 1980 contribuiu ativamente a favor da causa indígena com debates públicos em torno desta problemática em colaboração com outros intelectuais.

  • Em 1983, assinou comManuela Carneiro da Cunha, na seção "Tendências e Debates" da Folha, o artigo "Defendam os pataxós", que foi um marco na luta indígena brasileira e serviu de modelo para outros povos indígenas, inclusive africanos, americanos e esquimós.[14]
  • Em 1985, é lançado o texto "O Estado contra o índio" em coautoria com a antropóloga brasileiraCarmen Junqueira.[15]
  • Em 1987, ao lado de outros parceiros, fundou o Instituto de Antropologia e Meio Ambiente (IAMA), ONG que atuou até 2001 na defesa e autonomia dos povos indígenas.
  • Em 1988, foi consultora daAssembleia Nacional Constituinte, que promulgou aConstituição Federal Brasileira.[6]

Homenagens

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Lançado em 1978, o documentárioEunice, Clarice, Thereza, dirigido por Joatan Berbel, conta a trajetória de três viúvas de presos políticos: Clarice Herzog (viúva do jornalistaVladimir Herzog); Thereza Fiel (viúva do operárioManuel Fiel Filho); Eunice Paiva. Três mulheres unidas contra a ditadura e a repressão do regime militar.[16][17]

Publicado em 2015, o romance autobiográficoAinda Estou Aqui, escrito pelo seu filho,Marcelo Rubens Paiva, aborda a vida de Eunice Paiva e faz um paralelo entre a sua história e o período de ditadura no Brasil. O livro ganhou o terceiro lugar noPrêmio Jabuti, na categoria indicação do leitor e foi indicado aosprêmios Oceanos e Governador do Estado, entrando na lista dos melhores livros de 2015, do jornalO Globo.[18] Em 2024, o livro foi adaptado porWalter Salles emAinda Estou Aqui, comFernanda Torres interpretando a Eunice dos anos 1970 eFernanda Montenegro como a Eunice às vésperas da morte em 2018. Lançado no Brasil em 7 de novembro de 2024, o filme ganhou o prêmio de Melhor Roteiro noFestival de Veneza de 2024, garantiu a Fernanda Torres oGlobo de Ouro 2025 na categoria de Melhor Atriz em Filme de Drama, e teve três indicações noÓscar 2025: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz pela atuação de Fernanda Torres, sendo vencedor na categoria de Melhor Filme Internacional.[19][20][21][22][23][24][25]

Em 5 de abril de 2024, aAssembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), outorga o Colar de Honra ao Mérito Legislativo a três personagens que simbolizam a luta contra a ditadura: Clarice Herzog (viúva deVladimir Herzog); Ana Dias (viúva do operárioSanto Dias da Silva); e, postumamente, Eunice Paiva. Os maridos das três foram assassinados pelas forças de repressão.[26][27]

Em 8 de janeiro de 2025, para relembrar os dois anos dosataques antidemocráticos em Brasília, o presidenteLuiz Inácio Lula da Silva assina o decreto que cria o Prêmio Eunice Paiva de Defesa da Democracia, que deve ser entregue anualmente a uma pessoa que tenha colaborado de forma notória, seja por atuação profissional, intelectual, social ou política, para a preservação, restauração ou consolidação do regime democrático no Brasil. A premiação, além de destacar e exaltar as trajetórias dos vencedores, pretende evocar a memória de luta de Eunice Paiva em favor da resistência democrática e da defesa dos direitos humanos.[28][29]

Condecoração

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Em 28 de maio de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu postumamente Eunice Paiva a condecoração daOrdem de Rio Branco, no grau de comendador.[30]

Referências

  1. Maturana, João (22 de setembro de 2024).«Quem foi Eunice Paiva, mulher que inspirou Ainda Estou Aqui e é interpretada por Fernanda Torres no filme?».AdoroCinema. Consultado em 21 de novembro de 2024.Cópia arquivada em 10 de setembro de 2024 
  2. Gabriel, Ruan (7 de novembro de 2024).«Eles ainda estão aqui: filhos de Eunice e Rubens Paiva falam sobre o filme que retrata a luta da mãe contra a ditadura».O Globo. Consultado em 10 de dezembro de 2024.Cópia arquivada em 28 de novembro de 2024 
  3. abCardoso, Célia Costa (2020).Enredos de Resistência da Família Paiva: Violência Política, Solidariedade e Afetuosidade (1971 – 2015)(PDF) (Dissertação de Mestrado).São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe. Consultado em 7 de novembro de 2024 
  4. «Morre Eunice Paiva, protagonista na luta contra a ditadura». 13 de dezembro de 2018. Consultado em 8 de novembro de 2024 
  5. abcFerreira, Mariana (2018).«Eunice Paiva: uma Antígona brasileira na defesa dos direitos humanos para além da finda-linha». Mariana Rodrigues Festucci Ferreira.Analytica: Revista de Psicanálise.7 (12). Consultado em 7 de novembro de 2024 
  6. abcd«Eunice Paiva». Memórias da ditadura. Consultado em 8 de novembro de 2024 
  7. «Carta de Eunice Paiva a CDDPH Rubens Paiva». Comissão da Verdade do Estado de São Paulo. Consultado em 8 de novembro de 2024 
  8. Bronze, Giovanna (7 de novembro de 2024).«Quem foi Eunice Paiva, personagem de Fernanda Torres em "Ainda Estou Aqui"». Consultado em 8 de novembro de 2024 
  9. DAL PIVA, Juliana (2025).Crime sem castigo: como os militares mataram Rubens Paiva. [S.l.]: Matrix 
  10. «Viúva de Rubens Paiva, Eunice morre aos 89 anos». Valor Econômico. 13 de dezembro de 2018. Consultado em 18 de novembro de 2024 
  11. «Morre Eunice Paiva, protagonista de buscas por desaparecidos na ditadura» 
  12. Neri, Emanuel (5 de setembro de 1995).«Fala de FHC divide familiares». Folha de S.Paulo. Consultado em 29 de dezembro de 2024 
  13. Carlos Henrique Dias (11 de janeiro de 2025).«'Mortos e desaparecidos na ditadura': mapa mostra novas certidões de óbitos emitidas ou corrigidas pelo país».G1. Consultado em 11 de janeiro de 2025 
  14. Rubens Paiva, Marcelo (2015).Ainda estou aqui. Rio de Janeiro: Objetiva 
  15. PAIVA, Eunice; JUNQUEIRA, Carmen (1985).O Estado contra o índio(PDF). [S.l.: s.n.] 
  16. «Curtas na TV». Câmara dos Deputados. Consultado em 8 de novembro de 2024 
  17. RONNA, Giulianna Nogueira; COUTO, Giancarlo Backes.«Eunice, Clarice, Thereza: gesto, testemunho, resistência» 
  18. «Marcelo Rubens Paiva». Consultado em 8 de novembro de 2024 
  19. «'Ainda Estou Aqui' no Oscar 2025: confira todos os indicados».BBC News Brasil. 23 de janeiro de 2025. Consultado em 24 de janeiro de 2025 
  20. Pinto, Flávio (23 de setembro de 2024).«"Ainda Estou Aqui" é escolhido para representar o Brasil no Oscar 2025». Consultado em 7 de novembro de 2024 
  21. Freitas, Conceição (8 de novembro de 2024).«Ainda Estou Aqui é uma lição de humanidade: ainda estamos aqui». Metrópoles. Consultado em 8 de novembro de 2024 
  22. «"Ainda estou aqui" enfim chega às telonas neste fim de semana». A Tribuna. 8 de novembro de 2024. Consultado em 29 de dezembro de 2024 
  23. Soto, Cesar (7 de novembro de 2024).«'Ainda estou aqui' estreia com aviso contra ditaduras: 'democracia é falha, mas é o melhor que temos', diz Fernanda Torres». g1. Consultado em 8 de novembro de 2024 
  24. «Cotada para o Oscar, Fernanda Torres não era a primeira opção de Walter Salles para 'Ainda estou aqui'; saiba em quem diretor pensou». O Globo. 8 de novembro de 2024. Consultado em 29 de dezembro de 2024 
  25. «Fernanda Torres ganha Globo de Ouro de melhor atriz e dedica prêmio a Fernanda Montenegro».G1. 6 de janeiro de 2025. Consultado em 7 de janeiro de 2025 
  26. «Sessão Solene homenageia Clarice Herzog, Ana Dias e Eunice Paiva».Alesp. 5 de abril de 2024. Consultado em 29 de dezembro de 2024 
  27. «Debates»(PDF).Diário Oficial. São Paulo. 3 de maio de 2024. p. 10. Consultado em 29 de dezembro de 2024.12ª Sessão solene para entrega do colar de Honra ao Mérito Legislativo a Eunice Paiva (in memorian), Clarice Herzog e Ana Dias 
  28. BRASIL (8 de janeiro de 2025).«DECRETO Nº 12.347, DE 8 DE JANEIRO DE 2025».Diário Oficial da União. Consultado em 9 de janeiro de 2025 
  29. Cariucci, Manoela (8 de janeiro de 2025).«Decreto Eunice Paiva é assinado por Lula para premiar defensores da democracia».CNN Brasil. Consultado em 9 de janeiro de 2025 
  30. Viana, Luana (28 de maio de 2025).«Lula concede Ordem de Rio Branco, de forma póstuma, a Eunice Paiva».Metrópoles. Consultado em 28 de maio de 2025 

Ligações externas

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