Aescrita ge'ez[1][2][3] ougueês[4][5] (ግዕዝGəʿəz), também chamada deetiópica, é uma escrita originalmente desenvolvida para escrever alíngua ge'ez, umalíngua semítica. Em outras línguas que fazem uso desse alfabeto, comoamárico etigrínia, essa escrita é chamada deFidäl (ፊደል), que significa escrita.
A escrita ge'ez foi adaptada na escrita de diversas línguas, a maioria semíticas. As línguas mais difundidas escritas em ge'ez são oamárico naEtiópia etigrínia naEritreia e Etiópia. Também é usada na escrita da língua sebatbeit, me'em, e a maioria das línguas da Etiópia. Na Eritreia é usada na escrita dalíngua tigré, e tradicionalmente usada na língua blin, umalíngua cuchítica. Algumas outras línguas doChifre da África, como ooromo, usaram a escrita ge'ez, mas migraram para uma ortografia baseada noalfabeto latino.
Para a representação dos sons, esse artigo usa um sistema que é comum (mas não universal) entre os linguistas que estudamlínguas semíticas etiópicas; mas difere um pouco das convenções doAlfabeto Fonético Internacional. Veja os artigos para cada língua individual para informações sobre pronúncia.
As mais antigas escritas em línguas semíticas etiópicas naEtiópia eEritreia remontam aoséculo IX a.C. emalfabeto arábico meridional, um alfabeto compartilhado por reinos vizinhos no sul da Arábia. Após os séculos VII eVI a.C., no entanto, variantes da escrita surgiram, evoluindo em direção à escrita ge'ez. Essa evolução pode ser vista mais claramente em evidências de inscrições (principalmente em rochas e cavernas) no distrito deAgame no norte da Etiópia e antiga província deAkkele Guzay na Eritreia.[6] Nos primeiros séculos DC, o que era chamado "velho etiopico" ou o "velho ge'ez" surgiu, um sistema de escrita, escrito da esquerda para a direita (em oposição aoboustrophedon como ESA) com letras basicamente idênticas às formas da primeira ordem do moderno alfabeto vocalizado (e.g. "k" na forma de "kä"). Havia também pequenas diferenças como a da letra "g" voltada para a direita, ao invés da esquerda na escrita ge'ez vocalizada, e um pequeno símbolo voltado para a esquerda "l", como em ESA, ao invés de letras igualmente longas como em ge'ez (lembrando um pouco a letra gregalambda).[7] A vocalização do ge'ez ocorreu no quarto século, e entretanto os primeiros textos vocalizados completos provém das inscrições de Ezana, letras vocalizadas o precederam em alguns anos, como uma letra vocalizada individual que existe na moeda axumita do seu predecessorUazeba.[8][9] Roger Schneider também mostrou (em um trabalho não publicado no início dos anos 1990) anomalias no que é conhecido como escritas de Ezana que implicam que ele estava conscientemente empregando um estilo arcaico durante seu reinado, indicando que a vocalização pode ter ocorrido muito mais cedo. Como resultado, alguns acreditam que a vocalização pode ter sido adotada a fim de preservar a pronunciação dos textos ge'ez devido ao já moribundo status do ge'ez, e que, naquele tempo a língua comum das pessoas já eram línguas etio-semíticas tardias.[carece de fontes?] os estudiosos Kobishchanov, Daniels, e outros têm sugerido possível influência dos alfasilabários indianos na vocalização, como essas escritas sãoabugidas (também conhecidos como "alfasilabário"), eAxum foi uma importante parte das maiores rotas de comércio envolvendo a Índia e o mundo greco-romano durante a Antiguidade.[10][11]
De acordo com as crenças religiosas daIgreja Ortodoxa Etíope, a forma consonantal original do ge'ezfidel foi divinamente revelada aEnos "como um instrumento de codificação das leis", e que o atual sistema de vocalização é atribuído a um grupo de estudiosos axumitas liderados por nada menos que Frumêncio (Aba Selama), o mesmo missionário que diz ter convertido o reiEzana ao cristianismo noséculo IV.[12]
O ge'ez tem como base dos seus símbolos silábicos 26 consoantes. Comparado ao inventário de 29 consoantes no alfabeto arábico meridional, a continuidade deġ,ẓ e fricativas inter-dentaisḏ,ṯ foram perdidas, assim como as arábicass³ (a letra ge'ezSawt ሠ sendo deriveda do arábico meridionals²). Por outro ladoP̣ait ጰ, uma inovação ge'ez, é uma modificação deṢädai ጸ, enquantoPesa ፐ é baseado emTawe ተ.
Assim, há 24 correspondências entre a escrita ge'ez e o alfabeto arábico meridional.
translit.
h
l
ḥ
m
ś (SA s²)
r
s (SA s¹)
ḳ
b
t
ḫ
n
Ge'ez
ሀ
ለ
ሐ
መ
ሠ
ረ
ሰ
ቀ
በ
ተ
ኀ
ነ
Arábico meridional
translit.
ʾ
k
w
ʿ
z (SA ḏ)
y
d
g
ṭ
ṣ
ḍ
f
Ge'ez
አ
ከ
ወ
ዐ
ዘ
የ
ደ
ገ
ጠ
ጸ
ፀ
ፈ
Arabe meridional
Muitos dos nomes das letras são cognatos com oproto-cananita, e assim podem ser assumidos em proto-sinaico.
A escrita ge'ez é umsilabário: cada símbolo representa uma sílaba, e os símbolos são organizados em grupos de símbolos similares na base da consoante e vogal.
A escrita ge'ez é escrita da esquerda para a direita.
Em ge'ez, a maior parte das sílabas é uma combinaçãode uma consoante com uma das sete vogais:
ä, u, i, a, e, ə, o
Na tabela abaixo, as linhas mostram as consoantes na ordem tradicional. As colunas mostram as sete vogais, também na ordem tradicional. Uma consoante pode ser descrita, por exemplo, como sendo de quinta ordem, significando que nessa forma é a quinta na ordem tradicional das vogais. Para algumas letras há uma oitava modificação expressando umditongo.-wa ou-oa, e uma nona expressando-yä.
Para representar uma consoante sem nenhuma vogal acompanhante, por exemplo, no final da sílaba ou em umencontro consonantal, aconsoante+ə é usado (o símbolo na sexta coluna).
Oamárico usa todas as consoantes básicas, mais algumas indicadas abaixo. Algumas das variantes labiovelares também são usadas.
Otigrínia possui todas as consoantes básicas, as variantes labiovelares excetoḫw (ኈ) mais algumas indicadas abaixo. Algumas das consoantes básicas caíram em desuso naEritreia.
Alíngua tigré usa todas as consoantes básicas excetoś (ሠ),ḫ (ኀ) eḍ (ፀ). Também são usadas algumas indicadas abaixo. Não são usadas as variantes labiovelares.
Alíngua blin possui todas as consoantes básicas excetoś (ሠ),ḫ (ኀ) eḍ (ፀ), mais algumas indicadas abaixo. Algumas das variantes labiovelares também são usadas.
š
ḳh
ḳhw
v
č
[ŋʷ]
ñ
x
xw
ž
ǧ
[ŋ]
č̣
ሸ
ቐ
ቘ
ቨ
ቸ
ⶓ
ኘ
ኸ
ዀ
ዠ
ጀ
ጘ
ጨ
Amárico
✓
✓
✓
✓
✓
✓
✓
✓
✓
Tigrínia
✓
✓
✓
✓
✓
✓
✓
✓
✓
✓
✓
Tigré
✓
✓
✓
✓
Blin
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✓
✓
✓
✓
✓
✓
✓
✓
✓
✓
Nota: "v" é usado para palavras de origem estrangeira exceto em algumas línguas gurage (e.g.cravat, 'gravata', empréstimo dofrancês), e "x" é pronunciado "h" em amárico.
Para o ge'ez, amárico, tigrínia e tigré, a ordem padrão é chamada Halehame. Para os símbolos básicos há uma sessão já mostrada nessa página. Onde as variantes labiovelares são usadas, seguem imediatamente os símbolos básicos, seguidos pelas outras variantes. Em tigrínia, por exemplo, os caracteres baseados em ከ seguem nessa ordem: ከ, ኰ, ኸ, ዀ.
Em blin, a ordem dos caracteres é ligeiramente diferente.
Muitosrastafaris aprenderam a escrever em ge'ez por causa de suareligião, que tem o ge'ez como língua original e sagrada. Vários músicos dereggae têm usado essa escrita em seus álbuns.
Ocódigo africano oficial reconhece o ge'ez como a escrita pan-africana que deve substituir o alfabeto latino que atualmente é usado para escrever a maioria das línguas africanas.
O filme500 anos depois (፭፻-ዓመታት በኋላ) foi o primeiro documentárioocidental a usar caracteres ge'ez para o título500 Years Later. Essa escrita também aparece no trailer e material promocional do filme.
O ge'ez usa um sistema de unidades e dezenas comparável aohebreu, árabe (abjad) egregos numerais, mas diferente desses sistemas, mais que dar valores numéricos às letras, separa símbolos numéricos que são derivadas de numerais cópticos:
A escrita ge'ez ou etiópica tem sido representado emUnicode 3.0 em padrões de códigos entre U+1200 e U+137F (decimal 4608–4991), contendo as sílabas básicas para oge'ez,amárico, etigrínia, além da pontuação e numerais. Adicionalmente, emUnicode 4.1, há o "Suplemento" variável de U+1380 a U+139F (decimal 4992–5023) contendo sílabas paraSebatbeit e marcadores tonais, e a variação "estendida" entre U+2D80 e U+2DDF (decimal 11648–11743) contendo sinais silábicos necessários para se escrever sebatbeit,me'en eblin.
↑Rodolfo Fattovich, "Akkälä Guzay" in von Uhlig, Siegbert, ed.Encylopaedia Aethiopica: A-C. Weissbaden: Otto Harrassowitz kg, 2003, p.169.
↑Etienne Bernand, A.J. Drewes, and Roger Schneider, "Recueil des insription de l'Ethiopie des périodes pré-axoumite et axoumite, tome I". Académie des Inscriptions et Belles-Lettres. Paris: Boccard, 1991.
↑Grover Hudson,Aspects of the history of Ethiopic writing in "Bulletin of the Institute of Ethiopian Studies 25," pp. 1-12.
↑Stuart Munro-Hay.Aksum: A Civilization of Late Antiquity. Edinburgh: University Press. 1991.ISBN 0-7486-0106-6
↑Yuri M. Kobishchanov.Axum (Joseph W. Michels, editor; Lorraine T. Kapitanoff, translator). University Park, Pennsylvania: Penn State University Press, 1979.ISBN 0-271-00531-9
↑Peter T. Daniels, William Bright, "The World's Writing Systems," Oxford University Press. Oxford: 1996.