A escola, inicialmente, consistia decientistas sociaismarxistas dissidentes que acreditavam que alguns dos seguidores deKarl Marx tinham se tornado "papagaios" de uma limitada e anacrônica seleção de ideias de Marx, usualmente em defesa dospartidos comunistas ortodoxos. Entretanto, muitos desses teóricos admitiam que a teoria marxista tradicional não poderia explicar adequadamente o turbulento e inesperado desenvolvimento de sociedadescapitalistas no século XX.
Críticos tanto do capitalismo quanto do socialismo daUnião Soviética, os escritos frankfurtianos desde o início apontaram para a possibilidade de um caminho alternativo para o desenvolvimento social.[2]
Apesar de algumas vezes apenas espontaneamente afiliados, os teóricos da Escola de Frankfurt falaram com umparadigma comum em mente, compartilhando, portanto, os mesmos pressupostos e sendo preocupados com questões similares.[3] A fim de preencher as percebidas omissões do marxismo tradicional, eles solicitaram extrair de outras escolas de pensamento, por isso usaram ensaios de filosofia,sociologiaantipositivista, comunicação,psicanálise,filosofia existencialista e outras disciplinas.[1] As principais figuras da escola foram solicitadas a aprender e sintetizar os trabalhos de variados pensadores, comoImmanuel Kant,Georg Wilhelm Friedrich Hegel,Karl Marx,Sigmund Freud, Jean Piaget,Georg Simmel,Georg Lukács e, sobretudo,Max Weber.[4][5]
Inspirados e críticos de Marx, em meio a tantos outros, os frankfurtianos estavam preocupados com as condições que permitiammudanças sociais e o estabelecimento de instituições racionais e justas.[6] Sua ênfase nocomponente "crítico" da teoria foi derivada significativamente da sua tentativa de superar os limites dopositivismo,materialismo edeterminismo retornando à filosofia crítica de Kant e aos seus sucessores noidealismo alemão, principalmente a filosofia deHegel, com sua ênfase nadialética econtradição como propriedades inerentes da realidade.
Desde a década de 1960, a teoria crítica mais madura da Escola de Frankfurt tem sido crescentemente guiada pelo trabalho do herdeiro, e mais original dos pensadores da chamada segunda geração,Jürgen Habermas, naação comunicativa,[7][8]intersubjetividade linguística e o que Habermas chama de "discurso filosófico damodernidade".[9] Habermas propôs o seu influente conceito de esfera pública, atualizou noções de desenvolvimento democrático, como a sua ideia de democracia deliberativa, apresentou a robusta Teoria da Ação Comunicativa (TAC), reforçou o debate epistemológico com a crítica à ideologia científica e tecnológica, além das suas notáveis análises de mudanças estruturais midiáticas internacionais, seja a partir da mídias do século XX, como rádio e TV, ou a partir das novas mídias revolucionárias do século XXI, como a internet, smartphones, redes sociais e Inteligência Artificial (IA). Habermas, até hoje, se mantem como uma voz analítica, crítica, original e promotora em matéria de Direitos Humanos e democracia, sendo internacionalmente muito citado e de modo interdisciplinar.
Mais recentemente, teóricos críticos como Nikolas Kompridis se sonorizaram como oposição a Habermas, afirmando que ele supostamente tinha minado as aspirações à mudança social que originalmente davam propósito a vários projetos de teóricos críticos — por exemplo, o problema de que razão deve denotar, a análise e a ampliação de "condições de possibilidade" para aemancipação social e a crítica ao capitalismo moderno.[10]
Deve ser notado que o termo "Escola de Frankfurt" surgiu informalmente para descrever os pensadores afiliados ou meramente associados com o Instituto para Pesquisa Social; esse não é o título de qualquer posição específica ou instituição em si, e poucos desses teóricos usaram esses termos. OInstituto para Pesquisa Social (Institut für Sozialforschung) foi fundado porFelix Weil, em 3 de fevereiro de 1923, com o suporte de professores universitários e apoio financeiro de sua família. Consistia em um anexo daUniversidade de Frankfurt e seu primeiro presidente foiCarl Grünberg.[11]
Os chamados "semáforos de Adorno". Ao fundo, o Instituto para Pesquisa Social.
Weil era um jovem marxista que tinha escrito a suadissertação sobre problemas práticos de se implementar o socialismo e ela foi publicada porKarl Korsch. Com a esperança de trazer diferentes linhas marxismo para junto, Weil organizou um simpósio de uma semana (aErste Marxistische Arbeitswoche; em português, 'Primeira Semana de Trabalho Marxista'), em 1922, que foi assistido porGeorg Lukács,Karl Korsch,Karl August Wittfogel,Friedrich Pollock e outros. O evento teve tanto sucesso que Weil começou a construir uma sede e a buscar financiamento para uma instituição permanente. Weil negociou com o Ministério da Educação para que o diretor do instituto fosse um professor do estado, de modo que o Instituto de Pesquisa Social tivessestatus universitário.[12]
Apesar de Lukács e Korsch terem assistido aArbeitswoche, na qual foi incluído um estudo de Korsch,Marxismo e Filosofia, ambos eram membros departidos comunistas (HúngaroPartido Comunista Alemão, respectivamente) e por demais envolvidos com atividades políticas, para que pudessem participar ativamente do Instituto; ainda assim, Korsch participou do empreendimento editorial da instituição por alguns anos. O modo como Lukács foi obrigado a repudiar a suaHistória e Consciência de Classe (em algumas fontes chamada apenas deConsciência de Classe), publicada em 1923 e provavelmente a inspiração maior do trabalho da Escola de Frankfurt, foi um indicador, para muitos, de que a independência doPartido Comunista era necessária para um trabalho teórico genuíno.[12]
A tradição filosófica atualmente referida como "Escola de Frankfurt" é talvez particularmente associada aMax Horkheimer (filósofo, sociólogo e psicólogo social), que se tornou diretor do instituto em 1930 e recrutou muitos dos mais talentosos teóricos da Escola, incluindoTheodor Adorno (filósofo, sociólogo, musicólogo),Erich Fromm (psicanalista),Herbert Marcuse (filósofo) e, como membro do "círculo de fora" do instituto,Walter Benjamin (ensaísta e crítico literário).[1] Entretanto, o título de "escola" pode ser frequentemente mal compreendido, já que os membros do Instituto nem sempre tiveram projetos complementares ou relacionados. Alguns estudiosos têm, portanto, limitado a sua visão da Escola de Frankfurt a Horkheimer, Adorno, Marcuse,Lowenthäl e Pollock.[6]
A turbulência política doscomplicados anos entreguerras da Alemanha afetaram de modo importante o desenvolvimento da Escola. Os seus pensadores eram particularmente influenciados pelafalha da revolução da classe trabalhadora (precisamente onde Marx havia previsto que uma revolução comunista ocorreria) e pela ascensão donazismo em uma nação econômica e tecnologicamente avançada como a Alemanha. Isso levou muitos deles a tomar a tarefa de escolherquais partes do pensamento de Marx pudessem servir para clarificar contemporaneamente as condições sociais que o próprio Marx nunca tinha visto. Outra influência chave também veio da publicação deManuscritos económico-filosóficos eA Ideologia Alemã, nos anos 1930, que mostraram que a continuidade com ohegelianismo que calcava o pensamento de Marx.
Como a influência crescente do nacional socialismo tornou-se cada vez mais ameaçadora, os fundadores do Instituto prepararam-se para movê-lo para outro país.[13] Seguindoa ascensão de Hitler ao poder, em 1933, o Instituto deixou a Alemanha paraGenebra antes de se mudar paraNova Iorque, em 1935, onde tornou-se afiliado daUniversidade Columbia. O seu jornalZeitschrift für Sozialforschung foi renomeado de acordo com o local comoStudies in Philosophy and Social Science (Estudos em Filosofia e Ciência Social, em tradução livre). Foi neste momento que muitos de seus importantes trabalhos começaram a emergir, ganhando uma recepção favorável naacademia inglesa e estadunidense. Horkheimer, Adorno e Pollock afinal voltaram àAlemanha Ocidental no início dos anos 1950, apesar de Marcuse, Lowenthal, Kirchheimer e outros terem escolhido permanecer nos Estados Unidos. Foi apenas em 1953 que o Instituto foi formalmente restabelecido em Frankfurt.[14]
O trabalho da Escola de Frankfurt pode ser completamente compreendido sem igualmente entenderem-se as intenções e os objetivos dateoria crítica. Inicialmente delineada porMax Horkheimer no seu "Teoria Tradicional e Teoria Crítica", de 1937, a teoria crítica não pode ser definida como uma autoconsciência social crítica que é o objetivada namudança e na emancipação através do esclarecimento, e não se liga dogmaticamente aos seus próprios pressupostos doutrinais.[15][16]
Horkheimer a opôs à "teoria tradicional", que se refere à teoria no modopositivista,cientificista, ou puramente observacional - isto é, do qual derivam generalizações ou "leis" sobre diferentes aspectos do mundo. Baseando-se emMax Weber, Horkheimer argumentou que asciências sociais são diferentes dasciências naturais, visto que generalizações não podem ser feitas facilmente a partir de supostas experiências, porque o entendimento de uma experiência "social" em si é sempre moldada por ideias que estão nos pesquisadores. O que o pesquisador não percebe é que ele é capturado em um contexto histórico cujas ideologias moldam o pensamento; portanto, a teoria estaria em conformidade com as ideias na mente do pesquisador mais do que na própria experiência:
“
Os fatos que os nossos sentidos apresentam para nós são socialmente efetuados de duas maneiras: através do caráter histórico do objeto percebido e através do caráter histórico do órgão que percebe. Ambos não são simplesmente naturais; eles são moldados por atividade humana, e também pelas percepções individuais deles mesmos como receptivos e passivos no ato da percepção.
Para Horkheimer, abordagens para o entendimento nas ciências sociais não podem simplesmente imitar aquelas das ciências naturais. Apesar de várias abordagens teóricas tornarem-se próximas de romper as restrições ideológicas que as restringem, como o positivismo,pragmatismo, neo-Kantianismo efenomenologia, Horkheimer argumentaria que elas falharam, porque todas estavam sujeitas a um prejuízo "lógico-matemático" que separava a atividade teórica da vida real (significando que todas aquelas escolas tentaram encontrar uma lógica que sempre permaneceria verdadeira, independentemente de e sem consideração pelas atividades humanas correntes). De acordo com Horkheimer, a resposta apropriada para este dilema é o desenvolvimento de uma teoria crítica.[18]
O problema, Horkheimer argumentou, éepistemológico: nós não deveríamos meramente reconsiderar o cientista, mas o conhecimento individual em geral.[19] Diferente do marxismo ortodoxo, que meramente aplica um "padrão" não original a tanto crítica quanto ação, a teoria crítica procura ser uma autocrítica e rejeita quaisquer pretensões de uma verdade absoluta. A teoria crítica defende a primazia nem da matéria (materialismo) nem da consciência (idealismo), argumentando que ambas as epistemologias distorcem a realidade para o benefício, afinal, de algum grupo pequeno. O que a teoria crítica tenta fazer é colocar ela mesma fora de estruturas filosóficas e do confinamento das estruturas existentes. Entretanto, como um modo de pensar e "recuperar" o autoconhecimento da humanidade, a teoria crítica frequentemente se inspira no marxismo pelos seus métodos e ferramentas.[16]
Horkheimer sustentou que a teoria crítica deveria ser direcionada para a totalidade da sociedade na suaespecificidade histórica (i.e. como veio a ser configurada em um específico ponto no tempo), assim como ela deveria melhorar o entendimento da sociedade integrando todas as maiores ciências sociais, incluindo a geografia, economia, história, ciência política, antropologia e psicologia. Enquanto a teoria crítica deve em todas as vezes ser autocrítica, Horkheimer insistiu que uma teoria é somente crítica se é explicativa. A teoria crítica deve portanto combinar pensamento prático e normativo para que possa "explicar o que está errado com a realidade social corrente, identificar atores para mudá-la e fornecer normas claras para o criticismo e finalidades práticas para o futuro."[20] Visto que a teoria tradicional pode apenas refletir e explicar a realidade como presentemente é, o propósito da teoria crítica émudá-la; nas palavras de Horkheimer, o objetivo da teoria crítica é "a emancipação dos seres humanos das circunstâncias que os escravizam".[21]
Os teóricos da Escola de Frankfurt foram explicitamente associados com afilosofia crítica deImmanuel Kant, na qual o termocrítica significou reflexão filosófica nos limites de reivindicações feitas por certos tipos de conhecimento e uma conexão direta entre crítica e a ênfase na autonomia moral - como oposta às tradicionaisdeterministas e estáticas teorias de ação humana. Em um contexto intelectual definido pelos dogmáticos positivismo e cientificismo em uma mão e o dogmático "socialismo científico" em outra, teóricos críticos pretenderam reabilitar as ideias de Marx através de uma abordagem filosoficamente crítica.
Já que pensadores ortodoxosmarxista-leninistas esocial-democratas viam Marx como um novo tipo de ciência positiva, os teóricos da Escola de Frankfurt, como Horkheimer, preferencialmente basearam o seu trabalho na base epistemológica do trabalho de Karl Marx, que apresentava ele mesmo como crítica, como emO Capital. Eles, assim, enfatizaram que Marx estava tentando criar um novo tipo de análise crítica orientada em direção à unidade de teoria e prática revolucionária mais do que um novo tipo de ciência positiva. Crítica, no senso marxista, significa tomar a ideologia de uma sociedade - e.g. a crença naliberdade individual ou nolivre mercado sob o capitalismo - e criticá-la comparando-a com a realidade social daquela mesma sociedade - e.g.desigualdade social eexploração. A metodologia na qual os teóricos da Escola de Frankfurt fundamentaram essa crítica veio a ser o que foi antes sendo estabelecido por Hegel e Marx, nomeadamente o método dialético.
O Instituto também tentou reformular adialética como um método concreto. O uso de tal método dialético pode ser devido à filosofia deHegel, quem concebeu a dialética como a tendência de uma noção para atravessar pela sua própria negação como o resultado do conflito entre os seus aspectos contraditórios inerentes.[22] Em oposição aos modos anteriores de pensamento, os quais viam coisas em abstração, cada uma por si mesma e como pensamento dotado com propriedades fixas, a dialética hegeliana tem a habilidade de considerar ideias conforme os seus movimentos e mudança no tempo, assim como consoante suas inter-relações e interações.[22]
História, de acordo com Hegel, prossegue e desenvolve-se de uma maneira dialética: o presente incorpora aabolição racional, ou "síntese", de contradições passadas. História pode assim ser vista como um processo inteligível (a que Hegel referiu-se comoWeltgeist) que émover-se em direção a uma específica condição - a percepção racional de liberdade humana.[23] Entretanto, considerações sobre o futuro não eram de interesse de Hegel,[24][25] para quem a filosofia não pode serprescritiva porque ela é entendida apenas depois do ocorrido. O estudo da história é assim limitado à descrição do passado e de realidades presentes.[23] Por isso, para Hegel e seussucessores, dialéticas inevitavelmente levam à aprovação dostatus quo - de fato, a filosofia de Hegel serviu como justificativa para aTeologia cristã e oestado Prusso.
Isto foi ferozmente criticado por Marx e pelosJovens hegelianos, que afirmaram que Hegel havia ido muito longe ao defender sua concepção abstrata de "Razão absoluta" e havia falhado em observar as "reais" - i.e.indesejáveis eirracionais - condições de vida daclasse trabalhadora. Invertendo a dialéticaidealista de Hegel, Marx explicou a sua própria teoria dematerialismo dialético, argumentando que "não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social que determina as suas consciências".[26] A teoria de Marx seguiu umalei de história eespaçomaterialistas,[27] em que o desenvolvimento das forças produtivas é visto como o motivo primário para deflorar uma mudança histórica, e de acordo com qual as contradições material e social inerentes ao capitalismo irão inevitavelmente levar a sua negação, desse modo substituindo o capitalismo por uma nova forma racional de sociedade: ocomunismo.[28]
Marx assim contou vastamente com uma forma de análise dialética. Esse método - para saber a verdade descobrindo as contradições em ideias presentemente predominantes e, por extensão, nas relações sociais às quais elas estão ligadas - expõe a luta básica entre forças opostas. Para Marx, é apenas tornando-seconsciente da dialética de tais forças opostas, em uma luta pelo poder, que os indivíduos podem se libertar e mudar a ordem social existente.[29]
Pelo seu lado, os teóricos da Escola de Frankfurt rapidamente vieram a perceber que um método dialético poderia apenas ser adotadose pudesse ser aplicado a si mesmo - o que é dizer, supondo que eles adotassem um método autocorretivo - um método dialético que lhes permitiria corrigir falsas interpretações dialéticas anteriores. Do mesmo modo, a teoria crítica rejeitou os dogmáticoshistoricismo ematerialismo domarxismo ortodoxo.[30] De fato, as tensões materiais elutas de classes das quais Marx falou não eram mais vistas pelos teóricos da Escola de Frankfurt como tendo o mesmopotencial revolucionário dentro das sociedades ocidentais contemporâneas - uma observação que indicou que as interpretações dialéticas e as previsões de Marx estavam incompletas ou incorretas.
Contrário àpráxis ortodoxa marxista, que somente procura implementar uma imutável e estrita ideia de "comunismo" na prática, teóricos críticos tomaram que a práxis e a teoria, seguindo o método dialético, deveriam ser interdependentes e deveriam influenciar mutuamente uma a outra. Quando Marx expôs nas suasTeses de Feuerbach que "filósofos têm apenas interpretado o mundo de muitos modos; o ponto é mudá-lo", a sua ideia real era que aúnica validade da filosofia era em como ela informa a ação. Teóricos da Escola de Frankfurt corrigiriam isso afirmando que quando a ação falha, então o orientador da teoria deve ser revisto. Em suma, ao pensamento filosófico socialista tem de ser dada a habilidade de criticar a si mesmo e "subjugar" seus próprios erros. Enquanto a teoria deve participar da práxis, a práxis devetambém ter uma chance de participar da teoria.
Análise histórica comparativa do racionalismo ocidental no capitalismo, no estado moderno, racionalidade secular científica, na cultura e na religião; análise das formas de dominação em geral e dedominação burocrática moderna racional-legal em particular; articulação do distintivo,método hermenêutico das ciências sociais.
Crítica da estruturarepressora do "princípio de realidade" de avançadas civilizações e daneurose normal da vida cotidiana; descoberta doinconsciente, do processo primário do pensamento, e do impacto docomplexo de Édipo e da ansiedade na vida física; análise das bases psíquicas doautoritarismo e comportamento social irracional.
Crítica da"falsa" ereificada experiência trazendo as suas próprias formas e linguagens tradicionais; projeção de modos alternativos de existência e experiência; liberação do inconsciente; consciência da única, moderna situação; apropriação deKafka,Proust,Schoenberg,Breton; crítica doindústria cultural e cultura "afirmativa"; utopia estética.
Crítica da ideologia burguesa; crítica do trabalho alienado;materialismo histórico; história comoluta de classes e exploração do trabalho em diferentesmodos de produção; análise de sistema do capitalismo como extração do excesso de trabalho através de livre trabalho em livre mercado; unidade de teoria e prática; análise para a causa de revolução,democracia socialista, sociedade sem classes.
Crítica dacultura de massa como supressão e absorção da negação, como integração dentro para dentro dostatus quo; crítica dacultura ocidental como uma cultura de dominação, tanto interna quanto externamente; diferenciaçãodialética de emancipação e dimensões repressoras da cultura deelite; transvaloração deNietzsche e da educação estética deSchiller.
Respondendo à intensificação da alienação e dairracionalidade em uma avançada sociedade capitalista, a teoria crítica é uma compreensiva, ideológico-crítica, um corpo historicamente auto-reflexivo visando simultaneamente a explicar a dominação e apontar as possibilidades de acarretar uma sociedade racional, humana e livre. Teóricos críticos da Escola de Frankfurt desenvolveram numerosas teses sobre estruturas de dominação econômica, política, cultural e psicológica da civilização industrial avançada.
O Instituto fez maiores contribuições em duas áreas relativas à possibilidade dosujeito humano ser racional, i.e. indivíduos que poderiam atuar racionalmente para assumir a sua própriasociedade e a sua própriahistória. A primeira consiste de um fenômeno social anteriormente considerado no marxismo como parte da "superestrutura" ou comoideologia: estruturas depersonalidade,família eautoridade (um dos primeiros trabalhos publicados sob o títuloEstudos de Autoridade e de Família), e a esfera da estética e decultura de massa. Estudiosos viram uma preocupação comum aqui na habilidade docapitalismo de destruir as precondições para consciência política crítica e revolucionária. Isso significava a chegada a uma sofisticada consciência da dimensão profunda em que aopressão social se sustenta. Isso também significa o início do reconhecimento da ideologia como parte das fundações da estrutura social por parte dateoria crítica.
Na segunda fase da teoria crítica da Escola de Frankfurt, destacam-se principalmente dois trabalhos:Dialética do Esclarecimento (1944), deHorkheimer eAdorno, eMinima Moralia (1951), deAdorno. Ambos os autores trabalhariam durante o exílio do Instituto, nos Estados Unidos. Enquanto antes se detinham muito em uma análise marxista, nesses trabalhos ateoria crítica foi a sua ênfase. A crítica docapitalismo tornou-se uma crítica dacivilização ocidental como um todo. De fato,Dialética do Esclarecimento usa aOdisseia como um paradigma para a análise daconsciênciaburguesa. Horkheimer e Adorno já apresentavam nesses trabalhos muitos dos temas que viriam a dominar o pensamento social dos anos recentes; de fato, a sua exposição da dominação danatureza como uma característica central darazão instrumental, na civilização do Ocidente, foi feita muito antes de o movimentoecológico e a defesa domeio-ambiente se difundirem amplamente na sociedade.
A análise da razão agora vai para um estágio adiante. A racionalidade da civilização ocidental aparece como uma fusão da dominação e da racionalidade tecnológicas, submetendo tudo de natureza externa e interna ao poder do sujeito humano. No processo, entretanto, o próprio sujeito é engolido, e nenhuma força social análoga aoproletariado pode ser identificada como capaz de habilitar o sujeito a se emancipar. Daí vem o subtítulo deMinima Moralia : reflexões a partir da vida danificada. Nas palavras de Adorno:
“
Para já a esmagadora objetividade do movimento histórico na sua fase presente consiste até apenas agora na dissolução do sujeito, sem ainda dar origem a um novo, experiência individual necessariamente baseia-se no antigo sujeito, agora historicamente condenado, que é ainda para-si mesmo, mas não mais em-si mesmo. O sujeito ainda sente-se seguro da sua autonomia, mas a nulidade demonstrada aos sujeitos pelocampo de concentração já está ultrapassando a forma da subjetividade.[31]
”
Consequentemente, em um tempo em que isso aparece que a realidade tem se tornar a base para aideologia, a maior contribuição que a teoria crítica pode fazer é explorar as contradições dialéticas do sujeito individual por um lado, e preservar a verdade de teoria no outro. Até o progresso dialético é colocado em dúvida: "a sua verdade ou inverdade não é inerente ao método próprio, mas à sua intenção no processo histórico." Essa intençãotem de ser orientada em direção a integral liberdade e felicidade: "a única filosofia que pode ser responsavelmente praticada em face ao desespero é tentar contemplar todas as coisas como elas apresentariam elas mesmas do ponto de vista da redenção". Adorno prossegue à distância do "otimismo" do marxismo ortodoxo: "ao lado da demanda, assim colocado no pensamento, a questão da realidade ou irrealidade da redenção (i.e. emancipação humana) em si preocupa severamente."[32]
De um ponto de vista sociológico, tanto os trabalhos de Horkheimer quanto os de Adorno contêm uma certa ambivalência acerca da última fonte ou fundação da dominação social, uma ambivalência que deu origem ao "pessimismo" da nova teoria crítica sobre a possibilidade da emancipação e liberdade humanas.[33]
Esta ambivalência foi enraizada, por claro, nas circunstâncias históricas nas quais o trabalho originalmente foi produzido, em particular a ascensão doNacional Socialismo,stalinismo,[34]capitalismo de estado ecultura de massa como inteiramente novas formas de dominação social que poderiam não ser adequadamente explicadas com base na tradicional sociologia marxista.[35] Para Adorno e Horkheimer, aintervenção estatal na economia tinha efetivamente abolido a tensão no capitalismo entre as "relações de produção" e as "forças produtivas materiais da sociedade" - uma tensão que, de acordo com a tradicional teoria marxista, constituía a contradição primária dentro do capitalismo. O anterior "livre" mercado (como um mecanismo "inconsciente" para a distribuição de bens) e a "irrevogável"propriedade privada da época de Marx tinham sido gradualmente substituídos peloestado centralizado planificado e pela propriedade socializada dosmeios de produção nas sociedades ocidentais contemporâneas.[36] A dialética através da qual Marx previu a emancipação da sociedade moderna é portanto suprimida, efetivamente sendo subjugada a uma racionalidade positivista de dominação.
Dessa segunda "fase" da Escola de Frankfurt, o filósofo e teórico crítico Nikolas Kompridis escreve o seguinte:
“
De acordo com a nova visão canônica da história, a teoria crítica da Escola de Frankfurt começou nos anos 1930 como um razoável confidente programa interdisciplinar e materialista, o objetivo geral do que era conectar o criticismo social normativo ao potencial emancipatório latente no processo histórico concreto. Apenas umas década ou mais depois, entretanto, tendo revisitado as premissas da sua filosofia ou história, aDialética do Esclarecimento de Horkheimer e Adorno conduziu todo o empreendimento, provocativamente e autoconscientemente, para um céticocul-de-sac. Como um resultado, eles ficaram emperrados em dilemas insolúveis da "filosofia do sujeito", e o programa original foi diminuído para uma prática negativista de crítica que evitava os muito normativos ideais dos quais ele implicitamente dependia.[37]
”
Kompridis afirma que esse "cético cul-de-sac" chegou com "muita ajuda do uma vez inexprimível e sem precedentes fascismo europeu," e poderia não ter sido chegado sem "algum bom mercado [saída de, ou]Ausgang, mostrando o caminho fora do sempre recorrente pesadelo em que esperanças do esclarecimento e horrores do Holocausto são fatalmente enredados." Entretanto, esseAusgang, de acordo com Kompridis, não viria até mais tarde - supostamente na forma do trabalho deJürgen Habermas em bases intersubjetivas da racionalidade comunicativa.[37]
Adorno, um musicista treinado, escreveuA Filosofia da Música Moderna (1949), em que ele, em essência, polemiza contra abeleza em si - porque isso havia se tornado parte da ideologia da sociedade capitalista avançada e afalsa consciência que contribui à dominação social. Isso assim contribui para a presente sustentabilidade do capitalismo por retribuir uma "estética gentil" e "concordável". Apenas a arte e a música devanguarda podem preservar a verdade capturando a realidade do sofrimento humano. Assim:
“
Que percepções radicais da música são o não transfigurado sofrimento do homem [...] O registro sismógrafáfico de choques traumáticos torna-se, ao mesmo tempo, lei estrutural técnica da música. Isso proíbe a continuidade e o desenvolvimento. A linguagem musical é polarizada de acordo com o seu extremo; em direção a gestos de choques a convulsões do corpo em uma mão e na outra em direção a uma cristalina paralisação do ser humano cuja ansiedade causa congelar nas suas sequências[...] A música moderna vê o absoluto oblívio como o seu objetivo. Essa é a mensagem sobrevivente do desespero do náufrago.[38]
”
Essa visão dearte moderna como verdade produtora apenas através da negação da forma e normas estéticas tradicionais de beleza porque elas tornaram-se ideológicas é característica de Adorno e da Escola de Frankfurt em geral. Isso tem sido criticado por aqueles que não compartilham essa concepção de sociedade moderna como uma falsa totalidade que rende concepções e imagens de beleza e harmonia obsoletas tradicionais.
Antes dessa denominação tardia (só viria a ser adotada, e com reservas, por Horkheimer na década de 1950), cogitou-se o nome Instituto para o Marxismo, mas optou-se pela denominação ideologicamente inócua de Instituto para a Pesquisa Social. Seja peloanticomunismo reinante nos meios acadêmicos alemães nos anos 1920-1939, seja pelo fato de seus colaboradores não adotarem o espírito e a letra do pensamento deMarx e domarxismo da época, o Instituto recém-fundado preenchia uma lacuna existente na universidade alemã quanto à história do movimento trabalhista e do socialismo.Carl Grünberg, economista austríaco, foi seu primeiro diretor, de 1923 a 1930. O órgão do Instituto era a publicação chamada Arquivos Grünberg. Horkheimer, a partir de 1931, já com título acadêmico, pôde exercer a função de diretor do Instituto, que se associava àUniversidade de Frankfurt. O órgão oficial dessa gestão passou a ser a Revista para a Pesquisa Social, com uma modificação importante: a hegemonia era não mais da economia, e sim da filosofia. A teoria crítica realiza uma incorporação do pensamento de filósofostradicionais, colocando-os em tensão com o mundo presente.
Os múltiplos interesses dos pensadores de Frankfurt e o fato de não constituírem uma escola no sentido tradicional do termo, mas uma postura de análise crítica e uma perspectiva aberta para todos os problemas da cultura do século XX, torna difícil a sistematização de seu pensamento. Pode-se, no entanto, salientar alguns de seus temas, chegando-se a compor um quadro de suas principais ideias. De Walter Benjamin, devem-se destacar reflexões sobre as técnicas físicas de reprodução da obra de arte, particularmente do cinema, e as conseqüências sociais e políticas resultantes; de Adorno, o conceito deindústria cultural e a função da obra de arte; de Horkheimer, os fundamentos epistemológicos da posição filosófica de todo o grupo de Frankfurt, tal como se encontram formulados em suateoria crítica; de Marcuse, a esperança em novas formas de libertação da Razão e emancipação do ser humano através da arte e do prazer; finalmente, de Habermas, as ideias sobre a ciência e a técnica comoideologia.
Com a chegada de Hitler ao poder na Alemanha, os membros do Instituto, na sua maioria judeus, migraram paraGenebra, depois aParis e finalmente, para a Universidade de Columbia, emNova Iorque. A primeira obra coletiva dos frankfurtianos são osEstudos sobre Autoridade e Família, escritos em Paris, onde estes fazem um diagnóstico da estabilidade social e cultural das sociedades burguesas contemporâneas. Nestes estudos, os filósofos põem em questão a capacidade das classes trabalhadoras em levar a cabo transformações sociais importantes.
Com o crescimento da sociedade industrial e as melhorias das condições do proletariado, os críticos teóricos reconheceram que a estrutura do capitalismo e da história havia mudado de forma decisiva, que os métodos opressivos operavam de uma maneira diferente, e que a classe operária industrial não incorporava a negação mais firme do capitalismo. Isto levou à tentativa de erradicar a dialética em um método de negatividade absoluta, como em "Man on a dimensão" de Herbert Marcuse.[39]
Esta desconfiança, que os afasta progressivamente domarxismo operário, se consuma naDialética do Esclarecimento de 1947, publicado emAmsterdã onde o termo marxismo já se encontra quase ausente. Em 1949-1950 publicam osEstudos sobre o Preconceito que representa uma inovação significativa nas metodologias de pesquisa social, embora de pouca significação teórica.
ComErich Fromm e Herbert Marcuse inicia-se uma frente de trabalho que associa a teoria crítica da sociedade àpsicanálise. Fromm, precursor desta frente de trabalho, logo se distancia do núcleo da Escola, e este perde o interesse pela Psicanálise até o início dos trabalhos de Marcuse.
Marcuse, que permanece nos EUA após o retorno do Instituto para a Alemanha em 1948, foi o mais significativo dos frankfurtianos, do ponto de vista das repercussões práticas de seu trabalho teórico, já que teve influência notável nas insurreições antibélicas, nas revoltas estudantis de 1968 e 1969 e também por se tornar um forte anticomunista.[40]
Adorno continuará o trabalho iniciado naDialética do Esclarecimento, de reformulaçãodialética da razão ocidental, em suaDialética Negativa, sendo considerado ainda hoje o mais importante dos filósofos da Escola. Com a sua morte, começa o que alguns chamam de segundo período da Escola de Frankfurt, tendo como principal articulador o antes assistente de Adorno e, depois, seu crítico mais ferrenho:Jürgen Habermas.
Em uma entrevista com Casey Blake eChristopher Phelps, o historiadorChristopher Lasch criticou as tendências iniciais da Escola de Frankfurt de rejeitar "automáticamente", as críticas de opositores políticos por razões "psiquiátricas":
“
The Authoritarian Personality[41]teve uma enorme influência sobreHofstadter e outros intelectuais liberais, porque mostrou-lhes como conduzir críticas políticas em categorias psiquiátricas, para fazer essas categorias suportarem o peso da crítica política. Este procedimento desculpou-os pelo trabalho difícil de julgamento e argumentação. Em vez de discutir com os adversários, eles simplesmente descartavam-nos por motivos psiquiátricos.[42]
Uma crítica inicial, proveniente daesquerda, argumenta que a teoria crítica da Escola de Frankfurt é nada mais do que uma forma de "idealismoburguês" desprovida de qualquer relação real com a prática política, sendo portanto, totalmente isolada da realidade de qualquer movimento revolucionário em curso. Esta crítica foi capturado na frase deGeorg Lukács "Grande Hotel Abismo" como uma síndrome imputada aos membros da Escola de Frankfurt:
“
Uma parte considerável daintelligentsia alemã, incluindo Adorno, fixou residência no "Grande Hotel Abismo" que eu descrevi em conexão com minha crítica deSchopenhauer como: "um belo hotel, equipado com todo o conforto, à beira de um abismo, do nada, do absurdo. E a contemplação diária do abismo entre excelentes refeições ou entretenimentos artísticos, só pode aumentar o prazer dos confortos sutilmente oferecidos."[43]
”
FilósofoKarl Popper acreditava igualmente que a escola não fez jus à promessa de um futuro melhor deMarx:
“
A condenação da nossa sociedade por Marx faz sentido. A teoria de Marx contém a promessa de um futuro melhor. Mas a teoria torna-se vazia e irresponsável se essa promessa é retirada, como é por Adorno e Horkheimer.[44]
”
Soluções de Habermas: teoria crítica "entre passado e futuro"
Em 2006,Nikolas Kompridis (que realizou umabolsa depós-doutorado comJürgen Habermas) publicou novas críticas à abordagem de Habermas à teoria crítica, chamando para uma dramática ruptura com a ética procedimental de racionalidade comunicativa. Escreveu:
“
Para a concepção e implicações práticas destas teorias, a reformulação da teoria crítica de Habermas é assolada por seus próprios problemas persistentes... A meu ver, a profundidade destes problemas indicam o quão errada era expectativa de Habermas de que a mudança de paradigma da intersubjetividade linguística tornaria "sem objetivo" os dilemas da filosofia do sujeito.[45] Habermas acusou Hegel de criar uma concepção de razão tão "esmagadora" que, resolveria muito bem o problema da [necessidade de] autoconfiança da modernidade.[46] Ao que parece, no entanto, Habermas tem repetido em vez de evitar o erro de Hegel, criando um paradigma teórico tão abrangente que num curso ele também resolve muito bem os dilemas da filosofia do sujeito e o problema da autoconfiança restabelecida da modernidade.[47]
”
Adicionalmente, escreveu:
“
A mudança de paradigma da intersubjetividade linguística tem sido acompanhada por uma mudança dramática na autocompreensão da teoria crítica. A prioridade dada às questões da justiça e da ordem normativa da sociedade remodelou a teoria crítica à imagem de teorias liberais da justiça. Embora esta tenha produzido uma variante contemporânea importante das teorias liberais de justiça, diferentes o suficiente para serem um desafio para a teoria liberal, mas não o suficiente para preservar a continuidade suficiente com o passado da teoria crítica, tem enfraquecido gravemente a identidade da teoria crítica e, inadvertidamente, iniciou a sua prematura dissolução.[48]
”
Para evitar a dissolução, Kompridis sugere que a teoria crítica deve "reinventar-se" como um empreendimento "possibilidade-divulgação", incorporando ideias controversas deHeidegger sobreErschlossenheit (Divulgação Mundial)[49] e das fontes de normatividade que ele sente que foram bloqueadas a partir da teoria crítica por sua recente mudança de paradigma. Apelando para o queCharles Taylor nomeou um "novo departamento" da razão,[50] com um papel-revelação possibilidade de que Kompridis chama de "divulgação reflexiva", Kompridis argumenta que a teoria crítica deve abraçar sua herança alemã romântica negligenciada e mais uma vez imaginar alternativas para condições sociais e políticas existentes, "se isto fizer um futuro digno de seu passado."[51]
O intelectual italiano teceu diversas críticas aos frankfurtianos, entre elas o anacronismo e a posição elitista de seus teóricos, a defesa da cultura erudita e a rejeição da cultura de massa. No livroApocalípticos e integrados os clasifica como “apocalípticos”, adjetivo usado largamente na crítica à Escola de Frankfurt. Segundo o autor, eles seriam:
“
responsáveis por esboçar teorias sobre a decadência, enquanto aos integrados, pela falta de teorização, só lhes restaria produzir e afirma: “O Apocalipse é uma obsessão do dissenter, a integração é a realidade concreta dos que não dissentem [grifo do autor]. Caberia aos apocalípticos o papel de consolar o leitor, já que, em meio à catástrofe, se elevariam os “super-homens”, ou seja, aqueles acima da média, que olhariam para o mundo com desconfiança.[52]
”
Para Eco (1979), essa atitude seria um convite à passividade.
O problema estaria em pensar a cultura de massa como algo bom ou mau. Para Eco, o verdadeiro problema reside em aceitar que se vive em uma sociedade industrial na qual os meios de massa são uma realidade. A partir de tal premissa, o teórico questiona qual seria então o modo pelo qual os mass media poderiam servir para transmitir valores culturais.
Durante osanos 1980, os socialistasantiautoritários noReino Unido eNova Zelândia criticaram a visão rígida e determinista sobre a cultura popular implantada dentro das teorias da Escola de Frankfurt a respeito da cultura capitalista, que parecia excluir qualquer papel prefigurativo para a crítica social dentro desse trabalho. Eles argumentaram que aEC Comics muitas vezes conteve tais críticas culturais.[53][54] Recentes críticas da Escola de Frankfurt feitas pelolibertárioInstituto Cato focadas na afirmação de que a cultura tem crescido mais sofisticada e diversificada como consequência daliberdade econômica e da disponibilidade dos nichos culturais para amídia de massa.[55][56]
Umateoria da conspiração envolvendo a Escola de Frankfurt emergiu no início doséculo XXI, intitulada "marxismo cultural"; segundo seus proponentes, a Escola de Frankfurt seria a origem de um movimento contemporâneo daesquerda mundial para destruir acultura ocidental.[57][58] Eles defendem que omulticulturalismo e opoliticamente correto são produtos da teoria crítica dos frankfurtianos. Essa teoria é divulgada por pensadores conservadores como William Lind, Pat Buchanan, Paul Weyrich[59] eOlavo de Carvalho[60] e tem recebido o apoio institucional do Free Congress Foundation.[61][62]
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