
Intensidade sísmica é uma medida qualitativa que descreve a severidade dos efeitos produzidos por umsismo em locais na superfície terrestre. A classificação da intensidade sísmica é feita através da observação dos efeitos do sismo sobre as pessoas, objetos, edifícios epaisagem e é expressa numaescala de intensidade sísmica (em geral numérica) que representa um padrão teórico de efeitos do sismo num determinado local.[1][2] A contrário damagnitude sísmica, um indicador da energia libertada pelo sismo e que por isso é um valor única para cada sismo, a intensidade depende dos efeitos pelo que terá para o mesmo sismo valores distintos consoante a zona, expressos na carta deisossistas (oumapa isossísmico).
A intensidade sísmica é um parâmetro que permite avaliar as vibrações sísmicas sentidas num certo local tendo em conta os efeitos produzidos em pessoas, objetos e estruturas. É determinada pelo preenchimento de um questionário padrão distribuído pelas entidades oficiais.
Os tremores de terra podem ser causados de várias formas (tremores vulcânicos, avalanches, grandes explosões, entre outras causas), mas os tremores suficientemente intensos para causar danos devem-se normalmente a ruturas dacrosta terrestre. A intensidade dos abalos depende de vários factores:[3][4]
A resposta do local é especialmente importante, uma vez que certas condições, comosedimentos não consolidados, podem amplificar osmovimentos do solo até pelo menos dez vezes.
Quando umsismo não é registado emsismógrafos, ummapa isossísmico que mostre as intensidades sentidas em diferentes áreas pode ser usado para estimar a localização epicentral e a magnitude.[3] Tais mapas também são úteis para estimar a intensidade do tremor e, portanto, o nível provável de danos, a serem esperados de um futuro terramoto de magnitude semelhante. NoJapão, este tipo de informação é utilizado quando ocorre um terramoto para antecipar a gravidade dos danos que se podem esperar em diferentes áreas.[4]
A intensidade local do tremor de terra depende de vários fatores para além da magnitude do sismo,[5] sendo um dos mais importantes as condições do solo. Por exemplo, as camadas espessas de solo mole (como os aterros) podem amplificar as ondas sísmicas, muitas vezes a uma distância considerável da fonte, enquanto as bacias sedimentares entram frequentemente emressonância com as oscilações induzidas pelasondas sísmicas, aumentando a duração dos abalos. É por isso que, noterramoto de Loma Prieta de 1989, odistrito de Marina dacidade de São Francisco foi uma das áreas mais danificadas, apesar de estar quase 100 km distante doepicentro.[6] Naquele sismo, os efeitos das estruturas geológicas também foram significativos, como no caso em que as ondas sísmicas que passaram sob a extremidade sul daBaía de São Francisco se refletiram na base dacrosta terrestre em direção a São Francisco eOakland. Um efeito semelhante canalizou as ondas sísmicas entre as outrasfalhas principais na área.[7]
As escalas de intensidade sísmica categorizam a intensidade ou gravidade do movimento do solo (o tremor ou abalo) num determinado local. Distinguem-se dasescalas de magnitude sísmica, que medem amagnitude sísmica, ou seja, a força global de um sismo, que pode, ou não, causar abalos percetíveis. As escalas de intensidade sísmica são em geral usadas para categorizar os efeitos dos sismos, especialmente para descrever os danos resultantes de umterramoto.
As escalas de intensidade baseiam-se nos efeitos observados do abalo, tais como o grau em que as pessoas ou os animais ficaram alarmados e a extensão e gravidade dos danos causados a diferentes tipos de estruturas ou características naturais da paisagem. A intensidade máxima observada e a extensão da área onde o abalo foi sentido, em geral representados nummapa isossísmico, podem ser utilizadas para estimar a localização e a magnitude da origem do sismo, o que é especialmente útil para sismos históricos para os quais não há registo instrumental.
As primeiras tentativas de categorizar os terramotos incluem os trabalhos dePompeo Schiantarelli, em 1783, que desenhou um mapa dos efeitos do terramoto de 1783 na Calábria, para além de numerosos desenhos mostrando os efeitos, e deDomenico Pignatoro, em 1788, que elaborou uma escala de intensidade de cinco níveis para descrever os efeitos do mesmo terramoto.[8] A primeira escala de intensidade reconhecível no sentido moderno da palavra foi elaborada em 1828 pelo matemático alemãoPeter Caspar Nikolaus Egen (1793–1849) para descrever um sismo que ocorreu na região fronteiriça daRenânia com osPaíses Baixos.[9][10] No entanto, o primeiro mapeamento moderno da intensidade de um sismo que se conhece foi executado porRobert Mallet, um engenheiro irlandês que foi enviado peloImperial College, de Londres, para investigar os efeitos doterramoto de Basilicata de 1857, também conhecido como oGrande Terramoto Napolitano de 1857.[11]
A primeira escala de intensidade sísmica amplamente adotada, aEscala Rossi-Forel, foi introduzida no final do século XIX como uma escala de 10 graus.[12] Em 1902, osismólogo italianoGiuseppe Mercalli criou aEscala Mercalli, uma nova escala de 12 graus. Uma melhoria muito significativa foi alcançada, em boa parte como resultado dos trabalhos deCharles Francis Richter durante a década de 1950, quando se estabeleceu e padronizou uma definição da resistência aos sismos das estruturas construídas, o que permitiu subdividir os edifícios existentes em cada região em tipos de resistência sísmica e, principalmente, quando se comprovou a existência de umacorrelação significativa entre a intensidade sísmica e aaceleração máxima do solo induzida pelas ondas sísmicas. Para o caso daCalifórnia, esta correlação permitiu aCharles Richter estabelecer a seguinte equação:[13]
A partir de então, a avaliação da intensidade sísmica foi baseada no grau de dano para um determinado tipo de estrutura. Isso deu àEscala de Mercalli, bem como àEscala Europeia MSK-64, o elemento quantitativo, que representa a vulnerabilidade do tipo de edifício.[14] Desde então, essa escala foi chamada deEscala Mercalli Modificada (aMM) e as avaliações das intensidades sísmicas tornaram-se mais fiáveis.[15]
Além disso, foram desenvolvidas mais escalas de intensidade sísmica, que são utilizadas em diferentes partes do mundo:[16]
| País/Região | Escala de intensidade sísmica em uso |
|---|---|
| Escala Liedu (GB/T 17742–1999) | |
| Escala Macrossísmica Europeia (EMS-98)[17] | |
| Escala Mercalli Modificada (MM)[18] | |
| Escala Medvedev–Sponheuer–Karnik | |
| Escala Mercalli Modificada (MM)[19] | |
| Escala Medvedev–Sponheuer–Karnik (MSK-64) | |
| Escala da Agência Meteorológica do Japão | |
| Escala Medvedev–Sponheuer–Karnik (MSK-64) | |
| PHIVOLCS Earthquake Intensity Scale (PEIS) | |
| Escala Medvedev–Sponheuer–Karnik (MSK-64) | |
| Central Weather Administration seismic intensity scale[20] | |
| Escala Mercalli Modificada (MM)[21] |