Ainda muito jovem, quando aGrande Guerra (1914–1918) assombrava o mundo, decidiu ir àEuropa pela primeira vez. Hemingway havia terminado osegundo grau em Oak Park e trabalhado comojornalista no jornalThe Kansas City Star. Tentou alistar-se no exército, mas foi preterido por ter um problema na visão. Decidido a ir à guerra, conseguiu uma vaga de motorista deambulância naCruz Vermelha. NaItália, apaixonou-se pela enfermeira Agnes Von Kurowsky, que viria a ser sua inspiração para a criação da heroína deAdeus às Armas (1929) — a inglesa Catherine Barkley. Atingido por umabomba, retornou para Oak Park, que, no entanto, depois do que havia visto na Itália, tornara-se monótona demais para ele.[2]
Voltou então àEuropa (Paris) em 1921, recém-casado com Elizabeth Hadley Richardson, seu primeiro casamento, com quem teve um filho. Na ocasião, trabalhava para arevistacanadenseToronto Star Weekly e, em início de carreira, se aproximou de outros principiantes:Ezra Pound (1885–1972),F. Scott Fitzgerald (1896–1940) eGertrude Stein (1874–1946).[2] Hemingway era parte da comunidade de escritores expatriados emParis conhecida como "Geração Perdida", nome inventado e popularizado por Gertrude Stein.
A vida e a obra de Hemingway têm intensa relação com aEspanha, país onde viveu por quatro anos. Uma breve mas marcante passagem para o escritor americano, que estabeleceu uma relaçãoemotiva eideológica com os espanhóis. EmPamplona, em meados doséculo XX, fascinou-se pelatauromaquia, chegando a tourear como amador, experiência que abordaria no seu livroO Sol Também Se Levanta (1926).
O seu segundo casamento (1927) foi com a jornalista de moda Pauline Pfeiffer, com quem viria a ter dois filhos. Em 1928, o casal decidiu morar emKey West, naFlórida. Em Key West, no entanto, o escritor sentiu falta da vida de jornalista e correspondente internacional. Ao mesmo tempo, o casamento com Pauline se tornou instável. Nessa época, conheceu Joe Russell, dono doSloppy Joe's Bar e companheiro de farra.
Já na década de 1930, resolveu partir com o amigo para umapescaria. Dois dias emalto-mar que terminaram emHavana, capital cubana, para onde passou a voltar anualmente na época da pesca aomarlim (entre os meses de maio e julho). Na cidade, hospedava-se no Hotel Ambos Mundos, em plenaHabana Vieja, bairro mais antigo da cidade, que se tornou o lar do escritor e o cenário que comporia sua história e a da própria ilha pelos próximos 23 anos. Duas décadas de turbulências que teriam, como desfechos, arevolução socialista e o suicídio do escritor.[2]
EmCuba, o escritor se apaixonou por Jane Mason, que era casada com o diretor de operações daPan American Airways. Hemingway e Jane se tornaram amantes. Em 1936, novamente se apaixonou: desta feita pela destemida jornalistaMartha Gellhorn, motivo do segundodivórcio, confirmando o que predissera seu amigo, Scott Fitzgerald, quando eles se conheceram em Paris: "Você vai precisar de uma mulher a cada livro". Assim, Hemingway partiu para a Espanha, onde Martha já estava, e, em meio à guerra, os dois viveram um romance que resultou no seu terceiro casamento.[5] Ao cobrir aGuerra Civil Espanhola como jornalista doNorth American Newspaper Alliance, não hesitou em se aliar às forças republicanas contra ofascismo,[2] o que viria a ser o tema do livroPor Quem os Sinos Dobram (1940), considerada suaobra-prima.[6] Quando a república espanhola caiu e a Europa vivia o prenúncio de um conflito generalizado, Hemingway retornou para Cuba com Martha.[2]
Hemingway a bordo de seuiate, Pilar, por volta de 1950, em Cuba.
Em Cuba, durante a Segunda Guerra Mundial, Hemingway montou uma rede deinformantes com a finalidade de fornecer, aogoverno dos Estados Unidos, informações sobre os espanhóis simpatizantes do fascismo na ilha. Também passou a patrulhar o litoral a bordo de seuiate Pilar na busca de possíveissubmarinos alemães. Porém aAgência Federal de Investigação estadunidense via com desconfiança a colaboração de Hemingway, por considerá-lo um simpatizante docomunismo.[7]
Em 1946, o escritor casou-se pela quarta e última vez: desta vez com Mary Welsh, também jornalista mas tímida e disposta a viver ao lado de um Hemingway cada vez mais instável emocionalmente.[2] Levando uma vida turbulenta, Hemingway casou-se quatro vezes, além de ter tido vários relacionamentos românticos. Em 1952, publicou "O Velho e o Mar", com o qual ganhou oPrémio Pulitzer de Ficção (1953).[5] Foi laureado com oNobel de Literatura de 1954[1][2] devido ao seu "domínio da arte da narrativa, mais recentemente demonstrado emO Velho e o Mar, e pela influência que exerceu no estilo contemporâneo[8]".
Ao longo da vida do escritor, o temasuicídio aparece em escritos, cartas e conversas com muita frequência. Seu pai suicidou-se em 1929 por problemas de saúde e financeiros. Sua mãe, Grace, dona de casa e professora decanto eópera, enviou-lhe, pelo correio, apistola com a qual o seu pai havia se matado.[5]
Aos 61 anos e enfrentando problemas dehipertensão,diabetes,depressão e perda de memória,[2][9] na manhã de 2 de julho de 1961, emKetchum, emIdaho, tomou uma espingarda e disparou contra si mesmo.
Inicialmente, a morte de Ernest Hemingway foi noticiada como acidental. A manchete do jornalThe New York Times, de 03 de julho, informava: “Hemingway Morre com Ferimento de Espingarda; Esposa Diz que Foi Acidente.”Sua esposa,Mary Welsh Hemingway, afirmou que o óbito fora acidental, ocorrido enquanto o escritor limpava sua espingarda favorita pela manhã.[4]
Contudo, a admissão que consolidou a verdade perante o público ocorreu cinco anos após a morte de Ernest, em uma entrevista concedida aoThe New York Times em 23 de agosto de 1966. Naquela ocasião, Mary Hemingway confirmou que a versão original do "acidente de limpeza" era uma farsa. Ela admitiu que seu marido estava gravemente enfermo, sofrendo de depressão e paranoia, e que ele havia, de fato, tirado a própria vida.[10]