Muitos cristãos atribuem a autoria da epístola aoapóstoloPaulo, mas percebe-se que o modo como ela foi elaborada difere dasepístolas paulinas.
Ao contrario de todas as precedentes, a epístola aos Hebreus teve sua autenticidade posta em dúvida desde a antiguidade. Raramente se encontra sua canonicidade, mas aIgreja do Ocidente, até o fim doséc. IV, recusou-se atribuí-la a Paulo; e se a doOriente aceitou o seu atributo, não foi sem fazer certas reservas no tocante da sua forma literária (Clemente de Alexandria,Orígenes). É que, com efeito, o estilo da escrita dessa carta é de uma pureza elegante que não pertence a Paulo. A maneira de citar e utilizar oAT não é a sua. Faltam aí o endereço e o preâmbulo com o qual ele costuma iniciar suas cartas.
Essas considerações levaram a críticos católicos e protestantes a admitir que foi um redator que se inscreve na ambiência paulina, ou seja, alguém que aprendia os ensinamentos do apóstolo Paulo, mas não há acordo sobre quando e como identificar o autor anônimo. Outros candidatos são,Apolo,Lucas,Barnabé,Clemente de Roma,Silas,Filipe ePriscila.
Parece mais simples tentar traçar o seu retrato: trata-se de um judeu de cultura helenística, familiar na arte da oratória, atento a uma interpretação pontual das passagens veterotestamentária que utiliza, frequentemente segundo aversão dos LXX para apoiar seus argumentos.
Há quem acredite que não tenha sido escrita por Timóteo, visto que, segundo o versículo 23 do capítulo 13 desta carta, lemos o seguinte:
“
Saibam que o irmão Timóteo foi posto em liberdade. Se ele vier logo, irei vê-los na companhia dele.
”
Logo, a menos que o autor se refira a si mesmo na 3ª pessoa dosingular, constatamos que foi outro que não Timóteo a escrever esta carta.
Podemos também perceber que esta Carta terá sido escrita por alguém muito ligada à cultura e tradição judaica, o que não era o caso de Timóteo.
Clemente, um dos pais daIgreja Primitiva, citou o livro de Hebreus em 95 d.C.. No entanto, provas internas, tais como o fato de que Timóteo estava vivo no momento em que a carta foi escrita e a ausência de qualquer evidência mostrando o fim do sistema sacrificial do Antigo Testamento, o qual ocorrera com a destruição de Jerusalém em 70 d.C., indicam que o livro foi escrito por volta de 65 d.C.
NoNovo Testamento, a epístola é única quanto à sua estrutura:
“
Começa como tratado, desenvolve-se como sermão e termina como carta.
”
O livro de Hebreus é usado como umargumento final em defesa doCristianismo. Usando umalógica cuidadosa e referindo-se frequentemente ao testemunho, oescritor define queJesus Cristo é o Filho deDeus e digno da nossafé. A preocupação principal do autor parece ser de estar atento contra a apostasia (Hebreus 6:4-8;Hebreus 10:19-39) e de confortar aqueles que parecem lamentar o esplendor do culto mosaico e o lado tranquilizador, (inclusive do ponto de vista psicológico) de umareligião oficial que as jovenscomunidades cristãs não estavam à altura de garantir (9:9b-10)[2] O livro compara e contrasta Jesus com todahistória doVelho Testamento e argumenta que Cristo é o clímax de todas as coisas dopassado.
O autor explica que a vida do fiel deve ser considerada como umêxodo continuo para uma pátria prometida (Hebreus 4:1-6) que não pode ser identificada com um lugar terrestre seja ele qual for (Hebreus 11:13;Hebreus 13:14).
Assim, o autor conclui:
“
Olhando para Jesus autor e consumador da fé,o qual pelo gozo que lhe estava proposto suportou a cruz,desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.Considerai pois aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo,para que não enfraqueçais,desfalecendo em vosso ânimo."(Hebreus 12:2-3)
”
Referências
↑Paulus, Bíblia de Jerusalém pag. 2083. [S.l.: s.n.] 2002
↑Paulus, Bíblia de Jerusalém pag. 2084. [S.l.: s.n.] 2002