Eduardo IIIde Inglaterra (Windsor,13 de novembro de1312 –Londres,21 de junho de1377) foi oRei da Inglaterra de 1327 até sua morte. Ele é lembrado por seus sucessos militares e por restaurar a autoridade real depois do desastroso reinado de seu pai,Eduardo II. Eduardo III transformou oReino da Inglaterra em uma das maiores potências militares da Europa. Durante seu reinado longo de mais de cinquenta anos também houve grandes desenvolvimentos na legislação e no governo – particularmente na evolução do parlamento inglês – além de devastações causadas pelaPeste Negra.
Eduardo foi coroado rei aos quatorze anos de idade depois de seu pai ter sido deposto por suamãe eRogério Mortimer. Aos dezessete anos ele liderou um golpe contra Mortimer, o verdadeiro governante do país, começando seu reinado pessoal. Depois de uma campanha bem-sucedida naEscócia, ele declarou-se em 1337 herdeiro legítimo do trono francês, iniciando aquilo que ficaria conhecida como aGuerra dos Cem Anos. Apesar de alguns reveses iniciais, a guerra progrediu muito bem para a Inglaterra; vitórias emCrécy ePoitiers levaram ao favorávelTratado de Brétigny. Os anos finais de Eduardo foram marcados por fracassos internacionais e lutas internas, principalmente por causa de sua inatividade e fraca saúde.
Eduardo III era um homem temperamental, porém capaz de clemência incomum. Ele é de muitas maneiras um rei convencional cujo principal interesse era a guerra. Admirado na sua época e nos séculos seguintes, Eduardo foi chamado de um aventureiro irresponsável por historiadores posteriores como William Stubbs. Essa visão foi contestada recentemente e historiadores modernos lhe creditam com realizações importantes.
Eduardo nasceu emWindsor, naInglaterra, a13 de novembro de1312. Era filho de Eduardo II da Inglaterra (1284 - 1327) e Isabel de França (1295 - 1358) e quando ele possuía apenas 15 anos de idade seu pai morreu, sendo o mais velho de 5 filhos. Se casou e teve 12 filhos. Eduardo III era descendente de João sem Terra (1166 - 1216), filho mais novo de Henrique II (1133 - 1189), e de Guilherme, o Conquistador (1028 - 1087) e descendente de um antepassado distante de Rollo, duque da Normandia (845 d.C. - 932 d.C.).
Rogério Mortimer sabia que a sua posição era precária, e mais ainda quando Eduardo e a sua esposaFilipa de Hainault, tiveram um filho,Eduardo, o Príncipe Negro, a 15 de junho de 1330.[1] Mortimer utiliza o seu poder para adquirir propriedades e títulos de nobreza tais como conde doPaís de Gales. A maioria desses títulos eram deEdmundo Fitzalan, 2.º Conde de Arundel, leal a Eduardo II em sua luta frente a Isabel e Mortimer, executado a 17 de novembro de 1326. A ganância e arrogância de Mortimer levaram ao ódio dos nobres, pelo que nem tudo estava perdido para o jovem rei. A execução deEdmundo de Woodstock, meio-irmão de Eduardo II, em março de 1330, indigna os nobres e preocupou Eduardo III que se sentiu ameaçado.
O jovem e obstinado soberano decidiu governar sozinho e procurou escapar ao mesmo destino que o seu pai e seu tio, e procurou vingar-se das humilhações sofridas. Perto dos 18 anos, Eduardo estava pronto. A 19 de outubro de 1330, Mortimer e Isabel dormiam noCastelo de Nottingham. Um grupo fiel a Eduardo entrou na fortaleza por uma passagem secreta e surgiu no quarto de Mortimer. Mortimer foi preso em nome do rei e levado para aTorre de Londres. Despojado de suas terras e títulos, foi acusado de usurpar a autoridade real emInglaterra. A mãe de rei - grávida do filho de Mortimer - suplicou misericórdia ao filho, mas em vão. Sem processo, Eduardo condenou Mortimer a morte. Este foi enforcado a 29 de novembro de 1330. Isabel foi exilada para o Castelo de Rising (Norfolk) onde é provável que tenha abortado. Aos 18 anos, a vingança de Eduardo terminou e ele tomou o poder em Inglaterra.
Em 24 de janeiro de 1328, se casou comFilipa de Hainault, com quem teve uma ampla descendência. Ao contrário de seu pai, Eduardo III tinha uma personalidade forte, revelada logo que atingiu a maioridade.
Eduardo III dedicou o início dadécada de 1330 para restaurar o domínio sobre aEscócia, que aproveitara a confusão na política inglesa durante o reinado de Eduardo II e dos anos que se seguiram, para readquirir sua independência. Com a conquista da vitória assegurada nabatalha de Halidon Hill, em1333, Eduardo III voltou-se para outro conflito marcante durante aIdade Média.
Em 1328,Carlos IV de França, o último dos três filhos deFilipe IV, morreu sem deixar um descendente do sexo masculino. Como na França vigorava alei sálica, a Coroa passou para Filipe de Valois, um primo distante, que foi coroado comoFilipe VI de França. Eduardo III era sobrinho do falecido Carlos IV, pelo lado materno, e considerou a sua pretensão mais razoável que a do Conde de Valois, apesar de a lei sálica tecnicamente o excluir da sucessão. Os franceses não aceitaram essa hipótese que resultaria numa perda de independência e confirmaram Filipe VI como rei. Depois de alguns conflitos diplomáticos, Eduardo III declarou hostilidade aberta à França, iniciando assim a famosaGuerra dos Cem Anos. O início das hostilidades foi marcado pelos sucessos dabatalha de Crecy (1346) e dabatalha de Poitiers (1356), e pela conquista de grande parte do Norte de França. Apesar disso, Eduardo III não fez nenhuma tentativa para ir mais longe e conquistarParis, por exemplo. Entregado o controle da frente francesa ao filhoEduardo, o Príncipe Negro, que já se mostrava um notável líder militar, Eduardo III se concentrou na guerra com a Escócia. O resultado da campanha do Príncipe Negro foi excelente: a Inglaterra venceu a França naBatalha de Poitiers e Eduardo III teve a honra de ver o reiJoão II de França como seu prisioneiro. As condições de resgate detalhadas noTratado de Brétigny garantiam o pagamento de 3 000 000 de coroas para o seu reino e cerca de um terço do território francês.
Apesar de se respeitarem mutuamente, Eduardo III e o seu primogénito não tinham uma relação muito harmoniosa nem partilhavam a mesma visão de como deveria ser a política interna. O casamento do príncipe de Gales comJoana de Kent tinha sido motivo de grande ressentimento para Eduardo III. No entanto, quando Eduardo de Gales morreu, em 1376, Eduardo III chorou a sua morte e se tornou melancólico. Morreu no ano seguinte, sendo sucedido pelo neto Ricardo.
Depois da morte de Eduardo III, a sucessão do trono inglês parecia assegurada, seja por Ricardo, ainda muito jovem, seja pelo grande número de filhos que Eduardo gerou. Porém, os conflitos que em breve ocorreriam, entre os diversos ramos da sua descendência, deram origem àGuerra das Rosas, onde os seus netos, divididos entre as casas deIorque eLencastre, disputaram a coroa numa sangrenta guerra civil. Durante seu reinado, foi estabelecida aOrdem da Jarreteira. Ele está enterrado naAbadia de Westminster.[2]
Guilherme de Hatfield (1336 - 3 de março de 1337);
Leonel de Antuérpia, Duque de Clarence (29 de novembro de 1338 - 17 de outubro de 1368), casou com Isabel de Burgh e Valentina Visconti de Milão, mas teve apenas uma filha;
Eduardo III é um dos principais personagens dos livros "A Loba de França" e "O Lis e o Leão" da série "Os Reis Malditos", sucesso literário deMaurice Druon.