Movatterモバイル変換


[0]ホーム

URL:


Ir para o conteúdo
Wikipédia
Busca

Eduardo Afonso Viana

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Se procura por outros significados de Eduardo Viana, vejaEduardo Viana (desambiguação).
Eduardo Afonso Viana
Nascimento
Morte
21 de fevereiro de1967 (85 anos)

Nacionalidadeportuguês
Ocupaçãopintor

Eduardo Afonso Viana (Encarnação,Lisboa,28 de Novembro de1881Lapa, Lisboa,21 de Fevereiro de1967) foi umpintorportuguês. É consensualmente reconhecido como "um dos maiores pintores da primeira geração domodernismo nacional".[1]

Biografia

[editar |editar código]
O Homem das louças, 1919, óleo sobre tela, 121 x 114 cm ( Museu do Chiado, Lisboa )

Era filho do proprietário José Afonso Viana, natural deViana do Castelo (freguesia deAreosa), e de Maria das Dores Fonseca Viana, natural de Lisboa (freguesia deSão José).[2]

Eduardo Viana estudou naAcademia de Belas Artes de Lisboa, onde foi aluno deVeloso Salgado eColumbano Bordalo Pinheiro.

Interrompeu o curso de pintura em 1905, ano em que parte paraParis, comManuel Bentes eManuel Jardim; estuda comJ. P. Laurens e frequenta asAcademias Livres. Viaja até Inglaterra, Holanda e Bélgica; faz amizade comAmadeo de Souza-Cardoso,Francisco Smith eEmmerico Nunes. Entre 1911 e 1915 enviou trabalhos para o salão oficial daSNBA , sendo-lhe atribuída uma Menção Honrosa (1911) e uma 2ª Medalha (1915).[3]

Regressou a Portugal depois da eclosão daPrimeira Guerra Mundial. Entre 1915 e 1916 reside emVila do Conde e manteve uma relação de grande proximidade com o casalRobert Delaunay eSonia Delaunay, que se havia fixado nessa localidade, contactando também com Amadeo de Souza-Cardoso, então a residir em Manhufe, perto de Amarante. Em 1919 participa naIII Exposição dos Modernistas, Porto; em 1920 e 1921 realiza exposições individuais no Porto e em Lisboa; em 1923 expõe de novo individualmente e é convidado, comMily Possoz eAlmada Negreiros, a participar na exposiçãoCinco Independentes — grupo constituido porDordio Gomes,Henrique Franco,Alfredo Miguéis,Francisco Franco eDiogo de Macedo —, naSNBA, Lisboa.[3]

Colabora artisticamente na revistaContemporânea (1915-1926).[4] Em 1925 organiza oI Salão de Outono, SNBA, exposição importante no quadro da afirmação domodernismo em Portugal e que reuniu, entre os trinta nomes apresentados, "o mais interessante de toda uma geração"[5]. Nessa exposição apresenta 8 trabalhos de sua autoria, entre os quais as telas para o café «A Brasileira». Nesse mesmo ano regressa a Paris, mudando-se para a Bélgica cinco anos mais tarde. Regressa definitivamente a Portugal em 1940 devido à intensificação da2ª Guerra Mundial.[3]

A parte final da sua carreira corresponde a um tempo de consagração. A partir de 1935 participa na I, VI, VIII, XI, XII e XIVExposições de Arte Moderna do S.P.N./S.N.I., vencendo o PrémioColumbano em 1941 e 1948. Em 1957 vence o Grande Prémio de Pintura na IExposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

A 10 de outubro de 1963, casou naBasílica da Estrela, em Lisboa, com Noémia Duarte Ramos (São Cristóvão,Rio de Janeiro, 18 de outubro de 1918), filha de José Joaquim Afonso Ramos e de Amélia Ribeiro Lima.[6][2]

Em 1965 é-lhe atribuído o Prémio Nacional de Arte, doSNI.[3]

OMuseu Nacional de Arte Contemporânea adquire alguns dos seus trabalhos mais notáveis.

De "temperamento recolhido e «grognard»",[7] "supersticioso, austero, exigente e obstinado",[8] Eduardo Viana jamais consentiu que alguém tomasse a iniciativa de dar a conhecer a sua obra de forma extensiva. Todas as celebrações à sua volta lhe seriam indiferentes e, por isso, "só postumamente puderam culminar numa grande exposição retrospetiva, oficialmente realizada em 1968, noSNI".[7]

Eduardo Viana poderá ter pertencido a um movimentomonárquico denominadoGrupo do Tavares, tal comoAmadeo,Almada eSanta-Rita (note-se que este facto não está bibliograficamente fundamentado).[9]

Morreu vítima de uma doença pulmonar crónica a 21 de fevereiro de 1967, em sua casa, na Rua de Santo Amaro, n.º 23, 1.º andar, freguesia da Lapa, em Lisboa. Foi sepultado noCemitério dos Prazeres.[10]

Obra

[editar |editar código]
A revolta das bonecas (1916, óleo sobre tela, 114 x 132 cm), noMuseu Nacional de Arte Contemporânea
Nu, 1925, óleo sobre tela, 96 x 146 cm

Os primeiros trabalhos da maturidade de Eduardo Viana situam-se "numa charneira entre vagas sugestões de cariz oitocentista e um sentido pré-construtivo característico da transição do século",[11] fundindo valores herdados do naturalismo (ou mesmo das tendências simbolistas) com opções mais tipicamentecezannianas.

Embora estivesse em Paris no momento em que ocorreram as grandes ruturas na arte do século XX, "o Modernismo nas suas atitudes mais vanguardistas não foi nunca uma prática orientadora da pintura de Eduardo Viana". O momento em que deliberadamente procurou vias formais consonantes com essas vanguardas ocorreu, paradoxalmente, após o regresso a Portugal em 1915. Nesse ano Viana fixa-se em Vila do Conde, e a proximidade com Sónia e Robert Delaunay impulsiona a sua obra em novas direções. Data desta época a sua única colagem conhecida (La petite, 1916, col.CAM/FCG), cujas opções o colocam em sintonia com a arte formalmente mais inovadora da época.

Assimilando empiricamente as teorias cromáticas do casal Delaunay, onde são privilegiados oscontrastes simultâneos,A revolta das bonecas, 1916, será talvez o "exemplo extremo e mais bem conseguido dessa fase em que os valores oitocentistas são globalmente ultrapassados. A sugestão de profundidade da pintura tradicional desaparece em virtude de uma consciente ocupação da superfície da tela onde os círculosórficos funcionam mais como elementos da composição do que elementos dinâmicos de decomposição tímbrica da luz".[11] Os círculos irão surgir de novo, agora associados a um sentido descritivo, emRapaz das Louças, 1919, que encerra a aventura vanguardista de Viana; já não apenas elementos formais, os discos transformaram-se em objetos identificáveis, como "o alguidar com a boca virada para o espectador, que o modelo sustenta debaixo do braço direito, bem como outros que enchem o cenário da composição, por detrás da figura", e que multiplicam os reflexos da luz solar, gerando "formas geométricas concêntricas — «discos» desta maneira naturalisticamente justificados".[12]

A partir da década de 1920 a pintura de Viana estabiliza-se temática e formalmente, em abordagens à paisagem, ao modelo nu e à natureza morta que poderão talvez associar-se aos ideais de Regresso à Ordem que inspiraram sectores importantes da cultura internacional entre as duas guerras. Vemo-lo ser "atraído por uma espécie de brutalidade flamenga que nas obras dePermeke (de quem consta ter sido amigo) encontra expressão sólida […].Entre o fauvismo parisiense, a exigência da pintura clássica, Cézanne e a garantia de integridade da arte de Permeke, a criação de Viana tem o seu lugar, sensual, lógica e voluntariosa como é".[13]

Trabalhando de forma lenta, refletida, o pintor detém-se sobre cada tema, "explorando-o como um gozo sensual isento de sentimentalismo",[14] como acontece nos quadros de nus da década de 1920, "que oferecem o significado maior da sua arte essencialmente sensual e que nenhuma comparação sofrem com obras eventualmente naturalistas da pintura portuguesa anterior";[15] o mesmo irá acontecer com a longa sequência de naturezas mortas a que se dedica nas décadas finais, realizadas sem pressa,[16] onde os objetos, "cuidadosamente compostos, guitarras, mesas, cadeiras, mantas, toalhas, […]frutos", são banhados "numa atmosfera de carnalidade gostosamente explorada".[17]

Outras obras

[editar |editar código]

Referências

  1. França, José Augusto -A Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 140.
  2. ab«Livro de registo de batismos da paróquia da Encarnação - Lisboa (1880-1884)».digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. 99v e 100, assento 4 (de 1882) 
  3. abcdViana, Eduardo –Exposição retrospetiva da obra do pintor Eduardo Viana. Lisboa: S.N.I., 1968
  4. «Contemporânea». Consultado em 23 de novembro de 2013 
  5. Almeida, Bernardo Pinto –Pintura Portuguesa no Século XX. Porto: Lello & Irmãos Editores, 1993.ISBN 972-48-1655-9
  6. «[Termo declarativo de nacionalidade de José Joaquim Afonso Ramos]». 13 de maio de 1932. Consultado em 29 de agosto de 2025 
  7. abFrança, José Augusto -A Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 151.
  8. Ramos, Carlos -Eduardo Viana 1881-1967. In: Viana, Eduardo -Exposição retrospetiva da obra do pintor Eduardo Viana. Lisboa: S. N. I., 1968.
  9. «João Mendes da Costa Amaral (Político) 1893-1981». biografias.netsaber.com.br 
  10. «Livro de registo de óbitos da 5.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1967-01-02 - 1967-05-02)».digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 84v, assento 168 
  11. abLapa, Pedro. In: A.A.V.V. –Museu do Chiado: Arte Portuguesa 1850-1950. Lisboa: Instituto Português de Museus, 1994, p. 212.ISBN 972-8137-02-8
  12. FRANÇA, José Augusto -A Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 145.
  13. França, José Augusto -A Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 150.
  14. França, José Augusto -A Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 148.
  15. França, José Augusto – Os Anos 20. In: Pernes, Fernando (coordenação) – Panorama Arte Portuguesa no Século XX. Porto: Campo de Letras; Fundação de Serralves, 1999.ISBN 972-610-212-x
  16. "As obras que ficaram inacabadas no ateliê do pintor , à sua morte, em 67, demonstram bem esse desejo guloso dum prolongado convívio com a pintura fazendo-se". França, José Augusto -A Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 150
  17. França, José Augusto -A Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 148, 150.

Ligações externas

[editar |editar código]
OCommons possui umacategoria com imagens e outros ficheiros sobreEduardo Afonso Viana
Controle de autoridade
Obtida de "https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Eduardo_Afonso_Viana&oldid=70767871"
Categorias:
Categorias ocultas:

[8]ページ先頭

©2009-2026 Movatter.jp