Eduard Gottlieb Profittlich,S.J. (11 de setembro de 1890 – 22 de fevereiro de 1942) foi um clérigocatólico alemão que serviu comoAdministrador Apostólico da Estônia a partir de 1931. Ele foi deportado pelas autoridades soviéticas em 1941 e morreu na Prisão deKirov menos de um ano depois.[1][2]
Conforme o Ministério das Relações Exteriores da Estônia, os dez anos de Profittlich na Estônia foram cruciais para a sobrevivência da Igreja durante as décadas de domínio soviético.[3]
Profittlich foi reconhecido comomártir peloPapa Francisco[1] e beatificado em 6 de setembro de 2025, tornando-se o primeiro beato da Estônia.[1][4]
Eduard Profittlich nasceu em 11 de setembro de 1890, em Birresdorf, naDiocese de Trier. Seus pais, Markus Profittlich e Dorothea Catharina Profittlich, eram agricultores de uma pequena vila. Eduard frequentou a escola primária em Leimersdorf antes de continuar seus estudos emAhrweiler eLinz am Rhein, graduando-se em 1912. Naquele mesmo ano, ele entrou para o seminário emTrier, mas saiu depois de dois semestres em 1913[5] para ingressar no noviciado jesuíta em Heerenberg, Holanda,[2] seguindo os passos de seu irmão mais velho, Pedro, um missionário jesuíta que morreu no Brasil. Eduard estudou filosofia e teologia noCollegium Maximum S. Ignatii Valkenburgense, que a Sociedade mantinha emValkenburg.[5]
Com aPrimeira Guerra Mundial, foi convocado para oExército Imperial Alemão e designado para o serviço médico. Após a guerra, retomou seus estudos em filosofia e teologia, sendo ordenado padre em 27 de agosto de 1922.[2]
Enviado àPolônia, doutorou-se em filosofia e teologia no centro de estudos jesuíta deCracóvia.[2] Enquanto continuava seus estudos na Polônia, Profittlich expressou seu interesse em ingressar na missão jesuíta na Rússia, mas as autoridades soviéticas não permitiam a entrada de jesuítas no país.[1] Entre 1925 e 1928, Eduard trabalhou em Oppeln, Alemanha (hojeOpole, Polônia), e mais tarde foi nomeado capelão da Igreja de Santo Ansgar, emHamburgo, que atendia imigrantes poloneses.[5]
Em 1930,[1] ele foi enviado àEstônia como parte da Missão Oriental da Companhia de Jesus, e nomeado para cuidar da paróquia dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo em Tallinn.[2]
Em 11 de maio de 1931,Papa Pio XI o nomeou Administrador Apostólico da Estônia.[6] Em seu ministério, dedicou-se à reconstituição da pequena comunidade católica. Padre Profittlich desenvolveu um plano pastoral, aprimorou a formação do clero local, estabeleceu novas paróquias e convidou padres, religiosos e religiosas daPolônia e daTchecoslováquia para realizar trabalhos de evangelização na Estônia.[2] Ele também lançou a primeira revista semanal religiosa da Estônia,Kiriku Elu (A Vida da Igreja), que era lida pela intelectualidade estoniana.[7]
Em resultado do crescimento do número de católicos e de novas paróquias, em 28 de setembro de 1933, em uma audiência privada no Vaticano, o Papa o nomeouprotonotário apostólico em reconhecimento aos seus serviços.[8] Em 1935, solicitou e recebeu a cidadania estoniana,[9] mantendo, ao mesmo tempo, a cidadania alemã.[10]
Pio XI o nomeou em 27 de novembro de 1936 como Arcebispo titular deAdrianópolis em Haemimonto. Monsenhor Profittlich foi ordenado bispo um mês depois, na Catedral dos Santos Pedro e Paulo de Tallinn, pelo Arcebispo Antonino Arata, Núncio Apostólico na Estônia e na Letônia; os principais co-consagradores foram Jāzeps Rancāns, Bispo Auxiliar deRiga, e Willem Petrus Bartholomaeus Cobben, SCI, Vigário Apostólico daFinlândia.[6]
Ele tornou-se o primeiro bispo católico a servir na Estônia desde aReforma Protestante, bem como o primeiro cidadão estoniano a ser ordenado bispo católico.[1]

Após ainvasão soviética da Estônia em 17 de junho de 1940, quase todos os padres foram presos. Em vez de fugir, o Arcebispo Profittlich optou por permanecer na Estônia com seus fiéis. Em 27 de junho de 1941, foi preso, acusado de ser um agente estrangeiro, e deportado para a prisão de Kirov, na Rússia, a 800 quilômetros deMoscou, onde foi submetido a interrogatórios e torturas, às quais respondeu declarando que sua única missão havia sido a formação religiosa dos fiéis a ele confiados. Condenado à morte sob a acusação de atos antirrevolucionários, ele morreu antes que sua sentença pudesse ser executada devido ao sofrimento da prisão e o deteriorar de sua saúde, em 22 de fevereiro de 1942.[4][2]
A causa de beatificação do Arcebispo Profittlich foi aberta pelaArquidiocese da Mãe de Deus em Moscou, obtendo o reescrito denihil obstat em 2014, quando também foi transferida de Moscou para um novo foro competente, aAdministração Apostólica de Tallinn. O inquérito diocesano transcorreu entre maio de 2018-março de 2019.[11] Quando oPapa Franciscovisitou a Estônia em 2018, os católicos locais clamaram pelo reconhecimento do primeiro santo local.[12]
Em março de 2019, os documentos de beatificação chegaram à Congregação em Roma.[3] Um inquérito complementar foi realizado ainda em 2019 e os documentos do inquérito diocesano foram validados em 12 de junho de 2020.[11]
Após a sessão de consultores históricos e a publicação daPositio em 2023, bem como o congresso particular de consultores teológicos e a sessão ordinária de cardeais e bispos em 2024,[11] em 18 de dezembro de 2024,o Papa Francisco autorizou ao CardealMarcello Semeraro e aoDicastério para as Causas dos Santos a promulgação do decreto reconhecendo o martírioex aerumnis carceris (pelos sofrimentos na prisão) do Servo de Deus Eduard Profittlich.[1][13] A beatificação, marcada para 17 de maio de 2025, foi adiada em decorrência da morte do Papa Francisco.[14]
A missa de beatificação do Arcebispo Eduard Profittlich, SJ, ocorreu na Praça da Liberdade deTallinn em 6 de setembro de 2025. A beatificação foi a primeira do gênero no país, reconhecendo oficialmente o Arcebispo Profittlich como mártir.[4][15] Também foi uma das primeiras cerimônias em toda a região nórdica desde o século XVI.[1]
O cardealChristoph Schönborn, Arcebispo Emérito de Viena, realizou a beatificação como representante do Papa; o cardealStanislaw Dziwisz de Cracóvia, o arcebispoGeorg Gänswein, núncio apostólico nos Estados Bálticos,Philippe Jourdan, bispo de Tallinn, eStephan Ackermann, bispo de Trier, se juntaram a ele na celebração da missa.[4]
