Movatterモバイル変換


[0]ホーム

URL:


Ir para o conteúdo
Wikipédia
Busca

Dualismo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: '"Dualidade" e "Dualismo cartesiano" redirecionam para este artigo. Para outros significados, vejaDualidade (desambiguação).
Ilustração do dualismo deRené Descartes: as sensações são transmitidas pelos órgãos dos sentidos àglândula pineal no cérebro e depois aoespírito imaterial.

Dualismo é uma concepçãofilosófica outeológica domundo baseada na presença de doisprincípios ou duassubstâncias ou duasrealidades opostas, irredutíveis entre si e incapazes de uma síntese final ou de recíproca subordinação. É dualista por excelência qualquer explicaçãometafísica do universo que suponha a existência de dois princípios ou realidades não subordináveis e irredutíveis entre si.

Em filosofia, o dualismo opõe-se às várias formas demonismo, dentre as quais ofisicalismo e ofenomenismo. Refere-se à relaçãomatéria-espírito, fundada sobre a afirmação de que osfenômenos mentais são exteriores ao mundofísico.[1]

História

[editar |editar código]

A ideia aparece nafilosofia ocidental já nos escritos dePlatão, baseados nos ensinamentos deSócrates, e deAristóteles, que afirmam, por diferentes razões, que ainteligência do Homem (uma faculdade doespírito ou daalma) não pode ser assimilada ao seu corpo, nem entendida como uma realidade física.[2][3]

O termo aparece pela primeira vez naVeterum Persarum et Parthorum et Medorum Religionis Historia (1700), deThomas Hyde,[4][5] obra que tratava dadoutrina deZoroastro, com seus dois princípios oudivindades - o bem e o mal -, em luta permanente.Bayle (Dictionnaire historique et critique) eLeibniz (Essais de Théodicée sur la bonté de Dieu, la liberté de l'homme et l'origine du mal) também utilizam o termo no mesmo sentido.

No entanto, o uso do termo na acepção mais difundida pela tradição filosófica data da segunda metade do século XVIII, comChristian Wolff (1670-1754). Wolff deslocou o emprego da palavra para a relação entre corpo e alma, opondo o dualismo aomonismo. Segundo ele "são dualistas aqueles que admitem a existência de substâncias materiais e de substâncias espirituais",[6][7] e o fundador do dualismo teria sidoDescartes, que formalizou a versão mais conhecida do dualismo em1641, ao reconhecer a existência de duas espécies diferentes desubstâncias: a corpórea e a espiritual.

Descartes foi o primeiro a assimilar claramente o espírito (substância imaterial) àconsciência e distingui-lo docérebro, que seria o suporte da inteligência. Chamou a mente deres cogitans ("coisa pensante") e o corpo deres extensa ("coisa extensa", isto é, que ocupa lugar no espaço). A ligação entre a mente e corpo, segundo ele, seria feita através daglândula pineal, uma pequenina parte do cérebro. Foi Descartes, portanto, quem primeiro formulou o problema do corpo-espírito do modo como se apresenta modernamente, no chamadodualismo corpo-mente.[8]

Assim, em termosmetafísicos, a realidade se constitui de duas substâncias - material e espiritual - sendo a substância material, a realidade sensível; e o espírito, o não físico, não material, constituindo a realidade mental ou espiritual.

Posteriormente, o uso do termo foi muito ampliado. "Dualismo" passou a designar toda contraposição de tendências irredutíveis entre si, tal como a oposição aristotélica entrematéria eforma, assim como a oposiçãomedieval entreexistência eessência e o dualismokantiano danecessidade eliberdade,fenômeno enúmeno. Já no século XX,Arthur O. Lovejoy examinou historicamente o dualismo e defendeu a existência de dois tipos de realidade - os objetos e as ideias que eles representam - emThe Revolt Against Dualism (1930).[9] O título da obra é inadequado, pois Lovejoy argumenta a favor de uma espécie de dualismoontológico - e não contra, como o título sugere. Segundo ele, ideias e objetos, dada a sua incongruência espaço-temporal, não podem ser idênticos e, portanto, teriam naturezas diferentes, separadas, não sendo possível estabelecer uma relação entre ambos.[10] Por volta dos anos de 1950, o britânicoGerald Gardner criou awicca, religião neopagã baseada no culto bruxo e no dualismo, classificando os dois princípios comoDeusa-mãe eDeus cornífero (o feminino e o masculino). O dualismo é a principal crença na religião Wicca.

Críticos

[editar |editar código]

John Searle declarou que

Há uma série de desastres famosos na história da filosofia, e Descartes é um dos maiores desastres. Vivemos em um mundo, não dois ou três ou mais, e o que consideramos como consciência e a mente é uma característica biológica de certos tipos de organismos. A maior catástrofe de Descartes é seu dualismo, a ideia de que a realidade se divide em dois tipos de substâncias, matéria e espírito. Descartes foi incapaz de ver isso, porque ele achava que a consciência só poderia existir em uma alma, e a alma não era uma parte do mundo físico.[11]

Anne Conway também foi uma crítica ao dualismo, onde apresentou seus argumentos para o que ela chama de convertibilidade da matéria e do espírito. Com isso, ela quer dizer que a matéria e o espírito não são diferentes substâncias, mas que são passíveis de mudar entre um e outro. Assim, entidades materiais se tornam espirituais e vice-versa, o que contraria o dualismo. Para ela, o dualismo era inconsistente por fazer uma distinção rígida entre matéria e espírito.[12]

Referências

  1. HART, W.D. (1996) "Dualism", in Samuel Guttenplan (org)A Companion to the Philosophy of Mind, Blackwell, Oxford, 265-7.
  2. PLATÃO (428/427 a. C. - 347 a.C.).Apologia de Sócrates,Criton eFédon.
  3. ARISTÓTELES (384 a.C. – 322 a.C.)Metafísica
  4. HYDE, Thomas.Veterum Persarum et Parthorum et Medorum Religionis Historia.Editio Secunda, MDCCLX.
  5. Speculum. Vocabulário da Filosofia."Dualismo"[ligação inativa]
  6. FERRATER-MORA, José.Dicionário de filosofia, Tomo 1 A-D, Loyola, 2004, 2ªed., p.773
  7. Psychologia rationalis,1734. Seção I, Cap I § 39, p.16 e §51, p. 34.
  8. DESCARTES, R. (1641)Meditações metafísicas
  9. LOVEJOY, Arthur O.The Revolt Against Dualism
  10. UTTAL, William R.Dualism: the original sin of cognitivism. "Modern Philosophical Dualism. 6.3.2. Lovejoy's Spatiotemporal Proof of Dualism" p.227
  11. Brain, Mind, and Consciousness: A Conversation with Philosopher John Searle publicado em 3/3/15 por Dan Turello (The Office of the Librarian of the Library of Congress).
  12. Louise D. Derksen (ed.).«Anne Conway's Critique of Cartesian Dualism». Universidade de Boston. Consultado em 23 de setembro de 2018 

Ligações externas

[editar |editar código]
Ícone de esboçoEste artigo sobrefilosofia/um(a)filósofo(a) é umesboço. Você pode ajudar a Wikipédiaexpandindo-o.
Geral
Temas
Tradições
por era
Antiga
Medieval
Moderna
(séculos XVII–XIX)
Contemporânea
(séculos XX–XXI)
Analítica
Continental
Posições
Por região
Obtida de "https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Dualismo&oldid=69071399"
Categorias:
Categorias ocultas:

[8]ページ先頭

©2009-2026 Movatter.jp