Apenínsula da Crimeia (emtártaro da Crimeia:Къырым ярымадасы;romaniz.:Qırım yarımadası; emrusso:Кры́мский полуо́стров; emucraniano:Кри́мський піво́стрів), também conhecida simplesmente comoCrimeia (FO 1943: Criméia) é uma massa de terra na costa do norte domar Negro, pelo qual é cercada quase completamente, e pelomar de Azov ao nordeste. Apenínsula está localizada ao sul da região ucraniana deKherson e a oeste da região russa deCubã. Está ligada aoOblast de Kherson peloistmo de Perekop e é separada de Cubã peloestreito de Querche. Aponte terrestre de Arabat está localizada a nordeste, uma estreita faixa de terra que separa um sistema de lagoas, chamadoSivash, do mar de Azov.
Em 1954, o Oblast da Crimeia foi transferido para aRepública Socialista Soviética da Ucrânia, porNikita Khrushchev, a fim de reforçar a "unidade entre russos e ucranianos" e a "grande e indissolúvel amizade" entre os dois povos.[1] A região então transformou-se naRepública Autônoma da Crimeia dentro daUcrânia independente em 1991, sendo queSevastopol manteve sua própria administração, dentro de Ucrânia, mas fora da república autônoma. Desde 1997, após o tratado de paz e amizade assinado pelaRússia e Ucrânia, a Crimeia abriga a base daFrota do Mar Negro da Rússia em Sevastopol. A antiga frota soviética do mar Negro e suas instalações foram divididas entre a Frota Russa do Mar Negro e asForças Navais Ucranianas. As duas marinhas compartilhavam alguns dos portos e cais da cidade, enquanto outros eram desmilitarizados ou usados por qualquer um dos dois países. Sevastopol permaneceu como a sede da Frota Russa do Mar Negro, assim como a sede das Forças Navais da Ucrânia, também sediada na cidade. Em 27 de abril de 2010, a Rússia e a Ucrânia ratificaram a base naval ucraniana para o tratado de gás, estendendo o arrendamento à Marinha Russa de instalações da Crimeia por 25 anos após 2017 (até 2042) com uma opção para prolongar o contrato de arrendamento por cinco anos.[2]
O nomeCrimeia provém do nome da cidade de Qırım (atualStary Krym), que servia como capital da província da Crimeia durante o domínio daHorda Dourada. O nomeKrim, portanto, remonta ao termo tártaro que designa "estepe" ou "monte" (língua tártara da Crimeia:qırım, "minha estepe", "meu monte", que vem doantigo turcomano e doturcomano médioqır, "topo de montanha", "cordilheira", "estepe", "deserto", "chão plano").[4][5]Krym é a formarussificada de Qırım.
Osgregos antigos designavam a Crimeia deTáuride (também Táurida ou Táurica; emgrego antigo Ταυρική,transl.Taurikē), devido ao nome de seus habitantes, ostauros. Ohistoriador gregoHeródoto relata a origem lendária do nome; segundo ele, o célebre heróiHéracles teria arado a terra da região utilizando um imensotouro (Taurus). Heródoto também se refere a uma região vizinha chamadaCremni[6] que significaria "Penhascos", e poderia se referir à península da Crimeia, célebre pelos penhascos em seu litoral, que contrastam com o resto da costa norte do mar Negro, geralmente plana.
Táurica era o nome da Crimeia naAntiguidade Clássica; era habitada por uma grande variedade de povos. As regiões do interior eram habitadas peloscitas, enquanto a costa montanhosa meridional pelostauros, um ramo doscurios.Colonos gregos habitavam inúmerascolônias ao longo do litoral da península, mais especificamente a cidade deQuersoneso, atualSebastopol. Noséculo IV a.C.[7] a parte oriental da Táurica passou a integrar oReino do Bósforo, antes de ser incorporada aoImpério Romano, noséculo I a.C. Durante os primeiros três séculos depois de cristo, a Táurica foi sede decolonosromanos emCárax.[8] Finalmente, a Táurica foi renomeada pelostártaros da Crimeia, de cujoidioma vem o nome atual da região; "Crimeia" vem do tártaroQırım, através do gregoKrimea (Κριμαία).[carece de fontes?]
Diversospovos turcomanos se fixaram na península a partir do início daIdade Média, por volta doséculo XIII. O pequeno enclave doscaraítas instalou-se entre principalmente em Çufut Qale. Por diversas ocasiões estes grupos dominaram demograficamente a península, enquanto em outros momentos seus números foram reduzidos (1750-1944) ou até mesmo desapareceram totalmente (1944-1991), apenas para reaparecer novamente (1991-presente). Após a destruição daHorda Dourada porTamerlão, os tártaros da Crimeia fundaram umcanato independente, oCanato da Crimeia, em 1427 (ou 1443),[10] sob a liderança deHacı I Giray, um descendente deGêngis Cã. Seus sucessores e ele próprio reinaram primeiramente emSolkhat (Eski Qırım) e, a partir do início doséculo XV, emBakhchisaray (ouBakh-chisarai[10]). Os tártaros da Crimeia passaram a controlar asestepes que se estendiam deCubã até orio Dniestre, sem, no entanto, conseguir assumir o controle dos entrepostos comerciais genoveses. Após eles finalmente obterem o controle delas, capturaram osultão otomanoMeñli I Giray,[11] que foi libertado em troca do reconhecimento doscãs da Crimeia pelos otomanos e a aceitação de seu papel como príncipes tributários doImpério Otomano.[12][13] Os cãs da Crimeia, no entanto, mantiveram um grande grau de autonomia do Império Otomano; em 1774, acabaram entrando para a esfera de influência dosrussos com oTratado de Küçük Kaynarca até que, em 1783, toda a Crimeia foi anexada peloImpério Russo,[13] e teve início a construção das cidades deSebastopol e deSimferopol.[10]
Até o fim doséculo XVIII, os tártaros da Crimeia mantinham umcomércio escravagista maciço com oImpério Otomano e oOriente Médio em geral.[15] Cerca de dois milhões de escravos oriundos daRússia e daUcrânia foram vendidos durante o período que foi de 1500 a 1700.[16] Ostártaros tornaram-se célebres por suas incursões devastadoras e quase que anuais contra os povoseslavos do norte. Em 1769, naquela que é considerada a últimaincursão tártara, ocorrida durante aGuerra Russo-Turca, cerca de 20 mil pessoas foram escravizadas.[17]
A Crimeia se tornou parte daprovíncia da Táurida, e foi em seu território que se travaram boa parte das batalhas daGuerra da Crimeia (1853-1856), que opôs oImpério Russo, de um lado, e aFrança, oReino Unido, oImpério Otomano e oReino da Sardenha no outro. A Rússia e o Império Otomano entraram em guerra em outubro de 1853 pelos direitos alegados pelos russos de proteger oscristãos ortodoxos sob o domínio otomano. A Rússia começou em vantagem, após destruir a frota otomana no porto deSinope, no mar Negro; para frear as conquistas russas, a França e a Grã-Bretanha entraram no conflito, em março de 1854. Grande parte dos combates tiveram como intenção o controle do mar Negro, e as batalhas terrestres foram travadas na península da Crimeia. Os russos conseguiram defender sua grandefortaleza em Sebastopol por mais de um ano; após a sua queda, um acordo de paz foi assinado emParis, em março de 1856. A questão religiosa já havia, a essa altura, sido resolvida. Os principais resultados do conflito foram: a neutralização do mar Negro — a Rússia não mais manterianavios de guerra lá — e duas naçõesvassalas, aValáquia e aMoldávia, tornaram-se virtualmente independentes, embora ainda sob o domínio nominal dos otomanos. A guerra devastou boa parte da infraestrutura econômica e social da península.[carece de fontes?]
Durante aGuerra Civil Russa, após a queda doImpério Russo, a Crimeia foi dominada por diversas facções, tornando-se um bastião doExército Brancoantibolchevique. Foi na Crimeia que os Russos Brancos, liderados pelogeneral Wrangel, fizeram sua última resistência contra as forçasanarquistas deNestor Makhno e oExército Vermelho, em 1920. Cerca de 50 000 prisioneiros de guerra e civis foram sumariamente executados, por fuzilamento ou enforcamento, após a derrota do general Wrangel, naquele mesmo ano.[18] Este é considerado um dos maiores massacres da Guerra Civil.[19]
Durante aSegunda Guerra Mundial, a Crimeia foi palco de diversasbatalhas sangrentas. Astropas do Eixo, sob o comando daAlemanha nazista, sofreram graves perdas no verão de 1941, à medida que tentavam avançar pelas águas estreitas doistmo de Perekop, que liga a Crimeia ao continente. Depois de conseguirem romper o bloqueio, as tropas do Eixo ocuparam a maior parte da Crimeia, com exceção da cidade deSebastopol, queresistiu de outubro de 1941 até 4 de julho de 1942, quando os alemães finalmente capturaram a cidade. A partir de 1 de setembro de 1942, a península passou a ser administrada com o nome deGeneralbezirk Krim ("Distrito-Geral da Crimeia")und Teilbezirk ("e Subdistrito")Taurien. Apesar das táticas duras dos nazistas e seus aliados, as montanhas da Crimeia continuaram a ser um bastião livre utilizado pela resistência nativa até o dia em que a penínsulafoi libertada pelas forças de ocupação dosAliados, em 1944.
Em 18 de maio de 1944 toda a população detártaros da Crimeia foideportada à força (Sürgün, "exílio", emlíngua tártara da Crimeia) para aÁsia Central, pelo governo soviético deJosef Stalin, como uma forma depunição coletiva, sob a alegação de que eles haviam colaborado com as tropas de ocupação nazistas[10] e formado asLegiões Tártaras que combateram os soviéticos.[13] Estima-se que 46% dos deportados tenha morrido durante o trajeto, devido a fome e doenças.[21] Em 26 de junho do mesmo ano, as populaçõesarmênias,búlgaras egregas também foram deportadas para a Ásia Central. No fim do verão de 1944, alimpeza étnica da região estava completa. Em 1967 os tártaros da Crimeia foram oficialmente "reabilitados", porém continuaram proibidos de retornar legalmente para sua pátria até os últimos dias da União Soviética; em 1989, a deportação foi declarada ilegal.[10] A RSSA da Crimeia foi abolida em 30 de junho de 1945 e transformada nooblast (província) daCrimeia da RSFS da Rússia.
Em 19 de fevereiro de 1954 oPresidium doSoviete Supremo da União Soviética emitiu umdecreto que transferiu o Oblast da Crimeia da RSFS da Rússia para aRepública Socialista Soviética da Ucrânia.[22][23] A transferência da província para a Ucrânia foi descrita como uma "medida simbólica" que visava comemorar o 300.º aniversário da integração da Ucrânia aoImpério Russo.[24][25][26] O Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética, na altura, eraNikita Khrushchev.
Nos anos que se seguiram à guerra, a Crimeia floresceu, tornando-se um dos principais destinos turísticos da região, construindo novas atrações comospas para os visitantes, que vinham de toda a União Soviética e dos países vizinhos.[12] A infraestrutura e a indústria da Crimeia também se desenvolveram nesse período, especialmente em torno dosportos marítimos deQuerche e Sebastopol, e na capital do oblast,Simferopol, situada em seu interior.[carece de fontes?]
A Crimeia faz fronteira com a região doKherson a norte, com aomar Negro aosul e aooeste, e com omar de Azov aoleste. Tem uma área de 26 000 km², com uma população de 1,9 milhão de habitantes (2005). Sua capital éSimferopol.
Conecta-se ao resto da Ucrânia peloistmo dePerekop, com uma largura de 5 a 7 km. No extremo oriental encontra-se apenínsula de Querche, que está diretamente em face dapenínsula de Taman, em terras russas. Entre as penínsulas de Querche e Taman encontra-se oestreito de Querche, com 4,5 a 15 km de largura, que liga o mar Negro aomar de Azov.
A costa sudeste é flanqueada a uma distância de 8 a 12 km do mar por uma cadeia de montanhas também conhecidas comomontes da Crimeia, cujo ponto mais alto é designadoRoman-Kosh. Essas montanhas são acompanhadas por uma segunda cadeia paralela. Cerca de 75% do resto da superfície da Crimeia consiste de pradarias semiáridas, uma continuação sul dasestepes Pontic, que se inclinam levemente para o nordeste a partir dos pés das montanhas. A cadeia principal dessas montanhas ergue-se abruptamente do fundo do mar Negro, alcançando uma altitude de 600 a 750 metros, começando no sudoeste da península, chamadocabo Fiolente (ant. Parthenium). Era essecabo que, supõe-se, era coroado com o templo deÁrtemis, ondeIfigênia teria exercido como sacerdotisa.[carece de fontes?]
↑Hind, John. D.M. Lewis; J.Boardman; S. Hornblower; M. Ostwald, ed. «The Bosporan Kingdom». Cambridge: CUP.The Cambridge Ancient History (em inglês). VI - The 4th Century BC: 476–511 !CS1 manut: Nomes múltiplos: lista de editores (link)
↑Krause Todd B. e Slocum, Jonathan.«The Corpus of Crimean Gothic» (em inglês). University of Texas at Austin. Consultado em 5 de janeiro de 2017. Arquivado dooriginal em 2 de março de 2007
↑Gellately, Robert (2007).Lenin, Stalin, and Hitler: The Age of Social Catastrophe (em inglês). [S.l.]:Knopf. p. 72.ISBN1-4000-4005-1
↑Werth, Nicolas; Bartosek, Karel; Panne, Jean-Louis; Margolin, Jean-Louis; Paczkowski, Andrzej e Courtois, Stephane.Black Book of Communism: Crimes, Terror, Repression,Harvard University Press, 1999, p. 100,ISBN 0-674-07608-7. Capítulo 4:The Red Terror
↑«Famine in Crimea» (em inglês). Iccrimea.org. Consultado em 28 de fevereiro de 2014