Período Cretáceo Há145–66 milhões de anos
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| Teor médio deo2 atmosférico durante o período | ca. 30 Vol %[1] (150 % do nível atual) |
| Teor médio doCO2 atmosférico durante o período | ca. 1700ppm[2] (6 vezes o nível pré-industrial) |
| Temperatura média da superfície durante o período | ca. 18 °C[3] (4 °C acima do nível atual)
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-140 — – -130 — – -120 — – -110 — – -100 — – -90 — – -80 — – -70 — – Eventos-chave do período Cretáceo. Escala axial: milhões de anos antes do presente.
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Naescala de tempo geológico, oCretáceo ouCretácico é operíodo daeraMesozoica doéonFanerozoico que está compreendido entre há 143,1 milhões e 66 milhões deanos, aproximadamente.[5] O Período Cretáceo sucede o PeríodoJurássico de sua era e precede o PeríodoPaleogeno da EraCenozoica de seu éon. Divide-se nasépocasCretáceo Inferior eCretáceo Superior, da mais antiga para a mais recente.
O Cretácico Inferior está compreendido entre há 143,1 milhões e 100,5 milhões de anos, aproximadamente. A época Cretácea Inferior sucede a épocaJurássica Superior do período Jurássico de sua era e precede a época Cretácea Superior de seu período. Divide-se nasidadesBerriasiana,Valanginiana,Hauteriviana,Barremiana,Aptiana eAlbiana, da mais antiga para a mais recente.
O Cretácico Superior está compreendido entre 100,5 milhões e 66 milhões de anos, aproximadamente. A época Cretácea Superior sucede a épocaCretácea Inferior de seu período e precede a épocaPaleocena do períodoPaleogeno daera Cenozoica de seu éon. Divide-se nas idadesCenomaniana,Turoniana,Coniaciana,Santoniana,Campaniana eMaastrichtiana, da mais antiga para a mais recente.[6]
Durante o Cretáceo, o clima era geralmente quente e os níveis dedióxido de carbono (CO₂) na atmosfera eram elevados, contribuindo para umefeito estufa intenso. Pesquisas recentes confirmaram que, há cerca de 135 milhões de anos, grandes erupções vulcânicas no Hemisfério Sul, conhecidas comoEvento Weissert, aumentaram significativamente a concentração de CO₂, causando mudanças climáticas marcantes no Cretáceo Inferior. Além disso, as alterações na configuração dos continentes e nas concentrações de CO₂ influenciaram os gradientes de temperatura da superfície dos oceanos, especialmente nas latitudes médias, impactando a circulação oceânica e os ecossistemas marinhos.[7][8]
Durante o Cretáceo, osdinossauros alcançam seu ápice naescala evolutiva (mais da metade das espécies conhecidas viveram neste período), mas ao fim do período ocorreu a extinção em massa desses grandes répteis e de diversas espécies de animais da Terra (cerca de 60% deles foram extintos). Alguns peixes, que foram arrastados pela lama e pela areia no rescaldo de uma grande onda provocada pelo impacto de Chicxulub, são a única evidência da interação entre a vida no último dia do Cretáceo e o impacto.[9]
A teoria mais aceita é a de que a queda de um meteoro de grandes proporções (maior e com maior massa que oMonte Everest - dimensões e massa atuais) naPenínsula de Yucatán, noMéxico, gerou destruição em massa, em função do impacto (extinção K-T):
- A atmosfera entrou em combustão até algumas centenas dequilômetros do local do impacto (a energia daexplosão foi equivalente à energia libertada por milhares debombas atômicas).
- Terremotos,maremotos etsunamis na regiãodiametralmente oposta (levando-se em consideração aovalização da terra nos polos), no que viria a ser aSibéria, como resultado do impacto e das ondas de choque resultantes, irrompeu um longo período de grandeatividade vulcânica, incluindo a formação desupervulcões, o que culminou no escurecimento da atmosfera e na inviabilização dafotossíntese. Isso levou ao desaparecimento dos grandes herbívoros, e por consequência, dos grandes predadores; somente os pequenos animais terrestres e os animais aquáticos (na água asmudanças climáticas impactam em tempos diferentes) puderam sobreviver (inclusive os mamíferos).
- Aera glacial que se seguiu, deveu-se ao "espessamento" das camadas intermediárias da atmosfera, devido às cinzas vulcânicas que evitaram a passagem do Sol e causando um resfriamento da temperatura média da Terra em alguns graus. Além disso, há a teoria de que a Terra teria se deslocado da suaórbita original em alguns milhões de quilômetros, se afastando do sol, por causa de alterações mínimas no formato de sua órbita e variações no seu eixo de rotação. A era glacial ocorre por causa das partículas de cinza vulcânica, que refletem os raios solares, antes que estes aqueçam a Terra e com isso há menos calor a ser retido pelo CO2 (dióxido de carbono).
Durante o Cretáceo há a proliferação dasplantas com flores e após a extinção dos dinossauros houve a proliferação dosmamíferosplacentários e surgimento dagrama e das plantas rasteiras. Aderiva continental seguiu determinante naespeciação. Após a extinção dos dinossauros, houve e a diversificação dos mamíferos e das aves (alguns tornaram-se enormes).
Em 1822 o geólogo belga D'Omalius d'Halloy deu o nome de Terrain Cretace, para determinadas rochas brancas da Bacia de Paris, e para depósitos semelhantes na Bélgica e Holanda, Inglaterra e para o leste da Suécia e Polônia. Por causa disto, posteriormente o termo "Cretáceo" veio a ser usado. Os famosos "Precipícios Brancos" de Dover são constituídos de uma típica rocha deste período geológico, assim como outros depósitos extensos que foram sedimentados na Europa e partes da América do Norte. No caso a rocha esbranquiçada é um calcário formado por conchas de micro-organismos.
Referências
- ↑Imagem:Sauerstoffgehalt-1000mj.svg
- ↑Imagem:Phanerozoic Carbon Dioxide.png
- ↑Imagem:All palaeotemps.png
- ↑International Comission on Stratigraphy (Agosto de 2012).«International Chronostratigraphic Chart»(PDF). www.stratigraphy.org. Consultado em 27 de maio de 2013
- ↑«International Commission on Stratigraphy».stratigraphy.org. Consultado em 24 de maio de 2025
- ↑Cohen, K. M.; Finney, S. C.; Gibbard, P. L.; Fan, J.-X. (2013; updated)The ICS International Chronostratigraphic Chart. Episodes 36: 199-204.
- ↑Cavalheiro, Liyenne; Wagner, Thomas; Steinig, Sebastian; Bottini, Cinzia; Dummann, Wolf; Esegbue, Onoriode; Gambacorta, Gabriele; Giraldo-Gómez, Victor; Farnsworth, Alexander (13 de setembro de 2021).«Impact of global cooling on Early Cretaceous high pCO2 world during the Weissert Event».Nature Communications (em inglês) (1). 5411 páginas.ISSN 2041-1723.doi:10.1038/s41467-021-25706-0. Consultado em 5 de junho de 2025
- ↑Gianchandani, Kaushal; Maor, Sagi; Adam, Ori; Farnsworth, Alexander; Gildor, Hezi; Lunt, Daniel J.; Paldor, Nathan (25 de agosto de 2023).«Effects of paleogeographic changes and CO2 variability on northern mid-latitudinal temperature gradients in the Cretaceous».Nature Communications (em inglês) (1). 5193 páginas.ISSN 2041-1723.doi:10.1038/s41467-023-40905-7. Consultado em 5 de junho de 2025
- ↑BarrasApr. 1, Colin; 2019; Am, 10:50 (1 de abril de 2019).«Astonishment, skepticism greet fossils claimed to record dinosaur-killing asteroid impact».Science | AAAS (em inglês). Consultado em 2 de abril de 2019