Em Portugal, denomina-seebúrneo,marfinês,costa-marfinês ou aindacosta-marfinense a quem é natural da Costa do Marfim. No Brasil, émarfinense. O governo marfinês solicitou à comunidade internacional em outubro de 1985 que o país seja designado apenas pelo nome francêsCôte d'Ivoire e vários países e organizações internacionais acataram.[6] No entanto, emportuguês o país é comumente designado pelo seu nome originalCosta do Marfim, já que a região foi batizada por exploradores portugueses.[7] O mesmo ocorrendo em outras línguas, comoIvory Coast em inglês eElfenbeinküste em alemão.
Antes de sua colonização pelos europeus, a Costa do Marfim era o lar de vários estados, incluindoReino Jamã, oImpério de Congue eBaúle. A área tornou-se umprotetorado da França em 1843 e se consolidou como uma colônia francesa em 1893, em meio àdisputa europeia pela África. Alcançou a independência em 1960, liderada porFélix Houphouët-Boigny, que governou o país até 1993. Relativamente estável pelos padrões regionais, a Costa do Marfim estabeleceu estreitos laços políticos e econômicos com seus vizinhos da África Ocidental, mantendo ao mesmo tempo relações estreitas com o Ocidente, especialmente a França, sendo um dos últimos países africanos a manter plenos contatos com essa nação.[8] O país experimentou um golpe de Estado em 1999 e duas guerras civis fundamentadas religiosamente, primeiro entre 2002 e 2007 e novamente durante 2010 e 2011. Em 2000, o país adotou uma nova constituição.
A Costa do Marfim é uma república com forte poder executivo investido em seu presidente. Através da produção de café e cacau, o país foi uma potência econômica na África Ocidental durante as décadas de 1960 e 1970, embora tenha passado por uma crise econômica nos anos 80, contribuindo para um período de turbulência política e social. Noséculo XXI, a economia marfinense é amplamente baseada no mercado e ainda depende fortemente da agricultura, com a produção de culturas de pequenos agricultores sendo dominante. A língua oficial é o francês, com línguas indígenas locais também amplamente utilizadas, incluindo baúle,diúla (que é usada no comércio), dã,anim e cebaara senufô. No total, existem cerca de 78 línguas faladas na Costa do Marfim. Existem grandes populações demuçulmanos,cristãos (principalmente católicos romanos) e várias religiões indígenas.[9]
O nome foi dado pelos colonos franceses porque havia um grande comércio demarfim extraído das presas doelefante-africano na região. Em 1985, o governo do país solicitou à ONU que utilizasse o nome francês, Côte d'Ivoire,[10] em todas as línguas, para evitar confusões causadas pela diversidade de exônimos.
O território que compõe a Costa do Marfim era habitado por povos agricultores quando os comerciantesportugueses chegaram no século XV para comercializar marfim e escravos.[11]
No século XVII, alguns estados bantas foram criados.
Em dezembro de 1958, a Costa do Marfim se tornou uma república autônoma dentro da Comunidade Francesa, como resultado de um referendo que trouxe o status de comunidade a todos os membros da antiga federação da África Ocidental Francesa, exceto aGuiné, que votou contra a associação. A Costa do Marfim tornou-se independente em 7 de agosto de 1960, e permitiu que a sua filiação comunitária cessasse. Ele estabeleceu a cidade comercial deAbidjã como sua capital.[12]
A Costa do Marfim situa-se em plenaregião tropical, com o clima habitual destas zonas; a temperatura média situa-se nos 30 °C (descendo ligeiramente à noite) durante praticamente todo o ano, com exceção da estação das chuvas, em que a temperatura baixa para os 25 °C. Há duas estações de chuvas (de maio a agosto e, com menos intensidade, em novembro). Há duas grandes zonas climáticas: no Norte a paisagem é árida, sendo o clima quente e seco; o Sul é bastante úmido, com vegetação muito rica.
Acobertura vegetal mudou consideravelmente ao longo dos anos. A paisagem consistia emflorestas densas, amplamente subdivididas em florestas hidrófilas eflorestas mesófilas, que originalmente ocupavam um terço do território ao sul e oeste.[14] Hoje, é composta por florestas abertas ousavanas arborizadas, que se estendem do Centro ao Norte, mas com muitos pontos de floresta seca. Pequenosmanguezais também existem nolitoral.
O elefante africano, que dá origem ao nome do país
Desde operíodo colonial, as áreas de florestas densas têm sido significativamente reduzidas pelo homem. Desde a independência do país, a área milhões para 3 milhões de hectares (?), devido ao desmatamento maciço para o cultivo de cacau, do qual a Costa do Marfim é o principal produtor mundial.[15]
Afauna apresenta uma riqueza particular, com muitasespéciesanimais (vertebrados,invertebrados,animais aquáticos eparasitas). Entre osmamíferos, o animal mais emblemático continua sendo oelefante, cujas presas, feitas demarfim, já foram uma importante fonte derenda. Abundante na floresta e na savana, o elefante foi intensamente caçado. Como resultado, atualmente é presente apenas emreservas e parques e em alguns pontos nas florestas.
A Costa do Marfim foi colonizada pela França na época em que oimperialismo se instalou sobre a África e a Ásia. Nessa época, oseuropeus buscavam mercado consumidores e matéria-prima para suas fábricas e para seus produtos manufaturados. Então foi feita a "Partilha da África", onde alguns países europeus dividiram a África em territórios.
Sob a presidência deAlassane Ouattara, a justiça é manipulada para neutralizar seus oponentes políticos. A Comissão Eleitoral Independente (IEC), responsável pelas eleições, é altamente contestada pela oposição devido ao controlo exercido sobre ela pelo governo. Em 2016, a Corte Africana de Direitos Humanos e dos Povos reconheceu que a CEI não era imparcial nem independente e que o Estado da Costa de Marfim violou, entre outras coisas, a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos. Num relatório confidencial tornado público pela imprensa, os embaixadores europeus evocam autoridades que "são impermeáveis a críticas internas ou externas e politicamente demasiado fracas para aceitar o jogo democrático". Milhares de opositores são presos pelo seu regime.[17]
Rodovia no centro deAbidjã, capitalde facto do país.Principais produtos deexportação da Costa do Marfim em 2019 (em inglês).
A economia da Costa do Marfim é baseada principalmente no cultivo docacau. Segundo dados daFAO divulgados em 2023, o país é o maior produtor e exportador desse item no mundo.[18] A Costa do Marfim também foi, neste ano, o 2.º maior produtor do mundo denoz de cola, o 3.º maior produtor do mundo decastanha de caju einhame, o 8.º maior produtor do mundo debanana-da-terra, além de ter grandes produções demandioca,óleo de palma,arroz,cana de açúcar,milho,borracha natural,algodão, entre outros.[19] As maiores exportações de produtos agropecuários processados do país, em termos de valor, em 2019, foram:cacau (U$ 4,6 bilhões),borracha natural (U$ 0,9 bilhão),castanha de caju (U$ 0,8 bilhão),algodão (U$ 0,36 bilhão),café (U$ 0,22 bilhão),óleo de palma (U$ 0,2 bilhão),banana (U$ 0,16 bilhão) e produtos feitos comchocolate (U$ 0,15 bilhão), entre outros.[20] O país já foi o maior exportador de óleo de palma (256 mil toneladas) e o terceiro produtor de algodão (106 mil toneladas de fibras — 1995) —, ainda que a dívida externa desse país chegue a quase 15 608 milhões. As produções de borracha (83 mil toneladas — 1995) e de copra (43 mil toneladas — 1995), inexistentes antes de 1960, bem como as lavouras de abacaxi (170 mil toneladas — 1995), bananas (211 mil toneladas — 1995) e açúcar (125 mil toneladas — 1995), tornaram-se itens importantes da balança comercial. A recuperação do setor de madeira, que em 1988 correspondia a um terço da receita de exportação, é mais recente.
No setor dapecuária, o país tem uma baixa produção. Diante do problema de abastecimento em proteínas animais, a Costa do Marfim é obrigada a importar grandes quantidades de carne. Portanto, um amplo programa visando a desenvolver o potencial nacional foi lançado.
A economia também é baseada nas 1 600 indústrias do país, no total em todos os setores são 2 283 empresas privadas e 140 em que o estado é acionista majoritário. 74% das empresas se encontram na região deAbidjã, 4% emBouaké e 2% em San Pedro, e 20% em outras regiões. O sistema bancário marfinense é um dos mais desenvolvidos daÁfrica. Ele é composto de um banco de desenvolvimento, de 16 bancos comerciais, de uma dezena de representações internacionais e de 16 estabelecimentos financeiros. A Côte d’Ivoire pertence à “zona franca”, institucionalizada pela União Monetária Oeste Africana. Os sete estados membros (Benim,Burquina Fasso, Costa do Marfim,Mali,Níger,Senegal eTogo) entregaram a emissão da moeda o Franco CFA, e de maneira geral, as suas políticas monetárias a uma instituição, o Banco Central dos Estados da África do Oeste, cuja sede fica emDacar (Senegal).
Namineração, em 2019, o país era o 9.º maior produtor mundial demanganês[21] Além disso, tem uma produção considerável deouro.[22]
Até a segunda metade doséculo XX, o país era o maior explorador demarfim, daí o nome Costa do Marfim.
Em 2010 o país foi o 51.º maior exportador depetróleo do mundo (32,1 mil barris/dia).[23] Em 2015, o país era o 57.º maior produtor degás natural (2 bilhões de m³/ano).[24]
O sistema educativo marfinense, baseado no modelo herdado daFrança,[26] introduziu a escolaridade gratuita e obrigatória após a independência para incentivar a matrícula de crianças em idade escolar. Além dos ciclos habituais de ensino primário, secundário e superior, este sistema incluía um nívelpré-escolar com três secções (petite section, moyenne section e grande section). Entre 2001 e 2002, antes da crise política e militar, 391 creches, privadas e públicas, funcionavam em todo o país. Em 2005, só na área controlada pelas forças republicanas, havia 600creches com 2.109 professores e 41.556 alunos.
Um centro educacional do Fundo de Desenvolvimento da Formação Profissional (FDFP)
Existem seis níveis deensino primária (aulas preparatórias para os anos 1 e 2, aulas elementares para o ano 1, aulas elementares para o ano 2, aulas intermediárias para o ano 1 e aulas intermediárias para o ano 2), culminando no Certificat d'Etudes Primaires Elémentaires (Certificado de Estudos Primários Elementares) e um exame de admissão para o sexto ano do ensino médio. Em 2001, o Ministério da Educação tinha 8.050 escolas primárias estaduais com 43.562 professores atendendo 1.872.856 alunos, e 925ensinos públicas com 7.406 professores atendendo 240.980 alunos.[27]
Em 2005, havia 6.519 escolas primárias, das quais 86,8% eram públicas, com 38.116professores e 11.661.901 alunos.
Entre 55% da população entre 6 e 17 anos e 61% das meninas nessa faixa etária não estão matriculadas na escola. A baixa taxa de matrícula entre meninas levou o governo a desenvolver uma política específica para a educação de mulheres jovens na década de 1990. Em março de 1993, em colaboração com o Ministério daEducação Nacional, o Banco Africano de Desenvolvimento lançou umprojeto chamadoProjeto ADB Educação IV para melhorar a qualidade da educação e aumentar a taxa de matrícula em geral e a de meninas em particular.[28]
Um professor e seus alunos em uma aula deinformática
Oensino secundário é dividido em dois ciclos, com quatro turmas para o primeiro ciclo e três para o segundo. Este nível de educação "é caracterizado por um claro domínio do setor privado". Em 2005, 370 das 522 escolas secundárias do país pertenciam ao setor privado.208 O Ministério da Educação Nacional da Costa do Marfim registrou um total de 660.152alunos e 19.892 professores em 2005, tanto no setor público quanto no privado, em comparação com 682.461 alunos e 22.536 professores em 2001-2002, antes do início da guerra.208 A taxa de matrícula no ensino médio na Costa do Marfim é de 20%.[29] O primeiro ciclo do ensino secundário conduz ao Brevet d'études du premier cycle (BEPC) e o segundo ao baccalauréat.
Antes de 1992, o ensino superior era quase inteiramente responsabilidade do estado, com uma taxa de matrícula de 24%. Nos últimos anos, surgiram diversas universidadesuniversidades privadas e faculdades técnicas. Em 1997-1998, existiam três universidades públicas,[30] quatro grandes escolas públicas, sete universidades privadas, 47 centros privados e 31 centros de ensino superior depós-graduação dependentes de ministérios técnicos que não o Ministério do Ensino Superior.
Escola Normal Superior de Abidjã
Na década de 1960, o governo marfinense criou várias escolas técnicas secundárias e superiores para formar gestores especializados. Em 1970, o Instituto Superior Nacional de EducaçãoTécnica e mais tarde a Escola Superior Nacional de Obras Públicas foram abertos em Iamoussoukro, proporcionando formação local para técnicos superiores.[31] Atualmente, essasescolas estão agrupadas no Instituto Politécnico Nacional Félix Houphouët-Boigny (INPHB). Há um grande número de escolas técnicas e profissionalizantes particulares em todo o país.
A questão daconcorrência e das qualificações dos professores responsáveis por educar e supervisionar os alunos que frequentam essas escolas públicas foi levantada muitas vezes . No entanto, é importante destacar que elas constituem um apoio essencial para o Estado, uma vez que as estruturas de ensino público são atualmente insuficientes e, por vezes, inadequadas para cobrir todas as necessidades. Uma lei aprovada em 1995[32] regulamenta o sector do ensino superior privado e introduz medidas para fortalecer as instituições relevantes. As reformas afetam certas estruturas existentes, como o InstitutoPedagógico Nacional do Ensino Técnico e Profissional (IPNETP), a Escola Normal Superior (ENS), a Agência Nacional de Formação Profissional (AGEFOP) e o Fundo de Desenvolvimento da Formação Profissional (FDFP).
Biblioteca da Universidade de São Pedro, Costa do Marfim
A Costa do Marfim ostenta umaliteratura rica, rica em diversidade estilística e provérbios, apoiada por uma infraestrutura editorial relativamente sólida e autores de reputações diversas. Osautores mais famosos são Bernard Dadié, jornalista, contista, dramaturgo, romancista e poeta que dominou a literatura marfinense a partir da década de 1930, Aké Loba (Kocoumbo, l'étudiant noir, 1960) e Ahmadou Kourouma (Les Soleils des indépendances, 1968),[33][34][35][36] vencedor do Prix du Livre Inter em 1998 por sua obra En atendente le vote des bêtes sauvages, que se tornou um grande clássico nocontinente africano.
A eles se junta uma segunda geração de autores cada vez mais populares, como Véronique Tadjo, Tanella Boni, Isaie Biton Koulibaly, Maurice Bandaman e Camara Nangala. Uma terceira geração já deixa a sua marca, com autores como Sylvain Kean Zoh (La voie de ma rue, 2002),[37] (Le printemps de la fleur fanée, 2009), (Des loups et des agneaux, 2017) e (Le fils de la nuit, 2023) ou Josué Guébo (L'or n'a jamais été un metal, 2009)[38] e (Mon pays, ce soir, 2011).
↑A forma comum e coloquial do país éCosta do Marfim. No entanto, o governo costa-marfinense solicitou à comunidade internacional que usasse protocolarmente as forma francófonasCôte d'Ivoire eRepública de Côte d'Ivoire. Este uso é muitas vezes seguido também no discurso coloquial no português dosPALOP.
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