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O termoconvento, dolatimconventus, que significa "assembleia", advém originalmente da assembleiaromana, onde os cidadãos se reuniam para fins administrativos ou de justiça (convento jurídico;conventum juridicum).
Posteriormente passou-se a utilizar o termo no sentidoreligioso domonasticismo, quando, para melhor servir e amar aDeus, os homens se retiravam do mundo, primeiro sozinhos, depois em grupos demonges (comunidades religiosas), para edifícios concebidos para este fim, chamados conventos.
São Bento, noOcidente, foi o primeiro a criar a estrutura que levava este nome. Posteriormente ao trabalho daIgreja, juntou-se o dascruzadas, a partir doséculo XII, nasordens militares, e o dos apostolados nasordens mendicantes. Os conventos, fosse qual fosse o estiloarquitectónico da sua construção, mantinham um traçado fundamentalmente igual, dadas as exigências da vida religiosa emcomunidade: a igreja conventual com ocoro; oclaustro no rés-do-chão para onde abriam as salas em que se realizavam os outros actos de vida em comum; a sala docapítulo para as reuniões solenes de instrução e correcção, donde normalmente também eram erguidos o refeitório e abiblioteca; em cima, a toda a volta, corriam os dormitórios, com celas individuais; ao redor do edifício, campo para recreio ecultivo.
Por vezes, o termoconvento é confundido, erradamente, commosteiro.Convento é o termo usado para o edifício construído na malha urbana, normalmente delimitada por umamuralha. A designação de mosteiro aplica-se ao oposto, ou seja, para edifício construído fora dacidade.
Hoje em dia, devido à expansão das cidades, muitos mosteiros encontram-se já emzona urbana. No entanto, na hora de os classificar, deve ser levado em consideração o entorno na data da sua construção.
Exemplo disso é oMosteiro de Celas,Coimbra. Noséculo XIII (data de fundação), estava a alguns quilómetros da Cidade. Hoje em dia, encontra-se em pleno coração da malha urbana.

Todos os conventos foram abolidos com aextinção das ordens religiosas em1834, passando os bens e edifícios para oEstado. No entanto, a maior parte desses conventos pela suaarquitectura são hojemonumentos nacionais como os já citados deMafra eArrábida, os daBatalha e doCarmo emLisboa, o doBuçaco e o deSanta Cruz em Coimbra.
A história dos conventos no período colonial brasileiro guarda relação íntima com o precário sistema feitoral aplicado noBrasil. ACoroa Portuguesa sempre estimulou a vinda de portugueses solteiros, que não titubeavam em manter relações carnais com as nativas, chocando osjesuítas que aqui chegavam por volta de 1549. Vale ressaltar a notória carta doPadre Manoel da Nóbrega solicitando ao rei lusitano o envio de mulheres brancas, órfãs e até "desonestas" para casaram com os colonos.
Esse desequilíbrio demográfico surgido entre homens e mulheres brancas causaria no aparecimento dos conventos e clausuras femininas até oséculo XVIII.
Porém, apesar desta necessidade social, não foram raros os pedidos para a implantação destas instituições, inclusive para as mulheres devotas ou que estivessem com a honra em perigo pela orfandade ou ausência prolongada dos pais, maridos e demais familiares.
O famoso padre ainda suplicara para que organizassem "casas de recolhimento com freiras para abrigar meninas indígenas" e assim protegê-las dos "vícios da carne" que se alastravam pela colônia. A criação destas casas foi, de fato, medida eficaz para determinar a abertura de conventos femininos, desviando-se dos obstáculos criados pela Metrópole.
O primeiro recolhimento colonial foi fundado emOlinda (1576).
Conventos e casas de recolhimento assemelhavam-se na estrutura funcional. As internas faziam profissão de fé ouvotos religiosos como as freiras regulares, embora boa parte do tempo se encontravam em regime dereclusão total ou parcial.
Nestes recolhimentos, as meninas eram educadas nos princípios religiosos, "protegendo-as dos defeitos ordinários de seu sexo" e limitando o aprendizado a ler, escrever, calcular, coser e bordar. Atuavam, ainda, na reabilitação de madalenas arrependidas por erros cometidos no passado (assim chamadas por referência a Maria Madalena, citada nos Evangelhos, que teria sido prostituta). Inclusive, naquela época eles também funcionavam como confinamento de mulheres, solteira ou casadas, de "má fama", acusadas de traição ou algo semelhante, onde ficavam enclausuradas enquanto seus pais ou maridos viajavam ou como forma de punição por atos infames.
Os recolhimentos surgiram em várias capitanias, muitas vezes sem autorização prévia do rei, o que ocorreu com o Recolhimento de Santa Teresa, emSão Paulo, ou o Recolhimento das Macaúbas, emMinas Gerais.
O primeiro convento emSalvador, capital da colônia à época, cujo pedido foi feito em 1644, somente foi autorizado pelo rei em 1665, e pelo papa em 1669. Criou-se então o Convento do Desterro da Bahia (1677), fundado pelas madres do mosteiro dasClarissas de Évora, sendo sua primeira abadessa a madre Margarida da Coluna. Entretanto, este não foi o marco do término das restrições impostas pela Coroa, pois só noséculo XVIII outras casas pias foram abertas, a maioria delas mantendo a função mista de convento e recolhimento, assim como aconteceu no Recolhimento do Senhor Bom Jesus dos Perdões (1723) e na Santa Casa de Misericórdia (1725), ambos naBahia.