Ocontrabaixo é umcordofone, da subcategoria dosinstrumentos de cordas friccionadas, transpositor (soa uma oitava abaixo do que se lê na partitura), também tocado porpizzicato (beliscado em italiano), com os dedos. Dentre os instrumentos da família das cordas naorquestra é o registro mais grave e também o de maior tamanho. Usado em grandes orquestras em famílias de até 12 instrumentos e usado sozinho na música de câmara, jazz e música popular.[1]
As suas cordas, da mais aguda à mais grave, possuem a seguinte afinação: sol2, ré2, lá-1, mi-1. Há também baixos de cinco cordas, possuindo uma corda mais grave afinada em si (ou, mais raramente, dó-2 ou lá-3) - sendo o dó3 o dó central do piano (numeração tradicional e não a de midi que seria dó4 o central).
Seu uso na música de concerto é variado, na ocasião de seu aparecimento era usado para reforçar a melodia mais grave das polifonias, quase sempre dobrando a melodia dovioloncelo ou de seu "primo"violone. A partir de Beethoven ele passa a ser usado separadamente do violoncelo e no final do século XIX seu timbre passa a ser mais explorado nas orquestrações de formas variadas, misturadas aos sons dofagote, contrafagote,clarone, etc. Muito além dos seus companheiros antigos de partitura: o violoncelo e ostímpanos.
Também no século XIX apareceram as primeiras peças para seu uso solístico em música de câmara e orquestral. Às vezes afinado em Ré (um tom acima da afinação normal) num ato desesperado de trazer seu timbre para o primeiro plano da massa harmônica.
Em diversos estilos de música popular do século XX, é comum a utilização dobaixo elétrico (inventado porLeo Fender na década dos anos 1950) em vez do contrabaixo tradicional.
Uma pessoa que toca esse instrumento é chamada de “baixista”, “contrabaixista”, “músico de contrabaixo” ou “executante de contrabaixo acústico”. Os nomes contrabaixo edouble bass referem-se (respectivamente) à extensão do instrumento e ao seu uso uma oitava abaixo dovioloncelo (isto é, a parte de violoncelo era a linha principal de baixo, e odouble bass originalmente tocava uma cópia da parte do violoncelo; somente mais tarde passou a receber uma parte independente). Entre músicos de formação clássica, os termos usados para o instrumento são contrabaixo (que vem do nomeitaliano do instrumento,contrabbasso),string bass (para diferenciá-lo dos instrumentos de baixo da família dosmetais em bandas de concerto, como astubas) ou simplesmentebass.[2][3]
Nojazz,blues,rockabilly e outros gêneros fora damúsica clássica, esse instrumento é comumente chamado deupright bass,standup bass ouacoustic bass, para distingui-lo dobaixo elétrico (geralmente chamado debass guitar). Namúsica folk ebluegrass, o instrumento também é conhecido como “bass fiddle” ou “bass violin” (ou, mais raramente, como “doghouse bass” ou “bull fiddle”). Embora não pertença à família dosinstrumentos de arco (violin-family), a construção do contrabaixo acústico é bastante diferente da do baixo acústico de cordas dedilhadas (acoustic bass guitar), já que este último deriva do baixo elétrico e costuma ser construído como uma versão maior e mais robusta daviola da gamba, seu ancestral.[4]
Um contrabaixo típico mede cerca de 180 cm (6 pés) do voluto ao espigão. Enquanto o tradicional contrabaixo de “tamanho cheio” (4/4) mede, em média, 190 cm (74,8 polegadas), o contrabaixo de tamanho 3/4 (que se tornou o tamanho mais utilizado na era moderna, mesmo entre músicos de orquestra) mede, em média, 182 cm (71,6 polegadas) do voluto ao espigão.[5][6] Outros tamanhos também estão disponíveis, como 1/2 ou 1/4, que servem para acomodar a altura e o tamanho das mãos do músico. Esses nomes de tamanhos não refletem o tamanho real em relação a um contrabaixo “tamanho cheio”: um contrabaixo 1/2 não tem metade do comprimento de um 4/4, mas é apenas cerca de 15% menor.[7]
O surgimento do contrabaixo originalmente remonta no séculoXV. O instrumento antigo mais famoso é o contrabaixo de três cordas deDomenico Dragonetti (1763 – 1846) feito pelo luthierGasparo da Salò (1542 - 1609) cerca de cem anos antes. Nesse período o instrumento mais comum nos grupos de câmara, no registro contrabaixo (uma oitava abaixo do registro baixo), era o violone, da família da viola da gamba, instrumento um pouco maior que o violoncelo, com seis cordas quase sempre afinadas emarpeggio. Mas a partir do séculoXVIII, o já mencionado contrabaixistaDomenico Dragonetti, grandevirtuoso, popularizou o instrumento, primeiro emVeneza e depois em outros lugares daEuropa. Instrumento "híbrido" entre a família doviolino e daviola da gamba teve seu destaque por ter mais projeção sonora que então podia acompanhar melhor o crescimento dasorquestras noperíodo romântico (séc.XIX).
O instrumento com as características de hoje só aparece como uma regularidade em todos os cantos da Europa no final do século XIX. De quatro ou cinco cordas, com afinação: sol, ré, lá e mi ou sol, ré, lá, mi e si (às vezes outra na quinta corda). Com mais cordas o instrumento tem mais pressão em cima do tampo, portanto menos sonoridade, mas cria mais facilidade no fraseado musical, além da quinta corda ir a umaoitava mais profunda.
O contrabaixo é considerado hoje erroneamente da família do violino, mas seu aparecimento, construção peculiar e escola musical foi até o século XX uma adaptação às necessidades orquestrais e camerísticas. Instrumento sempre em mutação apresenta hoje variantes como o basseto, busseto, up-right elétrico, fora o baixo elétrico que passou a substituí-lo por suas facilidades.
As proporções são dissimilares em relação as doviolino e dovioloncelo, por exemplo, é mais profundo; a distância da parte superior, tampo, à parte traseira, fundo, é proporcionalmente muito maior do que o violino. Muitos contrabaixos velhos foram cortados ou inclinados para ajudar a ser tocado com técnicas modernas. Antes destas modificações, muitos exemplares tinham a amplitude dos seus ombros mais semelhante a dos instrumentos da família do violino.
A história do contrabaixo está intimamente ligada ao desenvolvimento da tecnologia dascordas, pois foi o surgimento das cordas detripa revestidas,[8] que tornou o instrumento mais amplamente utilizável, já que cordas revestidas ou super-revestidas alcançam notas graves com umdiâmetro total menor do que cordas não revestidas.[9] O professor Larry Hurst argumenta que, se “não tivesse sido pelo aparecimento da corda de tripa super-revestida nadécada de 1650, o contrabaixo certamente teria se tornado extinto”, porque as espessuras necessárias para cordas de tripa comuns tornavam as cordas mais graves quase impossíveis de tocar e impediam o desenvolvimento de uma execução fluida e rápida no registro inferior.[10]
Antes doséculo XX, as cordas de contrabaixo eram geralmente feitas de tripa; contudo, oaço passou em grande parte a substituí-las, porque as cordas de aço mantêm melhor a afinação e produzem mais volume quando tocadas com o arco. Cordas de tripa também são mais vulneráveis a mudanças deumidade etemperatura, e se rompem com mais facilidade do que as cordas de aço.[11][12][13]
Hoje em dia, cordas de tripa são usadas principalmente por contrabaixistas que tocam em conjuntosbarrocos, bandas derockabilly, bandas tradicionais deblues e grupos debluegrass. Em alguns casos, as cordasMi eLá recebem um revestimento deprata para aumentar sua massa. Cordas de tripa proporcionam o som escuro e “percussivo” (thumpy) ouvido em gravações das décadas de 1940 e 1950. O falecido Jeff Sarli, contrabaixista acústico de blues, afirmou que “a partir da década de 1950, começaram a reajustar os braços dos contrabaixos para cordas de aço”.[14]
A contrabaixista Vivien Garry tocando em um show na cidade deNova York em 1947
O contrabaixo é geralmente afinado em quartas, em contraste com outros membros da família de cordas orquestrais, que são afinados em quintas (por exemplo, as quatro cordas do violino são, da mais grave para a mais aguda: Sol–Ré–Lá–Mi). A afinação padrão (da mais grave para a mais aguda) para o contrabaixo é Mi–Lá–Ré–Sol, começando no Mi abaixo do dó grave duplo (em afinação de concerto). Essa é a mesma afinação padrão dobaixo elétrico e é uma oitava abaixo das quatro cordas mais graves daafinação padrão doviolão. Antes doséculo XIX, alguns contrabaixos tinham 3 cordas, para reduzir a tensão e permitir melhor timbre solo e maior projeção geral; “Giovanni Bottesini (1821–1889) preferia o instrumento de três cordas, popular naItália na época”,[15] porque “o instrumento de três cordas era considerado mais sonoro”.[16] Muitas bandas decobla naCatalunha ainda têm músicos que usam contrabaixos tradicionais de três cordas afinados em Lá–Ré–Sol.[17]
Referências
↑«Contrabaixo».Encyclopædia Britannica Online (em inglês). Consultado em 26 de agosto de 2020
↑others, The Zen Cart™ Team and; Mail, Strings By; SBM, Lawrence (28 de agosto de 2013).«Blog».Strings By Mail (em inglês). Consultado em 21 de novembro de 2025