Continente é uma grande massa de terra cercada por água.[1] Na gigantesca massa deágua salgada (formada principalmente pelos oceanos)[2] pela qual são cobertos cerca de 75% dasuperfície terrestre, é muito fácil notar aqui e ali o aparecimento de territórios contínuos muito extensos, o que torna pouco conveniente para osgeógrafos dar a essas massas o nome deilhas. Assim, essas extensões de terras são definidas como continentes.[3]
O conceito que os geógrafos usam para definir uma massa continental pode variar segundo os critérios que esses especialistas adotam em cada caso, podendo serfísicos,culturais,políticos ouhistóricos. A definição física em países de língua inglesa considera a divisão em sete continentes:África,América do Norte,América do Sul,Antártida,Ásia,Europa eAustrália. Esse modelo é ensinado como padrão em países como em boa parte dos países de língua inglesa. Mas, seguindo-se critérios tanto culturais como políticos, sistemas de ensino de países de outra línguas que não sejam o inglês, como o português, francês, espanhol, grego, russo e japonês, costuma-se considerar como continentes aEuropa, aÁsia, aÁfrica, aAmérica, aAntártida e aOceania[4][5], que é o critério adotado pela maioria dos países do globo, e como Comitê Olímpico Internacional considera os continentes. Países como China e Índia consideram os dois modelos (6 ou 7 continentes).
A origemetimológica do nome "continente" é derivada das palavraslatinascontinens eentis, que significam "contínuo, ininterrupto" (e, "abstinente, moderado"), estando no particípio presente decontinere, significando "conter, abranger", verbo oriundo decum,con etenere, tendo o significado de "ter". Esta é a fonte doeruditismo em cinco línguas europeias: emlíngua portuguesa,espanhola eitaliana,continente (século XV); emlíngua inglesacontinent, (século XIV); ovocábulo inglêscontinent é uma palavra que foi emprestada do vocábulofrancêscontinent (século XII). Na acepção geográfica que se considera abaixo, os substantivos das quatro línguas europeias têm o mesmo significado: em português, espanhol e italiano,continente (século XVI); em francês,continent (1532); em inglês,continent (1590); e emlíngua alemãKontinent (entre os séculos XVI eXVII). O vocábulo português e espanholcontinente foi documentado entre os séculos XII e XIV, significado "gesto, atitude, parte", cujo sentido atualmente está obsoleto.[8]
Os continentes políticos nem sempre são somente os que foram citados acima, sendo que a América é frequentemente dividida em duas partes: aAmérica do Norte e aAmérica do Sul, visto que muitas vezes aAmérica Central e arquipélago doCaribe são considerados ainda outras subdivisões do continente.
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O termo "Eurafrásia" é incomum, mas é o mais correto para se referir à grande massa de terra que é subdividida em Europa, África e Ásia, visto que a Ásia e a Europa se separam pelosmontes Urais e a África se separa da Ásia peloCanal de Suez; nenhuma dessas regiões são oceanos, e portanto, aEurafrásia é o único continente físico que pode existir na região. Apesar disso, muitos consideram que a África e Ásia estão suficientemente separados, pois pode-se perceber claramente ao olhar no mapa que não há terra que junte os continentes e a parte do Canal de Suez é mínima, diferente do que acontece entre a Europa e a Ásia; por isso foi criado o termoEurásia (Europa e Ásia), para se referir a esses continentes políticos como um só continente físico separado da África.
Não existe uma forma única de fixar o número de continentes, e depende de cada área cultural determinar se duas grandes massas de terra unidas formam um ou dois continentes, e concretamente, decidir os limites entre Europa e Ásia (Eurásia) por uma parte, e América do Norte e América do Sul (América) por outra. Os principais modelos são os seguintes:
Mapa-múndi animado com os diferentes modelos continentais
Quatro continentes: Alguns sugerem que Europa, África e Ásia deveriam ser considerados um único continente chamadoEurafrásia. Este modelo se baseia em uma definição estrita de continente como uma área de terra contínua, onde as fronteiras artificiais como os canais de Suez e do Panamá não seriam verdadeiras barreiras continentais.
Cinco continentes (modelo tradicional): Modelo no qual se mostra somente com os continentes permanentemente habitados (excluindo a Antártida)[11][12] —como se vê nos 5 anéis do logotipo olímpico.[14][nota 1]
Cinco continentes: Modelo no qual se considera aAntártida como um continente; além de queEuropa eÁsia formam somente um, aEurásia.
Seis continentes (modelo tradicional): O modelo de seis continentes tem uma base cultural e histórica e é ensinado naAmérica Latina e algumas partes da Europa comoEspanha,Portugal,Itália,Grécia eBélgica. É o modelo preferido pela comunidade geográfica dos países da ex-União Soviética eJapão, bem como partes doLeste Europeu.
Seis continentes (modelo geológico): Guarda uma relação aproximada com asplacas tectónicas continentais (combinando aEurásia), ensinado na Rússia.
As placas tectónicas da Terra foram cartografadas na segunda metade do século XX
As massas terrestres transformaram-se e ainda se transformam bastante. Durante milhares de anos, osmares e os continentes se distribuíram de forma muito diferente do que é hoje. Uma variedade de fatos foi demonstrada pelas pesquisas: primeiro, que os continentes deslocam-se, elevam-se e abatem-se muito; segundo, que não descarta-se a existência na Terra de nenhuma zona que o mar não cobriu; terceiro, que aserosões são desgastadas continuamente da superfície, de tal modo que, se não fossem elevados, os continentes teriam desaparecidos porque o mar cobriria; e quarto, que uma grande quantidade de terras se levantou daágua recentemente.[23]
Livros que foram escritos porgeólogos,zoólogos ebotânicos consideram que certas depressões, que o mar cobriu no passado, constituíram, nos demais tempos, a extensão dos continentes. Há diversas teorias sobre como se originou e se formou asuperfície da Terra. Uma das de maior difusão traz a narração de que entre o períodocarbonífero (erapaleozoica) e o início do períodoterciário (eracenozoica), aEuropa encontrava-se em união com aAmérica do Norte; e que nohemisfério sul notava-se a existência de um grande continente, que os geólogos denominaramGonduana, da qual eram compreendidos aAmérica do Sul, aÁfrica, apenínsula da Arábia, aÍndia, aAntártida e aAustrália. Entre essas duas gigantescas massas terrestres era estendida uma faixa marítima. O continente de Gonduana começaria a ser fragmentado no fim do períodotriássico (eramesozoica), com o fato de queMadagáscar se desmembrou do conjunto da África, e deu continuidade ao seu rompimento na época dojurássico, com a Índia que se desmembrou da Austrália. No final do períodocretáceo, foram desmembradas a África e a América do Sul; e quando começou o período terciário, com omar Vermelho que se formou, ocorreu o desligamento da Arábia em relação à África; também ocorreu a formação dasdepressões que se correspondem às águas salgadas dos oceanos Atlântico e Índico, que então seriam mais novos que o Pacífico.[23]
O que primeiramente se explicou de maneira generalizada sobre o fato de que os continentes se formaram e se evoluíram é a daderiva continental, que ogeólogoalemãoAlfred Wegener propôs em1912. É a explicação da superfície terrestre desde a diferente massa dos continentes, cuja cotaaltimétrica é de 700 metros, e o fundo dos oceanos, cuja cotabatimétrica é de 3 800 metros. Ao atestar a veracidade de que as massas continentais têm mais leveza que o fundo dos mares, que se constitui desima (silício e magnésio), Wegener pensou na hipótese daflutuação dos continentes sobre os oceanos.[23]
Processo de aparecimento do Atlântico Sul, entre 140 e 60 milhões de anos atrás, quando se formou o petróleo do pré-sal
De acordo com Wegener, na época da era paleozoica uma espécie de gigantesca "embarcação" única, aPangeia, manteve-se em flutuação sobre o sima. Posteriormente, pela ação da força centrífuga que se originou do fato de que aTerra gira em torno de si mesma, essa "balsa" primitiva dividiu-se em frações e cada um dos pedaços constituiu um dos escudos que hoje em dia se conhecem. Assim, ainda se pode ter percepção dessa formação original desde o período terciário, porque os respectivoslitorais têm formato quase semelhante, com a fratura no formato de uma letra "S" que serve de afastamento entre aÁfrica e aAmérica do Sul. Os continentes teriam feito a migração paraoeste, transladando lentamente a deriva continental, ao longo da qual a perda dos fragmentos da parte posterior dos escudos continentais teria, dessa forma, dado origem àNova Zelândia,Madagáscar ou àsAntilhas, que seriam as partes que sofreram desprendimento dos respectivos continentes a que pertenceram.[23]
Os primeiros continentes foram formados no início dahistória da Terra, mais de três bilhões de anos atrás. Alguns estudos sugeriram que os primeirossupercontinentes formados viasubducção e tectônica de placas, fazendo com que as placas da Terra se movessem umas nas outras, moldando as montanhas e os oceanos. No entanto, uma pesquisa de 2020[24] descobriu que osisótopos deferro ezinco nas rochas originárias daSibéria central e daÁfrica do Sul, a composição química dos fragmentos de rocha não eram consistentes com o que normalmente é esperado quando ocorre a subducção.[25] De acordo com as evidências, os primeiros continentes da Terra não foram formados por subducção em um ambiente de placas tectônicas de estilo moderno, como se pensava anteriormente.[26]
Há também ossupercontinentes, que são os mesmos continentes atuais, bilhões de anos no passado, quando tinham outra forma.[carece de fontes?]
Em ambos os hemisférios em que é dividida aTerra são muito desproporcionais as áreas dosoceanos e dos continentes. Da área superior a 145 milhões de quilômetros quadrados que os continentes ocupam, dois terços inferiores a essa superfície estão localizados nohemisfério norte, e uma quantidade inferior a 45 milhões nohemisfério sul. Essa desproporção é oriunda do fato de que, nohemisfério boreal (norte), os continentes vão se estendendo bastante à medida da sua aproximação com oCírculo Polar Ártico, enquanto nohemisfério austral (sul), há uma diminuição da distância dos continentes em direção ao sul. Assim, no extremo sul daAmérica é ultrapassada em pouco alatitude de 50º ao sul dalinha do equador, que no hemisfério norte é correspondente aoCanadá e ao centro daEuropa e daÁsia. Igualmente, a superfície dos continentes no hemisfério norte é bem maior que a dos mares, enquanto no sul os mares são desproporcionais, na fração de 8,5 até 1. Esse fato de que aterra firme se opõe ao oceano é um dos traços importantes da estrutura que forma asuperfície do planeta, da qual são ocupados somente três décimos pelos continentes.[23]
A zona de contato que existe entre osmares e continentes tem grande variação. Em certos pontos que se localizam noslitorais, a superfície do terreno faz uma descida brusca até sua penetração no mar, de maneira que, a poucos quilômetros do litoral, o mar já é muito profundo. Nos demais lugares, existe uma larga faixa marinha menos profunda, abaixo de 200 metros; nesses, as massas submersas integram os continentes e são denominadasplataformas continentais. Otalude continental afasta as plataformas continentais das áreas muito profundas, de declives de grande acentuação, e suas dimensões variam, com largura de quase 90 quilômetros.[23]
A altitude relativamente moderada é apresentada pelos continentes, apesar da elevação de certas cordilheiras a milhares de metros superiores aonível do mar. Se os continentes, conservando suas dimensões, fossem transformadas numa superfície plana, a média de sua altitude seria reduzida para mais de 700 metros.[23]
Os continentes variam na sua estrutura formal. AÁfrica é o continente que possui maior macicez. Num continente com formato detrapézio no norte e detriângulo no sul, existe um pequeno número deilhas epenínsulas. Tem extensão entre ocabo Branco (pararelo 37 N) e o dasAgulhas (paralelo 34 S). Por estar localizado no centro geográfico da Terra, duas terças partes que pertencem ao seu território são encontradas emlatitudes por entre os trópicos. Tem como limites: ao norte com omar Mediterrâneo, a leste com omar Vermelho e oOceano Índico e a oeste com oOceano Atlântico. A África é separada, em respectivo, daÁsia e daEuropa pelos estreitos de Bab al-Mandab (27 km de largura) eGibraltar (13 km).[23]
AÁsia é o continente de maior extensão territorial do planeta. Tendo como características seus grandes contrastes, nela tudo adquire proporções exageradas: das montanhas de maioraltitude daTerra às mais profundasdepressões, e do desolamento dosdesertos à maior densidade dasflorestas. Tem como limites: ao norte com ooceano Glacial Ártico, ao sul com oOceano Índico, a leste com oPacífico e a oeste com aEuropa e os mares Vermelho, Mediterrâneo eNegro. O conjunto da qual pertence sua massa terrestre se localiza nohemisfério norte, doparalelo 77 N aoparalelo 1 N.[23]
AAustrália é um continente que se compõe de um rosário deilhas (superior a dez mil), de quaisquer das dimensões, que se espalham peloOceano Pacífico, do Velho até o Novo Mundo. Exceto aAustrália, natopografia apresentada geralmente pelas ilhas existe um sem-número demontanhas que nopassado geológico eram verdadeirosvulcões. A Austrália se constitui dos restos que pertenciam a um continente primitivo, que parcialmente afundou, do qual somente é subsistente a Austrália. Este leque de ilhas serve de cobertura, no sentido sudeste-noroeste, de um espaço com uma distância superior a 13 mil quilômetros.[23]
AAntártica é uma massa continental pela qual é ocupada quase a totalidade dacalota polar que se encontra nohemisfério sul, desde oparalelo 69 S. Maciço de baixa articulação, cujo formato faz lembrar o daÁfrica e o daAustrália, é o mais alto dos continentes, pois sua cota altimétrica é superior aos 2 000 metros. Devido aoclima glacial, nela, praticamente, muito poucas pessoas a habitam. É um continente que se encontra em isolamento; ocabo Horn, extremidade sul daAmérica do Sul, a 1 000 quilômetros de distância, é o ponto de um (outro) continente que se encontra mais próximo da Antártida. Uma enorme barreira de gelo cerca olitoral da Antártica.[23]
No centro da respectiva representação, estaria aJerusalém terrestre, tendo aEuropa sido povoada pelo filho mais velho deNoé, o pálidoJafé, estandoRoma representada como umafortaleza. Na parte superior do mapa, estaria aÁsia, região dos filhos deSem (filho de Noé), com Jerusalém ao centro, próxima doMar Negro e oParaíso no topo, aparecendo aTorre de Babel e aArca de Noé entre a Ásia e África. Na parte inferior direita, aparece o continente negro, aÁfrica, povoada por outro dos filhos de Noé,Cam, o mais moreno deles e, nesse continente, estariam figuras como elefantes, dragões, monstros e, um oásis cristão, aEtiópia.[27]
Representação possível do mapa-múndi deAnaximandro.
Este mapa com as letras T e O, abstrai o mundo conhecido dasociedade para uma cruz inscrita num orbe, refaz a geografia a serviço do cristão, e identifica os trêscontinentes conhecido como povoados pelos descendentes deSem,Cam, eJafé.
↑Os cinco anéis daBandeira Olímpica representam os cinco continentes habitados que participam dosJogos Olímpicos: África, América, Ásia, Europa e Oceania;[21] portanto, Antártica está excluída da bandeira.