Constantinopla era famosa por suas defesas maciças e complexas. O primeiro muro da cidade foi erguido porConstantino e cercava a cidade por todos os lados. Mais tarde, noséculo V, oprefeito pretorianoAntêmio, sob o imperadorTeodósio II(r. 408–450), empreendeu a construção das muralhas teodosianas, que consistiam em uma parede dupla a cerca de 2 km ao oeste da primeira muralha e um fosso com estacas na frente.[4] Este formidável complexo de defesas foi um dos mais sofisticados da Antiguidade e a posição da cidade, construída intencionalmente em sete colinas, bem como na justaposição entre oChifre de Ouro e oMar de Mármara, a tornava uma fortaleza inexpugnável que protegia magníficos palácios, cúpulas e torres entre dois continentes (Europa eÁsia) e doismares (oMediterrâneo e oMar Negro).
O nome da cidade é uma referência aoimperador romanoConstantino, que tornou esta cidade a capital doImpério Romano em11 de maio do ano330. Dependendo de seus governantes, teve diferentes nomes no decorrer do tempo. Entre os mais comuns estão:Bizâncio (emgrego: Βυζάντιον,transl.:Byzántion); Nova Roma (emgrego: Νέα Ῥώμη,transl.:Néa Rhōmē); Constantinopla; Kostantiniyye eIstambul. Ela foi também chamada de Tsargrado ("Cidade dos Imperadores") peloseslavos, enquanto para osviquingues era conhecida como Miklagård, "a Grande Cidade", semelhante ao nome com que também era chamada pelos gregos: "a Cidade" (ἡ Πόλις,hē Pólis).[5]
O nome Istambul, que se supõe derivar da expressão grega "para a Cidade" ou "na Cidade" (em grego antigo εἰς τήν Πόλιν, eis ten pólis), é usado na língua turca desde oséculo X, embora na maior parte dos casos as autoridades otomanas se referissem à cidade como Kostantiniyye. No entanto, havia, por exemplos alguns cargos oficiais em cujo nome aparecia Istambul — o comandante militar era oİstanbul ağası o grau mais elevado da magistratura civil era oİstanbul efendisi.[6] Em 1930, mediante a lei turca de serviço postal, parte das reformas nacionais do governo deAtatürk, a cidade foi definitivamente nomeada oficialmente como Istambul.
Tetradracma deprata cunhado em Bizâncio por volta de 150–100 a.C. A cidade cunhou moedas em nome deLisímaco quase 200 anos após sua morteRestos de colunas bizantinas da antigaacrópole de Bizâncio, onde se encontra atualmente oPalácio de Topkapı
Constantinopla foi fundada peloimperador romanoConstantino(r. 306–337) em 324[1] no local de uma cidade já existente, Bizâncio, que se instalou nos primeiros dias daexpansão colonial grega, em torno de657 a.C., por colonos dacidade-estado deMégara. Este é o primeiro assentamento importante que se desenvolveria no local da futura Constantinopla, mas as primeiras ocupações conhecidas foi Ligo, referida nasHistórias Naturais dePlínio, o Velho.[7] Além disso, pouco se sabe sobre este assentamento inicial, exceto que foi abandonado quando os colonos megarianos chegaram. O local, de acordo com o mito de fundação da cidade, estava abandonado quando os colonos gregos da cidade-estado de Mégara fundaram Bizâncio (emgrego:Βυζάντιον;romaniz.:Byzantion) em torno de657 a.C.,[8] em frente à cidade deCalcedônia e no lado asiático doBósforo.
A cidade manteve a independência como uma cidade-estado até que ser anexada aoImpério Aquemênida porDario I em512 a.C., que via a localização da cidade como ideal para construir umaponte flutuante cruzando para a Europa, visto que Bizâncio estava situada no ponto mais estreito doEstreito do Bósforo. O domínio persa durou até478 a.C., quando, como parte do contra-ataque grego àSegunda Invasão Persa da Grécia, um exército grego liderado pelo generalespartanoPausânias capturou a cidade que permaneceu independente, ainda que subordinada aosatenienses e, mais tarde, aos espartanos, após411 a.C.[9] Um tratado visionário com o poder emergente deRoma em150 a.C., que estipulava tributos em troca de um estatuto independente, permitiu que ela entrasse intacta ao domínio romano.[10] Este tratado pagaria dividendos retrospectivamente, pois Bizâncio manteria sua independência e prosperaria em paz e estabilidade durante aPax Romana, por quase três séculos até o final doséculo II.[11]
Bizâncio nunca foi uma grande cidade-estado influente comoAtenas,Corinto eEsparta, mas a cidade teve uma paz relativa e um crescimento constante como uma cidade comercial próspera graças a sua posição notável. O local estava no caminho da rota terrestre entreEuropa eÁsia e na via marítima doMar Negro aoMediterrâneo. Além disso, tinha noCorno de Ouro um porto excelente e espaçoso. Já na época grega e romana, Bizâncio era famosa por sua posição geográfica estratégica que dificultava o assentamento e captura e a tornava um assentamento muito valioso para abandonar, como o imperadorSeptímio Severo mais tarde percebeu quando arrasou a cidade para apoiar areivindicação dePescênio Níger.[12] Foi um movimento muito criticado pelo cônsul e historiador contemporâneoDião Cássio, que disse que Severo havia destruído "um forte posto romano e uma base de operações contra osbárbaros doPonto e da Ásia". Ele reconstruiu Bizâncio no final do seu reinado, no qual seria brevemente renomeado paraAugusta Antonina, fortificando-a com uma nova muralha da cidade em seu nome, a parede de Severo.[13]
Constantino tinha planos mais ousados. Tendo restaurado a unidade doImpério Romano do Oriente e, ao longo de grandes reformas governamentais e da consolidação da igreja cristã, ele estava bem ciente de queRoma era uma capital insatisfatória, pois estava muito longe das fronteiras e, portanto, dos exércitos e dos tribunais imperiais, e oferecia uma cena política indesejável, com muitas disputas. No entanto, tinha sido a capital do Estado romano por mais de mil anos e poderia parecer impensável sugerir que a capital fosse movida para um local diferente. No entanto, Constantino identificou o local de Bizâncio como o mais apropriado: um lugar onde um imperador podia sentar-se, prontamente defendido, com fácil acesso às fronteiras doDanúbio ou doEufrates, com sua corte fornecida pelos ricos jardins e oficinas sofisticadas da Ásia romana, com seus tesouros preenchidos pelas províncias mais ricas do Império. Constantinopla foi construída ao longo de 6 anos e consagrada em 11 de maio de 330.[1][14] Constantino dividiu a cidade expandida, como Roma, em 14 regiões e ornamentou-a com obras públicas dignas de uma metrópole imperial.[15] No entanto, no início, a Nova Roma de Constantino não tinha todas as dignidades da Roma antiga. Possuía umprocônsul, em vez de umprefeito urbano. Não tinhapretores,tribunos ouquestores. Embora tivessem senadores, eles possuíam o título claro (emlatim:clarus, não claríssimo (clarissimus), como os de Roma. Também faltava a panóplia de outros escritórios administrativos que regulavam o fornecimento de alimentos, policiais, estátuas, templos, sistema de esgotos, aquedutos ou outras obras públicas. O novo programa de construção foi realizado com muita pressa: colunas, mármores, portas e ladrilhos foram feitos por atacado dos templos do império e levados até a nova cidade. Da mesma forma, muitas das maiores obras dearte grega eromana logo seriam vistas em seus quarteirões e ruas. O imperador estimulou a construção privada com promessas de terras das propriedades imperiais naDiocese da Ásia e naDiocese do Ponto. Em 18 de maio de 332, anunciou que, como em Roma, distribuições gratuitas de alimentos seriam feitas aos cidadãos. Na época, o valor era de 80 mil porções por dia, distribuídos a partir de 117 pontos de distribuição em torno da cidade.[16]
Constantino estabeleceu uma nova praça no centro da antiga Bizâncio, nomeando-aAugusteu. A nova câmara do Senado (ou a Cúria) estava alojada em uma basílica no lado leste. No lado sul da grande praça foi erguido oGrande Palácio do Imperador com sua entrada imponente, oPortão Calce, e sua suíte cerimonial conhecida como oPalácio de Dafne. Próximo ao local estava o vastoHipódromo para carruagens, ocupando mais de 80 mil espectadores e as famosasTermas de Zeuxipo. Na entrada oeste do Augusteu estava oMilião, um monumento abobadado a partir do qual as distâncias eram medidas em todo o Império Romano Oriental. Do Augusteu partia uma grande rua, aMese (emgrego:Μέση [Οδός]), alinhado com colunas. Quando desceu o Primeiro Monte da cidade e subiu ao Segundo Monte, passou à esquerda oPretório ou tribunal. Então passou peloFórum de Constantino, onde havia uma segunda casa do Senado e umacoluna alta com uma estátua do próprio Constantino sob a aparência deHélio, coroada com um halo de sete raios e olhando para o sol nascente. A partir daí, a Mese passava e atravessava oFórum de Teodósio e depois oFórum do Boi, e finalmente o Sétimo Monte (ouXerólofo) e até o Portão de Ouro noMuro de Constantino. Após a construção dasMuralhas de Constantinopla no início doséculo V, o muro atingiu um comprimento total de setemilhas romanas.[17]
Embora tenha sido assediada em várias ocasiões por diferentes povos, as defesas de Constantinopla se tornaram invulneráveis por quase 900 anos antes da cidade ter sido tomada em 1204 pelos exércitoscruzados daQuarta Cruzada. Constantinopla nunca se recuperou verdadeiramente da devastação causada pela Quarta Cruzada e das décadas de desordem doImpério Latino, embora a cidade tenha se recuperado parcialmente nos primeiros anos após a restauração sob adinastia paleóloga.[carece de fontes?]
Após a perda final de suas províncias no início doséculo XV, oImpério Bizantino foi reduzido a apenas Constantinopla e seus arredores, juntamente comMoreia naGrécia, até que Constantinopla se tornou umenclave dentro do incipienteImpério Otomano. A cidade perdeu a guerra contra os otomanos, liderados pelo sultãoMaomé II, após umcerco de um mês em 1453.[18] A cidade se tornou a nova capital otomana no lugar deEdirne (antigaAdrianópolis) e passou a se chamar Istambul.[19]
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↑As moedas comemorativas que foram emitidas durante os anos 330 já se referem à cidade como "Constantinópolis" (ver, por exemplo, "O clímax de Roma" de Michael Grant (Londres, 1968), p. 133), ou "Cidade de Constantino". De acordo com oReallexikon für Antike und Christentum, vol. 164 (Stuttgart, 2005), coluna 442, não há evidências da tradição que Constantino oficialmente denominou a cidade "Nova Roma" ("Nova Roma"). É possível que o Imperador chamasse a cidade "Segunda Roma" (emgrego: Δευτέρα Ῥώμη,Deutéra Rhōmē) por decreto oficial, conforme relatado pelo historiador da igreja doséculo VSócrates de Constantinopla.
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