Clero (dogregoκληρος,transl.:klêros[carece de fontes?]) designa o conjunto de sacerdotes (ou clérigos, ou ainda ministros sagrados) responsáveis por um culto religioso.
Nojudaísmo, um líder religioso é frequentemente conhecido comorabino (professor) ouchazan (cantor).Rabino-Chefe é um título dado em muitos países para o reconhecido líder religioso da comunidade judaica do país.
Nocristianismo, os nomes utilizados para os membros do clero variam de acordo com a denominação e há uma ampla gama de cargos clericais formais e informais, no entanto, é possível classificar sacerdotes cristãos em três grupos:diáconos,presbíteros ebispos. NaIgreja Católica, os presbíteros recebem o tratamento depadres e em igrejas protestantes são comumente chamados depastores ouanciões (ouélderes naIgreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias). Existe uma hierarquia entre os bispos da Igreja Católica, com oPapa, o bispo da cidade deRoma, no topo.
Noislamismo, um líder religioso é frequentemente conhecido formalmente ou informalmente comoulemá (acadêmico islâmico),imã (dirige as preces na mesquita),mulá,mufti (acadêmico islâmico que interpreta asharia e emitefátuas) eaiatolá (usado apenas pelos muçulmanos xiitas). Antes da queda doImpério Otomano, oXeque do Islão era a autoridade máxima entre os acadêmicos islâmicos sunitas do Império.
Na Igreja Católica, o clero é constituído por todos os ministros sagrados que receberam oSacramento da Ordem. Entre os clérigos, podem-se distinguir aqueles que compõem oclero regular — que, sendoconsagrados, seguem as regras de umaordem religiosa — doclero secular (dolatimsæculum, que significa mundo) — parcela do clero que desempenha atividades voltadas para o público, que se dedica às mais variadas formas de apostolado e à administração da Igreja e que vive junto dosleigos.
O clero está disposto numahierarquia ascendente, sendo baseada nos três graus do Sacramento da Ordem: oEpiscopado, o Presbiterado e o Diaconado. Basicamente, a hierarquia vai desde do simplesdiácono, passando pelopresbítero (oupadre),bispo,arcebispo,primaz,patriarca (em casos mais especiais) ecardeal, até chegar ao cargo supremo dePapa.[1] O clero regular tem a sua própria hierarquia e títulos eclesiásticos, sendo ele pelo menos subordinado ao Papa.
A ascensão da fé na Idade Média deu à Igreja grandes poderes políticos e econômicos. Aliada ao Império, estava sempre de olhos abertos para conter qualquer indício de dissidência por parte de seus fiéis. Por conta disso, eram premiados com grandes propriedades de terra e exigiam cada vez mais a devoção de seu povo.
Todos os ministros sagrados são homens, porque os doze Apóstolos são todos homens e Jesus, na sua forma humana, também é homem.[2] Mas isto não quer dizer que o papel damulher na Igreja seja menos importante, mas apenas diferente. Exceptuando em alguns casos referentes a padres ordenados pelasIgrejas orientais ou a diáconos, todo o clero écelibatário. Existem determinadas tarefas, como por exemplo a celebração daMissa e dossacramentos (exceptuando obatismo em casos de extrema necessidade), que são exclusivos dos membros do clero.
Para oscatólicos, o Chefe e Pastor da Igreja é o Papa,[3] sendo eleeleito peloColégio dos Cardeais. Além deste colégio, o Papa também é aconselhado e assistido pelaCúria Romana e, periodicamente, peloSínodo dos Bispos. Entre outras funções, o Papa, oVigário de Cristo na Terra, tem a missão de manter a integridade e fidelidade da doutrina e fé católicas àRevelação divina, corrigindo se for necessário qualquer interpretação errada vigente na Igreja. Para tal, convocaconcílios ecuménicos ou então exerce pessoalmente aInfalibilidade Papal.[4] NaIgreja Latina e em algumas das Igrejas orientais, só o Papa pode designar os membros acima do nível de presbítero.
A Igreja defende que todos os seus Bispos (que são coadjuvados pelos presbíteros e diáconos), devido ao sacramento da Ordem, são ossucessores dosDoze Apóstolos, sendo o Papa o sucessor directo doApóstolo S. Pedro.[5] Daí a autoridade eprimazia que o Papa goza.
Na época daIdade Média, o clero católico tinha privilégio e prestígio nasociedade feudal ibérica, porque diziam-se fazer ligação entreDeus e os seres humanos.
Enquanto osmonges nosmosteiros rurais acumulavam funções, pregavam e celebravam cultos, ajudavam os necessitados, ajudavam no campo e compilavam obras. Oclero era, na Idade Média, todo o extracto social associado ao culto religioso, nomeadamente ocristão.
Porém, já na sociedadevisigótica tinha o clero desempenhado um papel de relevância. O seu prestígio manteve-se junto das populações cristãs peninsulares, durante adominação muçulmana, e fortalecer-se-ia no período daReconquista cristã, tornando-se o principal patrocinador deste movimento.
Às razões que constituem os fundamentos da cristandade acrescem as da peculiaridadeibérica, onde as lutas contra osinfiéis inflamavam a fé cristã, determinando o zelo das crenças profundas. E não apenas pela missão religiosa, como pela cultura das letras, a que muitos dos seus membros se dedicavam, o clero exerceu preponderância social epolítica, desempenhando os eclesiásticos cargos importantes junto dos reis.
Até meados doséculo XIV, o clero manteve essa situação de privilégio, devendo-se ao aparecimento doslegistas a concorrência que veio a sofrer nessa época. Ao clero coube, também, um significativo papel, quer no povoamento, quer no arroteamento de terrenos de cultura e desenvolvimento das instituições de beneficência e caridade. Também a instrução eartes ficaram a dever muito àIgreja desta época.
Face a esta situação de privilégio, teve o clero muitos conflitos com a realeza.
Quanto às ordens militares, parece ter sido a dosTemplários a mais antiga (século XII), embora outras se tenham também estabelecido em Portugal, como a dosHospitalários, a deSantiago da Espada e a deCalatrava.
Desta última, nasceu aOrdem de Avis, que tão relevantes serviços iria prestar ao país.
Entretanto, como à volta doscastelos se instalavamagricultores, confiados na protecção doscavaleiros das ordens, estes viriam aumentar os seus rendimentos. Assim, o clero secular, aliado às ordens monásticas e religiosas, dispunha de valiosos bens.
Quer os monarcas, quer osnobres faziam doações de terras a estas instituições religiosas. Os soberanos levavam a sua generosidade ao ponto de renunciar aos direitos reais (coutos) sobre as terras que doavam aos mosteiros e igrejas.
Isentos deencargos fiscais, os bens de raiz adquiridos pela Igreja prejudicavam, assim, oerário régio, o que fazia com que fossem decretadas «leis contra a amortização» tendentes a evitar um crescimento desses bens. Quando o testamento, que já existira noImpério Romano, foi introduzido naIdade Média, cedo se revestiu da forma de legado pio. Assim, feito a favor da Igreja, permitirá a dilatação da propriedade eclesiástica, mercê da aquisição dos chamados bens demão de obra, em que converterá grande parte do território português que, deste modo, ficava sujeito à autoridade dos prelados, mosteiros e mestres das ordens militares oubispos. Desde as «leis de desamortização», promulgadas porD. Afonso II (1221–1223) até à lei deD. Dinis, de1286, que estabelecia o prazo de um ano para que fossem vendidas a particulares as propriedades adquiridas pelas ordens religiosas após a subida deste monarca ao trono de Portugal, é percorrido um longo caminho que, afinal, se revelaria um enfraquecimento progressivo do poder do clero, sobretudo a partir doséculo XIV.