4 × Mk 91 sistema de controlo duplo para disparo e guiamento de mísseis
4 × Mk 95 radar de controlo de fogo
Tripulação
5 680 dos quais 2 480 pertencem à componente aérea[1]
AclasseNimitz é constituída por dez superporta-aviões, movidos por energia nuclear, ao serviço daMarinha dos Estados Unidos. Com um deslocamento aproximado de cem mil toneladas,[2] são os maioresnavios de guerra da atualidade.[1] O uso da energia nuclear proporciona uma autonomia ilimitada, entre reabastecimentos a cada 20 a 25 anos de vida útil operacional, permite ainda pela libertação de espaço outrora utilizado pelo combustível de origem fóssil usado na propulsão do navio, uma maior e melhor organização e gestão do armazenamento de outros consumíveis, como combustível para aviação e ou munições, espaçando assim a necessidade deste tipo de suprimentos.
Todos os navios daclasse foram construídos nosestaleirosNorthrop Grumman Newport News, os únicos no mundo ocidental providos de espaço e tecnologia para tal. Os navios possuem uma vida operacional expectável superior a cinquenta anos e necessitam, de aproximadamente cinco a seis anos desde o assentamento daquilha até ao seu comissionamento provisório, para serem completados, incluindo neste período a instalação de equipamentos e os testes de mar, por um custo médio de seis mil milhões (seis bilhões) de dólares (preços de 2006).
Não são de todo evidentes as causas que levaram ao aparecimento dos não oficialmente nomeados super porta-aviões,[3] tal ficou a dever-se à conjugação de diversos fatores. O primeiro dos quais, terá que ver com a emergência do porta aviões como navio fundamental, decisor de batalhas e dominador dos oceanos, como ficou demonstrado noPacífico durante asegunda guerra mundial, onde foram protagonistas, substituindo oscouraçados nessa mesma tarefa.[4]A segunda causa, está intimamente ligada à anterior, pelo papel assumido pelos porta-aviões no domínio dos mares e na disputa interna sobre qual o papel a desempenhar pelas forças militares norte-americanas e qual dos ramos, Força Aérea, usando bombardeiros pesados, ou a Marinha usando bombardeiros a bordo dos seus porta-aviões, deveria assumir e deter o comando da dissuasão nuclear.[4] Assim foi aprovada a construção de um super porta-aviões com umdeslocamento de 65 mil toneladas, oUSS United States (CVA-58) líder da classe com o mesmo nome, a qual comportaria mais 4 unidades, a 29 de julho de de 1948, pelo então Presidente dos Estados UnidosHarry Truman.[5]
Impressão artística do que seria, se construído o USS United States (CVA-58).
A ênfase deste novo modelo, inteiramente projetado para responder às necessidades dos novos bombardeiros, com capacidade para lançar ataques nucleares, estava concentrada no transporte e operação destas novas aeronaves em projeto e que teriam um peso de lançamento aproximado às 45toneladas. Este viria a ser cancelado pelo secretário da defesa, o equivalente na maioria dos países a ministro da defesa,Louis A. Johnson, cinco dias após o início da construção a 23 de abril de 1949, provocando nas altas patentes, uma reação de não concordância com o poder político, a qual ficou para a história como a Revolta dos Almirantes.[4][6]
O terceiro fator decorre do estatuto adquirido pelos Estados Unidos, como super potência mundial, o aumento e surgimento de novas ameaças e a natural evolução tecnológica das aeronaves navais, que usando propulsão a jato necessitam de mais espaço para o seu lançamento e recuperação de mais espaço para armazenar combustível para a sua operação, além do uso de catapultas e um convés capacitado para a operação de aeronaves a jato e mais pesadas, substituindo os anteriores de madeira.[7]
Manobras de alto desempenho colocam periodicamente à prova o projeto e a estrutura.
USS Dwight D. Eisenhower, USS Carl Vinson, USS Reagan e USS George H.W. Bush.
Os atuais porta-aviões nucleares da classe Nimitz, são a "joia da coroa" da frota dos Estados Unidos, conjuntamente com as suas alas aéreas, formam o primeiro e mais eficaz meio utilizado na projeção do poderio militar norte-americano, mas também uma ferramenta que assegura e simboliza o prestigio militar.[8] Lançado em 1975, oUSS Nimitz (CVN-68) é o líder da classe. Totalmente carregado, desloca mais de 97 mil toneladas, possui um convés de voo com uma área equivalente a 1,8hectares e opera até 85 sofisticadas aeronaves de alto desempenho.[8]
Encomendados para substituir navios mais antigos daclasse Essex entretanto aposentados ou com retirada prevista, destinavam-se também a complementar os porta-aviões daclasse Kitty Hawk eclasse Enterprise, mantendo a força e a capacidade operacional daMarinha dos estados Unidos, em níveis elevados próprios da chamadaguerra fria.[9]Os navios foram concebidos e entendidos como uma modernização do melhor que as anteriores classes Enterprise eForrestal tinham para oferecer, mas mais particularmente aclasse Kitty Hawk dada a sua semelhança.[10] Entre outras melhorias a de maior destaque é a opção pela propulsão gerada pela energia nuclear, os dois reatores nucleares usados na classe Nimitz, que por si só são já um notável avanço quando comparados com os oito utilizados noUSS Enterprise (CVN-65), ocupam um menor espaço, o que conjugado com a racionalidade e pela melhoria no desenho, permite em relação aos navios da classe Forrestal, o transporte de mais 90% de combustível destinado à aviação e um incremento de mais 50% nas munições à disposição.[10]
Por terem sido projetados à época daguerra do Vietname, alguns aspetos das primeiras embarcações foram nitidamente influenciados pelo tipo de operações próprias daquele teatro de guerra, as quais exigiam uma maior demanda de armazenamento a bordo, de recursos como combustível para uso dos aviões e munições destinadas a prossecução das sua missões, (a que também não será estranho o ganho em espaço proporcionado pelo uso da propulsão nuclear, como visto anteriormente). Em face desta necessidade foram descurados os meios de apoio à sobrevivência em combate da própria embarcação.[11] Contudo a principal finalidade dos porta-aviões à época do projeto e construção das primeiras unidades da classeNimitz, era de apoio às grandes formações de combate doexercito norte-americano no âmbito da guerra fria, assim os seus recursos foram orientados nesse mesmo sentido, começando logo pela escolha da propulsão a energia nuclear, mas também na capacidade de fazer novos ajustes no seu sistema de armas, de acordo com a evolução tecnológica.[11]
Classificados inicialmente como porta aviões de ataque (CVA) de acordo com a filosofia descrita no parágrafo anterior, os navios construídos depois doUSS Carl Vinson (CVN-70) passaram a contar com capacidades próprias anti-submarino.[12] Resultando em uma capacidade alargada de desenvolver atividades navais de modo autónomo e capacitando os porta aviões e o seu grupo naval de apoio, como verdadeiros instrumentos de domínio dos mares, os navios e suas aeronaves são agora capazes de participar de uma mais ampla gama de operações, que podem incluir bloqueios marítimos e aéreos, colocação de minas e ataques com mísseis em terra, ar e mar, entre outros.[13][14]
Painel informativo a bordo do USS Nimitz, são evidenciados dados de navegação, como por exemplo a direção do navio, neste caso, 310 graus (ou seja Noroeste), o vento verdadeiro (9.4 nós) e o vento relativo (28.5 nós) e os circuitos de aproximação das aeronaves. neste caso o avião 302 está a 8 milhas do convés
Devido a uma falha de projeto, os navios desta classe possuem alguns problemas de estabilidade a estibordo, quando plenamente carregados (máximo de aviões e máximo de combustível e munições) que não passíveis de resolução pelo sistema que permite manter o navio estável e flutuabilidade nivelada, aquando do trânsito dos aviões pelo convés de voo ou no convés imediatamente inferior, que serve de hangar. Inicialmente a solução passou pelo uso de lastro líquido em compartimentos situados entre o quarto e oitavo "decks", atualmente estuda-se uma solução mais permanente e prática, que passa pela utilização de lastro sólido, mas que se revela de difícil solução, já que todos os navios sofrem do mesmo problema, mas a níveis diferentes e esta solução interfere com a blindagem e sistema de proteção contra ataques portorpedos.[15]
Todos os navios da classe foram construídos naquele que é o maior e único estaleiro naval dos Estados Unidos, capacitado para a construção, reparação e manutenção de porta-aviões nucleares, oNorthrop Grumman Newport News, mais propriamente a suadoca seca nº12, a qual possui um comprimento de 670 metros e está equipada com um pórtico que pode movimentar cargas até 900 toneladas de peso.[16]
A construção do casco e respetivas infraestruturas, evolui ao longo de 33 meses, desde que foi adotada a construção por módulos, iniciada com oUSS Theodore Roosevelt (CVN-71),[17][nota 2] Os módulos (Superlift no jargão da engenharia naval norte-americana) são construídos separadamente e posteriormente são montados (soldados) na doca seca, revelando-se nesta operação a necessidade do tal pórtico com capacidade para movimentar cargas de elevado peso, no caso da secção de proa a mais pesada, esse valor alcança as 680 toneladas, no total são necessários 162 módulos.[18] Terminada esta fase o casco é posto a flutuar, passa para o exterior da doca seca, onde a construção será terminada e receberá todo o equipamento necessário à sua operação.[19]
Ainda em doca seca, a colocação de 1 das 4 hélices.
Colocção do mastro de sensores no topo da "ilha".
A base estrutural de um porta-aviões da classe Nimitz, assenta em três super estruturas horizontais principais, as quais conferem a rigidez necessária e sem as quais o projeto seria equivalente a um castelo de cartas, são elas: a quilha o hangar e o convés de voo, todas elas assumem a configuração de umparalelepípedo deitado ao longo de toda a embarcação, não sendo visíveis, inclusive o convés de voo e o hangar os quais se prolongam para as laterais, bem como para a popa e proa, assumindo a forma bem conhecida e revelada pelo seu aspeto exterior.[10] A estrutura é ainda complementada por um casco duplo, formado por anteparas de aço de alta resistência e densidade com vários centímetros de espessura, tem por finalidade assegurar proteção adicional contra explosões provenientes deminas etorpedos ou contra colisões, absorvendo e esbatendo as ondas de choque impedindo uma inundação imediata, processo complementado no interior do navio por mais 23 anteparas transversais estanques, dois mil compartimentos também eles estanques e ainda dez anteparas corta fogo.[10]
Com uma área aproximada de 1,8hectares, é um dos locais mais perigosos daTerra para se trabalhar, durante as operações de recolha e lançamento e aeronaves.[10] Possui um ângulo de 9 graus em relação ao eixo central do navio, permitindo assim operações simultâneas de lançamento e recolha, contudo este ângulo foi ligeiramente diminuído em relação às classes anteriores, com o intuito de melhorar significativamente o fluxo de ar.[11] Quatro catapultas são usados para lançar aeronaves de asa fixa, também são quatro os cabos de retenção das aeronaves durante as operações de recolha e sem os quais não seria possível imobilizar uma aeronave no exíguo espaço disponível, no entanto as duas unidades mais novas, oUSS Ronald Reagan e oUSS George H.W. Bush, estão equipados com apenas três cabos, por se ter demonstrado de forma inequívoca que o quarto e último cabo muito raramente era utilizado, logo desnecessário. A esta combinação de recolhimento e recuperação de aeronaves é dado o nome deCATOBAR acrónimo paraCatapult Assisted Take-Off But Arrested Recovery (Descolagem Assistida por Catapulta e Recuperação por retenção).[20]
O convés de voo é ainda servido por quatro grandes elevadores nas laterais do navio, três a estibordo e o restante a bombordo, capacitados em espaços e potencia para a transferência simultânea de até duas aeronaves com o hangar, bem como vários outros elevadores destinados ao transporte de munições e armas de todos os tipos desde os paióis do navio. Todas estas operações são orquestradas e supervisionadas desde a ponte de comando, apenas se realizando às ordens do designado chefe de operações aéreas.[21]
Operações de lançamento e recuperação de aeronaves
Elementos afetos à operação das catapultas (camisas verdes), comunicam o peso do avião, para calibração da catapulta
Lançamento
O lançamento de aeronaves de asa fixa a bordo dos porta-aviões norte-americanos, requer a assistência de catapultas a vapor. Cada navio daclasse Nimitz possui quatro, designadas nº 1,2,3 e 4 com a contagem iniciada deestibordo parabombordo, duas estão localizadas na proa (1 e 2) e as restantes duas (3 e 4) são também designadas como catapultas de cintura, devido à sua localização na lateral do navio.[22]
As quatro catapultas são capazes de lançar uma aeronave a cada vinte segundos, quando operadas em conjunto, ou um avião por minuto individualmente. Os quatro primeiros navios da classe utilizam a catapulta C-13 modelo 1, extremamente poderosa capaz de operar até 68,948bar, os restantes navios utilizam o modelo 2 da mesma catapulta, que opera com pressões de vapor mais baixas, o que prolonga a vida útil do sistema gerador de vapor.[22] Apelidadas pela tripulação"Fat Cats", ambos os modelos possuem no entanto as mesmas performances, lançando um avião com peso superior a 30 toneladas, dos zero aos 296km/h e a uma altura aproximada de 90 metros em cerca de 3 segundos, mesmo em condições de vento contrário nulo.[23] O procedimento de lançamento é antecedido pelo cálculo do peso total da aeronave a ser lançada, de modo a que a catapulta seja calibrada com a potência de propulsão estritamente necessária para cada avião.[23]
Um camisa verde inspeciona o engate do avião à catapulta
Lançamento simultâneo nas catapultas de proa.
A próxima geração de porta aviões, representada pelo navio líder,USS Gerald R. Ford (CVN-78), cuja conclusão está estimada para 2015, serão equipados com o novo "Sistema de Lançamento Eletromagnético de Aeronaves" -Electro-Magnetic Launch for Carriers (EMALS),[24] o qual provavelmente não irá ser utilizado naclasse Nimitz, devido ao seu elevado consumo de energia elétrica (122 megajoules por lançamento), cujos geradores e respetivo sistema de distribuição elétrica, instalados atualmente, não podem satisfazer.[22]
Recuperação
A recuperação de aeronaves é extremamente rigorosa nos procedimentos e é executada de acordo com três padrões prévios, a escolha de qual utilizar é condicionada pelas condições atmosféricas e de visibilidade. Na sua fase final (o pouso) é necessária a assistência mecânica de vários elementos, para que um avião com trinta ou mais toneladas de peso (depende do tipo) que se aproxima a uma velocidade um pouco inferior a 200 km/h (também depende do modelo) com os motores debitando a sua potência máxima, para permitir a ação deborregar(português europeu) ouarremeter(português brasileiro), se a mesma se tornar inevitável, possa ser imobilizado com êxito. O subsistemaMK7 modelo 3, parte integrante do método designadoCATOBAR é o responsável pela recolha, para tal é composto por 4 cabos de retenção, emaço revestidos por uma cobertura depoliéster, com uma uma espessura de 36mm,que atravessam toda a largura do convés angular e espaçados entre si por aproximadamente 15 metros, tem como função imobilizar uma aeronave em circunstâncias de pouso normais. Na eventualidade da aeronave estar impedida de usar este sistema, quer por deficiência técnica, quer por incapacidade do piloto, ou ainda por danos provocados em combate, existe uma barreira de emergência que se eleva ao metros após o último cabo de retenção e imobiliza o avião ao nível das asas provocando danos estruturais, mas que os evita nocockpit, salvaguardando a integridade física dos tripulantes.[25][26]
Situado logo abaixo do convés de voo, ocupa uma área em forma de retângulo que se encaixa ao longo do navio entre a blindagem do casco, com 259 metros de comprimento por quase 43 metros de largura e uma área vertical equivalente a três decks (7,6 metros).[27] É dividido em três áreas sensivelmente iguais, por três portas corta fogo que conjuntamente com um elaborado dispositivo de combate a incêndios, ajuda a delimitar os estragos.[28] No topo junto à proa está localizado um gigantesco compartimento, que aloja doiscabrestantes destinados a recolher ou distender as correntes das âncoras, com 330 metros de comprimento e 140 toneladas de peso cada uma.[27] Ficando localizada no extremo oposto , as oficinas de manutenção intermédia de aeronaves.[28]
Alojando entre 50 a 60 aeronaves, dependendo do tipo e ou tamanho do mesmo, o que remete para o convés de voo o parqueamento das restantes aeronaves a bordo, é servido por 4 elevadores de aeronaves, cujas cavidades de acesso permanecem abertas durante o dia, para permitir a iluminação por luz natural, sendo encerradas, à noite por pesadas portas de aço, ou mesmo durante o dia se as condições atmosféricas não forem favoráveis. O hangar é ainda utilizado para pequenas reparações e manutenção de circunstância, armazenamento de peças e motores de reposição bem como depósitos de combustível ejetáveis usados para prolongar o período de patrulha, ou o raio de ação das aeronaves.[28][29]
À direita desteGrumman E-2 Hawkeye Francês acabado de pousar, encontra-sa a "ilha".
Apelidada e conhecida como "ilha" é a estrutura localizada no convés de voo aestibordo e que se sobrepõe ao mesmo, é onde se localiza a maioria dos sensores, radares e antenas de comunicações, o comando e controlo do navio e das operações aéreas, embora existam outros locais no interior da embarcaão com finalidade semelhante ou complementar. Apenas os três últimos níveis possuem visibilidade para o exterior, o 10º onde se localiza a "torre de controle" de todas as operações aéreas, desde os lançamentos até as recuperações das aeronaves, passando pelo parqueamento das mesmas. O 9º nível, onde está localizada a ponte de comando do navio. O 8º nível é reservado, como área de comando a ser utilizada pelo almirante chefe de todo o grupo naval, quando a bordo.[30]
Disparo de umSea Sparrow no USS Theodore Roosevelt, mais á esquerda na foto pode ser visto o sistema complementar,Phalanx CIWS.
Além das aeronaves, que constituem o principal meio de projeção de força, mas também a primeira linha de defesa, existem a bordo vários outros sistemas defensivos. Estes são constituídos por três ou quatro lançadores de mísseisRIM-7 Sea Sparrow, versão evoluída para uso naval doAIM-7 Sparrow, concebido para a defesa contra aeronaves e mísseis antinavio. Também como última barreira defensiva contra mísseis, existem paralelamente, três ou quatro, sistemasPhalanx CIWS de 20mm. A exceção é oUSS Ronald Reagan que foi equipado como o novo sistema defensivo a utilizar na nova geração de porta-aviões,RIM-116 Rolling Airframe Missile, e que gradualmente equipará os restantes navios da classe.[31] De salientar ainda a proteção adicional deKevlar com 64mm de espessura, nos pontos mais sensíveis e vitais, utilizada pela primeira vez noUSS Theodore Roosevelt e nos navios que se seguiram, mas que foi também aplicada às embarcações anteriores (Nimitz em 1983–1984,Eisenhower em 1985–1987 eCarl Vinson em 1989).[32]
Ao nível das contra-medidas, quer eletrónicas quer físicas, existem a bordo de cada navio, um conjunto de morteiros múltiplos, destinados ao lançamento deflares e/shaff para despiste de mísseis antinavio, bem como dispositivos para baralhar mísseis guiados por rádio frequência. Outras contra-medidas dedicadas a ameaças submarinas é o sistemaAN/SLQ-25 Nixie, o qual lança um torpedo acoplado a um cabo que serve para dar instruções sobre o que fazer, entre outras maldades pode simular o ruído das hélices do porta-aviões e o ruído provocado pelo seu deslocamento na água, os dois itens mais atraentes para osonar passivo de um torpedo.[33][34]
Normalmente a componente aérea de um porta-aviões da classeNimitz, possui cerca de 50 aeronaves que de algum modo podem ser dedicadas ao ataque a alvos terrestres ou marítimos, tipicamente essas aeronaves podem efetuar cerca de 150 missões por cada período de 24 horas,[nota 3] para providenciar munições para esses ataques é necessário a existência a bordo de um considerável armazenamento; regra geral um cruzeiro de rotina com a duração de seis meses, existe a bordo um arsenal de quatro mil munições de todos os tipos, mísseis, bombas de uso geral e de precisão, apenas para uso da aviação.[35] Estas (munições) estão distribuídas ao longo de todo o navio, armazenadas em 44 paióis que as fornecem ao convés de voo, utilizando elevadores especialmente projetados para o transporte de materiais explosivos, que em caso de incêndio ou explosão, impedem o seu alastramento.[36]
A superestrutura, onde estão alojados os sensores (visíveis) de um porta aviões.
Diversas tentativas tem sido feitas para adicionar um radar de defesa aérea integrado com os sensores de bordo, armas e o sistema de engodo contra mísseis, com o intuito de ajudar e reforçar a proteção do navio contra ameaças múltiplas simultâneas.[37] A empresaRaytheon, desenvolveu um sistema, apelidadoShip Self-Defense System - SSDS, que de alguma forma, responde ás pretensões daUS Navy.[38] OUSS Dwight D. Eisenhower (CVN-69) foi equipado em 1998 com a primeira versão do sistema integrado, a que se seguiu o USS Nimitz em 2001,[37] com uma versão melhorada, designada Mk 2, que também foi instalada nos navios,USS Ronald Reagan eUSS John Stennis.[39] Contudo está previsto a incorporação de um sistema integrado de defesa aérea mais avançado nos porta-aviõesUSS Ronald Reagan eUSS George H. W. Bush (CVN-77), centralizado em torno de sistema deguerra eletrónica, um radar na banda D e o míssilRIM-162 ESSM e que está sendo desenvolvido para integração previsível durante o ano de 2013, no âmbito do projetoAkcita,[40] fazendo uso de tecnologia monolítica demicro ondas associada a circuitos integrados, capacitando os navios para detetarem mais de mil potenciais alvos a distâncias superiores a 400 quilômetros, adicionalmente será instalado (também nos restantes navios da classe), um sistemaUSG-2 Cooperative Engagement Capability (CEC) (capacidade de engajamento Cooperativo) o qual faz a coordenação dos sensores e armas presentes em várias plataformas como outros navios e aeronaves.[41]
Todos os navios são propulsionados peloreator naval de 4ª geraçãoA4W projetado e fabricado pelaWestinghouse Electric Corporation,[42] proporcionando um alcance ilimitado durante aproximadamente 23 anos.[43] Estereator de água pressurizada que utiliza o processo defissão nuclear, desenvolvem cada um o equivalente a 550megawatts de potência, geram o vapor necessário à propulsão do navio, alimentam as quatro catapultas para o lançamento das aeronaves e produzem toda a eletricidade de bordo.[42] O sistema é completado por quatro turbinas alimentadas pelo vapor produzido pelos reatores, as quais transmitem a potência produzida ás quatro hélices de bronze com um diâmetro de 7,6 metros e pesando cada uma 30 toneladas.[44]
Para manter e operar um navio com as dimensões e a natureza operacional da classe Nimitz, é necessária uma vasta tripulação, a qual varia entre os cinco mil e o seis mil e trezentos tripulantes, em função do navio, da missão e da quantidade de aeronaves embarcadas, grosso modo a tripulação dedicada a funções exclusivas da componente aérea, é aproximadamente de dois mil e quinhentos tripulantes.[45]
Os tripulantes cujas funções, são associadas com tarefas no convés de voo, são classificados quanto à sua tarefa pela cor da sua camisola e capacete e quanto à sua posição hierárquica pela cor das calças.[46]
Em algumas tarefas todos são "convidados a colaborar": imagens referentes a exercícios.
Camisolas amarelas: responsáveis e os únicos que podem ordenar a movimentação das aeronaves no convés de voo, (também no hangar).[47]
Camisolas verdes: responsáveis pela operação das catapultas e o seu engate no avião, apoio aos cabos de retenção aquando da recuperação das aeronaves, movimentação de cargas, (no hangar responsáveis pela manutenção das aeronaves).[46][47]
Camisolas vermelhas: responsáveis pela armamento das aeronaves, controlo de acidentes, incêndios e ainda inativação de explosivos.[46]
Camisolas azuis: motoristas dos tratores de reboque das aeronaves, no convés de voo, operadores dos elevadores, mensageiros pessoais e ou por telefone, atuam sob a direção do chefe máximo dos camisas amarelas.[47]
Camisolas castanhas: responsáveis pela preparação da aeronaves para o voo e assistência aos pilotos.[47]
Camisolas purpura: responsáveis pelo abastecimento de combustível às aeronaves, são conhecidos como os "uvas".
Camisolas brancas: pessoal médico, inspetores de aeronaves, controlo de qualidade, observadores de segurança, responsáveis de apoio ao pouso (LSO),[46]
Camisolas de xadrez: inspetor final de todas as operações.[47]
Calça azul marinho: marinheiros do escalão mais baixo e suboficiais.[46]
Calça caqui: oficiais milicianos e chefes de baixa responsabilidade.[46]
Além dos acima referidos, fazem parte da componente aérea todos os pilotos, e tripulações de voo, os especialistas de manutenção e reparação das aeronaves, nas mais diversas áreas, como motores, sensores, radares e armamento, também os controladores de tráfego aéreo, de um modo geral o seu número é variável em função dos esquadrões embarcados, mas tipicamente constituem cerca de 40% do total da tripulação.[48]
O conjunto da tripulação, dorme, trabalha, descansa e se alimenta a bordo, confinados a um espaço que apesar do gigantismo das suas dimensões é exíguo, usualmente por períodos de seis meses, mas que podem ser estendidos se em caso de necessidade urgente, ditada pela emergência de uma nova situação político militar adversa aos interesses dosEstados Unidos na área de patrulha ou nas suas imediações, ou ainda como resposta imediata a uma situação de cariz humanitário, geralmente provocada por desastres ou calamidades naturais.[45]
Apelidados de cidades flutuantes, não só pelo número de tripulantes, mas também pela existência de facilidades e serviços que são disponibilizados à tripulação. Desde lavandaria com as dimensões necessárias para satisfazer a elevada procura, passando pelo hospital de bordo com todas as especialidades médicas incluindo cirurgia eestomatologia, passando por uma farmácia com cerca de três mil e quinhentas produtos e capacitada para produzir lentes para óculos. Serviços postais, barbearias e cabeleireiros, lojas de conveniência, apelidadas de"geedunks", onde é possível comprar roupa, produtos de uso doméstico ou recordações, e ainda uma capela que em poucos minutos pode ser adaptada e configurada para diferentes crenças religiosas, uma estação de televisão que emite continuamente e que possui um serviço de notícias e produção própria, emissora de rádio, prisão e centenas de telefones que permitem via satélite o contacto, exterior. De um modo geral pode-se afirmar que tudo o que é necessário para igualar o padrão de vida de uma qualquer metrópole de dimensão média norte-americana, um porta-aviões também têm.[49][45]
Panorâmica da parte social da cabine do Comandante a bordo de USS Ronald Reagan
Os alojamentos para a tripulação são na sua maioria localizados logo abaixo do convés de voo ladeando o hangar, salvo algumas (raras) exceções são dormitórios espartanos, com aproximadamente 60 compartimentos triplos, em que cada compartimento existem três camas sobrepostas e um armário individual, para guardar roupa e pertences próprios, por cada dormitório existe ainda uma sala de convívio comum e instalações sanitárias também elas comuns. As exceções estão reservadas para os pilotos que possuem alojamentos individuais, uma tentativa para proporcionar melhores condições de descanso, dada a especificidade das suas tarefas, o comandante do navio e da componente aérea, são também contemplados com esta particularidade. Existe ainda a área destinada aoAlmirante[nota 4] e seu staff, quando a bordo, diferindo do padrão, exibindo mesmo algum luxo.[50]
Apesar dos rigorosos procedimentos de segurança, da dupla verificação (verificação e inspeção) os acidentes acontecem, como não poderia deixar de ser, a bordo de navios com altas taxas de periculosidade inerentes à sua atividade operacional.[10] Todo o tipo de acidentes são expectáveis, desde os mais estranhos, como a queda de um tripulante ao mar, devido a condições metrológicas adversas até aos mais mais comuns motivados por falhas técnicas, passando por todos aqueles originados por descuido humano, de que é exemplo o acontecido em 1991 no convés de voo doUSS Theodore Roosevelt (CVN-71), quando o sub-oficialJohn Bridget, que controlava e assistia um recruta na preparação para o lançamento de umA-6 Intruder em ambiente noturno, mas que num momento de desatenção não reparou que os motores da aeronave já estavam em funcionamento e foi sugado, escapando ileso devido aos equipamentos de proteção e à rápida sinalização de um colega "camisa castanha" que sinalizou o piloto para desligar os motores.[51]
Cerimónia póstuma de tributo aos tripulantes mortos no grave acidente noUSS Forrestal.
Talvez o pior acidente de sempre, ou um dos mais relevantes naclasse Nimitz, quanto ao número de mortos e feridos que causou, tenha sido o que ocorreu a 26 de maio de 1981, quando umEA-6B Prowler, se aprestava para pousar durante a noite, falhou o último cabo de retenção e embateu violentamente contra um trator de manobra, provocando um incêndio que foi debelado com prontidão, trinta minutos após já com a carcaça da aeronave retirada para o hangar, deu-se uma explosão com origem num dos mísseis provocando novo incêndio e destruição. No total 14 tripulantes foram mortos e 45 outros ficaram feridos.[52] Testes forenses realizados para despistar o uso de substância ilícitas ao pessoal envolvido, acusaram positivo quanto ao uso demarijuana, o que por si só não demonstra a culpabilidade no acidente, mas que teve como consequência a introdução de testes de álcool e drogas a todo o pessoal que vá entrar de serviço.[53]
Tenentehultgreen, falecida em acidente de aproximação aoUSS Abraham Lincoln.
Se na maior parte dos casos, em que os aviões caem à água na sequencia de manobras de lançamento ou de pouso, os pilotos sobrevivem recorrendo àejeção e recuperação imediata pela equipe de salvamento e resgate, também acontecem acidentes fatais como o ocorrido com atenenteKara Hultgreen primeira mulher a pilotar umF-14 Tomcat, durante a fase de aproximação aoUSS Abraham Lincoln (CVN-72) no ano de 1994 e que uma investigação posterior apontou como causa uma deficiência bem conhecido dos pilotos e descrita nos manuais de segurança, que ocorre nos motores da aeronave quando colocados em certas condições, mas que a piloto ignorou, ou não conseguiu evitar.[54][55]
Incêndios também são uma das causas que provocam danos, quer humanos quer na estrutura do navio. Em maio de 2008, na deslocação para o seu novo porto de armamento, naBase naval deYokosuka noJapão, oUSS George Washington sofreu um grave incêndio que feriu 37 marinheiros e teve um custo de 70 milhões dedólares norte-americanos em reparações. O fogo foi causado por ação de alguns tripulantes que fumavam em zona não autorizada e próxima de um armazenamento, também ele indevido, de produtos inflamáveis.[56][57][58]
USS Carl Vinson, USS Abraham Lincoln e USS John C. Stennis
Os primeiros três navios, (CVN-68, 69 E 70) são considerados uma sub-classe, devido ao uso de diversas soluções de construção e de configuração, que não foram utilizadas nos navios seguintes.[61] Assim as diferenças estruturais aplicadas noUSS Theodore Roosevelt (CVN-71) e seguintes são a melhoria da proteção blindada dos paióis de munições, também uma melhor proteção do convés de voo contra tiro balístico, utilizado pela primeira vez noUSS George Washington (CVN-73), uso de um movo tipo de aço(HSLA-100) de alta resistência aplicado pela primeira vez noUSS John C. Stennis (CVN-74), também as configurações do convés de voo e o seu comprimento, o tipo de catapultas para lançamento de aeronaves e o deslocamento dos navios, bem como na composição dos sistemas eletrónicos e de defesa contra ameaças navais e aéreas,[62] no entanto estas diferenças foram atenuadas, ou mesmo eliminadas no sentido da convergência, quando as referidas embarcações passaram pela modernização de meia vida.[63]
Também os dois últimos exemplares da classe, CVN-76 e 77, são considerados uma sub-classe, devido a incorporarem tecnologias e conceitos desenvolvidos no âmbito do "programa CVX", para utilização na novaclasse Gerald R. Ford, permitindo assim testar as soluções encontradas, bem como harmonizar a transição entre classes. As principais diferenças situam-se ao nível da ponte de comando, também apelidada de ilha, agora mais comprida e estreita e mais recuada para a popa do navio, a eliminação do mastro principal que alojava alguns dos sensores, os quais estão agora confinados no topo da ponte de comando, esta modificação diminuiu a altura máxima dos navios e permite também uma menorassinatura radar.[64] Os três elevadores deestibordo foram reposicionados e passaram a ser apenas dois, foi ainda adotada uma novaproa mais hidrodinâmica que facilita o deslize na água e o convés de voo está agora inclinado 0,1 graus, para favorecer o lançamento de aeronaves nas duas catapultas de vante, simultaneamente com as ações de recuperação de aeronaves.[63]
A década de 1990 ficou indelevelmente marcada, pela chamadaGuerra do Golfo e operações subsequentes na mesma área até àinvasão do Iraque em 2003,[69] todos os navios daclasse Nimitz, em condição operacional ativa, foram de algum modo envolvidos nas operações. Porém os porta-aviões que participaram na "Operação Escudo do Deserto" eOperação Tempestade no Deserto, foram remetidos para tarefas secundárias, excetuando oUSS Theodore Roosevelt o qual empenhou as suas aeronaves em operações de combate.[70]
OUSS Abraham Lincoln (CVN-72), empenhado em tarefas de apoio à Guerra do Golfo, foi temporariamente desviado, para participar na missão humanitária de apoio e evacuação da população civil, na sequência daerupção do monte Pinatubo em Luzon nasFilipinas. Já em 1993 durante o mês de outubro, mesmo navio participou ao largo daMogadiscio na somália, durante 4 semanas apoiando a missão humanitária da ONU e participando em missões de combate de apoio ás forças norte-americanas envolvidas naOperação restaurar a esperança. Em 1995 voltou aoGolfo Pérsico no âmbito da OperaçãoVigilant Sentinel.[71]
O USS Carl Vison sendo reabastecido, durante a OperaçãoEnduring Freedom no Afeganistão.
OUSS Harry S. Truman (CVN-75) inicia o seu cruzeiro inaugural em 28 novembro de 2000, com destino aomar mediterrâneo e posteriormente oGolfo Pérsico.[74] A 16 de fevereiro de 2001 é chamado a colaborar naOperação Southern Watch, na qual a sua ala aérea (CVW-3), efetua 869 missões de interdição do espaço aéreo e de ataque a pontos de defesa antiaérea iraquiana, em resposta ao lançamento de misseis contra forças terrestres da coligação dasNações Unidas.[75]
Após osataques de 11 de setembro de 2001, oUSS Carl Vison e oUSS Theodore Roosevelt foram dos primeiros navios a participar naOperação Enduring Freedom noAfeganistão; oVison que navegava em direção ao Golfo Pérsico, para apoiar a operaçãoSouthern Watch, foi desviado para o norte doMar Arábico, onde lançou os primeiros ataques aéreos no dia sete de outubro de 2001.[76] Também e na sequência dos ataques de 11 de setembro, os porta-aviõesUSS John C. Stennis (CVN-74) eUSS George Washington (CVN-73), foram mobilizados para assegurar tarefas de segurança aérea e marítima em toda a costa Oeste dosEstados Unidos; de um modo geral é seguro afirmar-se que todos os navios da classe foram envolvidos uma ou mais vezes em operações no Afeganistão e no Iraque.[77]
Manuseando ajuda humanitária a bordo do USS Ronald Reagan, Indonésia - tsunami de 2004.
De salientar ainda pelo seu relevo, a participação em operações humanitárias, em resultado de catástrofes de origem natural. Em 2005 oUSS Abraham Lincoln (CVN-72), participou naOperation Unified Assistance naIndonésia a qual foi formada pela vontade internacional em prestar assistências às vitimas dotsunami no Oceano Índico ocorrido no final do ano de 2004.[78] OUSS Harry S. Truman providenciou assistência aos desalojados dofuracão Katrina em 2005,[79] oUSS Ronald Reagan (CVN-76) e o seu grupo naval de apoio, prestaram ajuda humanitária às populações vítimas dotufão Fengshen que atingiu asFilipinas em 2008 causando centenas de mortes.[80] Mais recentemente, em janeiro de 2010, o USS Carl Vison colaborou na assistência prestada aos desalojados e sobreviventes doterramoto ocorrido noHaiti.[81]
Reabastecimento nuclear e modernização de meia vida
USS Carl Vison durante o seu reabastecimento e modernização.
Todas os navios da classe Nimitz estão programadas para serem reabastecidos de combustível nuclear e sofrerem uma modernização/atualização da sua estrutura e equipamentos, por volta dos 23 anos de vida operacional.[nota 5]O navio líder da classe,USS Nimitz (CVN-68), passou por sua modernização e reabastecimento entre os anos de 1998 e 2001.[82]
Esta fase denominada pelo acrónimoRCOH na terminologia inglesa (ver notas de rodapé), realizada em doca seca pelo período de três a quatro anos,[83] é a mais desafiadora e complexa tarefa da engenharia industrial, realizada em qualquer lugar, por qualquer organização. não só porque osreatores nucleares devem ser reabastecidos a bordo, simultaneamente a uma variedade alargada de reparações, modificações estruturais e modernizações como, o sistemas de combate e armamento, o sistema de comunicações comando e controle, sistema de tratamento e distribuição de água potável, energia elétrica, ar condicionado, distribuição e abastecimento de aeronaves e tudo o mais que possa colocar em risco a operacionalidade do navio devido a obsolescência, segue-se a pintura interior e exterior do casco e todos os seus componentes, finalizando com os testes de mar após os quais a marinha aceita (ou não) a embarcação.[83][82]
A literatura mostra que a diplomacia naval tem sido usada desde os primórdios, quando o homem começou a fazer navegar embarcações para além da costa, a sua história encontra-se profusamente publicada desde então. No entanto, até meados do século XX, os escritos sobre estratégia naval tendiama concentrar-se na capacidade militar em mar aberto, mesmo que os benefícios políticos da ameaça de força, o uso de força limitada, e a "mostra da bandeira" fossem bem conhecidos e implicitamente compreendidos.[84]
USS Harry S. Truman ancorado em Stokes Bay (sul de Inglaterra) durante uma visita de cortesia.Comandante e comandante do grupo aéreo do USS Ronald Reagan, interagindo com a popolução Sul-Coreana durante uma visista de cortesia.
Na atualidade por causa de seu estatuto de serem os maiores navios de guerra em atividade alguma vez construídos em todo o mundo, a presença de um porta-aviões pode cumprir um papel simbólico, não apenas em termos de impedimento das ações de um potencial inimigo, mas muitas vezes como ferramenta diplomática, no reforço das relações com aliados e potenciais aliados. A última dessas funções ocorre tanto em uma visita individual, na qual altos oficiais daMarinha de Guerra do país visitado interagem e observam o "modus operandi"s do navio, ou como parte de uma força-tarefa internacional.[85]
Esta funcionalidade simbólica, está também presente na participação em operações internacionais de combate, como aOperação Forças Aliadas (Operation Allied Force) durante o conflito separatista na província sérvia doKosovo em 1999, também na participação em exercícios navais conjuntos, ou ainda em operações de segurança marítima internacional, como o combate à pirataria noGolfo Pérsico e na costa daSomália.[86] Porém a presença de armas nucleares a bordo dos porta-aviões, depois do final daguerra fria, o que nunca foi confirmado ou negado pelas autoridades norte-americanas. Pode e provoca ocasionalmente protestos da população local do porto visitado, devido a preocupações de segurança nuclear. Um dos casos mais recentes e amplamente divulgado pela imprensa, aconteceu durante a visita doUSS Nimitz aChennai, localizada naÍndia, em 2007. Apesar da afirmações perentórias, do comandante do grupo naval, oAlmiranteJohn Terence Blake de que: [...]"a política oficial dos Estados Unidos, é de nunca transportar armas nucleares em missões de rotina".[87]
Seja na antiguidade, seja durante o domínio doimpério Britânico em que o termo aplicado foi "Pax Britannica", seja nos nossos dias, em que impera a diplomacia das "90 mil toneladas", a mensagem continua sendo a mesma.[84]
Custos de manutenção e operação de um porta-aviões movido a energia nuclear ao longo de um ciclo de vida de 50 anos. Adicionalmente é feita a comparação com um outro navio idêntico, mas movido por energia convencional e durante o mesmo ciclo de vida de cinquenta anos. Os custos estão expressos em milhares de milhões de dólares e referem-se a valores médios do ano de 1997.[89]
Tipo de custo
Energia convenc.
Energia nuclear
Aquisição do navio
2 050
4 059
Modernização de meia vida
866
2 382
Custos diretos de exploração e apoio
10 436
11 677
Custos indiretos de exploração e apoio
688
3 205
Custo de inoperacionalidade e desativação
53
887
Custo armazenamento combustível nuclear
n/a
13
Totais
14 094
22 222
A construção de um navio da classe Nimitz custa ao erário público dos Estados Unidos, quatro mil milhões de dólares (valor médio em 1997), mais dois mil milhões para uma atualização de meia vida. Trabalhos de manutenção e os custos operacionais, consomem mais 14 mil milhões. No final da sua vida útil para a desmontagem, reprocessamento do combustível nuclear e descontaminação da radiação, são necessários mais 900 milhões. Assim o custo total por navio ao longo de um ciclo de vida de cinquenta anos está estimado em aproximadamente 22 mil milhões (bilhões). Comparativamente para um navio idêntico mas movido porcombustível fóssil os custos necessários rondariam os 14 mil milhões (bilhões) de dólares ainda e sempre a preços médios estimados de 1997.[89]
O CSG do USS George Washington. Obviamente esta não é uma formação usada em combate.
O grupo naval de apoio ouflotilha de escolta, é acionado e junta-se a um porta-aviões sempre que este inicia um cruzeiro de patrulha, usualmente por períodos que raramente excedem os seis ou sete meses de duração, formando conjuntamente com a ala aérea o denominado, usando a terminologia anglófona,Carrier strike group - CSG.[90] Trata-se de uma força flexível, capacitado para operar em qualquer ambiente e sob todas condições. Tem como função primária assegurar e ou complementar a defesa antiaérea, antimíssil e anti submarina de um porta-aviões, bem como auxiliar com o lançamento demisseis de cruzeiro a capacidade de ataque das suas aeronaves.[91]
O grupo naval de apoio, possui uma composição variável, tanto no número de unidades como na sua qualidade, está dependente do tipo de missão atribuída ao porta-aviões, as possíveis ameaças e as operações expectáveis.[92] A sua composição típica em tempo de paz, não difere muito do seguinte:
Os porta-aviões na generalidade, mesmo os maiores e propulsão nuclear, não são invulneráveis. Mas a multiplicidade de desafios e obstáculos a vencer, por parte de um potencial agressor são de extrema dificuldade e impossíveis de executar pela quase totalidade das nações tal como as conhecemos.[96]
O USS George Washington, navegando am alta velocidade.
Em teoria, em tempo de guerra generalizada umporta aviões norte americano, atuará sempre para além das 200 milhas da costa, evitará zonas de tráfego marítimo comercial e estará permanentemente em movimento, navegando aproximadamente mais de mil quilómetros por dia,[97] dificultando assim ser encontrado por pequenas embarcações de alta velocidade e maneabilidade com intuitos terroristas/suicidas, o seu rastreio após ter sido identificado. Mas na eventualidade de um hipotético inimigo conseguir vencer a complexidade e os custos astronómicos em meios envolvidos, para detetar, identificar e rastrear positivamente e permanentemente de modo a que um conjunto de forças aéreas, de superfície e submarinas possam vir a atacar, é ainda necessário contar com as defesas constituídas pelo seu grupo naval de apoio, guarnecido por um ou dois (em tempo de paz)submarinos nucleares de ataque,contratorpedeiros ecruzadores,equipados com o sistemaAEGIS, a defesa constituída pela aviação embarcada, a defesa do próprio navio constituída por armas antiaéreas de curto alcance e antimísseis e ainda uma vasta panóplia decontra medidas eletrónicas (ECM) e contra medidas eletrónicas (ECCM) quer passivas quer ativas.[98][99][100]
O USS Enterprise, durante o acidente descrito no texto.
O gigantismo do navio e a sua natural robustez derivada da função a que se destina, é também uma barreira a ultrapassar. Serve de exemplo um dos acidentes mais notórios e graves acontecido a bordo doUSS Enterprise (CVN-65), em janeiro de 1969 quando um contentor de foguetes de 127,0 mmMK-32 Zuni acoplado a uma das asas de umF-4 Phantom explodiu derivado a sobreaquecimento provocado pelos gases de escape dos exaustores da aeronave à sua frente.[101] O incidente que rapidamente se alastrou provocou outras explosões em depósitos decombustível para avião (JP5) e em dezoito bombasMark 82 de 227 kg, de que resultaram várias crateras que penetraram profundamente no interior do navio, 314 feridos e 27 mortos entre a tripulação, a destruição total de 15 aeronaves e outras perdas de equipamento provocadas pelo incêndio incontrolável que alastrou para os decks inferiores e demorou aproximadamente três horas a extinguir, no final o navio seguiu pelos seus próprios meios paraPearl Harbor onde foi submetido às necessárias reparações.[102][103][nota 6]
No entanto o debate sobre a (in)vulnerabilidade de um super porta-aviões está bem vivo, com respostas e apreciações para todos os gostos e é transversal aos diversos estratos sociais da sociedade norte americana.[99] Porém como qualquer outro navio de superfície, os super porta aviões estão sujeitos a serem atacados e afundados, é tudo uma questão de determinação, empenho e oportunidade e disponibilidade de meios. Como um reputado comandante de submarinos daMarinha dos Estados Unidos, disse em tom sarcástico:“There are two kinds of ships in the US Navy: subs and targets.” (Existem dois tipos de embarcações na Marinha dos Estados Unidos: os submarinos e os alvos).[105]
Desde a década de 1960, quando foram construídos os últimos porta aviões que viriam a substituir as unidades daclasse Forrestal, que não existem modificações significativas no seu desenho base, excetuando pequenas alterações sem grande significado, geralmente resultantes de necessidades operacionais. Em face destas considerações aMarinha norte-americana decidiu em 1993, encomendar um estudo tendo em vista o incremento e aplicação de novas tecnologias, também o aumento da capacidade operacional, dos navios. Paralelamente foram criados pequenos grupos de trabalho, que se debruçaram sobre a pesquisa de novos requisitos operacionais, novas tecnologias e iniciativasR&D necessárias a completar esta finalidade. Em 1996 foi emitida a primeira versão do conceito definindo a nova plataforma, resultante dos procedimentos anteriormente descritos, a qual ficou publicamente conhecida como programa "CVX".[106] Da implementação prática deste programa resultou aclasse Gerald R. Ford, cujos navios substituirão progressivamente os atuais da classe Nimitz e oUSS Enterprise (CVN-65).[107] No entanto e apesar de tecnicamente integrarem a classe Nimitz, os seus últimos dois navios,USS Ronald Reagan (CVN-76) eUSS George H. W. Bush (CVN-77), foram completados com tecnologia a utilizar na nova classe de navios, fazendo assim uma adequada e experimentada transição.[108]
Maior capacidade de armazenagem de combustível de aviação
Interoperabilidade dos componentes do navio
Assim e grosso modo, as diferenças e inovações podem ser agrupadas em seis áreas:[109]
super estrutura integrada - reposicionada em direção à popa e mais estreita, aloja agora todos os sensores e foi equipada com um novo sistema avançado de apoio à aproximação e pouso das aeronaves;
incremento na distribuição e manuseamento de munições - Adoção de um novo tipo, chamado avançado, de elevadores que fazem chegar as munições ao convés de voo; reabastecimento pesado de munições com a aeronave em deslocamento;
geração de energia elétrica - Novos geradores mais eficientes e novo sistema de distribuição de energia por zonas;
convés de voo melhorado - aumento da largura do convés proporcionando mais espaço para parqueamento e atividades de reabastecimento das aeronaves; sistema avançado de retenção por cabos (agora somente três) das aeronaves quando pousam, novos elevadores para aeronaves, agora em número de três e reposicionados, mas mais potentes e estabilizados; novas catapultaseletromagnéticas para lançamento das aeronaves, sem as restrições anteriores causadas pela falta de pressão imediata do vapor utilizado como propulsão;
incremento da sobrevivência em combate - informação classificada, não disponível para uso público;
Meios de auto defesa melhorados - informação classificada, não disponível para uso público, mas que estará centralizada em um sistema avançado e integrado de defesa aérea e no uso do míssilRIM-162 ESSM.
↑Chester W. Nimitz foi o últimoAlmirante de frota dos Estados Unidos. a mais alta patente daUS Navy, só atribuída em tempo de guerra. É equivalente à deMarechal de campo no exército
↑Com adoção da construção modelar o tempo inicial de 33 meses de construção em oca seca pode ser diminuído, por exemplo noUSS Theodore Roosevelt (CVN-71), foram necessários apenas 16 meses.
↑Em situações de absoluta necessidade, podem chegar a realizar 200 missões diárias, mas não por muito tempo, dada a fadiga das tripulações e das aeronaves.
↑A permanência de um Almirante a bordo, apenas se verifica, quando o porta-aviões assume a condição de navio-almirante e comanda uma força tarefa constituída por elevado número de navios, ao nível de frota. Os Estados Unidos possuem dois navios de comando específicos para a função, um para a frota do Atlântico, o outro para a frota do Pacífico, na ausência de um deles, essa função é geralmente assumida por um porta-aviões, mas outros navios estão capacitados para tal função.
↑Este procedimento é designado na terminologia Anglófona por RCOH,Refueling and Complex Overhaul que em tradução livre quer dizer reabastecimento e modernização complexa.
↑Ainda antes do final do ano, oUSS Enterprise estava de volta, as habituais patrulhas de combate, junto da costa Vietnamita (Yankee Station ou Dixie Station), pelo preço de 126 milhões de dólares (preços da época)[104] aproximadamente um terço do valor contratual doUSS Nimitz (CVN-68), que entraria ao serviço seis anos mais tarde.
↑Entende-se por "arquitetura aberta", como passível dos vários elementos serem substituídos por outros com carácter universal e não específicos de determinado fabricante. Refere-se tanto a software e hardware como a elementos físicos.
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