Citroën é uma fabricante deautomóveisfrancesa fundada em1919 porAndré Citroën e parte daStellantis desde 2021. Sua matriz é situada emParis,Rue Fructidor. Originalmente um fabricante com projetos relativamente simples, o carro da Citroën chocou o mundo em 1935 com a inovadoraTraction Avant (tração dianteira) (1935-1954). Até o final dosanos 80 a companhia teve reputação de projetar carros de uma maneira original. Modelos significativos posteriores incluem a camionete de H (1947-1981, "HY"), 2CV (1948-1990, "The Duck"), DS (1955-1975, "Goddess") e CX (1974-1991).
Citroën ganhou muitos prêmios internacionais, como 3 vezesCarro do Ano na Europa, 10 vezes Carro do Ano em Espanha, 8 vezes Carro do Ano na Itália[1] e 3 vezes Carro do Ano na Irlanda.
Citroën é a única fabricante de automóveis a ter ganho três campeonatos oficiais da Federação Internacional de Automobilismo: no Campeonato Mundial de Rally raid,Campeonato Mundial de Rali,Campeonato Mundial de Carros de Turismo. Citroën é a montadora que conquistou os mais numerosos títulos de campeão mundial: 15 títulos de Campeão do Mundo em 15 participações. Citroën ganhou cinco vezes o Campeonato Mundial de Rally raid, oito vezes oCampeonato Mundial de Rali "WRC", uma vez oCampeonato Mundial de Carros de Turismo "WTCC".
Desde 2013, a top modelCarolina Ardohain é a representante das marcasCitroën e Citroën DS.[2][3]
A história de Citroën começa com o fundador da companhia, o engenheiroAndré Citroën. Construiu armamentos para aFrança durante aPrimeira Guerra Mundial, mas depois da guerra ele tinha uma fábrica e nenhum produto. Em1919 começou a produzir automóveis, começando com o modelo convencional Type A.
O símbolo da companhia, ainda usado até hoje, é o "double chevron", referenciando o trabalho anterior da Citroën aengrenagem ou hélice helicoidal, bem como o mais próprio equipamento oDínamoMilitar, e a velocidade utilizado em diversos equipamentos de uso militar. Os dois ‘V’s invertidos, conhecidos naFrança como “Deux Chevron”, simbolizam a engrenagem bihelicoidal.
Há uma lenda que diz que o emblema é uma homenagem ao filho de André Citroën. O rapaz lutou com a patente de cabo na Primeira Guerra Mundial e morreu no conflito. Repare no capô de qualquer Citroën verá que o símbolo é a divisa do posto militar de cabo (duas letras V, invertidas), carinhosa lembrança familiar que se perpetuou até nossos dias, porém tal fato seria apenas uma lenda nunca confirmada.
André Citroën era um comerciante esperto - ele usou aTorre Eiffel como o maior cartaz de propaganda do mundo, segundo oLivro dos Recordes. Patrocinou também expedições àÁsia eÁfrica, com a intenção de demonstrar o potencial de seus carros equipados com sistemas de traçãoKegresse para regiões hostis. As expedições eram um sucesso de publicidade.
Em1924, Citroën começou uma parceria com o engenheiro americanoEdward G. Budd. Em1899 Budd trabalhou no desenvolvimento depressed-steel para carros de estrada de ferro, CompanhiaPullman em particular. Budd produziu aço para muitos fabricantes de automóveis, aDodge foi seu primeiro grande cliente. Em1928, Citroën introduziu o primeiro veículo totalmente em metal naEuropa.
No início os carros tornaram-se um sucesso. Mas logo os competidores, que ainda usavammadeira na estrutura de seus veículos, passaram a adaptar o novo design. Citroën não teve oportunidade para redesenhar a estrutura de seus veículos e estes passaram a ser vistos como retrógrados. A Citroën vendeu em grandes quantidades apesar do visual retrô, pois o baixo custo e a leveza do carro eram seus pontos mais fortes.
Isto encorajouAndré Citroën a desenvolver oTraction Avant, um carro tão inovador que não haveria concorrentes à altura em competições. OTraction Avant tinha três características revolucionárias: a estruturamonobloco,suspensão independente nos pneus dianteiros e a tração frontal. Citroën pagou uma comissão a Budd pela criação do protótipo, o qual desenvolveu noOnze Légère e o 7 CV(5kW)Traction Avant em1934.
OTraction Avant viria a estabelecer o padrão a seguir, sendo utilizado trinta anos depois peloMini,Volkswagen Golf e hoje por quase todos os fabricantes.
O rápido desenvolvimento do Traction Avant foi dispendioso e contribuiu para a ruína financeira da companhia. Em 1934, as dívidas forçaram a companhia a declarar falência; o que aconteceu quando foi adquirida pelo seu maior credor, a companhia de pneusMichelin. Felizmente para a Michelin, oTraction Avant foi bem aceito pelo mercado e a filosofia básica com que se havia chegado a este design continuou.
Durante aocupação alemã da França, os investidores da Citroën continuaram com o seu trabalho e desenvolveram os conceitos que mais tarde chegaram ao mercado pelos modelos 2CV e DS. Estes foram largamente criticados pelosjornalistas contemporâneos como radicais e até mesmo como soluçõesavant garde para o design automóvel.
Isto iniciou um estranho período de lealdade à marca, normalmente visto apenas num nicho do mercado automotivo, em marcas como aPorsche e aFerrari - oculto- uma espécie de desejo pelos carros por parte dosCitroënistas que duraria quase duas décadas até finalmente terminar - de 1975 até cerca de 1995.
A Citroën lançou o2CV (dois cavalos) noParis Auto Show em1948. Este carro tornou-se um bestseller - conseguindo alcançar o objectivo do designer de providenciar aosfranceses do mundo rural um substituto motorizado docavalo. Este carro manteve-se em produção praticamente sem alterações até 1990.
O ano de1955 assistiu à introdução do famoso CitroënDS (boca-de-sapo em Portugal), que foi o primeiro modelo a introduzir o agora famoso sistema de Suspensão hidropneumática que foi testado na suspensão traseira dos últimos modelos Traction. O DS foi o primeiro carro produzido em série com Travões de disco.
O DS apresentava direção assistida, sistema de travagem melhorado e suspensão hidropneumática. A partir de 1968 incluía também faróis direcionais, accionados por meio de um dispositivo hidráulico (os atuais modelos como o Citroën C4 e C5 vêm equipados com este sistema, atualmente digital, mas ainda um grande trunfo tecnológico da marca). Foi utilizado um sistema de alta pressão para ativar uns pistões localizados na caixa de velocidades utilizados para alternar entre as mudanças e funcionar a embraiagem na chamada "Citromatic", a versão da Citroën para uma caixa de velocidades semi-automática.
Este sistema hidráulico de alta pressão iria formar o básico de muitos Citroëns, incluindo oSM,GS,CX,BX,XM,Xantia eC5. A Maserati beneficiou desse sistema em vários modelos: embraiagem hidráulica (Bora), travões (Bora, Merak), e o protótipo Quattroporte II, que não era mais do que um Citroën SM de quatro lugares por debaixo da pele.
A partir do ano de 2009, para celebrar os 90 anos da marca, a Citroën ressurge com a nova linha DS, com os modelos DS3 DS4 e DS5, a mesma ainda pretende fazer um SUV e um sedã da nova linha DS.
Em 1963, a Citroën negociou com aPeugeot para cooperarem na compra de material e equipamento não processado. As negociações terminaram em1965.
Nesse mesmo ano a Citroën tomou posse da marca francesaPanhard na esperança de utilizar a experiência da Panhard nos modelos de tamanho médio, de modo a completar a sua gama de carros pequenos e baratos (e.g.2CV/Ami) e os grandes e caros (e.g.DS/ID). A cooperação entre as duas companhias havia começado 12 anos antes, com uma fusão dos seus grupos de vendas em 1953. A Panhard cessou a produção em1967.
Em1968 assistiu-se a uma reestruturação da Citroën com a entrada de um novo investidor, a Citroën SA. A companhia de pneus Michelin, detentora da maior parte das acções, vendeu 49% àFiat, naquele que foi chamado de Acordo de Pardevi (Participation et Développement Industriels). Nesse mesmo ano a Citroën comprou aMaserati, a marca italiana de carros desportivos e lançou o desportivo/GTSM, que possuía um motor Maserati V6. O SM foi projectado para substituir o DS, um nível de investimento que não seria suportado noutras circunstâncias. A situação não era no entanto favorável, já que o SM foi banido do mercado americano em 1974, devido à crise energética de 1973.
Grandes perdas surgiram para a Citroën pelo fracasso domotor rotativo Comotor, mais o erro estratégico durante quinze anos (1955-1970) em que não teve um modelo rentável no setor médio do mercado Europeu, e os custos para a produção massiva dosGS,CX,SM, Birotor, Maserati Bora, Maserati Merak, e Maserati Khamsin - cada um uma maravilha tecnológica.
A Citroën estava fraca e incapaz de lutar contra a queda do mercado automobilístico que acompanhou o embargo do petróleo em 1973; em 1973 a FIAT retirou-se do Acordo de PARDEVI e devolveu a fatia de 49% das ações à Michelin. Este era um sinal ameaçador do que ainda estaria para vir, e em menos de um ano a Citroën estava na falência. O Governo Francês receou despedimentos em massa e arranjou negociações entre a Michelin e a Peugeot, onde ficou decidido que haveria uma fusão entre a Automobiles Citroën e a Automobiles Peugeot numa única companhia. Em1974 a Peugeot comprou 38,2% da Citroën e tornou-se responsável pela gestão das atividades conjuntas, em particular da pesquisa, compras e departamentos de investigação.
A Peugeot viria a vender aMaserati a DeTomaso em Maio de 1975, e a marca italiana rapidamente conseguiu tirar vantagem da imagem de marca da Maserati para vender milhares de modelos do novoBi-Turbo.
A concentração ficou completa em maio de1976 quando a Peugeot SA comprou 90% da Citroën SA, e as duas companhias juntaram-se numa única, conhecida comoPSA Peugeot Citroën.
Tendo em conta que a Citroën tinha dois novos modelos de sucesso no mercado na altura: oGS e oCX) e aPeugeot era prudente com as suas finanças, o grupo PSA foi um sucesso financeiro desde 1976 a 1979. A PSA comprou então ações daChrysler Europa, resultando em perdas para o grupo de 1980 a 1985.
O grupo PSA eliminou gradualmente a atitude ambiciosa da Citroën, dando maior ênfase à engenharia e estilo, num esforço para um reposicionamento da marca. Nos anos 80, os modelos Citroën eram cada vez mais baseados em Peugeot. OBX de 1982 usava o sistema de suspensão hidropneumático e ainda tinha uma aparência "Citroënesca", apesar de utilizar um motor derivado dos Peugeot e de usar uma planta mais tarde vista noPeugeot 405. No fim dos anos 80, muitos dos pontos distintos da marca sofreram um atraso - oAX GT, por exemplo, foi comentado por jornalistas contemporâneos como sendo um carro de muito má condução - algo não normal para a marca.
A Citroën expandiu-se para muitos novos mercados geográficos. No fim dos anos 70, a marca desenvolveu um pequeno carro para a produção naRomênia conhecido como o Oltcit, que foi comercializado na Europa Ocidental com o nome deCitroën Axel. Umajoint-venture entre a Citroën, a Peugeot, e aToyota está agora a produzir carros como oCitroën C1 na República Checa. EmChina oC3 e oXsara são vendidos lado a lado com oZXFukang e oElysée (modelos locais). A Citroën continua a ser uma marca mundial, exceto na América do Norte, onde os carros saíram em 1974.
Neste momento podemos verificar que a Citroën atingiu uma posição estável em termos financeiros, garantindo espaço para o seu design dentro da PSA, recuperando de uma situação de alguma falta de identidade, que começou em 1991-1992 durando até cerca de 1999, onde surgiram alguns modelos como o ZX, Xsara, C5, que apesar de serem carros bonitos, não possuíam alguma da loucura que caracterizava os carros da Citroën. A Citroen tenta colocar-se novamente como uma referência em termos de design e qualidade, tendo como exemplo a nova linha DS, com os novos DS3, DS4 e DS5.
Após lançar alguns modelos estranhos (embora eficientes) durante os anos 90, a PSA levou a Citroën a redescobrir sua tradição em inovação, com novos modelos como oCitroën C2,Citroën C3,Citroën C4, e oCitroën C6.
Em 2002, lançou o Citroën C3 e um ano mais tarde o C2, os dois substituindo o Saxo. O C3 é um pequeno familiar de 5 portas, enquanto que o C2, de menores dimensões e apenas 2 portas, é mais esportivo. Em 2003, de acordo com o relatório anual oficial do grupo PSA, a Citroën vendeu 1 372 500 automóveis.
Em 2004 lançou o Citroën C4, projeto mais arrojado, característica da Citroën que se perdera nos anos 90 com o lançamento de modelos mais conservadores como o Saxo e o Zx.
A opção de um design mais arrojado por parte da Citroën é uma aposta em duas vertentes:
Atualmente, os seus modelos demarcam-se de toda a concorrência.
O projeto arrojado de hoje permitirá aos modelos Citroën parecerem bastante atuais dentro de 20 anos.
Em 2008 lançou o novo C5.
A Citroën em 2021 foi incluída, por meio da PSA, na joint-venture Stellantis.