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Cime

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Cime (Κύμη)

século VIII a.C. – 241 a.C.
Localização de Cime
Localização de Cime
Mapa daÁsia Menor mostrando a localização de Cime.
ContinenteEurásia
RegiãoMediterrâneo
CapitalCime
Língua oficialGregoeólico ejônico
ReligiãoPoliteísmo grego
GovernoTirania
Período históricoAntiguidade Clássica
 • século VIII a.C.Fundação
 • c.700-600BCFundação da colônia
 • 542 a.C.Conquista persa
 • 499 a.C. - 493 a.C.Revolta Jônica
 • 336 a.C. - 323 a.C.Império Macedônico
 • 241 a.C. – 133 a.C.Dinastia Atálida
 • 133 a.C.República Romana
 • 241 a.C.Dissolução

Cime ouCumas (emgrego: Κύμη,Kymi) era uma cidade daGrécia Antiga, naEólia (Ásia Menor), situada nas proximidades doReino da Lídia. Oseólios viam Cime como a maior e mais importante das doze cidades que se localizavam no litoral da Ásia Menor (atualTurquia); como consequência de seu acesso direto ao mar, ao contrário da maior parte dos povoados litorâneos domundo antigo, ocomércio floresceu na cidade. Em sua célebre obra,Histórias,Heródoto se refere a Cime (ouPhriconis) como uma das cidades em que o governador rebelde lídio Páctias (Pactyes) se refugiou, após sua tentativa de revolta contra o reipersaCiro, o Grande.[1]

"Páctias, informado de que o exército que marchava contra ele se aproximava de Sardes, sentiu-se tomado de pânico e fugiu para Cimo. Entretanto,Mazarés chegou a Sardes com uma pequena parte das tropas de Ciro, e não tendo encontrado Páctias, deu cumprimento às outras ordens de Ciro. Os Lídios submeteram-se e mudaram sua antiga maneira de viver. Em seguida, Mazarés mandou intimar os habitantes de Cimo a entregar-lhe Páctias. Reunindo-se em conselho, os Címios deliberaram consultar o oráculo dosBranquides sobre o partido a tomar. (…) O oráculo respondeu ser necessário entregá-lo aos Persas. Diante disso, os Címios resolveram satisfazer a exigência de Mazarés, entregando-lhe Páctias."[2]

Localização

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Tanto o autor daVida de Homero, conhecido comoPseudo-Apolodoro, quanto o antigo geógrafoEstrabão, descreveram Cima como sendo localizada a norte do rio Hermo, no litoral da Ásia Menor, na atual"Nemrut Limanı" (em turco).

"Após cruzar oHilo, a distância deLárissa a Cime era de 70estádios, e, de Cime aMirina, 40." (Estrabão: 622)

As descobertas arqueológicas, como moedas, fazem referência também a um rio, que acredita-se ser oHilo.[3]

História antiga

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Pouco se conhece sobre a fundação da cidade para se adicionar à narrativa lendária tradicional. Colonos da Grécia, provavelmente da ilha deEubeia, teriam atravessado omar Egeu durante aIdade do Bronze tardia, à medida que ondas de invasoresdórios colocavam um fim à civilizaçãomicênica, até então hegemônica, por volta do ano 1050 a.C. Durante este período e a chamadaIdade das Trevas que se seguiu, o dialeto de Cime e da região da Eólida, bem como o da ilha vizinha deLesbos, manteve esta semelhança com o dialeto local falando naTessália eBoécia.


A colônia foi fundada durante a Idade das Trevas grega, por colonos daLócride, naGrécia central, que conquistaram acidadelapelasga de Larissa, próxima ao rio Hermo.[4] O pai deHesíodo teria sido um dos responsáveis pela travessia original do Egeu.[carece de fontes?]

Cime se transformou numametrópole regional para as cerca de 30 outra cidades e povoados que formavam a Eólida. Os cimeus foram ridicularizados, posteriormente, por terem vivido por trezentos anos no litoral e nunca cobrado taxas portuárias aos navios que ali paravam. As cidades do sul da Eólida, na região em torno de Cime, ocupavam um cinturão de terra cercado por cadeias de montanhas, e Cime, como as outras colônias do litoral, não mantinha comércio com osanatólios nativos que habitavam o interior da Ásia Menor. Cime, assim, não teve um papel significativo na história da Ásia Menor, o que fez o historiadorÉforo, ele próprio natural da cidade, a afirmar repetidamente em sua narrativa da história grega que enquanto os eventos sobre o qual ele escrevia estavam acontecendo, seus companheiros cimeus tinham ficado sentados, por séculos a fio, em paz.

Politicamente, Cime teria começado como umademocracia entre os colonos, seguindo a tradição de outras colônias bem-sucedidas na região, emboraAristóteles tenha concluído que por volta dos sécuos VI e VII a.C. as grandes democracias do mundo grego (incluindo Cime) tinham sido transformadas de democracias paraoligarquias, seguindo a tendência natural que, segundo ele, transformaria democracias emtiranias.[5]

Cime era um povoado importante muito antes dos eventos importantes dasGuerras Greco-Persas. Existem evidências que indicam que Cime teria sido fundada não como uma democracia mas sim como umamonarquia, governada pelo rei Agamenon de Cime, que supostamente teria casado sua filha com o reiMidas I da Lídia.[6]

Século V a.C.

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Por volta do século V a.C., Cime era uma das doze colôniasjônias fundadas na Eólida.[4] Heródoto (4.138) menciona que um dos célebres votantes que decidiram apoiar ou não o ateniense Miltíades em seu plano de libertar a costa jônica do domínio persa teria sido Aristágoras de Cime. Aristágoras fez campanha ao lado do milésio Histieu, com os tiranos Estrátis de Quios, Eaces de Samos e Laodâmas da Fócia, opondo-se à iniciativa, afirmando que cada tirano ao longo daquele trecho do litoral devia seu cargo aoDario I, e que libertar suas próprias cidades encorajaria a democracia a tomar o lugar da tirania. Cime eventualmente passou para o controle doImpério Aquemênida, após o colapso doReino da Lídia, atacado por Ciro, o Grande.Heródoto é a principal fonte para este período da história grega, e dedicou muita atenção aos eventos ocorridos na Jônia e Eólia.

Quando Páctias, o general lídio, refugiou-se dos persas em Cime, os cidadãos se viram numa posição difícil. Como registra Heródoto, consultou-se o deusApolo (o que evidencia que os cimeus teriam origem jônica, e não oriental/anatólia), que afirmou através de umoráculo, após alguma confusão, que ele deveria ser entregue aos persas. No entanto, um cidadão de Cime questionou a palavra de Apolo, e retornou ao oráculo para confirmar se de fato o deus queria que os cimeus entregassem Páctias. Sem desejar carregar o peso da traição a Páctias, e sem desejar sofrer as consequências trágicas de um cerco persa (o que confirma que Cime era uma cidade fortificada, capaz de defender a si própria), os cidadãos de Cime evitaram ter que negociar com os persas enviando Páctias aMitilene, na ilha deLesbos.

Após a derrota naval persa emSalamina,Xerxes I ancorou em Cime o resto de sua frota durante o inverno.[7] Até 480 a.C. Cime havia sido a principal base naval da frota real persa.[8] Relatos posteriores do envolvimento de Cime com aRevolta Jônica, que desencadeou as Guerras Persas, confirmam sua lealdade à causa greco-jônica. Durante este período, segundo Heródoto,Dario, o Grande pôde, graças ao tamanho do exército persa, lançar um ataque devastador, em três frentes, sobre as cidades jônicas. O terceiro exército, enviado rumo ao norte para conquistarSárdis, estava sob o comando de seu afilhado,Otanes, que rapidamente capturou Cime eClazômenas durante o processo. Relatos posteriores, no entanto, revelam como Sandoces, suposto governador jônico de Cime e um grego, segundo Heródoto[9], teria ajudado a confiscar (e, segundo algumas versões, comandá-los em combate) uma frota de quinze navios para serem utilizados na grande expedição de Xerxes contra a Grécia continental, em 480 a.C. Cime também teria sido o porto no qual os sobreviventes daBatalha de Salamina passaram o inverno, o que indica sua posição de potência marítima da época, e de uma possessão preciosa para o Império Aquemênida.

QuandoAristágoras deMileto instou os jônios a se rebelarem contraDario, Cime juntou-se à insurreição. As revoltas em Cime, no entanto, foram debeladas após a reconquista da cidade pelos persas.[10]Tucídides não faz qualquer menção significativa ao local, limitando-se a citá-la.[11]

Período romano e bizantino

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O historiadorPolíbio registra que Cime teria se tornado isenta de taxação por potências estrangeiras após a derrota deAntíoco III, sendo posteriormente incorporada àprovíncia romana daÁsia.[12] Durante o reinado doimperador romanoTibério a cidade sofreu um grandeterremoto, catástrofe muito comum na região do Egeu.[13] Outras fontes romanas, comoPlínio, o Velho, mencionam Cime como uma das cidades daEólia,[14] corroborando as afirmações anteriores de Heródoto.[15]

"Eis o que eu tinha a dizer sobre as cidades dos Iônios. As dos Eólios são: Cimo, também chamada Fricónis, Larissa, Neontico, Temnos, Cila, Nócio, Egirusa, Pitaneia, Egeia, Mirina e Grínia. Aí estão as onze antigas cidades dos Eólios. Eram doze as cidades, espalhadas no continente, mas os Iônios lhes arrebataram Esmirna. O país dos Eólios é mais fértil do que o dos Iônios, entretanto de clima bem diferente."[16]

A investigação arqueológica indica acunhagem demoedas durante operíodo imperial romano, deNero aGaliano. O deus-rio Hermo, umcavalo com suas patas dianteiras levantadas, eatletas vitoriosos são símbolos comumente encontrados nas moedas cunhadas durante este período em Cime.[17]

Posteriormente, sob a liderança doImpério Romano do Oriente, Cime se tornou a sede de umbispado.

Arqueologia

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Arqueólogos começaram a se interessar pelo sítio em meados do século XIX, quando o D. Baltazzi, um rico proprietário de terras, e, posteriormente, S. Reinach, começaram as escavações nanecrópole situada ao sul. Em 1925 A. Salaç, trabalhando a partir da Missão Boêmia, encontrou diversos achados de grande interesse, como um pequeno templo deÍsis, umpórtico romano, e o que se acredita ser uma 'casa de um oleiro'. Encorajado por estas descobertas, o arqueólogo turco E. Akurgal[18] começou seu próprio projeto no local, em 1955, que descobriu cerâmicas de características orientais no monte ao sul da cidade. Entre 1979 e 1984 o Museu de Esmirna realizou escavações semelhantes em diversos locais do sítio arqueológico, descobrindo novas inscrições e estruturas neste monte.

Estudosgeofísicos recenetes em Cime deram aos arqueólogos um conhecimento ainda maior do sítio sem afetá-lo de maneira tão intrusiva. Estudos geomagnéticos do terreno revelaram outras estruturas sob o solo, ainda não alcançadas pelas escavações.


Referências

  1. Heródoto,Histórias, 1.157
  2. Heródoto.«História».CLVII e CLVIII. Trad. Teotônio Simões, Ebooksbrasil. Ebooksbrasil.org 
  3. «Forvm Ancient Coins, The Collaborative Numistimatics Project: Aeolis Catalogue» (em inglês). Forumancientcoins.com 
  4. abP. Mack Crew, J.B. Bury, I.E.S Edwards, C.J. Gadd, John Boardman, N.G.L. Hammond.Cambridge Ancient History: c.1800-1380 B.C. Volume II, Part 2: c. 1380-1000 B.C. Cambridge University Press, 1975
  5. Aristóteles (editado por Trevor J. Saunders).Politics. Oxford University Press, 1999
  6. Anastasios-Phoivos Christidēs, Maria Arapopoulou, Maria Chritē, Centre for the Greek Language (Thessalonikē, Greece), Anastasios-Phoivos Christidēs, Maria Arapopoulou, Maria Chritē.A History of Ancient Greek: From the Beginnings to Late Antiquity. Cambridge University Press, 2007
  7. Heródoto.Histórias, viii. 130
  8. Pierre Briant e Peter T. Daniels.From Cyrus to Alexander: A History of the Persian Empire. Eisenbrauns, 2006
  9. Heródoto,Histórias, vii. 194
  10. Heródoto,Histórias, v. 38, 123
  11. Tucídides,História da Guerra do Peloponeso, iii. 31, viii. 31, 100
  12. Políbio, xxii. 27;Lívio. xxxviii. 39
  13. Tácito,Anais ii. 47
  14. Plínio, o Velho, v. 30
  15. Heródoto,Histórias, 1.149
  16. Heródoto.«História».CXLIX. Trad. Teotônio Simões, Ebooksbrasil. Ebooksbrasil.org 
  17. «Catalogue of Greek Coinage (Wildwinds): Cyme Mint» (em inglês). Wildwinds.com [ligação inativa]
  18. «Quartiere residenziale sulla collina sud» (em italiano). Misart.it. Arquivado dooriginal em 15 de abril de 2007 
  • Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia eminglês cujo título é «Cyme (Aeolis)».

Ligações externas

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