O território tem 18,5 km² de área[1] e segundo dados de janeiro de 2011, tinha 82 376 habitantes (densidade: 4 452,8 hab./km²). A população é composta sobretudo decristãos emuçulmanos, havendo também uma comunidadejudaica e uma pequena comunidadehindu. As zonas urbanizadas situam-se noistmo e em parte no chamado Campo Exterior, na parte mais continental, a oeste do istmo. O centro urbano e os bairros mais antigos situam-se perto do porto e na encosta doMonte Hacho, que domina a cidade.
Graças à sua situação estratégica, o porto de Ceuta tem um importante papel na passagem do Estreito, assim como nas comunicações entre o Mar Mediterrâneo e oOceano Atlântico. Devido ao relevo acidentado e à escassez de água, energia e matérias primas, tanto osetor primário, à exceção das pescas, como osecundário, têm pouco peso na economia local e até mesmo o setor da construção está muito restringido devido à escassez de solo. O estatuto dezona franca e uma série de vantagens fiscais favorecem um intenso comércio. Em 2010 oProduto Interno Bruto de Ceuta foi 1 521,624 milhões deeuros.[2]
A origem do nome remonta à designação dada pelosromanos aos sete montes da região (emlatim:Septem Fratres; "sete irmãos").Septem foi deformado sucessivamente paraSept,Cepta[3] eSeuta.
Osgeógrafos ehistoriadores daAntiguidade não citam otopónimo da localidade, mas um deles,Pompónio Mela, relatava as peculiaridadesorográficas do ocidente de Almina, com os seus sete pequenos montes simétricos a que chamou de "Sete Irmãos". Pela sua semelhança fonética pensa-se queCeuta derivou deSeptem,arabizado comoSebta.
Vestígios arqueológicos fenícios junto à fachada da catedralRestos dabasílicapaleocristã de Ceuta
Os primeiros vestígios de ocupação humana remontam a250 000 a.C.[4] Noséculo VII a.C. osfenícios fundam a cidade de Abyla no promontório onde atualmente se situa acatedral. Abyla é posteriormente ocupada porgregos daFócida, que a rebatizaram de Hepta Adelfos.
Após quatro séculos de domínio romano, Ceuta é tomada em 429 pelosvândalos comandados pelo seu reiGenserico. Em 534 o general doImpério BizantinoBelisário reconquista Septem, durante as campanhas norte-africanas daRecuperatio Imperii empreendidas pelo imperadorJustiniano. A cidade serve de base para a organização da conquista das costas deMalaca (Málaga) e do que veio a ser a província bizantina daEspânia. O domínio bizantino seria breve, caindo a cidade em mãos dosVisigodos após a retirada dos bizantinos.
Em 709 a cidade é conquistada pelocalifadoomíada, devido a conflitos internos entre os visigodos. Segundo algumas lendas, a queda da cidade deveu-se à sublevação doConde Julião, uma figura de origem obscura que era governador da cidade quando a cidade foi conquistada pelos omíadas comandados porMuça ibne Noçáir eTárique, com os quais teria chegado a acordo para se render.
Em 1232 Ceuta é conquistada pelaTaifa de Múrcia, mas logo no ano seguinte a cidade tornou-se independente. A independência terminou em 1236, com a ocupação dosMerínidas. Em 1242 foi tomada pelosHaféssidas. Em 1249 Ceuta passa a ser governada pelosAzáfidas.
Segundo oTratado de Monteagudo, assinado em 1291 entre os reinos deCastela eAragão, a cidade ficou na zona de influência de Castela. Em 1305, fazendo então parte doReino Nacérida deGranada, Ceuta entra no jogo da política mediterrânica de Castela.
No entanto, em 1309 é conquistada novamente pelos Merínidas com apoio de Aragão. Nos anos seguintes, os Merínidas enfrentam vários ataques à cidade lançados pelo reino de Granada. Em 1310, os Azáfidas voltam a tomar o controlo, que perderiam novamente em 1314 para os Merínidas. Os Azáfidas voltam a recapturá-la em 1315. Em 1327 ocorre nova reconquista por parte dos Merínidas. Cerca de 1384 o reino de Granada volta a tomar a cidade, que é cercada pelos Merínidas, que logram retomá-la em 1386.[5]
Apesar de todas as peripécias militares a que esteve sujeita ao longo daIdade Média, Ceuta era uma das cidades mais importantes do Ocidente muçulmano, estimando-se que tivesse chegado a ter cerca de 30 000 habitantes, superando assim cidades comoValência,Málaga,Jerez,Saragoça,Maiorca,Almeria ou inclusivamenteGranada antes do período nacérida, o que é de certa forma notável devido à escassez de água. Essa escassez não parece ter condicionado o desenvolvimento da cidade, devido aos ceutenses se terem tornado mestres no seu aproveitamento. O autor muçulmanoAlançari relatava no início doséculo XV que existiram 25 fontes públicas em Ceuta e se bem que algumas fossem naturais, os historiadores acreditam que a maior parte tivessem que ser artificiais. O geógrafoandalusino doséculo XIAlbacri menciona a existência de um aqueduto, que segundo a tradição local teria sido construído pelo Conde Julião noséculo VIII.[6]
A 21 de agosto de 1415 tropas portuguesas comandadas pelo reiD. João I acompanhado pelos seus filhosDuarte,Pedro eHenrique desembarcaram no que são atualmente as praias de Santo Amaro e conquistam a cidade para Portugal. Diante das disputas de vários capitães para ficarem com o governo da cidade depois da conquista,Pedro de Meneses apresentou-se ao rei com um pau chamado "aleo", usado num jogo popular na época, e quandoD. João lhe perguntou se era suficientemente forte para tomar a seu cargo a responsabilidade do governo de Ceuta terá respondido:«Senhor, este pau basta-me para defender Ceuta de todos os seus inimigos». Pedro de Meneses foi então nomeado primeiro governador ecapitão-geral de Ceuta. O pau (Aleo) ainda hoje se encontra nosantuário de Nossa Senhora de África e passou de mão em mão por todos os governadores que estiveram no comando da praça jurando defender a cidade tal como o fez Pedro de Meneses.
Num tratado assinado com orei de Fez, este reconheceu Ceuta como portuguesa. No mundo cristão, a cidade foi reconhecida como possessão portuguesa nos tratados dasAlcáçovas (1479) e deTordesilhas (1494).
“
Ceuta, cidade noestreito Hercúleo, em frente de Gibraltar, foi uma das principais cidades no tempo dosmouros, tanto em edifícios como em riqueza de mercadorias, que daqui partiam para toda a terra do Sertão. E estava em tanta prosperidade que quantos navios passassem pelo dito estreito, quer do Levante quer do Poente, tinham que amainar asvelas, porque toda anau que isto não fizesse, asgalés dos mouros as seguiam e as tomavam.
Ceuta tornou-se diocese em 1417 porbula doPapa Martinho V. A partir de 1645 a diocese de Ceuta deixou de pertencer a Portugal, e passou a ser espanhola.
Gravura de "Septa" na obra“Civitates Orbis Terrarum”, de Braun e Hogenberg, 1572
No contexto daDinastia Filipina, que se seguiu à morte deD. Sebastião em 1580, Ceuta manteve a administração portuguesa, tal comoTânger eMazagão. Todavia, quando daRestauração Portuguesa em 1640 não aclamou oDuque de Bragança como rei de Portugal, ficando sob domínio espanhol. A situação foi oficializada em 1668 com oTratado de Lisboa, assinado entre os dois países e que pôs fim àguerra da Restauração, no entanto, a cidade decidiu manter a sua bandeira que é composta por gomos brancos e pretos, à semelhança da bandeira da cidade deLisboa, ostentando ao centro oescudo português.[7]
A cidade é cercada entre 1694 e 1724 pelosultãoalauitaMulei Ismail. Em 1704, apesar de cercada por terra, resiste aos ataques da armada inglesa quetomou Gibraltar. Os marroquinos atacaram por terra, ao mesmo tempo que uma frota anglo-holandesa bombardeia a cidade e tenta um desembarque. Em 1721, Mulei Ismail aproveitou o caos que se vivia em Espanha para desalojar os espanhóis da costa marroquina, tomando São Miguel de Ultramar (Mamora) eLarache, mas não logrou apoderar-se de Ceuta. Após a morte de Mulei Ismail ainda houve cercos marroquinos à cidade entre 1725 e 1728, em 1732, 1757 e 1790-1791.[8]
Em 1812 a Junta da Cidade é convertida numayuntamiento constitucional. Em 1859–1860 assiste-se à chamadaGuerra de África, durante a qual os limites da cidade são expandidos.
AGuerra Civil Espanhola chegou a Ceuta logo no seu primeiro dia. A sublevação foi levada a cabo na cidade na madrugada de 17 para 18 de julho de 1936 por tropas do tenente-coronelJuan Yagüe e não encontrou grande resistência. Militares leais ao governo e personalidades daFrente Popular, comoAntonio López Sánchez-Prado, foram posteriormente fuzilados depois de terem sido submetidos a simulacros dejulgamentos. Ceuta teve grande importância durante os primeiros meses do conflito como ponto de passagem do Exército do Norte de África na ocupação da Espanhapeninsular.
Em 1956 dá-se a independência de Marrocos e, consequentemente, o fim do protetorado. Ceuta serve de base para a retirada das tropas dos territórios emancipados.
Em 1978 a nova constituição espanhola, como outras anteriores, reconhece Ceuta como território integrante da nação espanhola, integrando-a no novo modelo de organização territorial, com a previsão da possibilidade de constituir-se emcomunidade autónoma. Em 1995 é promulgado o Estatuto de Autonomia da cidade, que juntamente comMelilha passa a ter o estatuto decidade autónoma, tornando Ceuta independente daprovíncia de Cádis.
Depois de 80 anos sem ser visitada por qualquer monarca espanhol, os reis espanhóisJuan Carlos eSofia fizeram uma visita oficial a Ceuta a 5 de novembro de 2007.
A morfologia do terreno de Ceuta deve-se àorogenia alpina, que fracionou esta terra até à grande plataforma doSaara. O seu principal acidente orográfico da cidade é oMonte Hacho, formado por umanticlinal e com 204 m de altura, embora no interior o ponto mais alto se situe a 345 m.[1] O resto do território é constituído por umistmo que une aquele monte com o continente africano e com ailhota de Santa Catarina (Santa Catalina).
O istmo é constituído por terrenometamórfico de composiçãogeológica complexa, com cinco áreas distintas, cujo elemento principal é a serra de Anyera, que corre paralela à costa e que nos arredores da cidade é chamada de "Mulher Morta" (Mujer Muerta) ou, em árabe,Jbel Musa (ou Djebel Moussa) e emberbereAdrar Musa(851 m).[9]
Tradicionalmente considerada a divisória entre as águas do Mediterrâneo e do Atlântico, Ceuta está rodeada por mar, que forma duasbaías, uma a norte, virada para a Península Ibérica, e outra a sul, virada para Marrocos.
Osxistos eardósias impermeáveis que constituem o terreno da península ceutense dificultam a formação de bolsas de água no subsolo. Apesar disso, constata-se que ao longo da história existiram fontes, embora todas elas situadas no Campo Exterior, como a da Teja, o ribeiro das Bombas, a fonte do Raio, etc.[6]
O clima é dotipo mediterrânico, caracterizado por temperaturas amenas eprecipitação irregular e matizado principalmente por dois fatores: o relevo e o mar que a rodeiam. O relevo, representado pelo Jbel Musa, atua como uma cortina ante os ventos atlânticos carregados dehumidade, e a influência marítima faz com que as temperaturas sejam amenas, tanto no verão como no inverno. A média anual não ultrapassa os16,6°C. As temperaturas máximas absolutas registam-se em julho, enquanto as mínimas ocorrem em janeiro ou fevereiro, sendo comum que desçam a 3 °C.
A diferença de temperatura entre as águas que separam o Estreito e os ventos carregados de humidade procedentes do Atlântico fazem com que a chuva seja abundante, ultrapassando os 800 mm anuais. O regime de precipitações é muito irregular, com um máximo no inverno e grande aridez entre os meses de maio e setembro. Ahumidade relativa também é elevada, sendo a média anual 84%.
A vegetação sofreu impactos negativos derivados das necessidades defensivas da povoação, que obrigava a manter o Campo Exterior despojado. Durante muitas épocas da história, foram levados a cabodesmatamentos sistemáticos nas vizinhanças do recintomuralhado. A necessidade de solo urbanizável também provocou a perda de espaços vegetais.
A espécie arbórea característica da região era osobreiro, ainda visível emBenzú. Contudo, o processo de degradação devido à ação humana fez com que os bosques secundários sejam constituídos porpinheiros eeucaliptos, fruto de sucessivasreflorestações. A primeira reflorestação com pinheiros foi feita nas proximidades da ermida de Santo António. Ochoupo foi a árvore mais corrente nos séculos XVIII e XIX, sendo substituído no presente pelaacácia,dracena,dragoeiro e algumas espécies americanas e asiáticas plantadas no primeiro quartel doséculo XX, como afigueira-benjamim (Ficus benjamina).
Outras espécies características da paisagem da região são o palmito (Chamaerops humilis), a figueira-da-índia (Opuntia ficus-indica) e outras próprias domatagal mediterrânico.
Fauna
Acavala, um dos símbolos de Ceuta; os ceutenses são conhecidos popularmente comocaballas (cavalas), principalmente nas regiões próximas do outro lado do estreito, comoLa Línea de la Concepción,Algeciras eEstepona
As fontesclássicas mencionam a existência deelefantes e grandesfelinos que, juntamente como asgazelas,chacais e omacaco-de-gibraltar (ou daBerbéria) — estes dois últimos ainda presentes nas proximidades — constituíam as espécies de mamíferos mais característicos da área. Atualmente essafauna desapareceu por completo, mas ainda estão presentes outras espécies, como o porco-espinho (Hystrix cristata), a tartaruga-grega (Testudo graeca; em espanhol: tartarugamoura), araposa ou ojavali.
Os céus são frequentados por muitos milhares de aves, que os cruzam nas suas migrações periódicas. O meio marinho, ainda que também afetado pela ação do homem, exibe ainda uma grande riqueza de espécies, a qual é comprovada tanto cientificamente como percorrendo alota e os mercados.
Segundo dados oficiais de janeiro de 2011, o território de Ceuta tinha 82 376 habitantes. A maioria da população é composta sobretudo decristãos de origemibérica, havendo também habitantes de origemmagrebina que sãomuçulmanos, uma comunidadejudaica e uma pequena minoria dehindus.
O idioma oficial e mais usado é ocastelhano, mas a população muçulmana também falaárabe, numavariante exclusivamente oral denominadadariŷa (árabe marroquino), a qual não é reconhecida oficialmente.
Gráfico da evolução da população de Ceuta entre 1877 e 2011
A Rua da Companía del Mar (em baixo) e o Passeio das Palmeiras (em cima)Vista noturna doayuntamiento de CeutaCasa dos DragõesClub Náutico e sede da Autoridade PortuáriaPorto de recreio
As cidades de Ceuta e Melilha poderão constituir-se em Comunidades autónomas se assim decidirem os seus respetivosayuntamientos mediante acordo adotado pela maioria absoluta dos seus membros e assim o autorizam asCortes Generales, mediante uma lei orgânica, no termos previstos no artigo 144.
”
A denominação oficial do território é Cidade Autónoma de Ceuta, desde a aprovação doEstatuto de Autonomia, a lei orgânica publicada oficialmente em 14 de março de 1995, e que entrou em vigor no dia seguinte. Este estatuto possibilita que não se dupliquem os cargos políticos na cidade, pois os cargos municipais passaram a ser simultaneamente autonómicos (regionais). Desta forma, osvereadores são tambémdeputados autonómicos e o Presidente de Ceuta é simultaneamente oalcaide (chefe do executivo municipal). O plenário municipal é simultaneamente o parlamento autonómico, denominadoAsamblea de Ceuta.
Desde finais de 2005 está em projeto a reforma do Estatuto de Autonomia que, além de assumir mais competências, a cidade passaria a denominar-se Comunidade Autónoma, equiparando-se completamente ao resto das comunidades espanholas.
Desde os anos 1970 que o governo marroquino reivindica a inclusão de Melilha e de Ceuta no seu território, bem como das possessões espanholas menores limítrofes com Marrocos, as chamadasplazas de soberanía.[17] O governo espanhol nunca estabeleceu negociações de nenhum tipo, pois considera esses territórios como parte do seu território nacional.[18][19] A acreditar numa sondagem levada a cabo em 2007, 88% dos espanhóis considera igualmente que Ceuta e Melilha são cidades espanholas.[20]
O estatuto de Ceuta e Melilha tem suscitado por parte de meiosbritânicos e marroquinos comparações com as reclamações territoriais de Espanha sobre Gibraltar, um enclave sob administração britânica na margem norte do estreito homónimo.[21] Essas comparações são rejeitadas pelo governo espanhol e pelos habitantes de Melilha e Ceuta baseando-se no argumento de que aquelas cidades já eram parte integrante de Espanha antes da existência do reino marroquino, sucessor do Sultanato de Marrocos doséculo XVII, enquanto Gibraltar é umterritório ultramarino (colónia) cujo estatuto foi definido noTratado de Utrecht de 1713-1714, que colocou Gibraltar sob a tutela do Reino Unido sem nunca ter feito parte integrante daquele país. A contrário das possessões espanholas noNorte de África, Gibraltar encontra-se na lista de territórios a descolonizar daONU.[22][23] Contudo Marrocos rejeita esses argumentos, e a posse de Ceuta, Melilha e dasplazas de soberanía é uma das teses da ideologia nacionalista do "Grande Marrocos".[24][17][25]
CatedralAndor de Nossa Senhora da Esperança em frente àIgreja de Santa Maria de África, durante uma procissão daSemana SantaBaluarte da Couraça Alta, parte das Muralhas Reais
Catedral — Consagrada àAssunção de Maria, foi construída sobre umamesquita do período muçulmano. Durante o cerco de 30 anos na viragem doséculo XVII para oséculo XVIII serviu de hospital de campanha. A última remodelação data de 1949. Destacam-se a Capela do Santíssimo, com umretábulobarroco, osfrescos de Miguel Bernardini, três grandestelas e a imagem da Virgem Capitã, de origem portuguesa (século XV). Tem umportalneoclássico demármore negro. O interior tem trêsnaves e um grandecoro na parte dianteira.
Santuário e Igreja de Santa Maria de África — Construído noséculo XV, sofreu várias remodelações posteriores, a mais importante das quais noséculo XVIII. A imagem da Virgem parece serbizantina e foi doada peloInfante D. Henrique. Artisticamente não tem grande relevância, mas reveste-se de grande importância espiritual.
Outros edifícios religiosos — Igrejas de São Francisco, Nossa Senhora dos Remédios, Espírito Santo, Santo António e Nossa Senhora do Vale (primeira igreja construída pelos portugueses); antigoconvento de Nossa Senhora do Socorro;sinagoga de Bet-El.
Muralhas Reais — As partes mais antigas, mais interiores, datam doséculo X e as mais recentes doséculo XVIII. A parte mais importante foi construída pelos portugueses e reconstruída pelos espanhóis em 1674 e 1705. Atualmente acolhem o Museu da Cidade, instalado noRevelim de Santo Inácio. Há também galerias subterrâneas escavadas para a defesa da cidade.
Muralhas do Passeio das Palmeiras — Troço norte das antiga muralhas da cidade.
Basílica romana tardia — Datada de meados doséculo IV, tem um museu anexo.
Banhos árabes — Na Praça da Paz encontra-se os restos de um balneário árabe (hamame) atípico, de planta em ziguezague, com quatro divisões, paralelas duas a duas. Foi construído entre os séculos XII e XIII.
Palácio Municipal (ou Assembleia) — Construído em 1926, nele se conserva o Pendão Real. O Salão do Trono e o Salão de Sessões têm um cuidadoartesoado e frescos de Mariano Bertuchi. O pendão é deseda dedamasco vermelho e roxo, bordado por D. Filipa para "maior brilho da coroa lusitana". Ostenta oescudo de Portugal como símbolo da cidade; desfila com as autoridades nos dias da festa doCorpo de Deus e tem honras deCapitão-General.
Parque Marítimo do Mediterrâneo
Parque Marítimo do Mediterrâneo ePovoado Marinheiro — Foi desenhado pelo arquiteto e artista espanholCésar Manrique(1919–1992); construído em terrenos reclamados ao mar, parte da sua área é preenchida com água do mar. Nele se encontra oGrande Casino de Ceuta.
Monumento aos Caídos na Guerra de África — Situado na Praça de África, foi erigido em homenagem aos caídos daguerra de 1859-1860. Tem 13,5 m de altura e na parte inferior apresentabaixos-relevos em bronze da autoria do escultorAntonio Susillo(1857–1896). Tem umacripta que não está aberta ao público.
Estátuas do antigo Jardim de São Sebastião — Situadas no coração da cidade, representam o trabalho, as artes gráficas, a indústria, o comércio, a navegação e África.
Monumento a Hércules — Par de esculturas que flanqueiam a entrada do porto.
Outros lugares e edifícios — Edifício Trujillo, Casa dos Dragões, porto desportivo, Parque de Santo Amaro (com aazenhaFuente de Lomas), Fonte do Sarchal, Forte e antiga Ermida de Santo Amaro, Monumento ao tenente-coronel González Tablas, praias da Ribera, Chorrillo, Sarchal e Santo Amaro.
Muralhas Merínidas — Conjunto de etorreões doséculo XIII construídas durante a ocupação dosMerínidas. O amplo recinto foi umacidadela e albergue, refúgio de guarnições, forasteiros e tropas que se viam obrigadas a passar a noite fora do centro urbano da cidade medieval. As muralhas constituem um dos restos monumentais mais importantes do passado histórico de Ceuta, Dos quase 1 500 metros originais só resta o flanco ocidental, com cerca de 500 metros, váriosbaluartes e duas torres gémeas que demarcam da chamada Porta deFez.
Fortaleza do Monte Hacho — Situada no monte homónimo, crê-se que é de origem bizantina e foi consolidada na época dos Omíadas. Os portugueses conservaram-na, mas a construção atual foi levada a cabo pelos espanhóis nos séculos XVIII e XIX. No lado ocidental a fortificação era complementada pelos chamados fortes neomedievais.
Forte do Sarchal, que serviu como prisão feminina
Fortes neomedievais — Situados na zona montanhosa que fecha a península, na zona fronteiriça com Marrocos, foram construídos em meados doséculo XIX, quando após o fim da guerra com Marrocos e a assinatura dotratado de paz de Wad-Ras (1860), se decidiu dotar a fronteira com uma série de torres de vigia para prevenir possíveis agressões exteriores. Foram assim erigidos os fortins de Piniés, Francisco de Assis (o rei consorte), Isabel II (abaixo do qual se encontra um miradouro com esplêndidas vistas sobre o Estreito e a Península Ibérica), Príncipe Afonso, Benzú (este já inexistente), Aranguren, Mendizábal, Renegado, Anyera e Serralho. Este último deve o seu nome ao facto de ter sido usado pelo sultão Moulay Ismail durante o cerco que manteve entre 1694 e 1727.
Castelo do Desnarigado
Castelo do Desnarigado — Construído noséculo XIX, embora tenha antecedentes dos séculos X e XVI. De estilo neomedieval, desde a década de 1980 que alberga um museu militar que mostra coleções de objetos relacionados com a história militar de Ceuta.
Cristo de Medinaceli — Imagem guardada na Igreja de Santo Ildefonso, em Barriada del Príncipe.
Monumento doLlano Amarillo —Obelisco comemorativo doJuramento del Llano Amarillo, um episódio que antecedeu a Guerra Civil Espanhola, no qual os generais amotinados liderados porJuan Yagüe acertaram os últimos detalhes do levantamento contra aRepública. Originalmente erigido emKetama em 1940, foi transladado para o sopé do Monte Hacho pedra por pedra em 1962. A sua conservação ou demolição é tema de controvérsia, pois juntamente commonólitoPaso del Estrecho, osPies deFranco e o mastro doCañonero Dato, é um dos únicos monumentos ainda existentes em Ceuta evocativos do franquismo. Todos esses símbolos do franquismo se encontram e mau estado de conservação.
Outros lugares e edifícios — Antiga estação ferroviária, ermida de Santo António do Tojal (com um miradouro na sua parte anterior), mesquita de Muley el-Mehdi (construída em 1937), farol de Punta Almina, Barriada e praias de Benzú (na costa do Estreito, com típicas casas de chá) e Calamocarro. Graças à prosperidade económica vivida na cidade desde o princípio doséculo XX, há uma série de edifícios que se enquadram numestilo modernista muito próprio, cujo expoente foi José Blein. Entre as obras deste arquiteto, destacam-se o edifício da antigaJunta del Puerto, atualmente a sede da Autoridade Portuária de Ceuta, e a antiga central de autocarros, hoje transformada na esquadra central da polícia.
A cidade conta com um hospital de construção recente, o Hospital Universitário de Ceuta e de vários centros de saúde, tanto públicos (pelo menos quatro) como privados.[26]
Há pelo menos 16 escolas (colegios) públicos[27] e 5 privadas e 6 institutos de ensino. AUniversidade de Granada tem umcampus em Ceuta, onde funcionam uma faculdade de educação eciências humanas e um escola universitária deenfermagem. AUniversidade Nacional de Educação à Distância (UNED) tem igualmente uma sede na cidade.[26] Existem pelo menos quatro bibliotecas: a Pública Municipal, a da Obra social Caja Madrid, a Histórico Militar e a Pública do Estado.
Ceuta está ligada com o resto de Espanha apenas através do porto eHeliporto de Algeciras e doAeroporto de Málaga-Costa del Sol. Entre o primeiro e Ceuta operamferryboats de quatro companhias. O trajeto tem uma duração aproximada de 45 minutos e efetuam-se entre 15 a 20 travessias diariamente entre as 06:00 e as 23:00.[28]
Os transportes aéreos são assegurados por helicópteros, que operam entre oHeliporto de Ceuta,Algeciras eMálaga. Na linha Ceuta-Málaga há quatro ligações diárias em ambos os sentidos entre as 07:15 e as 20:15; a viagem dura 35 minutos. A viagens entre Algeciras e Ceuta duram 7 minutos.
O único meio de transporte de passageiros autorizado a passar a fronteira entre Ceuta e Marrocos é o automóvel privado, embora também se possa cruzar a fronteira a pé. As cidades importantes marroquinas mais próximas sãoTetuão (40 km a sul) eTânger (cerca de 70 km a oeste).
Além da imprensa periódica espanhola com circulação nacional, existem dois jornais em Ceuta: o El Faro e El Pueblo de Ceuta. Além das cadeias de televisão espanholas com cobertura nacional, a cidade conta com dois canais locais: aCeuta televisión e aRadio Televisión Ceuta. Esta última tem também um canal de rádio.
Museu do Revelim de Santo Inácio, na Rua CamõesMuseu Militar do Castelo do Desnarigado
Museu Municipal de Ceuta — Instalado num edifício construído em 1900 no centro urbano, alberga oInstituto de Estudios Ceutíes, duas salas de exposições temporárias e cinco de exposições permanentes.
Museu do Revelim de Santo Inácio'' — Instalado numa fortificação doséculo XVIII, na Praça de Armas do Conjunto Monumental das Muralhas Reais.
Museu Militar do Castelo do Desnarigado — Instalado num forte com origens nos séculos X e XVI, o edifício atual data doséculo XIX e é de estilo neomedieval. Contém coleções de objetos relacionados com a história militar de Ceuta.
Museu Militar deRegulares — Contém uma coleção de objetos do Corpo de Regulares, uma força militar criada em 1911 com pessoal nativo.
Museu Militar de Cavalaria — Contém uma coleção de objetos do Corpo deCavalaria
Museu da Autoridade Portuária — Contém uma coleção de objetos relacionados com a história do porto de Ceuta.
Museo Catedralicio — A catedral tem um pequeno museu com peças comocasulas ecapas pluviais dos séculos XVI a XIX,incunábulos, livros de canto,bulas e esculturas.
Museu daBasílica Tardorromana — Museu moderno construído junto aos restos dabasílicaromana datada doséculo IV. Entre as peças expostas encontra-se umsarcófago romano descoberto na década de 1970 na Praça da Constituição, diversos tipos de enterramentos, peças daMadraça al-Yadida e cerâmicas de várias épocas. A antiga basílica faz parte do museu, bem como um algibe (cisterna) medieval perfeitamente conservado.
Nagastronomia ceutense destacam-se principalmente os pratos de peixes, especialmente ostunídeos, sobretudo secos — atum,sarda (em espanhol:bonito), ovolaó (peixe-voador), etc. O peixe frito e osmariscos são também populares. Outro clássico da cidade é opincho moruno (lit: "espetada mulata"),espetadas de carneadobada (marinada) picante com váriasespeciarias. Apesar de popular em toda a Espanha, onde tem sido adulterado e industrializado, para alguns apreciadores overdadeiro pincho moruno só se encontra em Ceuta, onde teve a sua origem.[29] Também dignos de destaque são oscaracóis e os típicoscorazones de pollo (corações de galinha), que tanto são consumidos emsanduíches como em espetadas ou no prato e são temperados de forma semelhante aospinchos morunos.[30] Um fruto popular que não é comum encontrar noutros locais de Espanha é ofigo-da-índia (em espanhol:chumbo).
Praia daRibera, com o Baluarte da Couraça Alta e a catedral ao fundo
Futebol
Ao longo da sua história Ceuta teve várias equipas representativas. A primeira que se destacou foi o Ceuta Sport, fundado em 1932 e que em 1941 mudou o seu nome para Sociedad Deportiva Ceuta. Foi o clube mais mais premiado doCampeonato Hispanomarroquí, bem como a primeira equipa ceutense a participar numaCopa do Rei e a chegar àSegunda Divisão Espanhola, tendo chegado a disputar numa ocasião a subida àPrimeira Divisão.
Em 1956 o SD Ceuta fundiu-se com o Atlético Tetuán para formarem o Club Atlético de Ceuta, que também jogou várias temporadas na Segunda Divisão, disputando uma vez a subida à Primeira Divisão. A equipa desceu para as categorias regionais nos finais dos anos 1960.
Em 1970 foi fundada a Agrupación Deportiva Ceuta que chegou a competir uma vez na Segunda Divisão antes de ter sido extinta em 1992 devido a problemas económicos. Atualmente (2011), a equipa local mais bem colocada é a Asociación Deportiva Ceuta, fundada em 1996, que nunca foi além daSegunda Divisão B.
Carnaval de 2013A Irmandande do Encontro numa procissão deTerça-Feira Santa
Carnaval — Geralmente comemorado em fevereiro, começa com o Concurso de Agrupamentos Carnavalescos nas modalidadesCuarteto,Chirigota eComparsa. Decorre também um festival gastronómico,"La mejilloná", onde se podem desgustar pratos demexilhão por preços módicos e assistir às atuações dos agrupamentos carnavalescos. Há um desfile de mascarados, aGran Cabalgata de disfraces e a festa termina comEl entierro de La Caballa, que finaliza a festa do Deus Momo.
Semana Santa — Durante a qual são feitas procissões onde participam as irmandades e confrarias da cidade.
1 de novembro —Dia de Todos-os-Santos e Dia da Mochila. Dia festivo em que é tradição visitar o cemitério para depor flores nos túmulos dos defuntos, a que se junta a tradição de ir para o campo (com mochilas) levando fruta da época e frutos secos.
Eid al Adha — Uma das festas mais importantes do calendário muçulmano, também conhecida com Festa do Sacrifício e Festa do Cordeiro, comemora-se em Ceuta desde 2010. Dado reger-se pelocalendário lunar, a sua data nocalendário gregoriano varia de ano para ano.[31]
↑«Historia de Ceuta por épocas».www.ceuta.es (em espanhol). Portal do Governo Autonómico de Ceuta. 2005. Consultado em 27 de julho de 2012. Arquivado dooriginal em 14 de maio de 2011
↑O Jbel Musa propriamente dito, isto é a montanha mais alta da serra de Anyera encontra-se em território marroquino, 3 km a oeste da fronteira próxima deBenzú.
↑Cabaleiro, Jesús; Andrés Gallego, Juan (12 de agosto de 2009).«Algeciras lleva 13 años sin hacer ningún hermanamiento».andaluciainformacion.es (em espanhol). Consultado em 27 de julho de 2012A referência emprega parâmetros obsoletos|coautores= (ajuda)
↑Declarações do vice-presidente do governo espanholManuel Chaves —«não há nenhuma dúvida que Ceuta e Melilha são espanholas [...] não há nem haverá negociação com Marrocos a esse respeito».
↑A propósito do conflito diplomático entre Espanha e Marrocos sobre a posse dasplazas de soberanía, ver por exemplo o artigoIncidente da ilha de Perejil, sobre um incidente ocorrido em 2002.
↑«Colegios Públicos en Ceuta».www.colegiospublicos.org (em espanhol). Guía de Colegios Publicos por Provincias. Consultado em 27 de julho de 2012
↑«Cómo llegar y cómo moverse».www.ceuta.es (em espanhol). Ceuta digital. Consultado em 27 de julho de 2012. Arquivado dooriginal em 24 de março de 2010
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Estes doisarquipélagos, localizados noAtlântico Norte, foram colonizados pelos portugueses no início doséculo XV e fizeram parte do Império Português até 1832, quando se tornaramprovíncias de Portugal. A partir de então passaram a ser consideradas como um prolongamento da metrópole europeia (as chamadasIlhas Adjacentes) e não como colónias. Hoje sãoregiões autónomas de Portugal.