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Diagrama de caixa

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(Redirecionado deBoxplot)
Figura 1. Elementos de um box plot

Em estatística descritivadiagrama de caixadiagrama de extremos e quartis, boxplot oubox plot é uma ferramenta gráfica para representar a variação de dados observados de uma variável numérica por meio dequartis (ver figura 1, onde o eixo horizontal representa a variável). O box plot tem uma reta (whisker ou fio de bigode) que estende–se verticalmente ou horizontalmente a partir da caixa, indicando a variabilidade fora do quartil superior e do quartil inferior.[1] Os valores atípicos ououtliers (valores discrepantes) podem ser plotados como pontos individuais.[2] O diagrama de caixa não é paramétrico, apresentando a variação em amostras de uma população estatística sem fazer qualquer suposição dadistribuição estatística subjacente.[3] Os espaços entre as diferentes partes da caixa indicam ograu de dispersão, aobliquidade nos dados e osoutliers.[4] O box plot também permite estimar visualmente váriosL{\displaystyle L-}estimadores comoamplitude interquartil,midhinge,range,mid-range, etrimean.[5] Em resumo, o diagrama identifica onde estão localizados 50% dos valores mais prováveis, a mediana e os valores extremos.[6]

Figura 2.Diagrama de caixa dos dados do experimento de Michelson–Morley

Essa ferramenta é usada frequentemente para analisar e comparar a variação de uma variável entre diferentes grupos de dados. Ver como exemplo a figura 2 onde o eixo vertical representa a variável e o eixo horizontal representa o fator de interesse.[6]

História

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Na história da civilização, as imagens sempre foram fundamentais para contar histórias e compartilhar ideias. Na matemática, os primeiros casos de uso de imagem para representar números datam de antes de 300 AC na Grécia Antiga. Mais tarde, os matemáticos desenvolveram o uso de gráficos para ajudar em cálculos mais complexos. Depois de mais de 100 anos desdeA Geometria, publicado por René Descartes em 1637, em que o filósofo e matemático francês introduziu o sistema de coordenadas cartesianas, cientistas e matemáticos passaram a usar gráficos para informar e educar com a criação de diferentes tipos de gráficos (gráfico de linha, gráfico de barras e gráfico de pizza) e infográficos. Um dos primeiros registros de uso de gráficos na educação vem do matemáticoJoseph Priestley (1733 – 1804), que usou gráficos semelhantes ao diagrama de Gantt para ajudar a lecionar história na Warrington Academy. Enquanto que um dos primeiros registros de uso de gráficos na informação vem daenfermeiraFlorence Nightingale (1820 – 1910), que utilizou gráficos polares para mostrar o número de mortes dentro do exercito britânico.[7]

No decorrer do século XX, a visualização de dados aprimorou–se, sobretudo com a revolução digital que permitiu levar informações gráficas para um público cada vez maior. Em 1969, o matemático John W. Tukey (1915 –2000) popularizou o boxplot.[8] Tukey é pioneiro no processo de análise exploratória de dados, tendo desenvolvido várias técnicas para melhorar a visibilidade e a compreensão dos dados, incluindo odiagrama ramo e folha, ofive number summary e o próprioboxplot.[9] Entretanto, embora a criação do boxplot seja atribuída à Tukey, o manual gráfico do pacote estatístico Stata sugere que o diagrama de extremos tenha sido usado pelo menos desde o trabalhoThe Analysis of Rainfall Probability: A Graphical Method and its Application to European Data, publicado por P. R. Crowe em 1933.[10] Utilizado em várias ciências quantitativas, o modelo pode ser considerado um gráfico estatístico padrão, aparecendo em grande parte dos textos estatísticos introdutórios. Os boxplots tinham vários precursores sob diferentes nomes como o gráfico rangebars e os diagramas de dispersão na geografia e na climatologia.[8]

O grande valor de uma imagem é quando ela nos obriga a notar o que nunca esperávamos ver.[7]

—  John W. Tukey

Construção de um diagrama de caixa

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Figura 3. Diagrama de extremos comfio de bigodes do mínimo ao máximo

A construção do diagrama inclui os seguintes procedimentos (representando os valores de variável no eixo vertical como nas figuras 2 e 3 por exemplo):

O diagrama é uma forma rápida de examinar um ou mais conjuntos de dados graficamente. Embora pareça mais primitivo que ohistograma ou aestimativa de densidade kernel, o boxplot apresenta vantagens sobre esses por prover mais dados além da mediana e/ou a média.[17] A escolha do número e da largura das barras pode influenciar muito na aparência do histograma[18] e da estimativa de densidade kernel,[19] o que não acontece com o boxplot. De fato, a largura do diagrama de extremos pode até ser usada como uma medida de informação dos dados, representando em alguma proporção o tamanho do conjunto de dados.[20] Uma comparação (figura 4) entre o gráfico e uma função densidade de probabilidade (histograma teórico) mostra explicitamente a quantidade de informações que essa ferramenta possui.

Exemplo prático

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População dos estados

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Em 2016, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) contabilizou a população dos estados brasileiros.[21][22]

O box plot acima mostra a importância do cuidado com osoutliers em análise de dados. A população de São Paulo é maior que a população dos demais estados brasileiros e isso não é um erro. Isto significa que nem sempre ooutlier corresponde a um erro de arredondamento ou a um erro de observação.[22]

Variações

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Figura 6. Quatro boxplots, com e sem entalhes e largura variável

Desde que o matemáticoJohn W. Tukey introduziu este tipo de representação visual de dados em 1969, variações do boxplot tradicional têm sido descritas. Duas das mais comuns são os boxplots com largura variável e os boxplots entalhados (figura 6).

Diagrama de caixa com largura variável

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Os boxplots com largura variável (variable width box plots) ilustram o tamanho de cada grupo, cujos dados estão sendo plotados tornando a largura da caixa proporcional ao tamanho do grupo. Uma convenção popular é tornar a largura da caixa proporcional à raiz quadrada do tamanho do grupo.[11]

Diagrama de caixa entalhado

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Os boxplots entalhados (notched box plots) aplicam um entalhe ou um estreitamento da caixa em torno da mediana. Os diagramas de caixa entalhados são úteis para oferecer um guia aproximado para a significância da diferença entre medianas. Se o entalhe de duas caixa não se sobrepuserem, isto oferece evidência de uma diferença estatisticamente significante entre as medianas. A largura dos entalhes é proporcional à amplitude interquartil da amostra e inversamente proporcional à raiz quadrada do tamanho da amostra. Entretanto, há incerteza sobre o multiplicador mais apropriados (isto pode variar dependendo da similaridade das variâncias das amostras).[11]

Uma convenção é usar±1.58IQRn{\displaystyle \pm {\frac {1.58IQR}{\sqrt {n}}}}.[16]

Diagrama de caixa ajustado

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Os boxplots ajustados (variable width notched box plots) são destinados às distribuições distorcidas, baseando—se na estatísticamedcouple de distorção. Para um valormedcouple de MC, os comprimentos dosfio de bigodes superiores e inferiores são respectivamente definidos por:

1.5IQRe3MC,1.5IQRe4MC se MC01.5IQRe4MC,1.5IQRe3MC se MC0{\displaystyle {\begin{matrix}1.5IQR\cdot e^{3MC},&1.5IQR\cdot e^{-4MC}{\text{ se }}MC\geq 0\\1.5IQR\cdot e^{4MC},&1.5IQR\cdot e^{-3MC}{\text{ se }}MC\leq 0\end{matrix}}}[23]

Observa–se que para distribuições simétricas, omedcouple será 0. Isto reduz o bloxplot de Tukey como igual comprimento dosfio de bigodes, de amplitude interquartil de 1,5 para ambos osfio de bigodes.[23]

Comparação de diferentes conjuntos

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Figura 7. Os digramas podem identificar diferenças entre grupos. Os dados de dois grupos distintos foram mesclados e os gráficos dos três conjuntos mostram como os dados pertencem a grupos distintos

Com o diagrama de extremos, é possível visualizar se existe ou não existe equivalência em conjuntos de dados. A figura 7 mostra que de fato não se trata de um único conjunto, mas de dois grupos A e B distintos. Esta evidência é destacada caso os dados experimentais sejam plotados, em dot plot ou em gráficos de pontos, em conjunto com os diagramas de caixa.[24]

Por exemplo, ao analisar uma variável quantitativa como a renda (salário) de trabalhadores que pode ser expressa (plotada) em dot plot ou box plot, é notado um único gráfico. No entanto, trabalhadores são compostos por gêneros, sendo possível diferenciar entre dois grupos (gêneros) que são homem e mulher. Portanto, ao analisar o diagrama Renda de trabalhadores, se observa dois diagramas de caixa diferentes tratando a mesma variável quantitativa: renda.[25]

Box plot sobre os rendimentos-hora de homens e mulheres. As linhas tracejadas à esquerda representam o percentil 10 e as linhas tracejadas à direita representam o percentil 90. As barras brancas representam a mediana das observações e os x's brancos representam a média

Referências

  1. Ross, Sheldon (2004).Introduction to Probability and Statistics ofr Engineers and Scientists 3ª ed. [S.l.]: Elsevier. p. 27. 624 páginas 
  2. Mann, Prem S. (2010).Introductory Statistics 7ª ed. [S.l.]: Wiley. p. 115 — 117. 625 páginas 
  3. Navidi, William (2010). «1. Sampling and Descriptive Statistics».Statistics for Engineers and Scientists 3ª ed. [S.l.]: McGraw—Hill Science / Engineering / Math 
  4. The Open University (2013). «1.1.3 Comparing Data Sets Using Boxplots».Interpreting Data: Boxplots and Tables. [S.l.: s.n.] 
  5. Rubin, Allen (2013).Statistics for Evidence-Based Practice and Evaluation 3ª ed. [S.l.]: Cengage Learning. p. 67 — 68. 349 páginas 
  6. abcDevore, Jay L. (2006).Estatística e Probabilidade para Engenharia e Ciências. [S.l.]: Cengage Learning. p. 35 — 38. 692 páginas 
  7. abRedmond, Stephen. «7. Visualizing Data».Mastering QlikView. [S.l.: s.n.] 
  8. abCox, Nicholas J. (2009).«Speaking Stata: Creating and Varying Box Plots»(PDF).The Stata Journal.9 (3): 478 – 496 
  9. Jacobs, Jay; Rudis, Bob (2014).Data–Driven Security: Analysis, Visualization and Dashboards. [S.l.]: Wiley. p. 18. 331 páginas 
  10. Dietz, Thomas; Kalof, Linda (2009).Introduction to Social Statistics: The Logic of Statistical Reasoning. [S.l.]: Wiley–Blackwell. p. 133. 568 páginas 
  11. abcMCGILL, Robert; TUKEY, John W.; LARSEN, Wayne A.Variations of box plots. The American Statistician, v. 32, n. 1, p. 12-16, 1978.
  12. abLauretto, Marcelo de Souza.«Estatística descritiva básica: Medidas de dispersão»(PDF). Escola de Artes, Ciência e Humanidades - USP. p. 9. Consultado em 7 de fevereiro de 2017 
  13. Bussab, Wilton de O.; Morettin, Wilton de O. (2012).Estatística Básica. São Paulo: Saraiva. p. 50. 548 páginas 
  14. abFRIGGE, Michael; HOAGLIN, David C.; IGLEWICZ, Boris.Some implementations of the boxplotThe American Statistician, v. 43, n. 1, p. 50-54, 1989.
  15. Ferreira, Márcia M. C.«Quimiometria»(PDF). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Consultado em 8 de junho de 2017 
  16. ab«Box Plot Statistics». Consultado em 8 de junho de 2017 
  17. Robbins, Naomi (10 de janeiro de 2012).«Comparing Distributions with Box Plots».Forbes. Consultado em 14 de junho de 2017 
  18. «Histograms, seção Choosing the correct bin width». Laerd Statistics. Consultado em 14 de junho de 2017 
  19. Duong, Tarn (4 de maio de 2001).«An introduction to kernel density estimation»(PDF). Weatherburn Lecture Series para o departamento de Matemática e Estatística da University of Western Australia. Consultado em 14 de junho de 2017 
  20. Altman, Naomi; Krzywinski, Martin (30 de janeiro de 2014).«Points of Significance: Visualizing samples with box plots».Nature Methods.11: 119-120.doi:10.1038/nmeth.2813. Consultado em 14 de junho de 2017 
  21. «ESTIMATIVAS DA POPULAÇÃO RESIDENTE NO BRASIL E UNIDADES DA FEDERAÇÃO COM DATA DE REFERÊNCIA EM 1 DE JULHO DE 2016»(PDF). IBGE. 14 de junho de 2017. p. 1. Consultado em 21 de junho de 2017 
  22. abBussab, Wilton de O.; Morettin, Pedro A. (2010).Estatística Básica. São Paulo: Saraiva. 49 páginas 
  23. abHUBERT, Mia; VANDERVIEREN, Ellen.An adjusted boxplot for skewed distributions. Computational statistics & data analysis, v. 52, n. 12, p. 5186-5201, 2008.
  24. «How to Compare Data Sets». Stak Trek. Consultado em 14 de junho de 2017 
  25. Santos, Renato Vale; Ribeiro, Eduardo Pontual.«Diferenciais de Rendimentos entre Homens e Mulheres no Brasil revisitado: explorando o "Teto de Vidro"»(PDF). Centro de Economia Internacional. Consultado em 19 de junho de 2017 

Leituras adicionais

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  • BENJAMINI, Yoav. Opening the Box of a Boxplot. The American Statistician, v. 42, n. 4, p. 257-262, 1988.
  • ROUSSEEUW, Peter J.; RUTS, Ida; TUKEY, John W. The bagplot: a bivariate boxplot. The American Statistician, v. 53, n. 4, p. 382-387, 1999.
  • TUKEY, John W. Exploratory data analysis. 1977.

Ligações externas

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