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Aartilharia de costa ouartilharia costeira é o ramo daartilharia responsável pela operação de armas antinavio baseadas em terra ou pela guarnição debatarias fixas emfortificações costeiras.
Considera-se que uma únicapeça de artilharia baseada na costa equivale a três peças navais do mesmo calibre, uma vez que a estabilidade da peça baseada na costa permite uma precisão significativamente maior que as suas homólogas baseadas em navios. As peças de artilharia baseadas em terra também beneficiam, na maioria dos casos, de abrigos fortificados que lhes davam uma proteção impossível nas embarcações antes do aparecimento dablindagem noséculo XIX.
A artilharia de costa apareceu naEuropa praticamente na mesma altura em que foi introduzida a artilharia pirobalística, durante o final daIdade Média. Os países com costas marítimas instalaram artilharia nas suas fortificações costeiras para se protegerem contra incursões navais. O desenvolvimento da artilharia levou a que fossem construídas fortalezas propositadamente projetadas para a operação de artilharia e para resistir a ataques da mesma.
Já noRenascimento, durante aEra dos Descobrimentos, uma das primeiras tarefas que as potências colónias faziam num território conquistado era a construção de fortalezas costeiras, tanto para proteção contra potências navais rivais como para proteção contra os próprios nativos. Exemplo disto foram as inúmeras fortificações construídas pelosPortugal nas costas deÁfrica e daÁsia durante os séculosXV eXVI.
Conforme o país, a artilharia de costa poderia ser parte integrante damarinha - como nospaíses escandinavos,Alemanha eRússia - ou poderia ser parte integrante doexército - como emPortugal,Brasil,EUA eReino Unido.
Durante a batalha ocorrida noFiorde deOslo, ao largo de Drøbak, em abril de1940, aKriegsmarine alemã perdeu o virtualmente novocruzador pesadoBlücher, um dos seus mais poderosos navios, vítima de uma combinação de fogo disparado por várias posições de artilharia de costa norueguesas, que incluíam duas peças obsoletasKrupp de 280mm - ironicamente, de fabrico alemão - etorpedos Whitehead igualmente obsoletos. OBlücher tinha entrado nas águas confinadas do Fiorde de Oslo, transportando 1000 soldados e liderando umaesquadra invasora alemã. A primeira salva de artilharia disparada pelos defensores noruegueses, a partir da Fortaleza de Oscarsborg, a 1600m de distância, neutralizou a bataria principal doBlücher, incendiando-a. O fogo disparado pelas peças de menores calibres (57 mm a 150 mm) varreu os seusconveses neutralizando o seu equipamento de manobra, antes de vários impactos de torpedo terem feito explodir os seuspaióis. Como resultado, o resto da esquadra invasora, bateu em retirada, dando tempo para que a Família Real Norueguesa, os membros do parlamento e os membros do governo escapassem e dando tempo para a retirada das reservas de ouro norueguesas de Oslo.
Em dezembro de1941, durante a Batalha da Ilha de Wake, osMarines dos EUA dispararam contra as esquadra invasora japonesa com as suas seis peças de 5polegadas (127 mm), afundando ocontratorpedeiroHayate - através de tiros certeiros nos seus paióis - além de terem atingido onze vezes ocruzador ligeiroYubari, forçando-o a bater em retirada. Esta ação repeliu temporariamente as tentativas japoneses para tomar a ilha.
Singapura era defendida pelas suas famosas peças costeiras de grande calibre, onde se incluíam duas baterias, respectivamente, com três e duas peças de 15 polegadas (381 mm). O primeiro-ministroWiston Churchill apelidou a guarnição de Singapura tanto como a "Gibraltar do Oriente" como o "Leão do Mar". Infelizmente, as peças costeiras eram fornecidas, maioritariamente, com munições AP (antiblindagem) e poucas munições HE (alto-explosivo). As munições AP foram projetadas para penetrar oscascos denavios de guerra couraçados, sendo ineficazes contra pessoal. Os Japoneses atacaram Singapura a partir daMalásia em dezembro de 1941 e, apesar das peças de 15 polegadas terem sido colocadas para disparar contra navios inimigos a sul, a maioria deles poderia ser voltada para norte, disparando sobre os invasores. Os analistas militares estimaram que se as peças tivessem sido bem abastecidas com munições HE, os atacantes japoneses poderiam ter sofrido pesadas baixas, mas isso não teria sido suficiente para deter a invasão.
NaBatalha de Tarawa, os Japoneses defenderam a ilha Betio, no atol de Tarawa, com numerosas peças costeiras de 203 mm. Em1943 as mesmas forma neutralizadas no início da batalha, através de um bombardeamento combinado naval e aéreo.
AAlemanha fortificou os seus territórios conquistados naEuropa Ocidental com aMuralha do Atlântico, que consistia numa série decasamatas eblocausses debetão reforçado, construídas ao longo das praias ou, ocasionalmente, mais no interior, para alojar artilharia que incluia as enormes peças navais de 380 mm SK C/34, além demetralhadoras e armas anticarro. A intensão era destruir as embarcações de desembarque dosAliados antes que elas pudessem, sequer, efetuar o desembarque. Isso obrigou os Aliados a realizarem um grande esforço no bombardeamento da costa, durante oDesembarque na Normandia em1944, usando para isso, desde couraçados ecruzadores a contratorpedeiros e, até, numerosas embarcações de desembarque levando a bordoobuses autopropulsados, lançadores múltiplos defoguetes e outros armamentos.
Os esforços aliados para tomada do porto deToulon em agosto de 1944 embateram no apelidado de "Big Willie", uma bataria constituídas de duastorres retiradas do couraçado francêsProvence, cada uma montando duas peças navais de 340 mm/ Modèle 1912. O alcance e a potência destas peças era tal que os Aliados tiveram que atribuir, a um couraçado ou cruzador pesado, a tarefa de bombardear diariamente a bataria, só a neutralizando no final do mês.
Depois da Segundo Guerra Mundial, o aparecimento das aeronaves a jato e dosmísseis guiados reduziu o papel da artilharia de costa na defesa de um país, uma vez que as posições fixas de artilharia se tornaram muito mais vulneráveis a ataques inimigos. Em grande parte dos países, a artilharia de costa foi desativada, transformada em força anfíbia - do tipo dosfuzileiros navais - ou passou a estar equipada com plataformas móveis de lançamento de mísseis antinavio. Alguns países, no entanto ainda mantêm unidades de artilharia de costa fixas, armadas com peças de grande calibres.
Portugal dispõe de artilharia de costa, pelo menos, desde1381, altura em que há notícia do uso debocas de fogo para defenderLisboa contra uma esquadra naval castelhana. Durante os séculos seguintes, foram instaladas bocas de fogo de defesa costeira em inúmeras fortificações ao longo da costa portuguesa, inclusive nas ilhas e no ultramar. No entanto, só em1911 é que a artilharia de costa se individualizou como um dos ramos da Arma de Artilharia doExército Português.
No final da Segunda Guerra Mundial é criado um sistema de posições fortificadas de artilharia de costa para defesa dos estuários e portos do rioTejo e do rioSado, que se transformará noRegimento de Artilharia de Costa. Em1999, a artilharia de costa portuguesa é totalmente desativada.