| Andrónico Contostefano Andronikos Kontostephanos, Andronicus Contostephanus | |
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| Conhecido(a) por |
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| Nascimento | depois de 1125 |
| Morte | depois de 1182 |
| Nacionalidade | |
| Progenitores | Mãe: Ana Comnena Pai:Estêvão Contostefano |
| Cônjuge | dama dafamília Ducas |
| Ocupação | general,almirante epolítico |
| Filiação | João (irmão) Aleixo (irmão) Irene (irmã) |
| Título |
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| Religião | Cristianismo |
Andrónico(português europeu) ouAndrônico(português brasileiro)Contostefano (emgrego:Ἀνδρόνικος Κοντοστέφανος;romaniz.:Andrónikos Kontostéphanos; emlatim:Andronicus Contostephanus) foi um destacadogeneral,almirante,político e membro da aristocracia dirigente doImpério Bizantino durante o reinado deManuel I Comneno(r. 1143–1180). Não se sabe ao certo quando nasceu nem quando morreu; nasceu depois 1125, quando seus pais casaram, e morreu depois de 1182, data da última menção histórica à sua pessoa.
Como general, distinguiu-se na vitória sobre os húngaros naBatalha de Sirmio em 1167, que garantiu ao império o domínio das regiões deSirmio,Bósnia,Dalmácia e do território a sul dorio Krka. Em 1171 liderou a reconquista e a expulsão das tropasvenezianas que ocupavam a cidade deQuios. Tentou por duas vezes conquistar oEgito, entre 1169 e 1177, tendo sido frustrado nos seus planos pela falta de apoio dos nobres doReino de Jerusalém.
Andrónico liderou a mal sucedida tentativa de conquista de Icônio (atualCônia) em 1176, com o objetivo de destruir opoder turco naAnatólia. Em 1182, apoiou a usurpação do trono por parte deAndrónico I(r. 1183–1185), tirano que mais tarde ordenaria a prisão de Contostefano ao descobrir nova conspiração.
Nascido ca. 1132/1133, Andrónico foi o terceiro e mais jovem filho deEstêvão Contostefano,[1] que reteve o títulopanipersebasto e o posto demega-duque, e a princesaporfirogénita Ana Comnena, filha doimperadorJoão II Comneno(r. 1118–1143) e suaimperatrizIrene da Hungria; ele foi assim o sobrinho do imperadorManuel I(r. 1143–1180).[2][3][4] Andrónico tinha dois irmãos mais velhos, João, que também notabilizou-se como comandante militar, e Aleixo, além de uma irmã, Irene.[5]
OsContostefanos eram uma antiga família bizantina e estavam no centro da política e poder há várias gerações através de vários casamentos com a casa imperial dos Comnenos.[6] Supõe-se que o próprio Andrónico tenha casado com alguém dafamília Ducas, ca. 1150, outro clã com ligações imperiais. Ele teve 5 filhos e talvez filhas, embora nenhum é mencionado nas fontes.[7]
Andrónico foi o comandante militar mais proeminente durante o reinado do seu tio Manuel I. Como o seu pai, foi nomeado para o cargo de mega-duque,comandante-em-chefe damarinha de guerra bizantina e governador das províncias deHélade,Peloponeso eCreta.[8] No entanto, os seus maiores sucessos foram como general e não como almirante. Em data incerta, também foi nomeado comandante daGuarda Varegue, o corpo de guarda pessoal do imperador constituída por guerreirosviquingues.[9]
Sua menção histórica mais antiga ocorre durante o cerco deCorfu no inverno de 1148/1149. As forças bizantinas, lideradas por seu pai, estavam tentando repelir osnormandos doReino da Sicília que haviam tomado a cidade. Seu pai foi gravemente ferido durante o cerco no começo de 1149 e morreu em seus braços.[10][3][11][12] O estudioso francêsRodolphe Guilland erroneamente colocou-o em comando parcial duma expedição naCilícia contraRaimundo de Poitiers em 1144/1145, mas o historiador belgaHenri Grégoire determinou que foi uma pessoa diferente, nomeadamente seu tioAndrónico Contostefano.[13][14]

Sua próximo menção, junto com seu irmão Aleixo, ocorre no curso das tentativas de Manuel I para estabelecer a sucessão dinástica noReino da Hungria em seu favor após a morte doreiGéza II(r. 1141–1162) Manuel apoiou seu irmãos,Ladislau II(r. 1162–1163) eEstêvão IV(r. 1163), como seus sucessores; ambos haviam passado algum tempo nacorte imperial como exilados, e Estêvão IV inclusive se casou com a sobrinho de Manuel I (e primeira prima dos irmãos Contostefanos), Maria Comnena.[15][16] Isso foi questionado pelo filho mais velho de Géza,Estêvão III(r. 1162–1172), que em 1162 expulsou Estêvão IV do país. Um conflito prolongado se seguiu, não somente sobre a sucessão, mas também sobre a posse daDalmácia e aregião em torno deSirmio, disputada entre ambos os reinos. Em 1164, Estêvão IV invadiu a Hungria por conta própria, mas teve que ser resgatado por um exército sob Andrónico. Logo depois, foi envenenado por agentes de seu sobrinho.[17][18]
A morte de Estêvão IV transformou o conflito num singela guerra bizantino-húngara por Sírmio e a Dalmácia; ambas as áreas foram reocupadas pelos húngaros em 1166, após conseguirem grandes sucessos contra os exércitos imperiais. Em resposta, Manuel I preparou um grande exército para o contra-ataque em 1167, mas não pode comandá-lo devido aos ferimentos provocados por uma queda de cavalo durante um jogo depolo.[19] Para tal expedição selecionou Andrónico, que meses antes havia sido nomeado mega-duque, o comandante-em-chefe da marinha bizantina, como o líder da campanha, embora também deu-lhe detalhadas instruções para a campanha.[20] O exército húngaro, comandando pelopalatinoDenis, encontrou o exército bizantino próximo deZemun no dia da festa deSão Procópio, 8 de julho. SegundoNicetas Coniates, quando a batalha estava prestes a começar, Andrónico recebeu uma mensagem de Manuel, que proibiu-o de batalhar naquele dia devido a presságios astrológicos desfavoráveis. Andrónico ignorou a ordem e manteve-a escondida de seus oficiais.[21][22]
A resultanteBatalha de Sirmio resultou na "mais espetacular vitória militar [...] durante o reinado de Manuel" (Paul Magdalino), em grande parte graças a habilidade das disposições de Andrónico, a disciplina das suas tropas e a intervenção crucial de suas reservas.[21][22][23][24] Essa vitória levou os húngaros a aceitarem a paz nos termos impostos pelos bizantinos e reconhecerem o controlo imperial sobre a região deSirmio e de toda aBósnia,Dalmácia e da região a sul dorio Krka.[25][26] Manuel celebrou a vitória com umaentrada triunfal emConstantinopla com Andrónico montado ao seu lado.[27][28]

Em 1169, Andrónico foi nomeado comandante de uma frota de navios que transportaram um exército que tinha como objetivo invadir oEgito em conjunto com as forças aliadas do reicruzadoAmalrico I deJerusalém. Este ataque seria o último de uma série detentativas dos cruzados para invadir o Egito.[29][30] A campanha, planejada entre os dois monarcas cristãos possivelmente desde o casamento de Amalrico com a bisneta de Manuel, a princesaMaria, em 1167, não só terminaria em fracasso, mas também levaria ao estabelecimento deSaladino(r. 1174–1193) como governante do Egito no lugar do moribundogoverno fatímida, o tornar-se-ia um ponto de virada nas cruzadas.[31]
Manuel mobilizou uma grande força, muito além daquilo que fora exigido, segundo a crônica deGuilherme de Tiro: 150galés, 60 transportes de cavalos e uma dúzia dedrómons especialmente construídos para transportarmáquinas de cerco. A frota partiu do porto deMelíboto noDardanelos em 8 de julho de 1169. Após derrotar um pequeno esquadrão de escolta egípcio próximo doChipre, Contostefano chegou emTiro eAcre no final de setembro, onde descobriu que Amalrico não havia feito quaisquer preparativos. O atraso por parte dos cruzados enfureceu Contostefano e semeou a desconfiança entre os ostensivos aliados.[32]
Não foi até meados de outubro que os exércitos e marinhas combinadas seguiram adiante, chegando emDamieta, nodelta do Nilo, duas semanas depois.[33] Os cristãos atrasaram o ataque da cidade em três dias, permitindo a Saladino enviar tropas e suprimentos. O cerco foi conduzido com vigor por ambos os lados, com Contostefano e seus homens construindo enormes torres de cerco, mas os sitiantes foram prejudicados pela crescente desconfiança entre bizantinos e cruzados, especialmente com os suprimentos bizantinos diminuindo e Amalrico se recusando a compartilhar os seus com eles e preferindo vendê-los a preços exorbitantes.[34]
Exasperado pelo arrastar do cerco e o sofrimento de suas tropas, Contostefano novamente desobedeceu as instruções de Manuel que ordenou-o obedecer Amalrico a todo momento, e lançou um último ataque contra a cidade com suas tropas. Quando os bizantinos estavam prestes a destruir as muralhas, Amalrico parou-os ao anunciar que a pouco havia ocorrido negociações para a rendição de Damieta.[35] A disciplina e coesão do exército bizantino quase instantaneamente desintegrou após as notícias da paz serem anunciadas, com tropas incendiando as máquinas de cerco e embarcando nos navios em grupos sem ordem. Deixado com apenas seis navios, Contostefano acompanhou Amalrico de volta àPalestina e retornou para casa com parte de seu exército por terra através dos Estados cruzados do Levante, enquanto aproximadamente metade dos navios imperiais que haviam partido de Damieta foram perdidos numa série de tempestades na viagem de retorno, com os últimos chegando em seus portos apenas no final da primavera de 1170.[36][37]
Em 12 de março de 1171, devido ao recrudescimento das fricções entreVeneza e os bizantinos e numa tentativa de reduzir a crescente pressão econômica dos venezianos em seu reino, Manuel encarcerou todos os venezianos residentes no seu império e confiscou todos os seus bens.[38] Veneza retaliou enviando uma frota de 120 navios sob odogeVital II Miguel. Depois de atacar e capturar as cidades dálmatas sob controle imperial, os venezianos aportaram na ilha daEubeia, mas foram repelidos pelas tropas imperiais, e então ocuparam a ilha deQuios para invernarem. Os venezianos enviaram emissários para negociar, mas Manuel atrasou-os até seu próprio contra-ataque, de 150 navios sob comando de Contostefano, ficar pronto.[39] No meio tempo, os venezianos sofreram da doença em Quios.[40]
Em abril de 1172, Andrónico partiu, mas os venezianos foram avisados pelo astrólogo Aarão Isácio, um dos confidentes de Manuel, e apressadamente abandonaram Quios. Contostefano perseguiu-os, mas enquanto os venezianos velejaram para norte, saqueando as ilhas deTasos,Lesbos eEsciros, ele supôs que velejariam para leste, e dirigiu sua frota para ocabo Málea. Ciente do real paradeiro dos venezianos, Contostefano virou-se para norte, e embora conseguiu capturar ou afundar vários retardatários, foi incapaz de obrigar a principal frota veneziana a lutar. O doge Vital II retornou sua frota para Veneza em 28 de maio, mas as perdas sofridas e o fracasso de conseguir qualquer objetivo concreto causaram seu linchamento pela multidão enfurecida.[41]
Em 1176, Manuel atacou oSultanato Seljúcida de Rum, com o objetivo de conquistar a capital, Icônio (atualCônia), e destruir o poder turco naAnatólia. O sultão seljúcidaQuilije Arslã II armou uma emboscada ao impressionantemente grande exército de Manuel enquanto este atravessava opasso de montanha de Tivritze, na fronteira entre os dois estados. NaBatalha de Miriocéfalo que se seguiu, travada a 17 de setembro junto aoLago Beyşehir, naFrígia, as tropas bizantinas foram severamente maltratadas, mas Andrónico logrou mover a sua divisão para a retaguarda, através do passo, sofrendo poucas baixas. Acredita-se que foi ele quem conseguiu convencer o tio, cuja moral tinha ficado muito abalada, a ficar com as suas tropas após a derrota. Sua influência foi um fator importante para que as tropas bizantinas pudessem se retirar em segurança.[42][43][44]
No ano seguinte (1177), Andrónico comandou uma frota de 150 navios noutra tentativa para conquistar o Egito, mas regressou a casa depois de desembarcar emAcre. Ali foi dissuadido de prosseguir com a expedição devido à recusa em cooperar ativamente por parte doconde FlandresFilipe da Alsácia e muitos outros nobres do Reino de Jerusalém.[37]
Após a morte de Manuel em 1180, a sucessão recaiu no seu filhoAleixo II Comneno. Devido a Aleixo ser uma criança, o poder efetivo ficou nas mãos da sua mãe, a imperatrizMaria de Antioquia. O governo de Maria revelou-se muito impopular, especialmente entre a aristocracia que não gostava das suas origens latinas (ocidentais). O grão-duque Andrónico Contostefano e o generalAndrónico Ângelo tiveram um papel determinante na usurpação do trono por parte do primo de Manuel,Andrónico I Comneno em 1182, ao entrarem em Constantinopla com as suas tropas. No entanto, uma vez no poder, Andrónico Comneno revelou a sua natureza tirânica e um forte desejo de acabar com o poder e influência das famílias aristocráticas bizantinas, o que levou Contostefano e Ângelo a conspirar para derrubar Andrónico. A conspiração foi descoberta e Contostefano foi preso, enquanto Ângelo escapou. O grão-duque Andrónico e os seus quatro filhos foram cegados como punição.[45][46]
Devido aos seus feitos, Andrónico Contostefano é uma das poucas figuras a que é atribuído o estatuto de herói nas obras dohistoriador bizantinoNicetas Coniates.[47]