Alexandre, tanto como grão-duque quanto imperador, muitas vezes usava de retóricaliberal, porém manteve as práticas absolutistas da Rússia durante toda sua vida. Logo no início de seu reinado Alexandre realizou pequenas reformas sociais e depois grandes reformas educacionais, também prometendo reformas constitucionais e sobre aservidão, porém nunca fez nenhuma proposta concreta. Na segunda metade de seu reinado ele ficou cada vez mais arbitrário, reacionário e temerário de conspirações. Alexandre expulsou professores estrangeiros das escolas russas e a educação passou a ser mais religiosa e politicamente conservadora.
Internacionalmente, ele governou oImpério Russo durante o conturbado período dasGuerras Napoleônicas. Ele mudou de lado várias vezes entre 1804 e 1812, passando de pacificador neutro, aliado deNapoleão Bonaparte até inimigo do imperador francês. Ele se aliou aoReino Unido em 1805 naTerceira Coligação, porém após sua derrota naBatalha de Austerlitz ele trocou de lado e aliou-se àFrança através dosTratados de Tilsit. Alexandre juntou a Rússia aoBloqueio Continental e travou pequenos conflitos com os britânicos. Entretanto, ele e Napoleão nunca conseguiam concordar em alguma coisa, especialmente acerca da Polônia, e a aliança acabou ruindo em 1810. Seu maior triunfo militar veio dois anos depois, quando ainvasão francesa da Rússia terminou em desastre, levando à queda Napoleão pouco depois naBatalha das Nações. Ao fim do período napoleônico, Alexandre formou aSanta Aliança a fim de suprimir movimentos revolucionários na Europa.
Alexandre se casou em 1793 com a princesaLuísa de Baden, com quem teve duas filhas que morreram jovens: Maria e Isabel. Ele morreu sem herdeiros no final de 1825, devido atifo, apesar de rumores que teria fabricado sua morte e se transformando em um monge naSibéria terem aparecido posteriormente. Sua morte causou grande confusão, com seu irmãoConstantino abdicando de seu direito a sucessão e fazendo com que militares se rebelassem naRevolta Dezembrista contra seu outro irmão, que posteriormente sucederia Alexandre comoNicolau I.
Na sequência do seu nascimento, o jornalSankt-Peterburgskie Vedomosti publicou uma nota:
"No dia 12 de dezembro, antes do meio-dia, às 11 horas, Sua Alteza Imperial, a Imperial Grã-Duquesa MARIA FEODOROVNA, deu à luz em segurança. E assim como no início SUA MAJESTADE IMPERIAL, toda a Corte e todo o Império ficaram encantados com o nascimento de Sua Alteza Imperial o Soberano Grão-Duque, a quem foi dado o nome de ALEXANDRE, então este grande evento de sucesso foi imediatamente anunciado com o hasteamento do Estandarte na Cidade e 201 tiros de canhão de ambas as Fortalezas."
"Você diz que ele terá que escolher quem imitar: um herói (Alexandre, o Grande) ou um santo (Alexandre Nevsky). Aparentemente você não sabe que nosso santo foi um herói. Ele foi um guerreiro corajoso, um governante firme e um político inteligente, e superou todos os outros príncipes de apanágio, seus contemporâneos... Então, concordo que o Sr. Alexandre tem apenas uma escolha, e depende de seus dons pessoais qual caminho ele tomará - santidade ou heroísmo."
– Carta de Catarina, a Grande ao Barão F. M. Grimm[4]
O nome "Alexandre" não era típico dos Romanovs (antes disso, apenas um filho, morto na infância, dePedro, o Grande havia sido batizado dessa maneira). No entanto, depois de Alexandre I, estabeleceu-se na lista de nomes mais populares entre os Romanovs.[5]
Imperador e autocrata de todas as Rússias desde 1801, foi muito influenciado por sua avó, a imperatrizCatarina II da Rússia, que o tirou do país para educá-lo, e o considerava seu sucessor.
Tornou-se czar após o assassinato de seu pai, em 23 de março de 1801. Foi coroado naCatedral da Dormição, noKremlin em 15 de setembro de 1801.
Seguidora, em termos, dos princípiosiluministas, Catarina II convidou o filósofo francêsDenis Diderot para ser seu tutor particular. Como Diderot não aceitou, a imperatriz convidou como preceptor o cidadão suíçoFrédéric-César La Harpe, que, em termos de pensamentofilosófico, seguia as ideias deJean-Jacques Rousseau, era republicano por convicção e um excelente educador que inspirou afeto em seu aluno e ajudou a moldar permanentemente sua mente mantendo-a flexível e aberta. Alexandre é considerado das mais interessantes figuras do seu século, autocrata ejacobino, místico e homem do mundo, natureza complexa, extremamente popular em todos os níveis da sociedade. Iniciou reformas administrativas, educativas, científicas, no regime da servidão.
Alexandre I, Imperador da RússiaROEHN, Adolphe.O encontro de Napoleão I e do czar Alexandre I emTilsit. 1808. Óleo sobre tela, 125 x 152 cm.
Atacou então aSuécia, para obter a Finlândia (1808). Renovou hostilidades contra oImpério Otomano, continuadas até aPaz de Bucareste (1812). O ressentimento russo com o sistema continental dominado pelos franceses provocou a invasão da Rússia (1812). Havia retomado em (1811) a luta contra Napoleão, com isso causou a invasão de seu país, o que fez a Europa levantar-se contra o invasor. Embora retornasse à capital antes da derrota russa emBorodino (setembro de 1812), Alexandre tomou parte ativa na destruição do exército retirante de Napoleão [1813] emDresden e emLeipzig. Entrou emParis (1814) com os Aliados, visitou triunfanteLondres. Após a campanha da Rússia, desastrosa para os franceses, participou daSexta Coligação em 1813 e, caindo Napoleão, contribuiu para a restauração da dinastia dosBourbons. Alexandre comandou o exército russo na campanha contra Napoleão. Após o fracasso daCampanha da Rússia (1812), participou da libertação da Europa (Batalha das Nações, 1813; campanha da França, 1814).
Em 1815, inspirou aSanta Aliança da Europa cristã, com os soberanos do Império Austríaco e do Reino da Prússia. Queria resgatar o poder das dinastias absolutistas europeias. NoCongresso de Viena (1815) recebeu aPolônia, assumiu o trono, deu-lhe uma nova constituição.
Desde a invasão da Rússia, se tornara profundamente religioso. Lia aBíblia diariamente e rezava muito. Deixara-se influenciar em Paris pelos pensamentos místicos de uma visionária,Bárbara Juliana Krüdener chamadaMadame von Krudener, que se considerava profetisa enviada ao czar por Deus. Teve influência curta mas profunda pois o czar nunca mais abandonaria seu fervor religioso.
Voltando à Rússia, a partir de 1818, demonstrou políticas retrógradas e reacionárias que o alienaram do povo. Desde queNapoleão Bonaparte fora derrotado em 1812, surgiram sociedades secretas pela Rússia exigindo a abolição daservidão. Um desses movimentos, um grupo de nobres insatisfeitos chamadosdezembristas, pediam também o fim da autocracia. Sua liga idealista se tornara uma aliança dos monarcas contra os povos, depois dos encontros emAachen,Opava,Liubliana eVerona - campeões do despotismo, defensores de uma ordem mantida pela força das armas.
Alexandre mesmo ficou golpeado pelo motim de seu regimento Semenovski e pensou detectar a presença de radicalismo revolucionário. O que marcou o fim de seus sonhos liberais. Todas as rebeliões lhe pareceram então doravante revoltas contra Deus. Chocou o povo russo ao recusar apoio aosgregos, povo da mesma religiãoortodoxa , ao se levantarem contra oImpério Otomano, mantendo que eram rebeldes como outros. O chanceler austríaco, príncipeKlemens Wenzel von Metternich, a quem o czar deixou a direção dos negócios europeus, aproveitou-se de seu estado de espírito. Tinha mesmo abandonado os assuntos do país a seu favoritoArakcheev.
A morte da única filha muito amada, uma enorme inundação emSão Petersburgo, em 1824, e o descontentamento com os regimentos de seu exército, levaram-no àCrimeia, para tentar recuperar a saúde. Sua coroa passara a pesar muito e não escondia da família e dos amigos o desejo de abdicar. Quando a czarina adoeceu,Taganrog, aldeia nomar de Azov, parecia um destino ideal. Mas o czar contraiumalária durante uma viagem de inspeção, e morreu. Sua morte repentina, seu misticismo, a perplexidade da corte e a recusa de permitir a abertura de seu caixão ajudaram a criar a lenda de sua "partida" para um refúgio siberiano.
Anexou aTranscaucásia daPérsia (1813) e aBessarábia após guerra contra o Império Otomano (1812). Aboliu muitos castigos bárbaros, melhorou as condições de vida dos servos e fomentou a educação. Após sua morte, Alexandre foi sucedido por seu irmãoNicolau.
Casou-se com Catherine Novossiltzev, sem descendência. Paternidade não confirmada.
Com Sophia Sergeievna Vsevolozhskaya
Nikolai Yevgenyevich Lukash
11 de dezembro de 1796
20 de janeiro de 1868
Casou-se com a princesa Alexandra Lukanichna Guidianova e depois com a princesa Alexandra Mikhailovna Schakhovskaya; teve quatro filhos do primeiro casamento e um filho do segundo casamento.