O seu centro histórico bem-preservado é um dos mais ricos em monumentos de Portugal, o que lhe vale o epíteto deCidade-Museu. Em 1986, ocentro histórico da cidade foi declaradoPatrimónio Mundial pelaUNESCO.
Évora e sua região circundante tem uma rica história que recua mais de cinco milénios, como demonstrado pormonumentos megalíticos próximos como aAnta do Zambujeiro e oCromeleque dos Almendres.[7] Alguns povoados neolíticos desenvolveram-se na região, o mais próximo localizado no Alto de São Bento. Outro povoado deste tipo é o chamadoCastelo de Giraldo, habitado continuamente desde o 3º milénio até ao primeiro milénio antes de Cristo e de esporádica ocupação na época medieval. Escavações arqueológicas, porém, não conseguiram demonstra até agora se a área da actual cidade era habitada antes da chegada dosromanos.[7]
Segundo uma lenda popularizada pelohumanista e escritor eborenseAndré de Resende (1500–1573), Évora teria sido sede das tropas do general romanoSertório, que junto com oslusitanos teria enfrentado o poder deRoma. O que se sabe com elevado grau de certeza é que Évora recebeu deJúlio César ouOctávio o nome deLiberalitas Júlia e que foi elevada porVespasiano à categoria demunicípio.[8] A origem etimológica do nomeEbora é provavelmente proveniente do celta antigoebora/ebura,[8] caso genitivo plural do vocábuloeburos (teixo), nome de uma espécie de árvore, pelo que o seu nome significa "dos teixos". A actual cidade deIorque, no Norte deInglaterra, na época doImpério Romano, era denominadaEbóraco (Eboracum/Eburacum), nome derivado docelta antigoEbora Kon (Lugar dos Teixos)[9], pelo que o seu nome antigo está hipoteticamente relacionado com o da cidade de Évora.[10] Na época do imperador romanoAugusto(r. 27 a.C.–14 d.C.), Évora foi integrada àProvíncia da Lusitânia e beneficiada com uma série de transformações urbanísticas, das quais oTemplo romano de Évora — dedicado provavelmente aoculto imperial — é o vestígio mais importante que sobreviveu aos nossos dias, além de ruínas de banhos públicos. Na freguesia daTourega, os restos bem-preservados de umavilla romana mostram que ao redor da cidade existiam estabelecimentos rurais mantidos pela classe senhorial. No século III, num contexto de instabilidade do Império, a cidade foi cercada por umamuralha da qual alguns elementos existem até hoje. SegundoJorge de Alarcão, Ebora foi a cidade lusitana com o maior número de famílias de origem romana, sendo os Júlia, Calpúrnia, Canídia e Catínia algumas das mais destacadas.[8]
Claustros da Sé de Évora (século XIII-XIV)
Operíodo visigótico corresponde a uma época obscura da cidade. Na época dadominação muçulmana, a cidade conheceu um novo período de esplendor económico e político, graças a sua localização privilegiada. Asmuralhas foram reconstruidas e umalcácer e umamesquita foram construídos na área daacrópole romana.[11]
A tomada de Évora aos mouros deu-se em 1166[12] pela acção do cavaleiro Geraldo Geraldes, que mais tarde viria a ser conhecido pelo cognome,Geraldo sem Pavor, responsável pelareconquista cristã de várias localidades alentejanas. Inaugurou-se assim uma nova etapa de crescimento da urbe, que chegou aoséculo XVI como a segunda cidade em importância do reino.D. Afonso Henriques concedeu-lhe seu primeiroforal (carta de direitos feudais) em 1166, e em 1175/1176 estabeleceu na cidade os Freires de Évora (mais tardeOrdem de São Bento de Avis). Em 1181,Évora foi sitiada por um forte exército muçulmano, porém a cidade resistiu ao ataque.[13]
Entre os séculos XIII e XIV foi erguida aSé Catedral de Évora, uma das mais importantes catedrais medievais portuguesas, construída emestilo gótico e enriquecida com muitas obras de arte ao longo dos séculos. Além da Sé, na zona do antigofórum romano e alcácer muçulmano foram erguidos os antigos paços do concelho e palácios da nobreza local[14]. A partir doséculo XIII instalam-se na cidade vários mosteiros de ordens religiosas nas zonas fora das muralhas, o que contribuiu para a formação de novos centros aglutinadores urbanos. A área extra-muros contava ainda com umajudiaria e umamouraria. O crescimento da cidade para fora da primitiva cerca moura levou à construção de uma nova cintura de muralhas no século XIV, durante o reinado deD. Dinis. As principais praças da cidade eram a Praça do Giraldo (originalmente Praça Grande) e o Largo das Portas de Moura e o Rossio. A Praça do Giraldo, sede de uma feira anual desde 1275, também foi local dos Paços do Concelho (desde o século XIV) e da cadeia. Com o tempo, especialmente a partir do século XVI, o Rossio passou a concentrar as feiras e mercados da cidade.[14]
Vista da cidade no Foral de Évora de 1501. A Sé encontra-se no ponto mais alto
Em 1540 adiocese de Évora foi elevada à categoria de arquidiocese e o primeiro arcebispo da cidade, o Cardeal InfanteD.Henrique, fundou aUniversidade de Évora (afecta àCompanhia de Jesus) em 1550. Um rude golpe para Évora foi a extinção da prestigiada instituição universitária, em 1759 (que só seria restaurada cerca de dois séculos depois), na sequência da expulsão dos Jesuítas do país, por ordem doMarquês de Pombal. Nos séculos XVII e XVIII muito edifícios importantes foram reformados ou construídos de raiz emestilo maneirista ("chão").[16] No património da cidade destaca-se a capela-mor barroca da Sé, obra do arquitectoLudovice, e os muitos altares e painéis de azulejos que cobrem os interiores das igrejas e da Universidade.[17]
No século XIX, Évora passou por muitas transformações urbanísticas, algumas de discutível qualidade. Na Praça do Giraldo, a cadeia e os antigos Paços do Concelho manuelinos foram demolidos e em seu lugar foi levantado o edifício doBanco de Portugal, enquanto que a sede do concelho foi transferida ao Palácio dos Condes de Sortelha, na Praça do Sertório. O Convento de S. Francisco também foi demolido (a igreja gótica foi poupada) e em seu lugar foi construído um novo quarteirão habitacional e um mercado. No lugar do Convento de S. Domingos foi erguido oTeatro Garcia de Resende (c. 1892). As muralhas medievais foram em grande parte preservadas, mas das antigas entradas apenas aPorta de Avis foi mantida. No século XX foi construído um anel viário ao redor do perímetro da muralha, o que ajudou na sua preservação.[18]
Évora é testemunho de diversos estilos e correntes estéticas, sendo ao longo do tempo dotada de obras de arte a ponto de ser classificada pelaUNESCO, em1986, comoPatrimónio Comum da Humanidade.[20]
De acordo com os dados do INE o distrito de Évora registou em 2021 um decréscimo populacional na ordem dos 8,5% relativamente aos resultados do censo de 2011. No concelho de Évora esse decréscimo rondou os 5,3%.
★★ De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente
Com uma população de mais de 50 000 habitantes, Évora é a maior cidade doAlentejo e o principal aglomerado urbano da região. A tendência de crescimento é idêntica a de outras cidades portuguesas de média dimensão e é mais alto que o da região envolvente. Como outros centros urbanos portugueses, há uma tendência de movimento de população de povoados pequenos circundantes para Évora.[4]
O município de Évora enquadra-se na grande planície alentejana, caracterizada por uma ondulação muito suave e altitude média de 240 metros. Com uma área de 1 309 km², o município ocupa 5% da superfície da região doAlentejo. A área urbana de Évora abrange 1 643ha.[24]
A paisagem da região de Évora caracteriza-se pelocultivo extensivo decereais, com manchas de pastagem e florestas desobro aazinho. Vinhedos, olivais e arrozais também são parte da paisagem.[24]
O clima da cidade étipo mediterrânico, segundo aClassificação climática de Köppen-Geiger, com chuvas distribuídas de maneira desigual ao longo do ano: a pluviosidade máxima regista-se no inverno; no Verão, Évora é a capital de distrito mais quente, seguida da cidade deBeja. A temperatura média anual é de 15,8 °C, mas as variações mensais de temperatura são grandes; a média mensal mais alta dá-se em agosto (23,3 °C) e a mais baixa em Janeiro (9,3 °C). A temperatura mais baixa alguma vez registada foi -5 °C e a mais alta 44,5 °C. Os nevões são eventos raros. Um dos últimos ocorreu a 26 de janeiro de 2006, dia em que também nevou emLisboa.[25]
O centro histórico de Évora é um dos mais ricos de Portugal, sendo classificado como Património Mundial desde 1986. Alguns dos seus principais monumentos são:[20]
Templo romano de Évora: é um dos monumentos romanos mais importantes dePortugal. Situa-se no ponto mais alto da cidade e foi parte doforum romano. Pensa-se que foi criado por volta do século I para homenagear o ImperadorAugusto, mas mais tarde passou a ser conhecido comoTemplo de Diana.
Sé Catedral: construída entre os séculos XIII e XIV emestilo gótico, é uma das catedrais medievais mais importantes do país, com plano inspirado naSé de Lisboaromânica. No século XIV foi construído um claustro e foram esculpidas as estátuas dos apóstolos do portal principal, obra-prima da escultura medieval portuguesa. No século XVIII a capela-mor foi reconstruída em exuberante estilo barroco.
Igreja de Santo Antão: Foi mandada construir no século XVI peloCardealD.Henrique,Arcebispo de Évora, no lugar onde se erguia a medieval Ermida de Santo Antoninho. Apresenta um considerável conjunto dealtares detalha dourada, destacando-se ainda o raro frontal de mármore do altar-mor representando o Apostolado.
Igreja de São Francisco: foi reconstruída a partir do reinado deD. João II e terminada na época deD. Manuel. Sua arquitectura e decoração mistura os estilos gótico,mudéjar emanuelino. A nave única, coberta por uma imensa abóbada de pedra, é uma obra-prima da arquitectura gótica portuguesa.
Capela dos Ossos: situada na Igreja de São Francisco, foi construída no século XVIII e é inteiramente forrada com ossos humanos. É conhecida pela famosa frase escrita à entrada "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos"
Convento dos Lóios: a igreja e o claustro do convento são bons exemplos do gótico-mudéjar e manuelino em Évora. Actualmente o convento abriga uma pousada.
Palácio de D. Manuel: do paço construído na cidade por este rei nos inícios do século XVI sobreviveu a chamada Galeria das Damas, em que se misturam influências do gótico-mudéjar, manuelino e renascentista.
Nos arredores da cidade poderá encontrar-se o famosoConvento da Cartuxa, ainda hoje habitado por monges.
A cidade de Évora é o centro económico e administrativo da região Alentejo, que ocupa mais de 1/3 do país. A economia eborense baseia-se principalmente no sector dos Serviços, com grande peso do turismo, da Universidade de Évora e dos serviços descentralizados do Governo Central.[32]
A indústria está também bastante presente na economia da cidade, principalmente no sector dos componentes electrónicos e electromecânicos, fabrico de componentes aeronáuticos e construção.[33]
Um dos novos clusters aeronáuticos portugueses instalou-se em Évora, com a espanhola Aernnova como âncora. Várias outras empresas ligadas à aviação já se instalaram ou vão instalar em breve unidades fabris no Parque de Indústria Aeronáutica de Évora. Existem também na cidade o Parque Industrial e Tecnológico de Évora, a Zona Industrial de Almeirim (Norte e Sul) e a Zona Industrial da Horta das Figueiras.[33]
O comércio tradicional localiza-se sobretudo no centro da cidade, zona turística por excelência, enquanto que as grandes superfícies se concentraram maioritariamente na freguesia de Malagueira e Horta das Figueiras.[33]
Desde hipermercados a lojas de retalho especializado, das grandes cadeias nacionais e internacionais, pode-se encontrar em Évora de tudo um pouco, servindo estas lojas não só o município, mas toda a região de Évora e do Alentejo Central.[33]
É também na referida freguesia que encontramos o "Évora Plaza" primeiro grande centro comercial da cidade e do Alentejo. Projecto há muito ansiado pelas populações alentejanas, a sua abertura confirmou-se um sucesso desde o primeiro momento! Conta com 70 lojas, entre as quais a única loja FNAC do Alentejo, um hipermercado Auchan e de 5 salas de cinema NOS, entre outras cadeias de lojas.[33]
A cidade de Évora prepara-se para receber inúmeros investimentos, incluindo a construção de um novo Hospital Central, a construção doIP2 entre aA6 eSão Manços, a restauração da parte principal da cidade (entre o Templo Romano e a Sé Catedral) e que é parte integrante do projecto Acrópole XXI, a Ligação Ferroviária de Mercadorias Sines – Elvas, assim como a modernização e renovação de várias infra-estruturas já existentes na cidade[33].A cidade foi escolhida para ser Capital Europeia da Cultura em 2027, e como tal, inúmeros projetos culturais vão ser desenvolvidos até à data da realização do evento. Destaca-se a renovação já concluída da mítica sala de espetáculos "Salão Central Eborense".
Évora situa-se no centro da região alentejana e é, pela sua situação geográfica, um importante nó de comunicações.[23]Conhecida como a "Cidade das Rotundas", a falta de investimento nas vias da cidade nos últimos anos e a elevada taxa de motorização, faz com que o trânsito flua com muita dificuldade, e principalmente nas "horas de ponta" seja extremamente dificil de circular.
A nível rodoviário, a cidade é servida pelos seguintes eixos principais:[23]
A6 - Via que liga Lisboa a Madrid e tem dois nós de ligação à cidade (Nascente e Poente)
EN 114 - Évora/Montemor
IP 2 - Via que liga Bragança ao Algarve pelo interior do país. No município de Évora está ainda em obras
EN 18 - Évora/Estremoz
EN 18 - Évora/Beja
EN 254 - Évora/Vila Viçosa
EN 256 - Évora/Reguengos
EN 380 - Évora/Alcáçovas
R 254 - Évora/Viana
R 114-4 - Évora/Arraiolos
O Terminal Rodoviário de Évora é sede da empresaRodoviária do Alentejo, que assegura as ligações da cidade com variados pontos da região. Neste terminal funciona ainda a "Transportes do Alentejo Central" e os serviços regulares de ligação a várias regiões do país e ligações internacionais operados pelaRede Nacional de Expressos e pela "Flixbus". O transporte urbano é assegurado pelaTrevo, que tem linhas desenhadas para ligar o centro da cidade com os vários bairros periféricos, hospitais, escolas, zonas industriais, etc. Toda a frota urbana é composta por autocarros elétricos. Existe uma frota de Táxis e TVDE ao dispor da população.
A cidade dispõe também de um aeródromo regional, com pista asfaltada e iluminada, onde funcionam vários serviços, incluindo uma escola de paraquedismo. O aeroporto internacional mais próximo é oAeroporto Humberto Delgado em Lisboa, a cerca de uma hora da cidade.[23]
↑INE (2012).«Quadros de apuramento por freguesia»(XLSX-ZIP).Censos 2011 (resultados definitivos). Tabelas anexas à publicação oficial; informação no separador "Q101_ALENTEJO". Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 27 de julho de 2013