A importância relativa desses fatores é estimada diferentemente por diferentes grupos. Muitas pessoas que se consideram árabes o fazem com base na sobreposição da definição política e linguística, mas alguns membros de grupos que preenchem os dois critérios rejeitam essa identidade com base na definição genealógica. Não há muitas pessoas que se consideram árabes com base na definição política sem a linguística — assim, oscurdos ou osberberes, geralmente, se identificam como não árabes — mas alguns sim: por exemplo, alguns Berberes consideram-se Árabes, e nacionalistas árabes consideram os Curdos como Árabes.
Um árabe, no sentido moderno da palavra, é alguém que é cidadão de um estado árabe, conhece a língua árabe e possui um conhecimento básico da tradição árabe, isto é, dos usos,costumes e sistemas políticos e sociais da cultura.
Quando da sua formação em1946, a Liga Árabe assim definiu um árabe:
Um árabe é uma pessoa cuja língua é o árabe, que vive em um país de língua árabe e que tem simpatia com as aspirações dos povos de língua árabe.
A definição genealógica foi largamente utilizada durante aIdade Média (ibne Caldune, por exemplo, não utiliza a palavra Árabe para se referir aos povos "arabizados", mas somente àqueles de ascendência arábica original), mas não é mais geralmente considerada particularmente significativa.
Embora eventualmente pratiquem ou se interessem por outrasreligiões como oespiritismo e ocandomblé, os árabes são, essencialmente, formados por muçulmanos, judeus e cristãos. Nesse sentido, a maior parte dos árabes, são seguidores doislã, religião surgida naPenínsula Arábica noséculo VII e que se vê como uma restauração do monoteísmo original deAbraão que, para eles, estaria corrompido pelojudaísmo e cristianismo. Os árabes cristãos são, também, muito numerosos; nosEstados Unidos, por exemplo, cerca de dois terços dos Árabes, particularmente os imigrantes daSíria, daPalestina, doIraque eLíbano. NoBrasil,Argentina,Chile,Venezuela eColômbia a proporção de cristãos entre os imigrantes árabes é ainda maior mas só recentemente nesses países que a população islâmica evoluiu, sem necessariamente serem muçulmanos árabes. De modo geral todos os imigrantes espalhados pelo mundo "judeus ou cristãos" são uma consequência longínqua dos efeitos das cruzadas.
Durante os séculos VIII e IX, os árabes (especificamente osOmíadas, e mais tarde osAbássidas) construíram um império cujas fronteiras iam até o sul daFrança no oeste,China no leste,Ásia Menor no norte eSudão no sul. Este foi um dos maiores impérios terrestres da História. Através da maior parte dessa área, os Árabes espalharam a religião do Islã e a língua árabe (a língua doAlcorão) através da conversão e assimilação, respectivamente. Muitos grupos terminaram por ser conhecidos como "árabes" não pela ascendência, mas sim pela arabização. Assim, com o tempo, o termo "árabe" acabou tendo um significado mais largo do que o termo étnico original. Muitos Árabes do Sudão,Marrocos,Argélia e outros lugares tornaram-se árabes através da difusão cultural.
Onacionalismo árabe declara que os árabes estão unidos por uma história, cultura e língua comuns. Os nacionalistas árabes acreditam que a identidade árabe engloba mais do que características físicas,raça oureligião. Uma ideologia similar, opan-arabismo, prega a união de todas as "terras árabes" em um Estado único. Nem todos os Árabes concordam com essas definições; osMaronitas libaneses, por exemplo, rejeitam geralmente a etiqueta "árabe" em favor de umnacionalismo maronita mais estreito, transformando o cristianismo que professam em sinal de diferença em relação aos muçulmanos que se consideram árabes (embora, em outros casos, o cristianismo seja o contrário; valor imutavelmente ligado àidentidade árabe, a qual transcende a religião, sem negá-la, como é o dosmelquitas, cujoPatriarca,Gregório III Laham, afirma "Nós somos a Igreja do Islam").
ALiga Árabe, nome corrente para aLiga de Estados Árabes (em árabe: جامعة الدول العربية), é uma organização de estados árabes fundada em 1945 no Cairo por sete países, com o objectivo de reforçar e coordenar os laços econômicos, sociais, políticos e culturais entre os seus membros, assim como mediar disputas entre estes. Atualmente, a Liga Árabe compreende vinte e dois estados (Egito, Iraque, Jordânia, Líbano, Arábia Saudita, Síria, Iêmen, Líbia, Sudão, Marrocos, Tunísia, Kuwait, Argélia, Emirado Árabes Unidos, Bahrein, Catar, Omã, Mauritânia, Somália, Palestina, Djibouti, Comores, e a Eritreia, que é observadora desde 2003) que possuem no total uma população superior a 200 milhões de habitantes.
A participação da Síria está suspensa desde novembro de 2011 por causa daGuerra Civil Síria, numa votação em que a Síria, o Líbano e o Iémen votaram contra, enquanto o Iraque se absteve.
O objetivo principal da Liga é "aproximar as relações entre os estados membros, coordenar a colaboração entre eles para proteger sua independência e soberania, e considerar, de uma forma geral, os negócios e os interesses dos países árabes".
Nas tradições islâmica e judia, os árabes são um povosemita que tem sua ascendência emIsmael, um dos filhos do antigo patriarcaAbraão com a egípcia Hagar.Genealogistas árabes medievais dividiram os árabes em dois grupos:
os "árabes" do sul daArábia, descendentes deCatã (identificados com oJoctã bíblico). Supõe-se que oscatanitas migraram doIêmen antes da destruição da barragem de Ma'rib (Sad Ma'rib). Os árabes catanitas foram os responsáveis pelas antigas civilizações do Iêmen, incluindo o renomado Sheba bíblico (um descendente de Catã).
Os "árabes" (musta`ribah) do norte da Arábia, descendentes deAdnan, este supostamente descendente deIsmael viaQuedar. Alíngua árabe, como ela é falada hoje na sua forma corânica clássica, foi o resultado de uma mistura entre a língua árabe original de Catã e o árabe setentrional, que assimilara palavras de outras línguas semíticas doLevante.
Os árabes são mencionados pela primeira vez em uma inscriçãoassíria de853 a.C., ondeSalmanaser III menciona um reiGindibu dematu arbaai (terra árabe) como estando entre as pessoas que ele derrotou nabatalha de Carcar.
Segundo uma explicação, a palavra "árabe" significa "claro", "compreensível". Osidososbeduínos ainda utilizam esse termo com o mesmo significado; àqueles cujalíngua eles compreendem (por exemplo, falantes de língua árabe), eles chamamárabe, e àqueles cuja língua é desconhecida deles, eles chamamajam (ajam ou ajami). Na região doGolfo Pérsico, o termoajam é, frequentemente, empregado para se referir aospersas.
Outra explicação deriva a palavra Árabe de uma outra linha: com umametatésica, significandoviajando pelas terras, isto é,nômade. Destaraiz, derivariam os termosárabe ehebreu, significandonômades.
↑Silvia Ferabolli (25 de setembro de 2014).Arab Regionalism: A Post-Structural Perspective. [S.l.]: Routledge. p. 151.ISBN978-1-317-65803-0.According to estimates by the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), countersigned by the League of Arab States, Brazil has the largest Arab colony outside their countries of origin. There are estimated 15 million Arabs living in Brazil today, with some researchers suggesting numbers around 20 million.
↑Sierra, Mauricio (16 de junho de 2021).«Arab Ancestry in Latin America».Berkeley High Jacket (em inglês). Consultado em 15 de fevereiro de 2022.Arab Mexicans are an important group within Mexican society. There are around 1,100,000 Mexican citizens of Arab descent, primarily of Lebanese, Syrian, Iraqi and Palestinian heritage.
↑Anthony McRoy.«The British Arab». National Association of British Arabs. Consultado em 17 de abril de 2012. Arquivado dooriginal em 3 de janeiro de 2015